Notas iniciais
Gente postei ontem e tô aqui de novo, por que acordei com a macaca hoje. E ainda essa semana sai mais um capítulo. Gostei bastante do capítulo, leiam até o final que tá bem interessante. Deixe seu comentário e indique a história por favor. Beijos e excelente leitura! Capítulo revisado em: 12/05/2018

Saio do apartamento de Damen, correndo e batendo a porta atrás de mim. Não acredito que esconderam isso de mim, claro que esconderam provavelmente metade do que falaram era mentira. E que absurdo de história é essa? Eu, euzinha a perdedora da escola, a garota insuportável que nem mesmo a mãe quis, Eu uma semideusa? Isso não existe, meu pai não é um deus, ele é só um cara rico, descolado que gasta a vida dele cuidando de uma filha estúpida. Esse Poseidon nunca se apresentou para mim, então porque diabos tenho que acreditar nesse absurdo?

O elevador estava demorando muito, então fui pelas escadas. Chego ao térreo sem fôlego após descer 20 lances de escada, passo como um flash pela portaria e sigo para o prédio verde ao lado.

Passo pela portaria correndo e o elevador já está fechando quando entro correndo. A senhora que estava no elevador me dirige um olhar de desprezo, longa história sobre o neto dela me pedir em namoro e eu não aceitar e dar uma festa depois, chamar ele e obviamente ele encher a cara. A avó dele tem absoluta certeza de que eu o induzi à beber, ah faça-me um favor!. Retruquei o olhar de desprezo com um de pena.

Logo o elevador para e eu saio. Entro em casa correndo e nem sequer fecho a porta. Começo a berrar pelo meu pai e um vazio familiar me percorre quando vejo que a casa está em absoluto silêncio, meu pai nunca deixa a casa em silêncio, sempre tem um rádio ligado ou a TV, e meu pai não falou em sair.

Mais de 10 anos antes.

Meu pai me colocou para dormir mas não consegui pregar o olho. Para onde quer que eu olhasse via o rosto delicado de minha irmã Ana Clara de apenas 4 anos, refletido, onde antes havia um sorriso estava uma expressão séria e triste, onde antes haviam bochechas coradas agora havia apenas uma pele quase translúcida, o olhar alegre agora vazio, vazio, Va-Zio.

Eu perdi minha irmã, minha companheira, minha bebesinha tagarela. A tão esperada irmã, no início eu tinha um pouco de ciúmes mas logo viramos cúmplices. Agora acabou, tudo acabou.

Tento pensar em outra coisa mas não consigo. Levanto da cama e caminho até a sala de estar. Me sento no sofá e avisto uma mancha de suco de uva que causamos acidentalmente meses atrás, antes dela ser internada com leucemia e... e morrer. Não posso segurar as lágrimas que escorrem pelas minhas bochechas e caem do meu queixo. Me deito no sofá e sinto um papel embaixo de mim, o pego com uma mão e com a outra tento enxugar as lágrimas. Desdobro o papel, e com a luz fraca vindo da varanda consigo identificar a caligrafia da minha mãe e no bilhete diz:

Paulo,

Sei o que está passando com tudo isso mas não posso continuar aqui, não sou mais feliz aqui com você e sei que estará melhor sem mim. Cuide de Bruna.

Sinto muito, Andressa.

Não poderia ser possível, era só uma brincadeira, minha mãe jamais fugiria. Corri pela casa e ela não estava em lugar nenhum. Abri a porta do quarto de meus pais e meu pai despertou com o barulho da porta, eu segurava o bilhete na mão com punhos fechados. Abri a porta do guarda-roupa e tinha apenas duas peças de roupa dela lá, e sua mala também não estava. Gruni de ódio e soltei o bilhete, não pude segurar as lágrimas mas não eram de tristeza ou dor, eram de raiva, de ódio.

Meu pai tentava falar comigo mas eu não o ouvia, eu não me importava. Tudo o que eu podia pensar era em nunca mais confiar em ninguém, meus pais não me falaram que não se amavam mais e minha mãe me abandonou quando eu mais precisava. E tomei como decisão; nunca amar ninguém, nunca depender de ninguém e nunca confiar em ninguém.

Presente

Não pode estar se repetindo de novo, não pode. Grito mais alto por ele e começo a entrar em pânico, lembro de hoje de manhã quando ele foi um tanto estranho comigo. Não pode ser, não era uma despedida, não, não era.

Corro todo o apartamento várias vezes vou ao seu quarto e está tudo lá, menos ele. Ligo para ele milhares de vezes e só dá caixa postal. Paro na cozinha, estou pingando suor e ainda tem areia da praia na minha roupa. Vou beber um copo d'água e na porta da geladeira tem um pequeno papel azul. Dentro dele a caligrafia forte de meu pai, tenho medo de ler mas leio assim mesmo.O bilhete diz:

O que Aqualine disse é verdade, Você precisa proteger a coroa. Não posso mais ficar ao seu lado, os outros deuses dizem que tem que aprender a andar com suas próprias pernas. Vá ao acampamento meio sangue com seus amigos. Eu te amo filha.

E é isso, agora sou oficialmente órfã e as pessoas pensam que sou uma marionete que vai para onde eles quiserem. Meu pai é um deus dos mares, eu sou uma semideusa órfã que tem que proteger uma coroa que na verdade é um celular que se transforma em espada.

— Ótimo! Agora só falta chegar o Peter Pan para me levar para terra do nunca! — digo em voz alta.

Passos ecoam pelo corredor e alguém fecha a porta. Então o dono dos passos diz ainda do corredor.

— Não sou Peter Pan gata, mas posso ser o que você quiser.

Notas finais
Então gente o que estão achando? Deixem comentários ok? Indiquem a história também. Quem será esse cara? Beijos e obrigada pela leitura