A Herdeira Blackwood em Hogwarts
7 Capitulo Bônus : O Selo da Fênix
Notas iniciais

CAPÍTULO BÔNUS — O SELO DA FÊNIX
A noite estava fria e escura, o tipo de noite que parecia engolir a luz das estrelas. As nuvens pesadas e cinzentas cobriam o céu como um véu de luto, e o vento uivava entre as árvores do bosque de Godric's Hollow, fazendo os galhos estalarem como ossos quebrados. A lua, uma fina crescente prateada, mal iluminava o caminho de pedras que levava até a pequena casa no final da rua — uma casa que, até poucas horas atrás, fora um lar cheio de risos e amor. Agora, era apenas um monte de escombros fumegantes, uma cicatriz aberta na paisagem pacífica da vila.
Alaric Potter estava em seu escritório no Ministério quando o Patrono chegou. A fênix prateada atravessou as paredes de pedra com a urgência de quem carregava más notícias, suas asas de luz prateada brilhando contra a escuridão do escritório. Seu coração apertou antes mesmo de ouvir as palavras, um instinto ancestral que gritava que algo estava terrivelmente errado. Ele conhecia aquele Patrono. Conhecia a magia que o moldava. E sabia que Dumbledore só o enviava quando a situação era desesperadora.
- Alaric — a voz de Dumbledore ecoou através do Patrono, grave e cheia de uma tristeza que ele nunca esqueceria -. James e Lily... foram atacados. Voldemort os encontrou. Venha para Godric's Hollow imediatamente. Trouxe Harry — ele está vivo. Mas precisa de sua família.
Alaric não se lembrava de como chegou ao local. Apenas se lembrava do cheiro — fumaça, poeira, e algo mais doce e terrível que ele não queria identificar. A varinha em sua mão tremia enquanto ele percorria os destroços, seus olhos buscando desesperadamente por sinais de vida. A casa de James e Lily estava em ruínas, o telhado desabado, as paredes rachadas, os vidros das janelas estilhaçados no chão como lágrimas de cristal. O jardim, que Lily amava tanto e onde passava horas cuidando de suas flores mágicas, estava destruído — as plantas murchas, o solo revolvido por magia das trevas.
Ele entrou pela porta quebrada, seus passos ecoando no silêncio terrível. No andar de baixo, encontrou o corpo de seu irmão mais novo. James Potter estava morto, caído no corredor, sem varinha na mão. Seus olhos castanhos estavam abertos, fixos no vazio, e seu rosto ainda carregava uma expressão de surpresa e determinação — ele tentara proteger a família, mas fora pego de surpresa. Ele sentiu as lágrimas queimarem seus olhos, um grito preso em sua garganta, mas forçou-se a continuar. Não podia parar. Não podia desabar. Harry precisava dele.
Ele subiu as escadas rangentes, cada degrau um suplício. O corredor do andar de cima estava coberto de poeira e detritos, e a porta do quarto do bebê estava entreaberta. E empurrou-a com mãos trêmulas e viu o que restava de Lily. Ela estava caída à frente do berço, o corpo imóvel, os olhos ainda abertos como se olhasse para o filho até o último instante. Seus cabelos ruivos, que antes brilhavam como fogo, estavam espalhados ao redor de sua cabeça como uma auréola de tristeza. O sacrifício dela era palpável no ar — uma magia antiga, poderosa, que pulsava como um escudo invisível ao redor do berço. Alaric sentiu a energia vibrar em sua pele, um calor suave e protetor que contrastava com o frio da morte ao redor.
E no meio dos destroços, em um berço parcialmente destruído, um bebê de olhos verdes o encarava. Harry estava vivo. A cicatriz em forma de raio em sua testa ainda sangrava levemente, e o menino chorava baixinho, como se já soubesse que algo precioso havia se perdido para sempre. Alaric pegou Harry nos braços com a delicadeza de quem segura algo frágil e precioso, sentindo o peso do menino contra seu peito. O bebê parou de chorar, seus olhos verdes — tão parecidos com os de Lily — fixos no rosto do tio.
