Notas iniciais
As emoções começam nesse capítulo, qualquer ideia para história podem deixar nos comentários. Obrigado galerinha ;)

Já estava entrando na secretaria quando um garoto muito bonito, bronzeado de cabelo preto liso e visual motoqueiro, me chamou e me mostrou que o portão ainda estava aberto. Olhei surpresa pois momentos atrás ele estava trancado. Viro para o garoto desconcertada.

— Ãn, obrigado, é... — gaguejo ainda surpresa — Tive a impressão de que estava trancado... Curioso.

— É, às vezes você não olhou direito. — Ele diz, mas não me convence.

— Então tá neh. — digo já saindo.

— Meu nome é Damen e o seu é...?

— Bruna, e não me lembro de perguntar seu nome. — respondo sem olhar para ele.

— Hum, me desculpe então. — diz ele se aproximando — Você está em que turma? — pergunta ele observando fixamente, minha marca de nascença que tem o formato curioso de um tridente dentro de um circulo. É sem dúvida alguma estranha mas é bem pequena, de uns 10 milímetros de circunferência.

— 1° ano D, agora se me der licença, gostaria de chegar lá antes que acabe o ano. — digo andando em direção às salas de aula.

— Ótimo, vamos juntos então, essa também é minha sala. — ele diz me guiando pelo corredor dá escola. — E sei que ainda não tem simpatia por mim, mas certamente vai se dar bem com Ever. — ele afirma parando em frente à uma sala.

— Quem? — pergunto

— Ever, minha namorada — ele diz abrindo a porta.

Estranho, aqui estava eu pensando que esse cara estava dando em cima de mim e a criatura me diz que tem namorada.

Entrando na sala de aula avisto algumas pessoas conhecidas, entre esses minha melhor amiga do ano passado Veronica e seu namorado Cléber. Penso em ir na direção deles mas lembro que já segurei vela de mais, então vou para uma carteira vazia mais o menos próxima à deles, na frente de uma garota branca, loira de olhos azuis. Diria que a garota seria a manda chuva da sala, se não fosse o evidente desprezo pela moda e o ainda mais evidente desinterese por todas as pessoas, exceto pelo irritante do Damen. Concluo então que essa garota é a tal Ever. Me sento na carteira e vou tirando meu material da mochila, quando a garota me cutuca e viro para ela.

— Olá, Bruna! Sou Ever, Damen falou de mim. — ela diz simpáticamente.

— Ah é, o quê que tem? — digo observando como sua pele não tem um poro aparente se quer.

— Ah, nada é que eu não conheço ninguém aqui. Pensei que você pudesse me ajudar sei lá.

— Melhor procurar outra pessoa, eu não conheço quase ninguém aqui. — digo me virando para frente.

— Eu sei mas ter alguém como amiga nunca é demais. — diz Ever segurando meu ombro.

— Tudo bem então. — respondo como não estou afim de discutir que uma amizade não surge do nada só porque alguém diz que vai ser amiga da outra.

No restante do dia Ever me seguiu para onde quer que eu fosse, no começo me irritou um pouco mas logo começamos à nos entender. Ever me contou que é Estadunidense e perdeu a família toda em um acidente de carro, que depois teve que mudar de cidade, indo para Laguna Beath, Onde ela conheceu o Damen e mais o menos um ano depois veio morar aqui em Vila Velha. O Damen também não é tão chato, ele é muito inteligente e divertido, mas mesmo com isso eles me pareceram um tanto misteriosos, porque tipo; 1. Porquê virar amigos de mim a garota mais estranha da escola quando poderiam muito bem serem amigos de qualquer um?/ 2. Que diabos era o líquido vermelho que eles bebiam o tempo todo?/3. Porquê vieram para o Brasil, ou melhor para esse fim de mundo que é Vila Velha, se poderiam ir para lugares muito melhores? Fora também que tem hora que eles parecem que estão se comunicando por telepatia.

O restante da semana foi bem parecido, eu acordava, me arrumava meu pai me levava para escola de carro, na escola eu fazia coisas chatas de escola e andava por aí com Damen e Ever até cansar. Moramos em prédios vizinhos, então na segunda semana, passamos a ir e voltar da escola juntos, às vezes na beemer do Damen, às vezes todo mundo de bicicleta e assim fomos indo.

Em casa, as coisas começaram à ficar estranhas. Meu pai deu uma de que eu tinha que aprender mitologia grega, estranho. Mas sempre gostei desse tema então acatei a vontade dele, logo ele deu uma de me matricular de novo na aula de esgrima, também não liguei, então ele contratou um professor particular de inglês, comecei a me sentir desconfortável. E para encerrar com chave de ouro ou faixa marrom que é a minha faixa em artes marciais, ele me coloca de novo na minha aula de artes marciais.

