A História de Karin

36 Bem-vindo, Inverno


Notas iniciais
Olá, oláa~ Eu disse que voltaria em breve, não foi mesmo? Duvidaram? (Bom, não vos censuro por isso eheh). Estou a postar quase dois capítulos ao mesmo tempo exactamente para compensar todo o meu atraso. Aliás, agora vou criar uma oneshot em conjunto, e depois actualizar uma fic em conjunto também Ichiruki. Quando o fizer, vou voltar minha atenção ao próximo capítulo desta fanfic, portanto aguardem notícias minhas ein? Sobre Snow Flower... Eu já fiz a minha parte, falta agora a Shino-chan escrever a dela. No final vamos reler juntas e melhorar umas partes, mas isso não demora muito mesmo. Ou seja, essa em breve será actualizada eheh Desfrutem da leitura*

O branco é a junção de todas as cores do espectro das cores. No entanto, um erro simplório nessa junção é o suficiente para o branco reduzir-se a um preto arrepiante. Enquanto o branco ofusca a visão, o preto cega-a. Confundindo todos os sentidos impiedosamente.

São o preto e branco, de facto, cores? Ou uma junção entre as mesmas?

A transformação do branco em preto exige uma quantidade muito menor que a inversa. A comparação entre luz e sombra é igualmente válida. A luz não existe sem sombra, por mais ínfima que seja. A sombra, do mesmo modo, pode consumir a luz.

E quando misturadas, o que resulta?

Luz e sombra. Branco e preto.

Afinal, todos possuem ambos os lados...que vão do claro mais intenso ao escuro mais profundo.

Seriam os hollows na realidade o lado obscuro dos shinigamis? Seriam as almas condenadas na realidade um requisito dos ceifadores de almas? Será que o hollows agora finalmente retomaram para seus verdadeiros corpos? Ou seria uma artimanha dos quincys para afastar os shinigamis?

Mundo Real

Karin apertava o peito, surgindo marcas avermelhadas pela força que exercera com seus dedos.

— Fujin! Você está-me escutando?

Sempre que não sabia o que fazer procurava sua zanpakutou. Aguardou ouvi-la em sua cabeça, contudo demorou um pouco mais do que ela previa para obter alguma resposta.

— Pequena shinigami.

A imagem da zanpakutou, sempre elegante, surgiu ao seu lado.

— Droga! O que está acontecendo? Meu peito arde!

— Está a morrer.

Quase tossiu com essa resposta. Isso era impossível. Ela não tinha ferimentos, não existiam inimigos a atacá-la desprevenida… como poderia algo assim acontecer?

— Do que raio está falando, Fujin?

Pressentiu que ela ia responder, porém seu corpo tornou-se uma névoa, começando a desaparecer. Gritou por seu nome, no entanto não alterou em nada a situação. Começando a preocupar deveras a shinigami. Fujin sempre vinha em seu chamado, só quando desconhecia seu nome não tinha esse contacto com sua zanpakutou.

Foi quando ela reparou que a imagem da deusa dos ventos foi substituída pela de sua mãe. E ao seu lado, uma reprodução de imagens. Parecia uma nuvem com várias ilustrações. Revelando Toushirou no meio de uma tortura, prestes a morrer. Tão atordoada com o que enxergava, com o medo a aflorar sua pele, não sentira que a dor em seu peito sumira.

Masaki eliminou a imagem da mesma forma como esta aparecera, porém o olhar ónix permanecia a encarar o lugar onde Hitsugaya fora reflectido, como se ainda lá estivesse.

— Karin, filha, por vezes… a única maneira de mudar o presente é alterando o próprio passado. Apesar de parecer ilógico, se não impossível.

— Como assim? O que quer dizer com isso oka-san?

— Na hora certa, você compreenderá.

A Kurosaki ergueu uma sobrancelha, claramente mais confusa que anteriormente. Optou que naquele momento esqueceria aquela frase, e focar-se-ia no essencial.

— Como posso salvar os zombies? O velho disse que saberia a resposta.

Masaki sorriu com a menção de Isshin, apesar da tristeza iminente em seu olhar usualmente cintilante.

— Use sua zanpakutou. Confie nela.

Lembrou-se de Fujin, em seu primeiro encontro. Quando ela a protegera, mesmo a Kurosaki ainda não a conhecendo. Fujin confiara em si primeiro do que ela. Como por magia, vários outros momentos foram desencadeados… até os palpites embaraçosos que ela sempre insinuava entre si e o seu capitão. Era impossível não confiar naquela bagunceira.

— O que está acontecendo? Que guerra é esta? Meu peito… Ele…

— Impedi seu coração parar de bater.

A terceira oficial foi apanhada de surpresa. Tanto por ela prestes ter morrido de novo como pela leveza que ela lhe informou disso. Bom, isso não a deveria surpreender tanto, era sua mãe afinal. Masaki sempre fora tranquila, principalmente nos piores momentos. Era a forma de tranquilizar toda a família, sempre estava sorrindo.

— … O quê?

— Isshin. Ele guardou minhas armas quincys, com elas algum do meu poder espiritual ficou neste mundo. O suficiente para entrar em contacto com você e impedir que morresse.