- Estou aqui, pequeno — sussurrou Alaric, a voz falhando. — Estou aqui. Você não está sozinho.
Foi então que ele percebeu: Voldemort não estava ali. Não havia corpo, nem vestígios de sua presença além da destruição ao redor. Algo acontecera — algo que fizera o Lorde das Trevas recuar. Alaric olhou em volta, seus olhos percorrendo o quarto destruído, e sentiu o peso do mistério que pairava sobre aquela noite.
Minutos depois, Dumbledore apareceu na porta da casa destruída. Ao seu lado, Magnus Blackwood, o Chefe dos Aurores, vestido com suas túnicas de combate, a varinha em punho, os olhos azuis penetrantes percorrendo a cena com a precisão de quem já viu muitas batalhas. Magnus era um homem imponente, alto e de ombros largos, com cabelos pretos salpicados de grisalho nas têmporas e um rosto marcado por rugas de expressão, autoridade e sabedoria. Seu olhar era firme, mas havia uma tristeza profunda em seus olhos ao ver a destruição.
- A casa está segura — Magnus disse, sua voz grave e autoritária, ecoando no silêncio. — Não há vestígios de Comensais nas proximidades. Mas há magia das trevas no ar. Muita. Eu posso sentir o cheiro dela — como cinzas e sangue.
- Voldemort esteve aqui — Dumbledore confirmou, seus olhos azuis percorrendo a cena com uma tristeza profunda. — E ele se foi. Mas não da forma que esperávamos.
Magnus se aproximou de Alaric, que ainda segurava Harry contra o peito. Os dois homens trocaram um olhar — um reconhecimento de que algo terrível havia acontecido, mas que ainda havia esperança. Magnus colocou a mão no ombro de Alaric, seu toque firme e reconfortante.
- Alaric — Magnus disse, sua voz mais suave agora. — Deixe-me ver o menino.
Alaric entregou Harry a Magnus, que segurou o bebê com uma ternura que contrastava com sua aparência imponente. O bebê balbuciou, seus olhos verdes encontrando os de Magnus, e Magnus sorriu tristemente. Ele acariciou a cabeça do menino, sentindo a magia protetora que ainda pulsava ao redor dele.
- Ele está vivo — Magnus murmurou, como se falasse consigo mesmo. — A magia de Lily o protegeu. O sacrifício dela criou uma proteção que Voldemort não poderia compreender. Eu já vi essa magia antes, em livros antigos, em histórias que minha avó contava. É a magia mais antiga e mais poderosa que existe — a magia do amor.
- Como você sabe disso? — Alaric perguntou, sua voz rouca.
- Porque eu já vi essa magia antes — Magnus respondeu, com um olhar sombrio. — É antiga, poderosa. E é a única coisa que Voldemort nunca entenderá. Ele não conhece o amor, Alaric. Ele nunca amou ninguém, e por isso não pode compreender o poder que vem dele.
- Mas como? — Alaric insistiu. — Como ele sobreviveu? E onde está Voldemort?
Dumbledore e Magnus trocaram um olhar significativo. Dumbledore assentiu lentamente, dando a Magnus a permissão para falar. Magnus respirou fundo, seus olhos se encontrando com os de Alaric.
- Voldemort não foi destruído, Alaric — Magnus disse, com uma calma que parecia pesar mais do que qualquer grito. — A maldição que ele lançou em Harry ricocheteou, sim. Mas Voldemort... ele é diferente de qualquer bruxo que já existiu. Ele dividiu sua alma em pedaços, escondendo-os em objetos chamados Horcruxes. Enquanto essas Horcruxes existirem, ele não pode ser verdadeiramente morto.