Um mês após o começo das aulas, eu já tinha uma longa rotina de deveres e aulas, quase não tinha tempo para nada, somente nos fins de semana tinha tempo para sair um pouco. Minha rotina estava tão pesada que nem mesmo tempo eu tive para me interessar por alguém. Logo se passaram mais dois meses e estávamos em maio. Damen e Ever viraram meus melhores amigos e no meu feriado menos favorito(dia das mães), me chamaram para ir na praia, acho que era para me fazer sentir bem já que nem calor estava fazendo e Ever é tão branca que parece que nunca chegou perto de uma praia. Me despedi do meu pai e senti vontade de abraçá-lo, e eu nunca o abraço depois que minha mãe me abandonou quando eu tinha 6 anos. Ele estranhou um pouco mas retribuiu o abraço e pediu para que me cuidasse. Senti um aperto no coração e o abracei de novo.

Já na praia Damen trouxe 3 pranchas de surf, estranhei e falei:

— Damen, vamos encontrar alguém na praia ou você vai surfar com duas pranchas? — perguntei em tom de zombaria.

— Nem um, nem outro, vou te ensinar a surfar.

— Complicado. — digo — Eu nem mesmo sei nadar. — completo esperando que ele desista.

— Como não? Você é ... — diz ele mas para quando Ever lhe dá uma cotovelada.

— Eu sou o que? — digo meio irritada.

— Você é grande, e bom, deveria saber nadar. — Corrige ele meio desajeitado.

— É, mas não sei e também não tenho a intenção de aprender à surfar. — digo indiferente.

— A Bruna, por favor — pede ele fazendo bico.

— Não.

— Então você vai fazer o que na praia? Tomar sol? — pergunta ele querendo me convencer.

— Coisas de praia. — digo revirando os olhos.

— Ok então, ensino a Ever.

Dou de ombros.

Chegamos na praia e ela está deserta. Coloco minha canga na areia e Ever coloca a dela ao lado, Damen dá um beijo na bochecha de Ever e vai para a água com a prancha. Ever e eu nos ajudamos à passar protetor solar. Vou para água e Damen vem em minha direção, provavelmente para fazer uma piada a respeito de que não sei nadar, porém antes que ele chegue perto, algo agarra minha perna e me puxa para o fundo. Em pânico tento me soltar enquanto seguro a respiração mas é inútil. Já não consigo prender o ar, então o solto e me preparo para a morte.

A coisa mais louca acontece quando solto todo o ar e inalo água, o pânico se vai aos poucos e me sinto serena. Se essa é a morte, não me importo de morrer. Eu respiro, opa, não posso respirar se estou morrendo afogada, abro os olhos e vejo que estou no fundo do mar.

O limbo se parece com o fundo do oceano, posso jurar que li isso em algum lugar, porém não posso estar no limbo se não me sinto morta, muito pelo contrário, acho que nunca me senti tão viva, eu me sinto… em casa. Interrompo meus devaneios sobre essa loucura, minha visão se ajusta melhor e vejo uma figura de pele esverdeada escamosa, grandes olhos azuis, cabelo preto mas no lugar de pernas uma cauda que se enrosca na ponta. A figura sorri e mostra duas fileiras de dentes perigosamente afiados. Mi-se-ri-cór-dia.

— Bem vinda princesa, Sou Aqualine, um espírito do mar. Uma de seus fiéis súditos. — me diz a figura esverdeada.

— Olha você deve tá me confundindo com alguém aí, mas vem cá que loucura é essa aqui? — digo continuando com a ideia de que estou no limbo.

— Não é nenhuma confusão, a marca de nascença na sua cravícula prova isso. Você é a herdeira. — diz Aqualine com convicção ignorando minha pergunta é continuando com suas loucuras — Você é a filha de Poseidon nascida no penúltimo dia da penúltima semana do penúltimo mês nas margens do Atlântico.

— Olha Aqualina, não sei do que você está falando mas eu preciso ir tá?

— É Aqualine, mas escute: Você tem a arma mais poderosa já inventada, nem mesmo fica atrás do raio mestre de Zeus, Você tem que proteger a coroa, muitos viram atrás dela. — diz a mulher verde segurando meu braço.

— Mas...

— Mas nada, a coroa esta lá em cima, e as górgonas estão lutando contra seus amigos. — ela diz séria.

— Como? — pergunto confusa. — Que coroa? Que górgona?

— Seu celular, pegue ele e imagine uma espada crescendo no lugar do celular, e ele irá virar uma espada. As gorgona são as irmãs da medusa. — diz ela apressada — Vá! — ela diz e antes que eu possa discutir, uma corrente de água me arrasta para a superfície.

Notas finais
Obrigado por ter lido gente! Qualquer ideia nos comentários por favor.