A morena agachou a cabeça, pensando no sofrimento em especial de uma pessoa.

— Por que nunca conversou com o velho também?

Estava a sorrir, porém havia uma pequena parcela de tristeza.

— Só iria prolongar a dor de ambos. A despedida seria inevitável. E a breve esperança que acompanharia essa conversa, tornaria tudo mais doloroso.

— Compreendo.

Karin suspirou fundo, levando as mãos à franja, limpando algumas gotículas de suor naquele local.

— Filha?

— E o Toushirou? Ele está bem, certo?

— Sim.

Pelo seu desespero transparente, algo incomum nela, a quincy percebeu que ela referia-se à imagem que anteriormente lhe revelou.

— Através de Fujin, consegui ajudá-lo também.

— Como isso é possível? Ajudar um shinigami com a zanpakutou de outro? Isto é cada vez mais confuso, oka!

A confusão da morena, sua revolta por base da incompreensão, até mesmo seu aumento de tom na voz, não foram imprevisíveis para Masaki. Na verdade, ela aguardava por uma reacção semelhante.

— O poder espiritual está desaparecendo. Os quincys estão a apoderar-se do poder dos shinigamis, e não só. Sugam a sua reaitsu. E ampliaram isso a outros que tinham contacto com os que já estavam dominados.

— Através do Toushirou eles tentaram sugar minha reaitsu, e através de mim conseguiu curá-lo.

Com um sorriso materno comum, acenou timidamente.

— Como você percebeu agora, um shinigami necessita de sua reaitsu para sobreviver. Afinal, sem poder espiritual o shinigami não tem poderes ou vida, já que estão mortos.

— Daremos um jeito nesses bastardos!

O desejo da vitória sob os adversários, através de qualquer meio, privilegiando o fim. Íris negras e conturbadas pelo ódio e vingança. Masaki não aprovou a sua atitude, apesar de compreender. Qualquer um poderia sucumbir à dor se não fosse devidamente apoiado. Assim como um hollow poderia reencontrar a salvação, o shinigami poderia deparar-se e entregar-se ao desespero de sua alma.

A quincy depositou carinhosamente sua mão no ombro da filha.

— Não existe maneira de uma menina vencer a guerra sozinha. Ajudar seus companheiros é o melhor jeito de ganharem os quincys. Foi assim que eu venci também, com o apoio de seu pai.

Num silêncio mórbido, Karin responsabilizava-se por sua incapacidade. Não conseguir ajudar de forma nenhuma era a pior das torturas. Apertou com força sua palma, um gesto que não passou despercebido à quincy, que não deixou de entristecer.

— Você talvez nunca irá lembrar disto que direi, mas… se lembre que mesmo que a história mude, que um dia você não reconheça aquele capitão, vocês voltarão a encontrar-se, a conhecer-se e a apaixonar-se. Ficarão juntos. Lute contra o destino se for necessário.

— Do que está falando oka?

— Não se esqueça minha filha…

Ao piscar os olhos, notou os móveis com uma decoração simples de seu quarto. Uma ligeira tontura, a fez resmungar, levantando-se com cuidado. Quase de imediato, percebeu que se encontrava em sua forma de shinigami, com o gigai caído a poucos centímetros de si.

Uma pequena brisa circulou o cabo de Fujin atraindo sua atenção. Recordando-se das palavras de sua mãe, rodeou o cabo, apertando-o. Ela confiava em Fujin, estava segura desse sentimento.

Expirou com força o ar à sua volta, encarando a janela aberta. Dirigiu-se ao telhado, sentando-se, observando atentamente o céu sem estrelas. Ao contrário do que se esperava, ela não desgostava de uma noite escura.

No branco todos os segredos eram revelados. Não havia nada que se escondesse, por estar tudo iluminado. No entanto, o escuro camuflava segredos. Esse mistério a fascinava. Porém, em alguns momentos, a assustava.

Constatou que estava frio. O que não era de estranhar para a época do ano. Inverno.

Porém, soubera que algum tempo que não nevava na cidade de Karakura. Mesmo com as temperaturas negativas, nada originava o efeito mais aguardado da estação natalícia. Teve vontade de sorrir quando se recordara do portador do dragão de gelo. Ele faria nevar sem problema, cumprindo incontáveis desejos de humanos.

Gostava de ver o espetáculo da neve pairando no céu antes de despedir-se de novo de seu mundo. Isso lhe trazia boas lembranças, na qual um par de olhos esmeralda estava sempre presente. Acreditava que da próxima vez assistiria esse cenário com o albino ao seu lado.

Sua bochecha queimou quando algo pequeno e gelado tocou sua pele. Karin não precisou de comprovar para saber do que se tratava. Finalmente, estava nevando em Karakura.

Coincidência?

Notas finais
O capítulo ficou muito confuso? Por um lado, é normal algumas partes não ficarem muito claras porque há uma coisa em especifica que será revelada mais à frente, que acaba por explicar o que estava para trás. Outras, talvez tenham ficado confusas porque não expliquei detalhe a detalhe para não ficar chato XD Qualquer dúvida sintam-se à vontade para esclarecer eheh Beijinhos, Beijinhos *-*