- Horcruxes? — Alaric repetiu, sentindo o peso da palavra. — Eu já ouvi falar sobre isso. É magia das trevas das mais perigosas. Minha mãe costumava dizer que era a magia mais obscura que existe — a destruição da própria alma em busca da imortalidade.
- As mais perigosas — Magnus confirmou, seus olhos se tornando ainda mais sérios. — Voldemort fragmentou sua alma para escapar da morte. Ele fez algo que nenhum bruxo havia feito antes — ele criou múltiplas Horcruxes, espalhando sua alma por todo o mundo. E isso significa que, embora seu corpo físico tenha sido destruído esta noite, sua essência sobreviveu. Ele está por aí, em algum lugar, reduzido a algo menos que um espírito — uma existência débil, sem forma, sem poder. Mas ele vai voltar, Alaric. Ele vai tentar recuperar seu poder.
- Quando? — Alaric perguntou, sentindo o desespero se formar em seu peito. Sua mão apertou Harry contra seu corpo, como se pudesse protegê-lo do futuro que se aproximava.
- Não sei ao certo — Magnus admitiu, com honestidade. — Pode levar anos, décadas até. Mas ele vai voltar. E quando isso acontecer, Harry precisará estar preparado.
- E como vamos prepará-lo? — Alaric perguntou, sua voz falhando. — Como se prepara uma criança para enfrentar o Lorde das Trevas?
- Nós vamos protegê-lo — Magnus respondeu, sua voz firme como aço. — Vamos criá-lo com amor, com segurança, com a certeza de que ele é mais do que uma profecia. E quando chegar a hora, ele estará pronto. Meus Aurores estarão de prontidão. Dumbledore estará vigiando. E você, Alaric, será o pai que ele precisa.
- Que profecia? — Alaric perguntou, sua voz tensa. — Do que vocês estão falando?
Dumbledore hesitou, e Alaric viu a hesitação em seus olhos. Havia algo que Dumbledore não estava dizendo, algo que ele guardava para si — um peso que ele carregava há anos. O diretor de Hogwarts suspirou profundamente, seus olhos azuis brilhando com uma luz que parecia enxergar através do tempo.
- Há uma profecia, Alaric — Dumbledore disse, sua voz baixa e grave. — Uma profecia que fala sobre o menino que derrotará o Lorde das Trevas. E essa profecia aponta para Harry.
- Quem fez essa profecia? — Alaric perguntou, sentindo o coração acelerar.
- Uma vidente chamada Sibila Trelawney — Dumbledore respondeu. — Ela a fez em uma noite de inverno, em uma taverna no Beco Diagonal. Eu estava presente. Eu a ouvi.
- E o que ela disse?
Dumbledore suspirou, e pela primeira vez, Alaric viu o peso dos anos em seus ombros. O diretor parecia mais velho, mais cansado, como se a memória daquela noite ainda o assombrasse.
- Ela disse que o menino terá um poder que o Lorde das Trevas não conhece — Dumbledore disse. — E que o menino será marcado como seu igual. Mas também diz que o menino terá que escolher seu próprio caminho. A profecia não determina o destino, Alaric. Ela apenas o descreve. O poder está nas escolhas que fazemos, não nas palavras que nos são dadas.
- E você acredita nisso?
- Acredito — Dumbledore confirmou. — Porque a profecia já começou a se cumprir. Harry foi marcado por Voldemort. Ele tem a cicatriz. E ele tem o poder que Voldemort não conhece — o poder do amor. Sua mãe deu a vida por ele, e essa magia vive nele.
- E o que isso significa para Harry?
- Significa que ele terá que enfrentar Voldemort — Dumbledore respondeu. — E que ele terá que estar preparado. Mas isso não vai acontecer por muitos anos. Até lá, ele precisa ser criado com amor, com segurança, com a certeza de que ele é mais do que uma profecia. Ele precisa saber que é amado por quem ele é, não pelo que ele está destinado a fazer.
