Pela manhã do dia seguinte, Elesis já estava pronta. Usava um short curto vermelho e vestimenta da mesma cor que mais parecia uma faixa larga cobrindo os seios, sem mangas, e um par de sapatos brancos. Eram roupas muito curtas, mas ainda não estava acostumada com o aço das armaduras, e roupas mais largas prejudicariam a mobilidade.

Por isso as pessoas a olhavam enquanto se dirigia para a saída de Canaban, o olhar decidido e a espada nas costas cuidando para evitar aproximações pouco lisonjeiras. Elesis era bonita, e os anos de treinamento desenvolveram-lhe muito bem os músculos das pernas, das costas e dos braços — o que chegava a causar inveja em algumas mulheres, e um outro sentimento nos homens.

Quando chegou onde a carroça estava estacionada, viu a comandante Lothos, de Serdin, e estranhou. Serdin era conhecido por ser o reino da magia, onde as pessoas se dedicavam mais aos estudos e à meditação — ambos considerados chatos e cansativos pela espadachim. Só que aquela mulher, sem dúvida, não se encaixava no perfil de um mago. Alta, branca e bonita, olhos sérios, o corpo coberto dos pés ao pescoço por uma armadura dourada cravejada de tornos vermelhos, lindamente decorada. Também havia uma espada na cintura, de aço, larga e longa. Só os cabelos eram um contraste: mais claros que o dourado da armadura, tão longos que chegavam abaixo dos quadris, e tão volumosos que quase poderia esconder metade do corpo com eles.

–Olá, Elesis — cumprimentou com um forte aperto da mão enluvada de metal — Sou Lothos, da Guarda Real de Serdin. Você está pronta?

–Quando você quiser partir — disse. A comandante a olhou com ar de aprovação.

–Quem diria, Elesis, escolhida pelos guardas — disse um dos Cavaleiros Vermelhos, sorrindo. Havia vários deles ali, e ela percebeu que eram poucos os que sabiam que quem a escolhera não foram os guardas, mas a própria rainha. Deu de ombros e sorriu.

–Acho que todos sabemos o que isso significa — disse uma voz, que Elesis imaginou que poderia sair da cidade sem ter que ouví-la.

O rapaz, pouco mais velho do que ela, se aproximava, alto e musculoso, usando peitoral de bronze e braceletes de couro. Trazia a espada na cintura, mantinha os cabelos grossos arrepiados para cima e para os lados, o que o fazia parecer ainda mais alto. Elesis fechou o punho levemente ao vê-lo.

–E aí, Gerard. Por que a meia armadura? Que eu saiba é dia de folga hoje, não é como se você fosse lutar.

Gerard sorriu apenas com a boca.

–Sempre se deve estar preparado — disse — E como líder dos Cavaleiros Vermelhos, devo mostrar minha posição, você não acha?

–Líder temporário, enquanto a verdadeira líder está fora — corrigiu Elesis. O sorriso que Gerard lhe deu agora tinha um pouco de humor.

–Lembro-me de algo parecido que aconteceu quando Elscud foi chamado para... Ah, mas você se lembra bem disso. Todos sabemos que o vice-líder teve que assumir, não é verdade?

Isso fez Elesis se calar, torcendo os lábios. Enquanto estivesse em missão, Gerard assumiria o posto de líder dos Cavaleiros Vermelhos, embora não fosse o vice-líder — ele e Elesis eram tidos como os melhores espadachins do grupo, e a briga era tanta que acabavam dividindo o posto, embora a autoridade oficial coubesse à menina, em parte por ser filha do primeiro líder. A verdade era que ambos rivalizavam não apenas nas habilidades, mas também disparavam algumas faíscas quando estavam juntos.

–Bom, espero que os guardas de Canaban saibam o que estão fazendo — Gerard suspirou. Elesis franziu a testa para ele.

–Mantendo você como líder do nosso clã, você quer dizer?

