Notas iniciais
Olá, olá minna! Sentiram saudades minhas? O capítulo foi maior do que esperava, me perdoem por não ser muito boa com lutas XD eheh Espero sinceramente que seja do vosso agrado!! Desfrutem da leitura*

Soul Society

Quanto isso aconteceu?

Era como se tivesse sido ontem, o dia em que falecera e fora enviada para a Soul Society. Todas as experiências agradáveis e desagradáveis estavam excessivamente vívidas em sua memória. Ela tinha morrido… Mas sentia que ainda estava viva, sua vida pouco mudara na verdade.

Certo. Tinha pessoas novas no seu dia-a-dia, e perdera outras -muito importantes inclusive. Contudo, a essência era a mesma. Encrencas eram com os Kurosaki’s, em qualquer mundo.

Por vezes, tinha saudades da paz. Uma dádiva da ignorância.

Há muito que ela a tinha perdido, mesmo em humana… Desde que os hollows invadiram mais frequentemente seu mundo, e ameaçando constantemente sua família. Até na Sociedade das Almas, ela tivera conflitos com outros shinigamis. E neste momento, enfrentava o pior adversário que seu coração poderia imaginar. Toushirou.

Sim, ela sabia que não era ele. O hollow parasita. Contudo, os ferimentos seriam contra o seu capitão. Ela proclamava que iria ajudá-lo, porém, agora que ele encontrava-se à sua frente, ela nem sabia se deveria atacar ou limitar-se a defender.

Ocasionalmente, ruídos perfuravam seus ouvidos, recordando à terceira oficial que não era só ela que estava ali. Hinamori enfrentava o mesmo dilema que o seu. Não notara quando se distanciara da tenente. Agiu por instinto quando partiu para o duelo. Empunhando sua zanpakutou, cruzou sua lâmina com a de Hyourinmaru, o zombie riu jocoso; a recordando de um detalhe, que desmoronara suas sequências de ataques e abalando sua confiança.

"Não se esqueça shinigamizinha, você não me machucará a mim. Nunca."

O descuido temporário com aquela frase, resultou num aranhão em seu braço esquerdo. Superficial, no entanto, ardia o suficiente para a distrair alguns segundos em determinados instantes que pressionava Fujin contra o adversário.

O que deveria fazer?

Mundo Interior Karin

— É a primeira vez que a trago aqui, pequena shinigami.

— Fujin! Onde estamos? É este o meu…

— Sim. Digamos que a minha "casa" não está muito arrumada, por culpa sua.

— Me perdoe.

Karin agachou a cabeça, envergonhada por seu descontrolo emocional. Sempre esquecia que todas as suas energias negativas prejudicavam alguém.

— Idiota. Não conhece ironia, criança?

A deusa riu quando vislumbrou pequenas veias a saltitarem pelo rosto da morena. Suspirou fundo, frustrada e ligeiramente corada, cruzando os braços no peito.

— É um lugar estranho.

— Que modos… é feio criticar o lar dos outros.

— Hai, hai. Mas… Você é a deusa dos ventos certo? Então, porque existem espelhos aqui!?

— Não se lembra do que eu lhe disse? Todos temos várias personalidades. Estes espelhos reflectem cada uma delas.

Karin ergueu uma sombrancelha, confusa. Enxergou à sua volta. A multiplicidade de vidros diversificados era como um enorme cristal. Só naquele momento apreciou a visão. Seus pés caminhavam sob um espelho resplandecente que revelava sua imagem, assim como todas as enormes paredes que a circulavam, confundindo-a com tantos caminhos diversos. Tal como Fujin lhe descrevera, em cada imagem reflectida sua, aparecia uma versão diferente. Não eram somente as vestes que mudavam, sua expressão condizia com o que trajava. Numa surgia sua aparência de criança a chorar, possivelmente retratando a época do falecimento de sua mãe. Outra aparecia, com sua idade actual, numa roupa estranhamente sensual, e ela visivelmente rubra e desconfortável com as vestes. No entanto, ainda assim estava com um sorriso feliz. Possivelmente aquilo seria para agradar o Toushirou.

Curiosamente, ela perdera a atenção dos restantes dos reflexos, focando-se apenas naqueles dois.

— Um labirinto?

