A História da Morte
1 Quando a noite teve filhos.
NYX
Estava entediada, andando de um lado para o outro no meu templo, era totalmente negro, a estrutura tinha vários pontos brilhantes e um ponto maior, eram as estrelas e a lua, literalmente. As estrelas emitiam um brilho prateado, que poderia cegar um mortal se este estivesse muito próximo à estrela. Minhas pernas começaram a doer, me sentei no trono, totalmente prateado, com uma almofada negra e cheia de pontos, estrelas. Tamborilava os dedos da mão direita no braço do trono, tocando sem querer em algumas estrelas, que ao receberem meu toque, sumiam. Uma esfera negra como a noite se formou frente à mim, se dividiu em duas, e tomou a forma de dois homens. Meus únicos filhos e primogênitos.
-Bom... — pensei um pouco sobre o nome do primeiro filho, ele tinha cabelo crespo, pele pálida, olhos cinzentos, um lábio que não se destacava muito da pele e estava, claramente, sonolento. -Hipnos. — apontei para o garoto sonolento, seu nome agora era Hipnos. -Personificação do sono. — pensei um pouco sobre o nome do outro, ele possuía cabelos lisos e negros como a noite, seus olhos eram heterocromáticos, um era dourado e outro era negro, sua pele era tão pálida quanto a de Hipnos, ele emanava medo, dor e sofrimento. -Thanatos, personificação da morte. — disse à Thanatos. -Vocês são, oficialmente, os primeiros filhos de Nyx, a noite! — declarei, olhando-os orgulhosa. Hipnos caiu no chão, roncando. -Vou ter que educá-los. — olhei para Thanatos, que estava apodrecendo uma das minhas Árvores Estreladas. -Vocês irão para a escola de imortais submundanos, obviamente no Submundo.
-Mamãe, vou ter que levar o Hipnos ou ele pode acordar e usar as pernas? — Thanatos disse, pegou uma pedrinha e jogou na testa do irmão. -Acorda. — ele disse e jogou mais uma pedrinha, nesse momento Hipnos se levantou e o Thanatos sentiu seu braço dormente, um dos poderes de Hipnos.
-Tô acordado, criatura. — disse Hipnos, bocejando.
-Olhem, vocês têm dois aspectos, o romano e o grego. Vocês estão no aspecto grego, mas ao mesmo tempo estão no romano. — isso pareceu ter confundido um pouco Hipnos, Thanatos assentia continuamente, fazendo seu cabelos se mexerem para cima e para baixo.
-Mas, a gente pode escolher ent... — Hipnos bocejou e caiu duro no chão, roncando.
-Levo ele pra escola. Até mais, mãe. — Thanatos pegou Hipnos no colo, colocou-o em seu ombro, segurando-o pelas pernas, os braços da personificação do sono balançavam, Thanatos e o irmão sumiram em uma névoa branca.
Um brilho prateado se fez, tomou uma forma sólida e um dos meus Seguidores da Noite apareceu.
-Lady Nyx, tem certeza disso? — ele perguntou.
-Sim, sim. — assenti, ainda encarando o lugar exato no qual Thanatos desaparecera com o irmão.
THANATOS
O Submundo não era como eu imaginava. Apesar de não ter nem um dia de vida, estava em minha forma adolescente, já que os deuses podiam assumir essa forma. O Submundo era todo vermelho, fogo pra todo lado, algumas partes tinham rios, abismos, na verdade só um abismo, e tinha um palácio enorme. Comecei a caminhar, sem saber onde estava indo, com Hipnos no ombro, olhava tudo ao redor, menos para frente, sem querer esbarrei em alguém e Hipnos caiu de cabeça no chão.
-Ai. — apenas foi o que Hipnos disse, passou a mão na cabeça, e se levantou, sonolento. Ele olhou para algo atrás de mim, me virei rapidamente, e quando vi, uma garota. Cabelos encaracolados e castanhos, pele pálida mas nem tanto, olhos cinzentos, um lábio rosado, e o mais atraente, o seu cheiro. Tinha um cheiro que, incrivelmente, me trazia pensamentos bons, era uma coisa rara.
-Ahn... hum... Desculpe. — eu disse, coçando a nuca e olhando para baixo, tentando não olhar para a garota. Ela tapou a boca com a mão, claramente escondendo um sorriso. Não pude não corar. -Vamos, Hipnos. — finalmente disse, comecei a andar, mas a garota logo me parou.
-Espera... vocês são os primogênitos de Nyx? Thanatos e Hipnos? — a garota perguntou, animada e curiosa.
-Como sabe? — perguntei, confuso.
-O Olimpo inteiro já sabe! Todos os olimpianos! — ela disse, empolgada, deu pulinhos e sorriu. -Ah cara! Que legal! Vocês também estão indo para a escola?
-Sim. — respondeu Hipnos, desequilibrando-se, percebi que ele ia cair, segurei-o pelo braço.
-Não dorme agora não, cara. — olhei discretamente para a garota, pensei que ele tinha entendido o que quis dizer.
-Qual é seu nome? — Hipnos perguntou, coçando o olho.
-Macária. Deusa da Boa Morte. — ela respondeu, nesse instante a examinei, como se fosse algum tipo de cópia.
-Você é como... uma servidora da morte? — perguntei.
-Tipo isso. Eu mato as pessoas de um jeito bom. "Boa Morte". — ela sorriu simpaticamente, retribui o sorriso.
-Eu sou a morte. De todos os jeitos. Então... oi, ahn... servidora, ah sei lá! — dei de ombros, Macária riu.
-Querem ir pra escola comigo?
-Claro. — eu respondi, Hipnos estava dormindo em pé.
Acordei Hipnos quando chegamos à escola. A escola era parcialmente negra e prateada, e parcialmente branca e dourada, possuía quatro grandes torres, a torre das personificações, a de deuses menores e a torre dos deuses olimpianos. Havia vários adolescentes, ou que aparentavam serem adolescentes, indo e vindo pela escola. A porta principal tinha pelo menos dez metros. Uma mulher, que parecia uma bruxa linda, vestindo mantas negras e vermelhas, cheia de detalhes dourados, unhas grandes roxas, pele pálida e cabelos lisos longos e negros, apareceu magicamente na minha frente, ela nos convidou para entrarmos com uma voz harmoniosa e suave, porém um pouco grossa. Estávamos andando pelos longos corredores da escola, Hipnos se manteve acordado.
-Quem são vocês, queridos? — perguntou a mulher, Hipnos parecia ter acordado de um transe.
-Sou Thanatos, personificação da morte. — eu disse à deusa de um jeito entediado, minha voz estava um pouco rouca.
-Hipnos, personificação do sono. — Hipnos disse calmamente à deusa, sua voz estava sonolenta.
-Macária, deusa da boa morte. — Macária, por fim, disse, sorrindo, sua voz estava mais doce, suave e hipnotizante do que o normal.
-E você? — perguntei.
-Sou Hécate, meus queridos, deusa da magia em geral. — a moça era realmente linda, seus cabelos encaracolados caíam-lhe nos ombros, suas roupas eram justas e negras cheias de detalhes e seus saltos negros faziam um barulho que ecoava pelos corredores. Não tinha percebido, mas Hécate havia mudado de roupa, não... tinha mudado de forma. Agora, seus cabelos estavam mais escuros, usava batom preto, suas unhas estavam pintadas de brancos, usava lápis preto nos olhos, tinha um colar de pedras raras que pendia no pescoço. -E sejam bem-vindos à Escola para Imortais!
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