Eles ficaram se olhando nos olhos, Gerard de cima pois era bem uma cabeça mais alto do que ela, o que não a intimidava nem um pouco. Os outros membros do clã encaravam a situação pouco à vontade, por isso alguns gemeram de alívio quando um menino chegou correndo, gritando:

–Ei, Elesis!

Gerard se afastou, dando espaço para o pequeno garoto que se aproximava, ofegante, pois correra do quartel até ali segurando um grande embrulho de couro: era Arthur, o filho do ferreiro. Enquanto ele recuperava o fôlego, Elesis sorriu.

–Finalmente, Arthur, pensei que não fosse vir pra se despedir! — ralhou a menina, e ele a olhou com expressão de desculpas.

–Não... Não me avisaram, só quando perguntei onde você estava que fiquei sabendo! Se eu não tivesse vindo a tempo...

–Ei, mas eu vou voltar depois que chutar uns traseiros! — garantiu ela, bagunçando os cabelos sem corte do menino.

–Sim, ela vai voltar em tempo de ver você se formando como guerreiro — zombou Gerard. Elesis o ignorou e Arthur sacudiu a cabeça.

–Não é isso — disse, animado — É que eu tenho um presente pra você, aqui!

Ele estendeu o embrulho de couro e a menina o aceitou, segurando-o por uma das pontas com um agradecimento. Vendo o olhar no rosto do menino, deu uma risadinha e puxou a capa que o cobria de uma vez.

Uma espada de folha larga apareceu em sua mão, mais comprida que as pernas do alto Gerard — e mais grossa que as de Elesis -, reluzindo ao refletir o sol que nela incidia. O cabo grosso era trabalhado em madeira e coberto por uma proteção de couro, e a lâmina de dois gumes tinha um brilho avermelhado, que mudava o foco dependendo do ângulo em que se olhava. Ouviu os suspiros admirados dos que estavam em volta — até Gerard tinha um olhar brilhante para a espada.

–Eu prometi que te protegeria, lembra? — disse o garoto de apenas dez anos, adiantando-se para prender em Elesis o suporte de couro para levar a arma — Já que não tenho idade pra ser Cavaleiro Vermelho, forjei a espada pra você. Bom... Meu pai ajudou — admitiu — Ainda não deixa eu mexer nos foles nem tirar o ferro das brasas sozinho, mas fui eu quem fiz o molde, o cabo e martelei a lâmina a semana toda pra que ficasse perfeita! Também temperei com lascas e pó de rubi pra adquirir o brilho, já que vermelho é sua cor favorita. Eu também marquei um "A" nela — apontou para um risco num dos lados da lâmina, um "A" entalhado de maneira que mais parecia uma runa, conferindo um certo efeito místico além do brilho — Assim você não se esquece de mim quando estiver salvando o reino!

Várias pessoas riram com afeição, e Elesis fez uns movimentos frouxos com a arma — reconheceu ali o trabalho digno do pai de Arthur, que mantinha uma lâmina leve e perfeitamente equilibrada, ao mesmo tempo que era firme e dura. O garoto, que sorria como se tivesse ganho um saco inteiro de doces, daria um excelente ferreiro quando crescesse. Satisfeita, colocou a espada no lugar que Arthur indicava: não havia bainha, apenas uma tira de couro dupla que deixava a espada presa nas costas. Ela se curvou e deu um forte abraço no menino.

–Seu monstrinho... Como eu poderia esquecer de você? O chefe daqueles monstros é que vai ter algo pra se lembrar, quando eu acabar com eles!

–Foi um excelente trabalho — Gerard disse, assentindo devagar enquanto Elesis abraçava o garoto, radiante. Finalmente, Elesis se virou e pulou na traseira da carroça, acenando alegremente para seus companheiros. Não era muito de despedidas emocionadas, e além do mais, ela estaria de volta, assim que ajudasse Serdin com os problemas.

