A História De Olivia Dunham
1 Capítulo Único
Eu tinha nove anos quando isso aconteceu. Eu estava sentada no chão do meu quarto brincando com uma boneca, minha irmã dormia. De repente escutei uma gritaria, eu sabia o que era, eu tinha certeza que era meu padrasto. Quando bebia, ficava esquentadinho e gostava de dar uns tapas na minha mãe. Levantei-me depressa, fui até a porta do meu quarto e deixei-a entreaberta, fiquei observando o que ele estava fazendo.
— Você está transando com o vizinho! Eu sei que você está! — Ele gritava segurando o braço da minha mãe.
— Não, não estou! Você precisa se acalmar! Você... Só bebeu um pouco. — Minha mãe exclamou, tentando ser apaziguadora de algum jeito.
Eu dava graças á Deus por minha irmã não acordar.
Eu queria ir até lá e tirar ele de perto dela, mas eu não tinha como. Eu acabaria me machucando, como da última vez. Minha mãe me fez prometeu.
— Você está! Você está saindo com o vizinho! Você acha que não sei? — Ele gritava com o dedo na cara dela.
Ele a jogou para trás, ela bateu com as costas na parede e ele deu um soco no nariz dela. Ele começou a bater bastante forte no rosto da minha mãe.
— Vadia! Acha que não sei? — Ele repetia a cada soco.
Minha mãe chorava. Ele largou ela no chão e saiu, batendo a porta atrás dele. Ouvi o barulho do carro dele ligando e saindo. Eu corri até a minha mãe, ela chorava.
— Mãe, mamãe! Tudo bem? O que ele...? — Disse nervosa, eu era só uma criança. Não sabia direito o que eu podia fazer.
— Eu... Meu nariz! Eu acho que quebrou... Eu... — Ela estava atordoada.
Ela simplesmente aceitava, nunca tinha ligado para a polícia, nenhuma vez. Não tinha coragem.
Foi aí que ouvi o barulho do carro dele, inconfundível, voltando. Eu sabia que ele ia voltar e bater mais na minha mãe, eu não poderia ajudar ela. Me lembrei que ele guardava uma arma no criado mudo ao lado da cama, corri até o quarto deles e peguei a arma. Quando ele abriu a porta, eu puxei o gatilho. E puxei de novo.
Eu vejo até hoje o rosto dele que me desafiava á terminar o serviço, a matá-lo.
— Faça. — Ele falou com desgosto. — Atire.
Ouve um longo silêncio, eu achei que podia tomar coragem... Mas não. Eu sabia que não conseguiria, e ele também.
— Você não tem coragem. — Ele cuspiu as palavras com desgosto.
Ele deu ás costas á mim e minha mãe que chorava atrás de mim. Entrou no carro e saiu. Não o vimos por um bom tempo, ele acabou sofrendo um acidente e minha mãe foi avisada, ela foi até o hospital... Como se nada tivesse acontecido. Os médicos achavam que ele não ia sobreviver, mas o maldito se recuperou. E, certa noite, simplesmente sumiu do hospital. E nunca mais o vimos.
Eu ainda me culpo por não ter feito. Deveria ter matado ele! E eu sei que ele não é responsável por todas as coisas do mundo, mas ele é responsável por algumas. E agora todo ano... Ele me envia um cartão de aniversário... Só pra me avisar que ele ainda está por aí. Vivo.
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