A História De Devil
7 Capítulo VII - A dimensão paralela
Notas iniciais
Parece tão distante. Minha mente parece destruída, não sei onde estou... Parece tão diferente, distorcido, uma cidade vazia...
Comecei a andar, vi Hidden caído do outro lado de uma ponte, não conseguia usar meus poderes, então não consegui ir rápido. Levantei Hidden e perguntei se ele se lembra do que aconteceu, nós dois perdemos a memória. Não sabíamos como tínhamos chegado lá.
Eu e Hidden começamos a andar, procurando pela Lisa. A aura dela estava indetectável, e eu já estava começando a ficar nervoso, até que vi uma luz dentro de uma casa na cidade vazia. Entramos na casa, e vimos um sinal feito na parede, era o sinal feito por anjos-demônios pra identificar o esconderijo, resumindo, entramos em uma área proibida. Ninguém entra em um esconderijo de anjos-demônios e sobrevive pra contar.
Comecei a correr pela cidade, realmente, não existia ninguém lá, Lisa tinha sumido, e aos arredores da cidade, não tinha chão, não tinha céu, não tinha nada, era como se fosse uma cidade fora do planeta. Outra dimensão.
Hidden estava tonto, e a aura dele começou a voltar, então começou a falar uma língua estranha e seguir um caminho na cidade, que nos levou a uma caverna, que parecia muito com o santuário que visitamos antes de perdermos a memória e pararmos na cidade.
Estavam lá, no chão, nossos corpos, meu, do Hidden e de Lisa, só que havia algo diferente, no corpo de Lisa, havia uma aura negra, uma energia muito obscura, pensei então que nossas almas saíram dos corpos, e estamos dentro e fora da caixa. Supondo isso, Lisa também estaria na cidade, caída em algum canto.
Porém percebi que a alma de Lisa não acordava, o corpo dela estava lá junto com a alma intacta, não estava em energia pura como Hidden e eu, a alma dela ainda estava no corpo, então seria ela a aura negra?
Não... Ela já ativou a aura dela, e era vermelha, como a de Hidden, mas então pensei: Apesar da minha aura ser muito forte, não era negra, era vermelha também.
É, voltamos à estaca zero de novo... Tinha que arrumar um jeito de voltar para o corpo, porém, Hidden ainda estava falando uma língua estranha e seguindo um caminho, e pelo rumo que seguia, estava indo para uma das escrituras do santuário. Comecei a seguir ele... Logo ele chegou onde queria, os olhos dele começaram a brilhar, então ele caiu por um instante e voltou ao normal.
Ele não se lembrava de ter falado a língua estranha, mas lembrou de ter sentido a energia da Lisa por um breve momento em que esteve "possuído", presumi então a destruir aquela parede que estava à escritura apesar do medo de acontecer alguma coisa.
Não ia ser fácil, éramos humanos agora... Sem poderes, sem nada, apenas energia. Talvez um feitiço ajudasse, então peguei meu corpo e tirei um pouco de sangue.
Fiz um símbolo de pacto de sangue na parede, e nunca tinha feito aquele feitiço. Hidden pediu para esperar, por que nunca tínhamos testado aquilo, mas eu precisava saber, eu não o ouvi, e destruí a parede.
Estava lá, um tipo de garrafa, com sangue. Pelo cheiro, não era sangue humano, nem de anjo, e muito menos de demônio, e também não era de anjo-demônio. Lisa estava ao lado, desmaiada, Hidden correu até ela e a acordou.
-Você está bem Lisa?
-Não sei, estou confusa, o que aconteceu afinal? — Respondeu ela para Hidden, com um tom baixo e fraco.
-Não sabemos. — Me intrometi na conversa – E de quem é esse sangue na garrafa?
-Eu também não sei Devil, acabei de acordar. — Lisa disse nervosa e meio tonta.
Fiquei confuso por um tempo, então comecei a perceber... Aquela não era a única garrafa de sangue que estava ali, tinham outras, várias.
Hidden deu uma ideia muito boa, mas também estúpida, de tomar o sangue da garrafa, pra ver o que acontecia. Como éramos energia pura, não tinha como saber o que ia acontecer, o sangue amplifica a força quando estamos assim.
Eu, Hidden e Lisa pegamos uma garrafa cada, contamos até três, e bebemos.
Não acontecia nada, até que Hidden e eu voltamos aos corpos, porém a Lisa não voltava. Eu disse pra ela beber outra garrafa e ela bebeu, então a energia dela veio muito forte, porém voltou ao corpo em instantes, acho que uma dose a mais foi bem a calhar afinal.
Ainda estávamos na caverna, mas a entrada pra tal cidade obscura já não existia mais, e a caixa estava aberta, com um livro dizendo um feitiço.
Hidden que era bom em decifrar a língua de demônios leu o livro. Lá dizia que todos que fizessem o feitiço entrariam numa dimensão paralela, que anjos-demônios usavam para convocações, exterminações e decisões. Anjos-demônios eram guardiões do céu e do inferno, quando um demônio pedia permissão para entrar ou entrava sem permissão, quem decidia o que aconteceria eram eles.
Pelo jeito que a caixa estava selada, presumi que não usavam aquilo há tempos, porém, se selaram com uma força daquela, o que havia naquela dimensão que nós não vimos? Anjos-demônios não tem o costume de selar coisas desse jeito sem ter algo preso lá dentro.
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