No entanto, ela não sabia que muito, mas muito tempo se passaria até que ela visse os portões de sua cidade natal novamente.

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Envolto em sua túnica branca, coberto por uma capa cor de violeta que lhe cobria os ombros e as costas, o diretor Serre aguardava pacientemente ao lado de uma porta de madeira clara, entalhada com desenhos de estrelas e símbolos antigos de magia, apoiado delicadamente em seu cajado, esperando pelo aprendiz que estava lá dentro.

Quem passasse por aquele dormitório da Academia dos Magos Violetas de Serdin pensaria que se tratava de algum aluno metendo-se em encrenca, no entanto nem todos sabiam que aquele quarto era de Arme Glenstid, a menina encontrada à porta da residência do próprio diretor. Era, sem dúvida, uma das garotas mais exemplares da Academia — o que, costumavam dizer, era irônico, já que crescera sem pai e mãe para repreendê-la por alguma ação travessa. Mas talvez ser neta adotiva do mago mas poderoso de Serdin também servisse.

Não que Serre tenha tido que lidar com comportamento ruim por parte da garota, jamais — era obediente, um verdadeiro prodígio em magia, tranquila, alegre e simpática, se dava bem com todos pela Academia e sempre se destacava nas aulas. Mas numa coisa ela se parecia com muitas garotas da idade dela: a demora em escolher as roupas.

–Pronto... Vovô, estou pronta!

A porta se abriu, revelando a pequena e jovem garota de catorze anos vestida com um das roupas padrão na Academia: sapatos e um vestido violeta que terminava muito acima dos joelhos, com detalhes dourados. Ela adorava a roupa, mas achava que lhe aparecia demais as pernas — então usava sempre um par de longas meias brancas com uma listra violeta no topo, que a prendia acima dos joelhos.

–Estou pronta — repetiu, sorrindo de baixo para ele na expressão que sempre encantava o diretor, não importava seu humor. Os olhos cor de violeta escura pareciam duas pedras preciosas, um pouco mais escuros do que o violeta dos cabelos curtos com uma pequena franja e um sorriso vivo, jovem e alegre, capaz de suavizar o coração de alguém mais do que qualquer magia conhecida. Não obstante, contudo, Serre fechou os olhos e suspirou.

–Mas minha querida, você ficou ali por meia hora, e está vestida exatamente como estava antes...

–O quê? Não, vovô! — Arme protestou indignada — Estas roupas são novas, troquei o sapato com fivela prateada pelo dourado, e o vestido parece com aquele que uso no treinamento, mas está novo e...

Ela exclamou surpresa quando Serre largou o cajado apoiado na parede e a agarrou, levantando-a pelas axilas. Olhou para ela e sorriu, com ternura:

–Arme, querida, estou brincando com você. Está tão linda, tão doce que sinto pena de mandá-la para enfrentar aqueles Orcs e os perigos do reino

–O senhor se preocupa demais — riu a menina — Eu sou bem treinada, posso lidar com qualquer... ei!

Serre a soltara de repente- Arme caiu sentada no chão, levantando-se e massageando os quadris.

–Estou vendo — Serre disse em tom risonho — Ainda bem, pois o destido do reino está em suas mãos!

Sem aviso, pegou o cajado e conjurou um raio, que Arme desviou com o pequeno cetro que carregava. Serre deslizou a ponta em espiral do cajado como se riscasse o chão à frente, criando uma rajada de vento, mas a menina girou na mesma direção da corrente, o cetro erguido de modo que agora era ela quem controlava o vento, canalizando a rajada para o peito desprotegido do avô — que desfez o ar em movimento com um aceno do cajado.

–Viu? Estou preparada! — tornou a menina em posição de defesa, ainda sorrindo. Serre riu e afagou-lhe os cabelos.