— Sim. Pequena shinigami, você sabe o que fazer com o taichou. – A morena ia interrompe-la, porém, a deusa fizera um sinal que a silenciara. — Está confusa. Quer salvá-lo, contudo a forma de livrá-lo da escuridão que se apegou a seu corpo é matando-o. Você quer encontrar outro caminho para o salvar.

— Isso quer dizer que há outro caminho?

— Certamente. Haverá vários caminhos, mas nem todos têm uma saída. Na verdade, só um tem, os outros são somente para a confundir.

— Está dizendo que a única solução é matar o Toushirou!? Isso eu não posso aceitar!

— É uma possibilidade, mas nem eu sei a resposta.

— Fujin, nos conhecemos bem! Eu sei que sabe algo!

— Bom… O zombie vive no corpo do capitão, se o corpo em que ele habita perecer, ele terá o mesmo destino. Se atingir o coração é, inclusive, possível destruir o hollow e ele sobreviver…

— Ficou maluca!? Como o Toushirou sobreviveria? Morreriam ambos!

— Com os cuidados médicos adequados, há essa fraca possibilidade. Apesar de remota. Mas o hollow não teria essa sorte.

— Supostamente os hollows não tem um coração, eles perdem-no com o quebrar da corrente, certo?

— Isso é um facto. Mas para habitar num corpo shinigami, precisa de um. Um mero ferimento os pode destruir, pode não aparentar, porém eles ficam muito débeis nesta situação.

— Não pretende dizer o que devo fazer pois não, Fujin?

— Você é forte Karin, não precisa de mim para decidir seja o que for. Não, por enquanto.

— O que quer dizer?

— Nos vemos em breve, pequena shinigami.

A albina fora sugada por um dos espelhos. A Kurosaki sentiu, logo em seguida, algo queimar seu braço. Entendeu que era o arranhão em seu braço. Por mísera sorte, ela escapara de um golpe quase fatal do hollow.

— Distrair-se num combate é perigoso, shinigamizinha.

— Limite-se a lutar, hollow.

Manuseando os ventos que circulavam sua zanpakutou, utilizou-os para erguer a perna até à altura da cabeça do zombie. Aumentando a reaitsu no seu tornozelo, faiscando em poder, acertou sua face.

Karin conseguiu surpreende-lo, contudo, ele reagiu a tempo de também a flagrar. Agarrando no seu tornozelo, cuspiu algum sangue na sua direcção.

— Você até que é rápida, shinigamizinha.

— Não baixe a guarda, idiota.

Apoiou a palma no solo, rodopiando a outra perna, ponteando-o no rosto, arremessando-o para longe de si. Cravou Fujin no chão, enquanto raios cintilantes rasgavam suas vestes. Aumentando a velocidade, Karin socou diversas vezes o tronco de Hitsugaya.

Ao perceber que o poder espiritual do hollow aumentara consideravelmente, afastou-se ligeiramente, esperando algum ataque. Nada veio. Receosa continuou a andar para trás, encarando fixamente o corpo do shinigami parado. Em menos de um segundo, ele estava atrás de si, sorrindo macabro.

"Shunpo? Ele pode usar os poderes do Toushirou!?"

Os dedos dele torciam-se em no pescoço da shinigami. Karin revirou os olhos de dor, escutando o rangido dos ossos dobrarem. Alguma saliva escapava pelos cantos de sua boca, tentando inutilmente abafar a pressão em seu pescoço, com o suporte de suas mãos.

Arranhava-o freneticamente, desesperada por ar e alívio. Num instante de lucidez, talvez por ajuda de sua zanpakutou, conseguiu pensar numa escapatória. Num cantar quase surdo e gaguejante, ela criou uma bola de energia espiritual azulada. Não tinha como o golpear directamente nem de acumular uma forte potência em seu ataque. Contudo seria o desejado para queimar sua mão, que por instinto a largaria levemente.

Como previsto ele diminuiu a força, o necessário para ela revirar-se e afastar-se. Ajoelhada, Karin suspirava ofegante, com pontadas fortes no peito.

— Você é bem irritante garota!

— Engano seu. Só não gosto de morrer, sabe?

— Oh. E também sabe ser sarcástica… vai ser divertido cortar sua língua.

— Experimente. Se puder.

— Quanta arrogância para uma simples garota shinigami.

Vacilou dois passos, foi ao encontro de Fujin, voltando a empunhar seu cabo na altura da sua cintura. Numa troca de olhares breve, retomaram ao duelo intenso entre lâminas.

