A Herdeira da Coroa de Atlântis - O Início
6 Coisas em comum
Notas iniciais
Bruna
Ainda não entendi o porque das caras feias de Damen e Ever para Roman, ele parece ser uma pessoa legal mas deve ter aprontado uma daquelas com eles. Ele é meio grudento do estilo: "conquisto todo mundo e vou conquistar você também" mas é de boa. Bom isso vai para a minha lista de coisas que não entendo.
Após a ridícula discussão sobre quem vai me levar sabe-se lá onde, resolvemos ir todos juntos. Roman me puxa pelo braço e me solto dele, não preciso que me carreguem, o sigo até a portaria onde Damen assume e entramos em sua beemer. Seguimos até o aeroporto, Damen e Ever conversam durante todo o caminho na frente, já eu fiquei calada no banco de trás com Roman, ele tentou conversar comigo mas cortei o assunto e ele entendeu que não estava a fim de conversar, não disse que ele era legal?
Hoje as coisas aconteceram muito depressa, é um pouco difícil engolir que meu pai é um deus grego, eu quase morri duas vezes só hoje, respiro de baixo d'água, controlo água, meu celular vira uma espada, e ah não posso me esquecer que ressuscito mortos. Mas o mais difícil de engolir e que o que mais me incomoda é que mesmo com a minha promessa de não me apegar a ninguém eu me mantive apegada ao meu pai, agora ele também me abandonou. Posso não ter chorado como quando minha mãe me abandonou mas dessa vez a dor foi muito maior, tão grande que não pude alivia-la com lágrimas. Agora sim estou só.
Chegando ao aeroporto, começo a ficar preocupada, não tenho passaporte nem nada.
— Damen, — digo — Temos um pequeno grande problema. — digo nervosa.
— O que? Não me diga que tem medo de altura? — diz Damen brincando.
— Não, é só que... Não tenho passaporte e nem trouxe nenhum documento. — digo, na verdade não trouxe nada, nem sequer comi nada hoje além de um copo de leite hoje de manhã e já são 15h.
— A isso?! — diz Damen rindo — Eu já dei um jeito nisso. — diz Damen tirando um passaporte do bolso e me entregando.
Eu já ia começar a falar que não adianta tem que ser meu, com a minha foto e que não existe passaporte emprestado, quando ele abre e tem minha foto, meu nome e meus dados. Me viro para ele perplexa.
— Manifestação instantânea. Pode ser bem útil às vezes. — abro a boca para perguntar como mas desisto e agradeço. Volto às cadeiras onde Roman e Ever estão sentados.
Roman sorri e pisca para tudo que se mexe ao seu redor, enquanto isso Ever mantém certa distância de Roman e verifica suas unhas perfeitas de segundo em segundo. Me sento entre os dois e Roman se vira para mim com um sorriso de canto.
— Então gata, o que você gosta de fazer nas horas livres? — diz ele se encostando em mim.
— Bom, eu amo de paixão pegar pessoas que ficam se encostando e me chamando de gata e transformar em pó. — digo espanando sua mão do meu ombro.
— Nossa! Me desculpe então. — diz ele levantando os braços. — Que tal começarmos de novo, do zero. — diz ele.— Olá, meu nome é Roman, tenho ah, dezoito anos. — Roman diz a última parte meio inseguro.
— Você esqueceu uma coisa Roman — diz Ever, quando Roman vai dizer algo ela diz: — Você só tem a aparência de dezoito, Roman.
Olho para Ever, meio sem entender porque isso importa quando ela completa:
— Ele é imortal, tem mais de seissentos anos. — diz Ever com um sorriso travesso.
Abro a boca, e uma dúvida surge em minha mente, verbalizo-a.
— Então você é Damen também tem por volta dessa idade? — digo atônita.
— Damen sim, eu tenho só dessesete mesmo. — diz Ever, enquanto Roman permanece quieto.
Damen chega com as passagens e eu ficaria o observando e fazendo perguntas se tudo à minha volta não ficasse turvo e eu perdesse os sentidos.
Roman
Não acredito que Ever falou isso e acredito ainda menos que me importo com isso. Estava pensando nisso quando Damen volta com as passagens e Bruna fica pálida e desmaia. Fico imediatamente preocupado, ela pode estar doente ou algo do tipo.
— O que fazemos agora? O que aconteceu? — diz Ever desesperada.
Checo o pulso dela e está normal. Então lembro de algo, segui Bruna da praia para o prédio de Damen, depois ela saiu e foi ao seu apartamento e duvido que tenha comido uma bala sequer.
— Damen, vocês almoçaram? — pergunto.
— Não, esqueceu que não comemos? — diz Damen com expressão de impaciência mudando em seguida para como se se lembrasse de algo importante. — Não, não almoçamos, servimos biscoitos e ... Ninguém sequer tocou em nenhum. — diz Damen preocupado.
