Notas iniciais
Oláa! Espero que gostem deste capítulo ihihih. Tive de fazer algumas pesquisas sobre a mitologia japonesa para fazer este capítulo e tirando alguns pormenores, a história condiz com o que encontrei nas Internet. Boa leitura*

Soul Society

A pequena shinigami despertava calmamente do seu profundo sono. Sentia-se tranquila, há muito tempo que não dormia descansada, sem pesadelos. Apesar de a dúvida continuar a integrá-la. Quem era a pessoa que a perturbava e principalmente que relação tinham? A morena de olhos ónix olhou em volta e viu uma penumbra a cobrir. Teria saltado de susto se não fosse pela dor latejante de seu braço.

— Karin…

Ela ouviu o seu nome repetidamente a ser pronunciado por aquela voz. Mas desta vez era diferente, o seu tom não era austero, parecia desesperado. Enrugou a testa, mesmo não fazendo a mínima ideia de quem era, estava angustiada pela pessoa desconhecida.

Um vulto surgiu à frente de Karin, e apesar de a morena não conseguir enxergar o seu rosto, conseguia perceber nitidamente que a figura era uma mulher, de cabelos longos, balançados pela pequena brisa que as rodeava.

— O meu nome é… Fujin.

A morena estava incrédula. Ela de facto esperava ansiosamente pelo nome daquela identidade mas nunca esperou que agora a conseguisse escutar. E aquele nome… não lhe era estranho, conhecia-o de algum lugar. A pequena Kurosaki viu aquela fisionomia dirigir-se na sua direcção serenamente e sorrir-lhe. Naquele instante pode-a ver claramente. Longos cabelos prateados soltos, pareciam que reflectiam a luz da lua. Olhos expressivos e de um azul claro, pareciam dois diamantes de tão cintilantes que eram. A sua pela era clara contudo não chegava a ser pálida, e os seus lábios eram carnudos e róseos. Parecia uma deusa aos olhos da jovem morena. Fujin deu uma sonora gargalhada pelo espanto e admiração da futura shinigami.

— O que quer de mim?

Karin tentou não gaguejar ao falar, e viu o sorriso da mulher desmanchar-se, retornando à serenidade.

— Não sou eu que preciso de algo Karin, é você.

A jovem mostrou a sua melhor cara de confusão. Não percebia o que acontecia e cada vez entendia menos. Onde aquela mulher estonteante lhe poderia ser útil?

— Eu sou uma parte de você, sou a sua zanpakutou. Ainda é cedo para conseguir usar o meu poder, mas estava na hora de saber quem sou. A Deusa dos Ventos. Sou das deusas mais arcaicas. Assisti inclusive ao deus do sol, Amaterasu, criar o mundo. Quando expirei pela primeira vez, esse meu gesto clareou a neblina da manhã e preencheu o espaço entre o céu e a terra, e assim o sol brilhou. Todos os deuses estavam satisfeitos com o seu trabalho.

Karin olhava estupefacta para ela. Nunca imaginou que um dia seria igual ao Ichi-nii, que conseguiria ser alguém forte o suficiente para proteger quem amava. E para melhorar o seu estado de choque, a sua zanpakutou era uma deusa do elemento do vento. Isso queria dizer o quê? Que ela possuía a zanpakutou mais poderosa de um elemento?

— Eu vivia no alto das nuvens com meu irmão, Raijin, o deus do trovão. Éramos responsáveis por o clima de todo o universo, e executávamos o nosso trabalho com muito gozo. Ainda me lembro como ríamos quando criávamos tempestades com relâmpagos… Era uma brincadeira para nós. De facto éramos grandes amigos. Uma amizade muito forte, maior que o laço de sangue que nos unia. Mas aí os problemas começaram a surgir. Meu irmão quis assumir o controlo completo do clima, queria derrubar-me para alcançar a sua ambição: o deus mais poderoso. Lutámos e nessa batalha cortei-lhe um braço. E mesmo após esse golpe que o deixou incapacitado, por orgulho, ele não desistiu daquela guerra sangrenta. Obrigando-me a uma opção drástica. Tive de absorve-lo. Ao fazer isso eu conjuguei os nossos poderes. Todos os ventos estão dominados pela sua vontade, consegue criar tempestades e nessas você pode conseguir incluir os relâmpagos… Você conseguirá fazer isso plenamente ao alcançar a bankai.

— Entendo. Mas porque o deus dos relâmpagos ficou assim?

— Ele era assim. Todos nós temos um lado obscuro que tentamos esconder dos outros, nas profundezas do nosso coração. Ninguém é só maldade ou bondade. Temos duas facetas e cabe a nós decidir qual comandará a maioria das nossas acções. Prefer que seja o amor ou o ódio a dominar o seu kokoro, Karin? O meu irmão em tempos permitiu o amor mas seu coração ficou obscuro com o poder e ansiou algo a mais da sua capacidade. Nunca deseje algo que vai para além de si.

A morena cobriu seus olhos com a franja. Ela tinha consciência disso. Ela morreu para salvar a sua irmã contudo também já chegou a ter vontade de matar a dona dos pensamentos do Toushirou, tudo por ciúmes. Sabia que nunca seria especial daquela forma para ele, nunca teria um lugar reservado na sua mente e coração como a outra e isso a machucava profundamente. Ela tinha perdido a guerra sem antes mesmo de começar a lutar. Ela nunca poderia combater contra as recordações deles, a infância que passaram juntos. Ela é que era uma intrusa. Sentia-se ridícula sempre que tentava rivalizar com ela, nunca teria hipótese alguma e sabia disso. Patética.

— Karin, eu sei que você ests desgostosa desta sua nova vivência, compreendo isso. Mas têm de aceitar, e não conformar-se. Dias melhores virão… Terá de ter fé nisso, se não a sua alma desaparecerá. Confie em seu coração.

Confiar nos seus sentimentos era uma artimanha. Eles a iludiam, brincavam como ela como se fosse um joguete do destino. Queria ver o pequeno capitão mas ao mesmo tempo temia o impacto que isso teria sobre ela. E se ela não suportasse a dor de o ver acompanhado pela outra? E mesmo que ele não fosse apaixonado pela amiga de infância – o que duvidava muito- porque ele iria gostar dela, justamente dela? Uma rapariga masculina, sem qualquer atractividade, que só sabia jogar futebol. Ele teria muitas melhores opções do que ela, ele era extremamente lindo, seria fácil para ele ter um grupo de raparigas a seus pés. Isso seria o fim de suas ridículas esperanças, e sem sonhos era o fim de qualquer pessoa.

— Isto não é o fim shinigami. É apenas o início. A nossa vida começa após nós conseguirmos sobreviver à morte.

Notas finais
Agradeço todas as sugestões, todas tiveram um grande impacto na minha decisão! Beijinhos, Jya née. ♥