No confronto directo de força, empurravam-se mutuamente com suas espadas, obrigando-se mutuamente a recuar. Os olhos ónix perderam-se, nesse momento, na sua lâmina incolor, notando seu reflexo. Como os espelhos que encontrara em seu mundo interior, ela reviu seu aspecto colegial, uma humana indefesa e confusa. Era assim que se encontrava naquele combate.

Seu medo e indecisão estavam a enfraquece-la. Desviou o olhar para o seu oponente e sorriu triste, perante a face contorcida de divertimento ocasionada pela sede de sangue. O hollow não lutava com vontade de vencer, aliás, era fraco. Contudo, aproveitava-se da situação emocional que a perturbava.

— Fujin estava certa.

— Falando sozinha shinigami?

Evocando sua zanpakutou silenciosa, Karin separou sua katana no par negro e branco, mantendo uma delas pressionando Hyourinmaru e com a lâmina branca, cravou-a no peito do seu capitão, ignorando os salpicos vermelhos que pingaram seu rosto alvo.

Empurrou a ponta da lâmina, ignorando o barulho da carne a rasgar, dos gemidos dolorosos do zombie que utilizava a voz de Hitsugaya.

Como salvar alguém de si mesmo? Destruindo-o? Era esse o conceito de salvação para o momento… matar quem tentava salvar?

— Me perdoa, Toushirou… Eu… Não sei o que…

Agira por impulso. Uma medida que reflectia o seu desespero naquele confronto.

— Obrigado, Karin.

A morena reunira coragem suficiente para encarar seu capitão, deparando-se com os brilhantes olhos turquesa. Não havia o hollow. Nem raiva ou mágoa com seu acto. Gratidão? Por quê?

— Porque não me odeia!? Eu feri você! Eu matei…

— Não. Me salvou. Estou livre daquele maldito. Karin, você conseguiu aquilo que eu falhei. Acho que se tornou mais útil que a irresponsável da Matsumoto.

— Toushirou! Não sejas tão duro com ela!

Por um momento, esqueceram-se que o sangue do shinigami ainda jorrava a zanpakutou e as vestes negras da Kurosaki. Um espirro do líquido avermelhado fora o que os obrigara a regressar à realidade.

— Matte, Toushirou! Vou chamar alguém do quarto esquadrão para curarem você!

Agonia.

Ela tinha que o salvar. Não aceitava outro destino que não fosse esse. Ia retirar a lâmina de seu peito com cautela, no entanto, o albino a surpreendeu; pressionando sua mão sob a dela no cabo da espada. Impedindo-a de prosseguir com o gesto.

— O que está fazendo, idiota? Por acaso quer morrer!?

Porque Toushirou sorria? Ele não devia estar a gritar com ela por ter sido imprudente? Por agir sem pensar…? Por acaso, Hitsugaya estava aceitando a morte, de facto? Essa mera especulação, fizera o corpo de Karin estremecer de frio. reparando, atentamente, o golpe profundo praticamente descoberto.

Pequenas gotas cristalinas, brilhavam como diamantes em seus olhos ónix. Ninguém iria conseguir curar aquele ferimento. E mesmo que sim, não chegariam a tempo.

— Eu vou usar um kidou de cura, até alguém vir e…

— Ambos sabemos que depois da nossa luta, você não tem reaitsu suficiente para me curar. Desmaiaria em poucos minutos, e em nada meu estado melhoraria.

— Está desistindo Hitsugaya-taichou!? Esse não é o perfil de um capitão! Não o do meu capitão!

A oficial berrava a plenos pulmões, quase ficando sem ar. Era agoniante ele simplesmente não querer fazer nada, era desesperante ela ter de lutar pelos dois. Estranhou a ausência de resposta e percebeu que o mesmo estava a perder as forças. Só havia uma pessoa que a poderia ajudar nesse caso.

— Fujin, preciso de sua ajuda!

— Pequena shinigami, quer ajudar o capitão de gelo. Estou certa?

— Isso mesmo! Como eu o posso curar!?

— Na verdade, não pode.

— O quê!?

— Seu poder não é suficiente...

— Então me passe todo o seu poder Fujin! Eu não vou deixar o Toushirou morrer!

— Tem certeza? Está disposta a tudo por esse shinigami?

— Sim.