Ele a acompanhou para fora da sede da Academia dos Magos Violetas, a respeitável escola de estudos arcanos do reino. Passaram por boa parte da capital Serdin, e enquanto caminhavam pelas ruas ladrilhadas de pedras brancas e limpas, Arme conversava animadamente, fazendo perguntas e garantindo ao avô que limparia o reino dos monstros. Três dias atrás, seu avô a chamara perguntando se ela queria fazer parte da Grand Chase, um grupo com o objetivo de derrotar os monstros e pequenas invasões que vinham ameaçando Vermecia.

–Foi a rainha quem me mandou escolher — dissera-lhe Serre.

–Mas sou apenas uma aprendiz! — ela se lamentara, tímida.

–E uma das melhores que tenho, sabe disso — seu avô lhe respondera calmamente — Ouça, Arme, é preciso não só de uma maga, mas de uma pessoa pura, gentil e de bom coração, eu não me perdoaria se pensasse em outra pessoa que não minha pequena netinha. Você é jovem, mas a magia que estuda é muito antiga, mantenha-se fiel a ela e à sua causa... E a magia irá proteger a você, aos seus companheiros e a todo o nosso reino. Você não gostaria de usar seus conhecimentos para, vejamos, salvar o mundo?

As palavras do avô a encheram de alegria, e ela aceitou a missão com grande honra. Ainda estava muito animada quanto à jornada quando chegaram nos portões da cidade, onde havia uma pequena carroça perto dos muros.

–Senhor Glenstid — disse a mulher ao lado da carroça, acenando em seguida para Arme que a reconheceu como sendo Lothos, a comandante da Guarda, imponente em sua armadura dourada e avermelhada, insistindo em deixar os cabelos loiros caírem soltos mesmo com o elmo que lhe cobria parte da cabeça — Estamos prontos para partir. Achamos melhor começar o quanto antes, afinal, não há tempo a perder. Mas entenderei se quiserem mais algum tempo para despedire-se.

Ela esperou, solidária, mas Serre foi firme quando ergueu a mão:

–Não é necessário, obrigado. Creio que minha neta esteja tão ansiosa para partir quanto você... Que foi, Arme?

–Vamos andar de carroça? — ela perguntou com animação, puxando a túnica do avô: adorava passear, e raramente tinha oportunidade de andar num veículo. Lothos a olhou séria, e disse:

–A maior parte do caminho será a pé, mas esta carroça está indo na mesma direção que nosso ponto de partida, então poderemos viajar sentadas no início da jornada. Isso me lembra — e agora ela sorriu — Tenho de apresentá-la à sua companheira.

Foi até o lado do banco próximo ao lugar do motorista e deu um violento chute na madeira que sacudiu levemente a carroça, e um monte de cabelos ruivos se ergueu do assento, assustado. Uma garota, vestida em short e camiseta curtos("Roupas que eu jamais usaria!", Arme pensou) pulou da carroça, esfregando os olhos sonolenta, mas despertando rapidamente.

–Seja bem-vinda a Serdin, senhorita Elesis — cumprimentou Serre respeitosamente — Sou o diretor Glenstid, da Academia de Magos Violeta. Esta é minha neta, Arme, e será sua companheira na Grand Chase.

–É a companheira de quem lhe falei — falou Lothos. Elesis virou-se para Arme, notando-a e fazendo uma careta.

–O quê? Vou lutar contra monstros junto com uma maguinha vestida de meia? Esqueça. Posso dar conta deles sozinha, Lothos, não preciso da ajuda dessa aí.

–Olha como fala comigo! — explodiu a outra, zangada — Pra começar, você nem me conhece, e...

–Eu não pedi ajuda de nenhuma criança!

–Ah, e você, acha que eu te escolhi pra ser minha companheira? Se eu soubesse que teria que andar com uma garota mimada que nem...

