A Herdeira da Coroa de Atlântis - O Início
19 O Resgate
Notas iniciais
Bruna
No momento em que eu li o bilhete deixado pelo suposto sequestrador, eu não tive outra opção, se não entrar em pânico. Eu tinha a difícil tarefa de escolher entre meu namorado e a coroa, daí você lê e pensa: "Mole, mole sua decisão, escolhe o namorado, a coroa é só um objeto!", porém esse o "objeto" é supostamente a arma mais destrutiva do universo (não faço ideia do porque). Então eu tenho que escolher entre uma vida e bilhões de outras vidas. O que torna a decisão mais difícil porque essa uma vida isolada é a vida da pessoa que eu mais gosto no universo.
O bilhete dizia que eu tinha que estar no ginásio da escola às 19h, já eram 16h. Passei boa parte do tempo extra ali mesmo na casa de Roman pensando em um plano para salvar Roman e a coroa. O tempo passava cada vez mais rápido até que lembrei de uma frase que devo ter lido em algum lugar que dizia: "Você não pode salvar todos", e tive de admitir que era a verdade, eu não podia e nem se quer posso salvar todos.
Então sem nenhum plano e com uma escolha que poderia realmente mudar o mundo segui rumo a escola. Quando cheguei na escola tudo parecia deserto. Fui até o ginásio e não sei se foi por ver Roman ou se foi por tolice mesmo, mas não vi ninguém e sequer me importei em verificar.
Para mim naquele momento só existia Roman indefeso, amarrado à uma cadeira inconsciente, suas roupas em farrapos com cortes e contusões em toda pele descoberta. O meu Roman, aquele garoto brilhante que nunca se machuca de verdade, o imortal que ontem estava cantando rock com roupa de gala, no alto de uma torre Eiffel em um lugar mágico. Eu não pude me segurar corri a toda velocidade até sua cadeira no meio do ginásio sem me importar se era uma armadilha.
Quando eu cheguei até ele transformei meu celular no mesmo instante em uma espada cravejada com pedras preciosas, eu tinha que cortar aquelas cordas que prendiam Roman à cadeira. Porém antes que eu cortasse a primeira corda, alguém tira a espada da minha mão com facilidade e me intercepta com uma voz rouca.
— Pra levar o moleque, vai ter que pagar primeiro. — me viro e dou de cara com um ciclope de uns quatro metros de altura — Me dê o controle! — diz o ciclope.
— Ãnh? — faço uma expressão confusa, eu não sabia que iria ser necessário um controle e mesmo assim para que serviria um agora.
— Você tem que me passar o controle da coroa! — diz o ciclope impaciente.
— Como? — pergunto.
— Mulheres! — bufa um monstro atrás de mim, e percebo que estou cercada por um exército de monstros de todos os tipos possíveis.
— Você tem que dizer: Eu herdeira da coroa de Atlantis, pelo poder em mim herdado passo o controle da coroa ao ciclope Polifemo. — diz o ciclope.
— Peraí você está me dizendo que você é Polifemo? Tipo o Polifemo daquela história do velocino de ouro? — eu pergunto como se essa fosse a única coisa importante do discurso do ciclope.
— Sim. Mas isso não vem caso agora. Diga a frase! — diz Polifemo impaciente.
— Eu não acredito! — digo com falsa histeria, um plano começando a se formar — Mas que honra... — sou interrompida pelo monstro que bufou atrás de mim momentos antes, agora vejo que é um mantícora.
— Ela está enrolado! — rosna o manticora.
— Sem enrolação peixinha, você não é nenhuma filha de Atena ou Afrodite e está desarmada e cercada. Agora diga a frase sem mais demoras! — diz Polifemo berrando a última parte.
— OK, mas vou precisar de uma garrafa de água mineral. — digo.
— Qual a necessidade? — pergunta o manticora.
— Bom, faz parte do ritual. E aliás a água tem que ser sem gás. — blefo e todos me olham como se estivessem tentando se lembrar disso — Aah, não me digam vocês não sabiam? Que bando de desenformados. — repreendo-os e todos logo começam a simular que já sabiam de tudo.
— Gavril, busque a água! — ordena Polifemo e um ciclope pequeno, quase da minha altura sai para buscar a água.
Enquanto todos parecem anciosos e impacientes eu fico observando e pensando. "Como é possível que eles acreditaram nessa história de água mineral?" digo em pensamento "Você usou o charme" responde Inistícia "O que?" pergunto sem entender, eu não seduzi eles, então como assim usei "o charme"? "Em breve você entenderá, por agora ajude o garoto" responde Inistícia simplesmente. Então abaixo minha mão até ombro ferido de Roman, posso sentir que ele não tem ferimentos graves mas há uma falta do elixir em seu organismo, isso deve explicar seus ferimentos. Desejo que todos seus machucados se curem e antes que eu possa conferir meu trabalho o ciclope Gavril chega com uma garrafa d'água.
— Pronto agora fale! — diz Polifemo .
