Notas iniciais
Ciao gente... Bom. Historinha bsica com o Santinho xd. PS. Amei esse estado... Bom, espero que gostem.
Boa leitura 3.

A HEROINA CAPIXABA.

Eles viriam sim, a qualquer momento viriam tomar minhas terras. Holanda e seus homens já haviam atacado minha irmã, Baía, e não hesitariam em me atacar também, conhecia bem a fama do pirata holandês, ou corsário, como gostava de ser chamado. Grande coisa, em minha opinião. De forma ou de outra, não passava de um nojento, que visava somente irritar Espanha.

E lá estava eu, Espírito Santo. Sentado no pé da ladeira do pelourinho, só esperando a humilhação holandesa, pois eu já estava ciente de que as forças que tinha não seriam suficientes. Eu não podia pedir ajuda a ninguém. Meu pai se encontrava nos domínios de Espanha, enquanto esse, tentava retardar França, que visava também nossas terras, o que não era uma novidade. O francês invejoso odiava ser deixado para trás pelos outros países. Inglaterra não se importava com ele. De Prússia ninguém sabia e Espanha, agora tinha Brasil.

Pensei até em ir atrás de Portugal, mas sabia que seria inútil, o velhote estava ocupado de mais com os assuntos da União Ibérica, isso é, tentar arrumar um jeito de quebrar a cara do irmão Espanha e tomar Brasil de volta. Eu poderia ir atrás de Itália, sempre gostei bastante dele, mas em uma guerra, Itália Veneziano era completamente inútil. Além disso, mesmo se Romano resolvesse aparecer junto ao irmão, o sujeitinho de Roma conseguia ser pior ainda, além daquela amizade com Espanha.

Olhei para o horizonte. Os Navios holandeses se aproximavam cada vez mais. Era meu fim. Era só uma questão de tempo. Meus homens, ao menos os que me apoiavam, se aglomeravam a minha volta.

- Não permitiremos que o levem. – Dizia um deles, colocando uma mão em meu ombro.

O olhei com tristeza.

- É impossível, rapaz. – Proclamei, engolindo em seco minhas próprias palavras. – Não temos a mínima chance contra Holanda. Ele é um pirata, já está acostumado a roubar dos outros.

- Sempre há uma saída. – Respondeu ele, sorrindo ternamente, provavelmente tentando se convencer de suas próprias palavras. Sim, eu era jovem, mas não idiota, eu sabia que ele estava dizendo isso somente para me confortar.

- Ao menos... – Foi minha fala, cansada porém determinada. – Não poderei dizer que não tentei.

...

Assim que Holanda desembarcou, a luta começou. Meus companheiros foram para cima, com tudo, mas não tinham chance. Os Holandeses tinham armas potentes, provavelmente roubadas de alguma embarcação inglesa. Além disso, eram treinados e atiravam com destreza.

Fechei os olhos com força. Não agüentava mais ver meus homens caindo um a um. Eu era um inútil, não tinha muito que eu pudesse fazer. Pensei em me retirar, quando senti algo afiado alojando-se em minhas costelas. Olhei de relance para trás, para encontrar os olhos verdes de Holanda.

Ele riu com prazer.

- Em fim você é meu, jovem filho de Brasil. – E me pegou pela cintura, atirando-me em suas costas, enquanto subia a ladeira, triunfante.

O gosto de sangue já era insuportável em minha boca. Holanda havia me dado um golpe de espada, depois a retirou somente para me fazer sofrer. Eu mordia a língua para não gritar, mas a dor era lancinante.

- Deixe minhas terras em paz. – Supliquei covardemente. Pelo visto, eu não era tão diferente dos irmãos Itália.

- Nunca. – Gritou com prazer, saboreando a vitória. Foi aí que um grito em particular me chamou a atenção.

- Senhor Holanda!. – Gritava um homem, antes de cair morto no chão. Olhei de esguelha para o corpo inerte, notando profundas queimaduras.

- Dêem o fora. – Gritava uma mulher, da janela de sua casa. Olhei para ela, e notei que ela não deveria ter mais de vinte anos, apesar do rosto marcado pelo tempo. Ela era bonita, mesmo não sendo mais tão jovem. Tinha os olhos verdes brilhantes em fúria. Sua pele era morena clara e seus cabelos, castanhos e compridos, eram presos em um rabo de cavalo alto. Ela gritava, e com uma panela de barro, atirava água fervendo nos corsários holandeses.

- Garota insolente. – Rosnou Holanda, atirando-me no chão e indo em direção à mulher.

Levantei de um impulso. A dor que sentia era assustadora, mas minha determinação era maior.

- Cuidado. – Gritei, me jogando na frente de Holanda e o segurando pela cintura.

O holandês logo se soltou, me jogando novamente no chão.

- Você é fraco, Espírito Santo. – Falou, a fúria crescendo em seus olhos. – Você e essa sua resistência.

Atrás de mim, a mulher continuava a olhar Holanda com nojo é repulsa.

- Vão deixar que falem assim de vocês?. Ela perguntou, olhando em direção aos curiosos que se aglomeravam nas janelas das casas, sem demonstrar qualquer medo. – Ele insulta nosso povo, fere nosso orgulho e nosso estado. e vocês ficarão aí parados?.

Os moradores das casas se entreolharam, depois assentiram, e com um grito de guerra, puseram-se a atirar paus, e pedras nos invasores, inclusive no próprio país da Holanda. Senti meu pulso ser puxado, e olhei de esguelha para a líder do movimento capixaba. A mulher me levou para dentro de casa e começou a tratar de meus ferimentos.

- Tem sorte de ainda estar vivo. – Ela comentou, limpando o local onde antes se alojara a ponta da espada de Holanda. – Foi um golpe certeiro.

Sorri fracamente para ela.

- Sou fraco. – Falei, virando o rosto. Se não fosse você...

- Pare com isso. – Ela ordenou, segurando minha mão e apertando-a com gentileza. – Se não fosse forte, não teria sobrevivido ao Holandês;

Suspirei.

— Qual o seu nome?. – Perguntei, mudando de assunto.

- Maria. – Respondeu ela. – Maria Ortiz, para ser mais exata. E você?, qual seu nome humano?, isto é, se é que uma humana pode saber.

- Uma humana não. – Falei, sorrindo ternamente para ela. – Mas uma heroína pode. Me chamo Carlo. Carlo da Silva, para ser mais exato.

Ela riu.

— Carlo é um belo nome. – Admitiu. – Um pouco italiano de mais, mas é bonito.

Dei uma risadinha aberta.

- Eu sei. – Falei. – Mas gosto dele.

...

Mais de trinta mortos.

Foi esse o progresso da determinada Maria Ortiz. Com sua força de vontade e ajuda de seus vizinhos, mais de trinta holandeses foram mortos. Holanda, por sua vez, humilhado e ferido, simplesmente foi embora, para nunca mais voltar. Já eu, aprendi muito com esse episódio. Aprendi a acreditar que tudo é possível, e que com o povo capixaba, ninguém se mete.

Notas finais
Avisinho básico: Isso se passa no século 17, ou seja, ela com vinte anos na época já era velha xd.
Bom, espero que tenham gostado q.
Ciao!.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!