O som da luva de metal de Lothos na nuca das duas soou como um estalo que penalizou até os guardas que observavam a cena perto dali. Ambas se calaram, Arme mostrando os dentes enquanto massageava a cabeça, e Elesis fingindo que nada sentia. Mas seus olhos estavam tomados de um desprezo profundo, como se alguém tivesse lhe prometido chocolate, mas entregado um doce mordido. De repente, a Grand Chase não parecia mais tão divertida ao lado de uma menininha como aquela.

–Creio que começamos com o pé esquerdo — Serre falou com tato — Esta é Arme, minha neta e mais valiosa aluna, mas não se deixem enganar pelo ar da juventude. Seus conhecimentos de magia são poderosos, e tenho certeza de que lhes serão muito úteis em sua jornada.

Mas seu tom, além de conciliador, era também sério, deixando claro que não aprovara o comportamento da espadachim — e nem o da neta. Elesis bufou, mas não ousaria afrontar o diretor, e por fim, sua expressão se suavizou.

–Eu não dormi bem esta noite — justificou-se — Bom, Arme, se você acha que consegue nos acompanhar, por mim está tudo bem.

–Sou perfeitamente capaz — respondeu, percebendo o tom de voz da interlocutora — Não se preocupe, talvez suas habilidades não sejam necessárias, depois que eu usar minha magia nos monstros.

Elesis estreitou os olhos.

–Está insinuando que...

Lothos ajeitou melhor a luva na mão, e ambas baixaram a cabeça instintivamente.

–Que me sinto honrada por estar participando da Grand Chase ao lado de uma guerreira tão valorosa... Comandante, e da Elesis também — Arme falou rapidamente, estendendo a mão para a menina, que a apertou com firmeza. Lothos soltou a mão coberta de metal como quem não quer nada, e assentiu.

–Bom, vejo que já estão se entendendo. Será o começo de uma grande aventura, amizade e matança de monstros — ela assentiu — Com sua licença, diretor Glenstid.

Serre assentiu sem dizer palavras, recebendo um último abraço em sua neta, já ansiosa para partir. A carroça era aberta atrás, então Elesis e Arme se sentariam lá, com Lothos no banco ao lado do condutor. Arme acenava alegremente para o avô, que observava a carroça diminuir até perder-se na estrada à distância.

E, embora seu coração se enchesse de júbilo por ver a garota, tão nova, já recebendo uma tarefa importante como aquela, foi como se parte dele tivesse ido junto com a carroça, sacolejando e palpitando na estrada. Sabia que sentiria muita falta de Arme — antes dela, só o que fazia era direcionar a Academia de Magos Violetas, e ser o conselheiro da rainha antes disso, antes de se aposentar. Mas desde que a garota aparecera à sua porta... Cuidar dela havia sido algo totalmente inédito. A glória por ter sido conselheiro da rainha, o respeito por ser o diretor e aclamado como mago mais poderoso do reino... Nada disso, achava ele, chegava perto do que sentia sempre que via a pequena garota sorrindo, alegre por ter subido mais um nível na magia, exibindo mais um boletim cheio de notas altas(que era ele mesmo que assinava), ou exibindo as túnicas novas que haviam feito para ela.

Ainda se passariam alguns minutos antes que ele finalmente desse as costas à estrada e voltasse para a Academia, onde se ajoelharia por alguns minutos diante do vitral sagrado que representava as Três Deusas criadoras: a imagem de três mulheres, brancas e magras, uma mais alta que as outras e no centro, virada de frente, ladeada pelas outras duas viradas de lado. Olhava, em especial, a imagem da direita: Armenian, vestida numa túnica violeta, que originara o nome da Academia — e também nome de sua neta, Arme. Fez uma prece silenciosa às Três Deusas e levantou-se, para retornar aos seus afazeres, tentando afastar a preocupação que sentia.

Pois Serre, ao contrário da neta e de Elesis, era um dos poucos que sabiam do verdadeiro motivo de sua rainha ter criado a Grand Chase.