Então foram ficando semanas, meses, até que moravam ali. No começo a matriarca não gostava de Daniel, muito menos aprovava seu subentendido romance com o filho mais novo dela. Depois de um tempo, ela fingia não gostar dele e se acostumou com o relacionamento. Ela no entanto foi adoecendo e se tornando mais frágil na velhice. Os dois rapazes eram quem mais cuidavam dela na casa. James a tratava com um carinho especial e via nela uma figura materna, apesar dela lhe tratar de forma dura às vezes.

No fim das contas, ela não disfarçava o quanto gostava de seu genro, afinal, era a pessoa mais prestativa e organizada da casa, ajudava com os afazeres, não deixava uma louça suja e ainda era um excelente cozinheiro. Já tinha se esquecido que um dia o desaprovara, já tinha se esquecido que era um “problema” que ele e o filho fossem ambos homens. Ela só conseguia se lembrar do quanto amava seus três meninos. Bom, e Brenda também, de sua própria maneira.

Brenda lhes ensinou a cultivar melhor a horta e explorar de forma adequada os animais. Vendiam seus produtos na feira da vila e com o tempo e o dinheiro que juntaram abriram juntos uma padaria no próprio castelo na fazenda que apesar de distante da vila era bem frequentada pelos habitantes de lá e de todo reino, além de viajantes que chegavam curiosos para provar os famosos pães recheados de James.

Em algum ponto, Lady Tremaine não andava mais, ficava só na cama, frágil como só. Os garotos ainda cuidavam muito bem dela, mas não podiam fazer muito. Brenda estava grávida, para o desespero de Daniel que não queria ser pai. Lady Tremaine às vezes confundia Brenda com Cinderella e reclamava que ela não fazia nada direito e também cochichava aos seus garotos para que escondessem a comida porque Cinderella estaria comendo toda comida deles escondida e ficando gorda demais. James ter uma barriga avantajada, entretanto, não era um problema. Era seu protegido.

Por falar em Ella, a princesa pediu ao rei que banisse do reino todos aqueles que levantaram suas espadas contra o irmão e o pedido foi concedido. Ela passou a frequentar a fazenda da família para ir à padaria de James e logo frequentava jantares no castelo dos Tremaine e eles frequentavam jantares no palácio real. Se tornaram pela primeira vez, uma família de verdade.

Algum tempo depois, Henry e Ella se tornaram reis. Todos os Tremaine, incluindo Brenda, foram considerados membros da família real, ganhando títulos de nobreza. Daniel e Brenda se tornaram conde e condessa. Alastair e seu marido, James, se tornaram duques de uma nova região do reino que começava no território da antiga fazenda Tremaine e se expandia muito além. Sim, marido. Apesar de nunca ter ocorrido um casamento entre homens até então, Ella não achou nada nas leis do reino que proibisse, já que ninguém tinha cogitado a ideia anteriormente. A festa foi grande e magnífica. Sem saber quem convidar, deixaram o casamento público e se surpreenderam com a quantidade de gente do povo que compareceu. Muitos só pela curiosidade de ver dois homens se casando. Alguns, para aproveitarem os comes e bebes porque houveram boatos de que a comida viria da padaria de James, que agora tinha muitos empregados e era famosíssima. O nome do território dos duques foi sugerido pelo Conde Daniel: Poça-Nova.

Os duques continuaram morando no antigo castelo Tremaine com a mãe de Alastair, enquanto Daniel e Brenda preferiram uma casa perto dali. Nem tudo eram flores, entretanto. No final da gravidez de Brenda, Madonna Tremaine estava muito enferma. Morreu nos braços de James dizendo que o amava tanto quanto os filhos que saíram dela e lhe fazendo prometer que diria à Cinderella que ela sentia muito por tudo que tinha feito de quando era criança até hoje.

Ella já havia a perdoado há muito tempo, afinal já se tratavam como família e se viam com certa frequência. Mas, às vezes, Lady Tremaine não se lembrava disso. Brenda também não se importava quando recebia uma resposta “cruzada” ou um comentário ofensivo de sua sogra ao ser confundida com a filha postiça. Se gostavam, inclusive, na maior parte do tempo.

— Eu prometo, mamãe. – James lhe beijou a testa e os olhos dela descansaram para sempre.

Brenda teve seu bebê, uma menina, muito parecida com ela. A amava desde o momento que a viu, mas não se sentia pronta para ser mãe. Daniel rejeitava a ideia de paternidade desde o momento em que perceberam a gravidez, ainda que achasse a criança bonitinha. Queriam viver intensamente, eram igualmente irresponsáveis e ainda queriam viajar pelo mundo. Foi de comum acordo que resolveram doar a criança a quem pudesse amá-la ainda mais e dar a ela uma vida decente. Estavam a caminho do palácio para pedirem ajuda à Ella quando sua carruagem foi alcançada pelo corcel escuro de Alastair.

— Fiquei sabendo o que pretendem fazer. – ele disse depois que parou a carruagem. – Não precisam mais procurar novos pais para esta criança. – ele estendeu os braços, ainda montado em seu cavalo. – Eu a quero. Eu e James a queremos. Mais que tudo no mundo.

O casal se entreolhou e concordaram que era o melhor a se fazer. Brenda entregou a recém-nascida ainda sem nome nos braços de Alastair que a recolheu com muito amor. Seus olhos encheram, seu sorriso transbordou e a pequena garota sorriu pela primeira vez, de volta para ele quando começou a brincar com ela.

Alastair retornou para casa com sua filha, que foi recebida com muitos beijos pelo segundo pai. Aquela era a garota deles. Madonna Tremaine II, ou como gostavam de chamá-la, Maddie.

O território de Poça-Nova foi muito bem administrado pela família, se tornou uma terra produtiva para o reino, rica em comércios. Ella adorava a sobrinha e a enchia de presentes. Daniel e Brenda também a tratavam como uma muito querida sobrinha. Um dia foram fazer a viagem de seus sonhos pelo mundo e nunca mais voltaram. Provavelmente morreram congelados em alguma montanha.

Quem nunca mais apareceu por ali foi a Fada Madrinha. Talvez porque ninguém ali precisava mais dela.

E foram felizes para sempre.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.