— Esperava encontrar hesitação em seu olhar ou fraquejar no tom. Pelos vistos, estava errada. Desvalorizei seus sentimentos, Karin-dono. Há sim, algo que pode fazer.

— Sério? O quê? Me diga, onegai!

— Eu posso curá-lo. Se passar todo o meu poder espiritual para Hitsugaya-san, seu ferimento será curado. Mas… tem condições que precisa saber.

— Do que se trata?

— Você deixará de ser uma shinigami.

Karin piscou os olhos atordoada, agachando a cabeça. Não cogitou que teria de escolher entre duas pessoas importantes para sua vida.

— Como… isso é possível?

— Você está dando meu poder, abdicando de sua zanpakutou. Torna-se uma alma comum. Não sentirá fome como a maioria dos habitantes de Rukongai. E pode perder as memórias, de novo.

— Compreendo. Não irei lembrar de você, Fujin?

— Nem de sua família ou do capitão.

— Mas eles, pelo menos, estarão bem. Certo?

— Sim. Fisicamente.

— O que quer dizer?

— Pequena shinigami, só você irá perder seus poderes com esta decisão. As lembranças e tudo o que viveu até agora. Os outros não serão influenciados.

— O Toushirou não se vai esquecer então?

— Não.

— E o que vai acontecer com você, Fujin?

— Como está me transferindo para outro shinigami, irei fazer parte de sua zanpakutou. No caso, o dragão de gelo.

— Então, não irá sumir? Isso me alivia.

Fujin por um momento se entristeceu com o sorriso murcho de sua mestre. Ela sabia o que significava aquele pequeno gesto: Karin estava decidida a prosseguir. Como zanpakutou, nunca fora emotiva ou demonstrar afectos… Contudo, sua convivência com a Kurosaki a modificara ligeiramente.

Em um único movimento, abraçou a terceira oficial, numa breve despedida. Sentindo o abraço apertado da morena, correspondendo ao seu gesto.

— Obrigada por se preocupar comigo, pequena shinigami. Yukino e eu estamos felizes por termos sido suas zanpakutous. Não chore, criança. A luta ainda não acabou. Nós iremos viver, é isso que a motiva a seguir em frente. Você é uma Kurosaki.

— Nunca esquecerei de vocês. Uma parte de mim, sempre se irá lembrar…

Nenhuma resposta foi escutada ou proferida. Apesar de uma promessa que inevitavelmente seria quebrada, era necessária para reconfortar a shinigami que transferia a reiatsu amarelada directamente para o peito do albino.

As lágrimas fluíram por seu rosto rosado, quando sua zanpakutou sumiu entre seus dedos, deixando uma leve névoa gelada entre eles. Toushirou, inerte, ia desabar no chão. Porém, Karin o segurara antes de isso suceder, o deitando com cuidado, apalpando seu peito, confirmando que o ferimento desaparecera.

Com os dedos a tremer, ela tocou a face do capitão. Contornando os seus lábios entreabertos, com a ponta de sua unha. Agachou-se até ele, encaixando suas bocas. Não movera os lábios. Limitara-se a tocá-los. Sentindo a textura e o ligeiro gosto agridoce. Abriu receosa as pálpebras, despertando um singelo riso ao assisti-lo dormir tranquilamente.

— Espero que me vá visitar, Toushirou. Estarei à sua espera.

Um espasmo violento quase asfixiou a Kurosaki. Seu corpo parecia arder interiormente, como se estivesse derretendo. Gradualmente, foi deixando de sentir as reaitsus conhecidas à sua volta… E com elas, as lembranças.

Era essa a sensação de morrer pela segunda vez?

Notas finais
Não foquei no MomoXKira porque isso será o próximo capítulo. Um especial *risos* O que vocês querem que eu foque? Luta, romance, conflito amoroso na Hinamori, pensamentos do Kira... O que desejam? Eu vou falar um pouco de tudo -em princípio- mas queria saber o que os leitores preferem que eu foque mais ^^ Obrigada a todos os que acompanham e comentam esta fanfic, vocês habitam no meu kokoro!! Beijinhos, Beijinhos.~ P.S.: Já agora que tipo de final para esta fanfic desejam? Eu tenho algumas ideias diferentes, mas o que optam? Um final feliz mas meio triste, um dramático, ou um mega feliz/romântico ou perverso(hentai)? :v