Lyu e eu estávamos montados em Marley, cavalgando até o topo de uma colina junto com outros dos nossos que teria a mesma missão. O exército inimigo se via ao longe, manchando o horizonte. Semideuses poderosos estavam conosco, Alex, filho de Zeus, guiava seu pégasus ao meu lado, com uma espada na bainha, e Caio, filho de Apolo, armado de arco e flecha, estava acompanhando Alex.

— Ei, Pimenta, dois anos e não cresceu nada? — Alex tentou descontrair um pouco comigo. Eu lhe dou um sorriso e reviro os olhos. — Relaxa, que eu prefiro as baixinhas.

— Faz assim, — decidi descontrair um pouco também. — Se sobrevivermos a isso, a gente conversa.

Alex pisca pra mim, rindo, e segue em frente com seu pégasus.

— Que isso hein pimenta? — Chama o Lyu, disposto a não cair em gargalhadas.

— Cala a boca. — mando. Mas ambos começamos a rir.

— Hey, pimentinha! — Alguém grita atrás de nós. Olho, não dá para ver quem é direito, mas a pessoa se aproxima rápido, de modo que consigo ver quem é. Leonardo Veronezi. Não mudara muito depois de dois anos, apenas está mais alto. Usa uma armadura negra, e uma espada na bainha.

— Lelo! — Chamo, surpresa por revê-lo depois de tanto tempo.

Ele caminha ao meu lado. Cumprimenta Lyu apenas com um aceno de cabeça.

— Senti saudades nesses dois anos. — Comenta ele.

— Também. — Me limito a responder.

— Na noite que você sumiu, não sei o que fazer. E também, não sei se te contaram, mas o Marti conseguiu o que você não conseguiu naquela noite.

— Eu sei... — Falo envergonhada pelo meu fracasso. — Você está em que posição?

— Ah, estou liderando o fronte, junto com uns dois filhos de Ares e com a Luana, a sua irmã. Não sei por que não está lá. A batalha é mais sua e do Marti do que de qualquer outro semideus.

— Pois é, mas tenho um papel melhor para mim, do que ser simplesmente alguém lutando na frente.

— Tome cuidado lá em cima, ok? Seus amigos já te perderam uma vez, não os faça passar por isso de novo. Sem falar que, se você morrer, não temos como acabar com Hécate. Sckart é de suma importância pro desfecho disso tudo.

— Eu sei bem como ela é importante. Melhor você ir para a sua posição, que eu tenho que levantar voo. — Aviso.

Lelo sorri e vai embora correndo. Vejo os semideuses levantando voo, espero chegar a minha vez.

— Se segura! — Aviso para Lyu no mesmo instante que Marley começa a voar, Lyu se assusta um pouco e segura na minha cintura com força.

Damos a volta no ar, para voar na direção do inimigo, eu voo na frente, aguardando o momento certo para ditar as ordens.

— Nós não vamos ficar muito tempo no ar, ok? Vou dar umas flechadas, mas depois você vai em direção às árvores para se esconder deles, enquanto eles guerreiam, nós vamos direto para a montanha, onde o livro está, e eventualmente, Hécate está em pura essência, destruindo o livro, destruímos Hécate. — Lyu revisa o plano comigo mais uma vez.

— E a chave? Pegou com o Marti?

— Não, ele disse que vocês devem destruir o livro juntos, e que irá ao nosso encontro quando possível.

Eu assinto, tudo parecia perfeito. Agora só resta dar certo.

Estamos na metade do caminho. O exército inimigo não parece mais uma mancha no horizonte, e sim, um mar de guerreiros mal encarados. Via gigantes, minotauros e alguns semideuses que deveriam ser filhos de Hécate. Olhei para nosso exército, via semideuses, sátiros e centauros. Me sentia num filme de Nárnia, só faltava um leão poderoso e quatro crianças lutando.

Começo a ditar ordens. Aquelas básicas que se ditam para qualquer arqueiro.

— Mirem em seus alvos! — A flecha de Lyu parecia tocar meu rosto, a encarei hesitante, mas voltei meus olhos para frente.

Lyu começou a gritar:

— Preparar, apontar e... Atirar! — Uma revoada de flechas passou na minha frente. Acertando em nossos inimigos.

Lyu gritava ordens para mais uma leva de flechas, e mais outra e mais outra. Até que ele gritou algo que me surpreendeu.

— FOGO GREGO! — O medo de fogo grego é justificável. Mas não me manifesto contra.

Eles ascendem as flechas, olho de relance para a flecha de Lyu que estava perto do meu rosto, sinto o calor do fogo, com as ordens dele, todos disparam as suas flechas, que iluminam o caminho por onde passam.

— Quer ajudar com o fogo? — Perguntou Lyu. — Sei que Sckart tinha esse poder, e você também.

Eu não respondo, Fecho os olhos, respiro fundo. Lembro do treinamento de Sckart nesses dois anos, os dias que passava na prisão foram úteis para isso. Não foi tão dificil quanto da primeira vez. Não tive de soltar uma quantidade enorme de raiva, eu apenas pensei no que devia fazer, e parece que todas as minhas células contribuíram para o fogo acontecer. No momento eu sentia um enorme alívio saindo de minha mão esquerda, direcionada para o exército lá embaixo. Ouvia gritos de pessoas desesperadas, e eu sorria sabendo que aqueles monstros estavam sofrendo. Abri os olhos e observei aquela cena. Estava voando baixo o bastante para acertá-los. Sorrindo, vendo-os sofrer, sinto uma flecha passar cortando minha bochecha, dou um gemido de dor e cesso o fogo, ao mesmo instante escuto um grito de dor bem atrás de mim.

Lyu fora atingido por uma flecha bem no ombro. Me assusto ao vê-lo ferido e voo mais alto, onde as flechas do chão não iriam nos acertar. Alex se aproxima de nós, Com Caio ainda disparando flechas.

— Pimenta, estão bem?

— Sim! — O Lyu gritou. — Não pegou nenhum nervo nem nada importante, podemos continuar!

— Com você machucado? — Lhe pergunto, ele assente, mas mesmo assim não concordo. — Vou aterrissar mais pra lá, — aponto para a área coberta de árvores ao meu lado. — Cuidarei dele e depois voltamos.

Alex concorda.

— Nós te damos cobertura daqui. — Ele avisa. Eu assinto e vou com Lyu em disparada para a área coberta de árvores.

Não importava o que ele falava sobre não ter sido nada demais, eu sentia um aperto muito grande no coração, e um impulso tremendo de não querer perder meu grande amigo. Tudo que importa agora é mantê-lo a salvo e cuidar de seu ferimento. A guerra que fique para mais tarde.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.