— Me dê a garrafa. — peço à Gavril que me entrega a garrafa — Agora abaixe a espada na palma de sua mão Polifemo. — Polifemo me olha desconfiado mas abaixa a mão com a espada. — Eu herdeira da coroa de Atlantis, pelo poder em mim herdado passo o controle da coroa de Atlantis para... — digo entornando o conteúdo da garrafa na mão de Polifemo, e na última parte tocando meus dedos em sua mão e o congelando — ... Para mim mesma porque ninguém me chantageia! — digo empunhando a espada e empurrando a estátua de gelo medonha que se tornou Polifemo, que cai e se estilhaça no chão virando uma poça de lama dourada.
Por um momento todos olham atônitos para o que um dia foi seu líder, mas logo o choque passa e todos avançam em minha direção. Toco uma ponta dá grande poça de lama dourada e congelo, fazendo com que a maioria dos monstros desse lado caiam de cara no chão.
Nessa distração faço um escudo de gelo em volta de Roman e eu, eu precisava de um plano, talvez eu pudesse causar uma explosão ou um terremoto mas isso destruiria a escola. "Use o poder de Nix" diz Inistícia mas eu realmente não entendo o que ela quer dizer, entretanto um impulso me faz criar uma névoa roxa em volta do escudo, o esforço tira todas as minhas energias e o mundo fica preto.
Roman
Depois do meu encontro com Bruna fui direto para a casa de Damen. Um tempo atrás isso significaria provocação ou até mesmo uma terceira guerra Mundial, mas no caso parece que é um assunto importante. A cada 150 anos eu reúno todos os imortais em uma festa e lhes dou mais uma dose do elixir, entretanto esse ano Ever se voluntariou para organizar a festa em meu lugar.
Anuncio minha chegada à porteira que abre o portão para mim, quando chego á casa de Damen a porta está só encostada e os dois estão trabalhando em uma grande mudança pois quase tudo está encaixotado.
— Vai se mudar Damen? — pergunto.
— Sim, estou indo para um local mais em conta. — diz Damen, ele e Ever atravessam o cômodo, Ever tem uma fruta que mais parece um pêssego nas mãos.
— Outra vez aquela história de carma? — pergunto.
— Não, dessa vez não, nós não somos mais imortais Roman. — diz Ever.
— Como? Não tem jeito, ou tem? — pergunto abismado.
— Ever conseguiu colher o fruto da árvore da vida. Nós comemos e acabou toda essa história de imortais. — diz Damen como se fosse a coisa mais simples do mundo.
— Roman, o elixir nos da imortalidade física, mas o fruto nos devolve a imortalidade dá nossa alma. — Ever explica e percebendo que não entendi muito bem ela é mais direta — Esse é um dos frutos — ela me mostra a fruta na sua mão — Provando dele você volta a ser mortal. Sei que é um péssimo argumento mas... A Bruna não é imortal, ela vai morrer ou em uma batalha ou de causas naturais, ela vai ir e você vai fica e chorar sua morte. Sei que você já ofereceu à ela imortalidade mas ela não aceitou, e também posso te afirmar com certeza que que ela não vai aceitar nem em seu leito de morte. A escolha é sua. — diz Ever.
— Eu... Eu não sei o que dizer. — digo ainda meio confuso mas sei a minha resposta, eu já fui imortal por tempo suficiente, eu encontrei o que nunca imaginei encontrar, uma pessoa que gosta de mim de verdade e sei que essa decisão vai me afastar ou me aproximar dela.
— Você não tem muita escolha eu acho. — diz Damen.
— É, eu realmente não tenho muita escolha. — digo e antes que eu pudesse mudar de ideia peguei o fruto da mão de Ever e dei uma mordida generosa, por um momento não senti nada então eu vi, vi o mundo ganhar cores mais vivas e então eu percebi que eu não estava vivo por completo nesses 600 anos.
Agradeci a Damen e Ever e fui para casa. Nada podia estragar minha noite, eu estava vivo e na manhã seguinte contaria a Bruna a novidade e ela ficaria vibrante com a novidade. Porém eu não contava que ao chegar em casa encontraria tudo revirado.
Sou surpreendido por criaturas que me atacam com lanças, espadas, adagas e até mesmo pedaços de móveis. Tento me defender mas não tenho mais meus poderes e estou desarmado, no fim acabo perdendo a consciência.
Acordo mas permaneço com os olhos fechados e imóvel, se os monstros perceberem que estou consciente vão me apagar de novo, preciso de um plano. Ouço ruídos de monstros e então vozes, uma voz familiar. É Bruna ela está aqui e está perto, ela parece que está ditando algo e então o barulho de algo quebrando me faz abrir os olhos e vejo uma Bruna intacta e determinada à poucos centímetros de mim. Ela tem sua espada em punho e pisa em uma poça de lama dourada congelando-a, o que faz uma carreira de monstros caírem. Então ela cria um escudo de vidro em torno de nós dois, e sem olhar para mim, cria uma névoa roxa do lado de fora do escudo. Ela cai inconciente no chão e eu não posso pega-la porque estou amarrado à cadeira, o escudo se desfaz em neve e os monstros viraram pilhas de pó dourado.
Com a ajuda de um anel meu afiado consigo me soltar da cadeira, vou até Bruna mas não antes de perceber que não tenho sequer cicatrizes. Penso que talvez o fruto não funcionou mas então vendo Bruna me lembro que ela já me trouxe de volta dos mortos uma vez. Pego Bruna em meus braços e coloco em um carro meu que deixei no estacionamento da escola.
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