Magnus colocou a mão no ombro de Alaric novamente, seu toque firme e reconfortante.
- Nós vamos protegê-lo, Alaric — Magnus disse. — Eu, como Chefe dos Aurores, vou garantir que o Ministério esteja de olho em qualquer sinal de atividade das trevas. Vou ordenar que meus Aurores monitorem qualquer movimento suspeito, qualquer sinal de que Voldemort ou seus seguidores estejam se reorganizando. E você, como tio, vai criá-lo com amor. Juntos, vamos prepará-lo para o que está por vir.
- E Sirius? — Alaric perguntou, lembrando-se do melhor amigo de James. — O que você vai dizer a ele?
Dumbledore hesitou, e Alaric viu algo em seus olhos — uma centelha de preocupação. O diretor olhou para Magnus, que assentiu lentamente.
- Sirius precisa saber a verdade — Dumbledore disse. — Mas não agora. Agora, ele precisa de tempo para processar a perda. E nós precisamos descobrir quem traiu os Potter. Isso é urgente.
- Quem traiu os Potter? — Alaric repetiu, sentindo a raiva crescer em seu peito. — Quem foi o responsável por isso?
- Essa é uma pergunta que só o tempo responderá — Dumbledore respondeu, com evasão. — Mas quando a resposta surgir, nós estaremos prontos. Eu tenho minhas suspeitas, mas não posso agir sem provas.
Naquela mesma noite, Sirius Black chegou a Godric's Hollow montado em sua moto voadora, o rosto pálido e os olhos selvagens de desespero. Sua jaqueta de couro estava rasgada, seu cabelo preto desgrenhado, e seus olhos cinzentos brilhavam com uma fúria e uma dor que eram quase palpáveis. Alaric o viu desmontar, cambalear, cair de joelhos ao ver os destroços da casa de seu melhor amigo.
- James! — Sirius gritou, e o som era tão puro em sua dor que Alaric sentiu as lágrimas ameaçarem novamente. — Não... não, por favor, não...
- Sirius — Alaric se aproximou, segurando Harry contra o peito. O menino balbuciou ao ouvir a voz do padrinho, e os olhos de Sirius se arregalaram.
- Harry — ele sussurrou, levantando-se com esforço, suas pernas tremendo sob o peso da dor. — Ele está... ele está vivo?
- Vivo — confirmou Alaric, entregando o bebê ao padrinho. — Dumbledore e Magnus disseram que Lily o protegeu. A magia de amor dela fez a maldição ricochetear. Voldemort... Voldemort foi derrubado, mas não destruído. Ele sobreviveu, de alguma forma.
- Ele sempre sobrevive — Sirius murmurou, com amargura. Mas segurou Harry como se fosse o bem mais precioso do mundo, e talvez fosse. As lágrimas escorriam por seu rosto marcado enquanto ele balbuciava palavras sem sentido ao afilhado. — Eu vou proteger você, Harry. Eu prometo. Não vou deixar ninguém te machucar.
Foi então que a dúvida começou a se formar na mente de Sirius. Ele olhou para Alaric, seus olhos cinzentos cheios de uma compreensão terrível. Seu rosto, que momentos antes estava desfigurado pela dor, agora se contorcia em uma máscara de suspeita.
- Alaric — Sirius disse, sua voz rouca e trêmula. — James, Lily e eu... nós mudamos o Guardião do Segredo. Nós pensamos que seria mais seguro, que ninguém suspeitaria de Pedro. E apenas nós três sabíamos — James, Lily, eu e o Guardião. Ninguém mais. Nem mesmo Dumbledore. Nem mesmo Remus. Foi um segredo que guardamos com nossas vidas.
- Então quem era o Guardião? — Alaric perguntou, sentindo o aperto no peito. A verdade já começava a se formar em sua mente, sombria e terrível.
Sirius hesitou, e Alaric viu a dor em seus olhos — a dor de saber que havia confiado na pessoa errada, que sua confiança custara a vida de seu melhor amigo.