— Então agora sabemos o que aconteceu. — digo
Ever manifesta álcool, molha um pano e coloca próximo ao nariz de Bruna. Ela desperta meio perdida e a ajudo a levantar, pela primeira vez ela não se esquiva do meu toque, possivelmente ainda está tonta, a que nível eu cheguei.
— Podemos comer algo? — diz ela.
— Claro, pode escolher o lugar que quer comer. — digo à ajudando à ficar de pé.
— Pode ser naquele restaurante vegano ali. — diz ela aparentemente melhor.
— Vamos então. — digo olhando para Ever e Damen.
— Podem ir só vocês Damen e eu não estamos com fome. — diz Ever.
— Tudo bem. — diz Bruna segurando meu braço, o que me surpreende. Então percebo que ela esta ficando pálida e muito gelada, não gelada normal, gelada tipo congelando e o chão aonde pisa está formando uma crosta de gelo. Ela percebe e leva um susto, então decide andar mais rápido.
Paramos no restaurante e pedimos dois PFs de saladas variadas, suco de acerola ( nunca tinha ouvido falar disso mas o suco é muito bom e tem o cheiro do perfume da Bruna) e de sobremesa um tal de açaí. Comemos em silêncio até a sobremesa, não fazia a menor ideia do que era açaí, imaginei uma torta ou um bolo sei lá, mas o garçom trás duas taças com algo que se parece com sorvete de uva ( só que com muita, muita uva mesmo) com alguma coisa clara no meio. Olho para a taça à minha frente como se fosse um extraterrestre por um tempo.
— Que desperdício Roman, come logo que tá derretendo. — diz ela séria mas impossível de se levar à sério porque ela tem um bigode roxo. Começo a rir. Ela fica vermelha como um tomate e limpa a boca com um guardanapo. — Prova logo, imbecil! — diz ela revirando os olhos.
Olho pra a taça e dou uma colherada, levo a colher à boca e provando tento mostrar uma expressão neutra mas não funciona direito pois Bruna começa a rir dá minha cara.
— Meu deus Roman, não precisa fingir é impossível não gostar de açaí. — diz ela rindo. Então não me importo e meto a cara no açaí (não literalmente é óbvio, eu tenho classe).
— Desde quando você come isso? — pergunto à ela quando termino.
— Sei lá, desde que provei em um show de rock com meu pai. — sua voz falha quando ela diz pai.
— Sério? Que banda? — digo ignorando o que ela falou sobre o pai não quero que ela fique triste (nem vem, não faço ideia do porque disso).
— Fall Out Boy
— Na moral? Essa é minha banda favorita! — exclamo animado que achamos coisas em comum.
— Também é a minha, qual sua música favorita deles? — diz ela animada enquanto saem do restaurante.
— Eu gosto de I don't care — dizemos em uníssono.
Então começamos a rir e conversar sobre bandas, shows e lugares que eu já fui e que ela pretende conhecer. E é assim que chegamos até Ever e Damen que olham para mim com o desprezo de sempre e para Bruna como se ela estivesse doente, penso ser pelo desmaio dela mas percebo que não é bem esse o problema.
— Você está manipulando ela? — diz Ever horrorizada, caminhando até Bruna e começando à estalar os dedos e bater palmas na cara dela dizendo "acorde". Olho para ela ofendido enquanto Bruna cai na gargalhada.
— Meu Deus Ever, você bebeu o quê, fia? — Bruna ri da reação exagerada dela, me pego sorrindo e digo a mim mesmo que é por causa da situação, não por causa dela.
— Mas como? Desde quando são amigos? — diz Ever confusa .
— Não somos, estamos só rindo de umas experiências nossas. — diz Bruna.
— Deixe para lá Ever, depois conversamos sobre isso em casa — diz Damen. — Comprei as passagens e não tinham para três pessoas juntas, então vamos ficar em duplas, você é Roman, Ever e eu. Tudo bem para você? — diz Damen com a expressão culpada.
— Ótimo, não estava nem um pouco ansiosa para segurar vela. — diz Bruna e eu rio.
— Então tudo bem, o avião sai às oito, até lá tem tempo para você e Ever comprarem umas roupas e te explicar sobre para onde você vai. — diz Damen.
Depois disso as meninas saem e Damen fica olhando para o teto. Então começo a imitar ele.
— Bastante divertido essa atividade, Damen. — digo em tom de ironia e ele ignora. — É isso que você e Ever fazem neh? Já que não podem se tocar. — provoco e Damen se levanta.
— Não provoque Roman, e nem ouse se aproximar da Bruna, ela já sofreu o suficiente por uma vida inteira, não precisa de mais sofrimento. — diz Damen enquanto vira e sai.
Fico ali durante um tempo pensando, então tenho uma ideia, vou para a loja de presentes.
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