- Era Pedro — Sirius sussurrou, a voz quebrada como vidro. — Pedro Pettigrew. Eu sugeri que eles mudassem o Guardião para ele, para despistar Voldemort. Pensei que Pedro seria o último a ser suspeito. Ele sempre foi o mais fraco de nós, o mais medroso. Achei que ninguém suspeitaria dele.
- Pedro? — Alaric repetiu, incrédulo. — O amigo de James? O que estava sempre com vocês? O que sempre parecia tão leal?
- Ele era um dos nossos — Sirius confirmou, sua voz quebrada. — Ele era um Maroto. Ele estava conosco em tudo. Eu confiei nele. Todos nós confiamos nele. E ele... ele deve ter traído James e Lily. Ele era o único que sabia. O único que poderia ter contado a Voldemort.
- Você tem certeza? — Alaric perguntou. — Absoluta certeza?
- Sim — Sirius respondeu, e havia uma fúria fria em sua voz agora, uma fúria que gelou o sangue de Alaric. — Ninguém mais sabia, Alaric. Nem mesmo Dumbledore. James confiou em Pedro, e Pedro o traiu. Eu vou encontrá-lo. Eu vou fazê-lo pagar.
- Eu vou encontrá-lo também — Alaric disse, com determinação, a raiva queimando em seu peito. — Vou fazê-lo pagar pelo que fez.
- Não — Sirius disse, segurando o braço de Alaric com força. — Deixe que eu cuide disso. Eu vou atrás dele. Eu vou encontrá-lo e vou fazê-lo pagar.
- Espere — Alaric colocou a mão no ombro de Sirius, sua voz firme. — Se você for atrás dele agora, pode acabar preso. O Ministério está em pânico, as pessoas estão com medo. Eles podem não ouvir sua história. Deixe que o Ministério lide com isso. Precisamos de você aqui. Harry precisa de você.
Sirius hesitou, o conflito evidente em seus olhos. A fúria e a dor lutavam dentro dele, e Alaric podia ver o esforço que Sirius fazia para não sair correndo atrás de Pedro naquele momento. Mas quando Harry balbuciou em seus braços, seu rosto se desfez em uma expressão de dor e amor.
- Sim — ele concordou, a voz quebrada. — Sim, Harry precisa de mim. Mas eu vou encontrá-lo, Alaric. Eu vou encontrá-lo e vou fazê-lo pagar pelo que fez. Um dia, eu vou encontrar Pedro Pettigrew.
Magnus Blackwood, que observava a cena em silêncio, deu um passo à frente. Sua presença imponente preencheu o espaço, e seus olhos azuis encontraram os de Sirius com uma intensidade que fez o jovem bruxo prender a respiração.
- Sirius — Magnus disse, sua voz grave e autoritária. — Como Chefe dos Aurores, vou ordenar uma investigação completa. Pedro Pettigrew será encontrado e levado à justiça. Mas você precisa confiar em mim. Deixe que o Ministério faça seu trabalho. Não faça nada que possa comprometer a investigação.
- Eu confio em você, Magnus — Sirius respondeu, com um olhar cansado. — Mas prometa que, se você o encontrar, eu serei o primeiro a saber.
- Prometo — Magnus confirmou, com um aperto de mão firme. — Você será o primeiro a saber. E quando o encontrarmos, ele pagará por seus crimes.
Nas semanas seguintes, a investigação do Ministério confirmou o que Sirius já suspeitava: Pedro Pettigrew era o Guardião do Segredo que havia traído os Potter. Mas Pedro havia sumido, provavelmente se escondendo em algum lugar, e as buscas não encontraram nenhum vestígio dele. Ele simplesmente desaparecera, como se a terra o tivesse engolido. Sem provas suficientes para prender Sirius, e com Alaric, Dumbledore e Magnus testemunhando seu caráter, Sirius foi absolvido de qualquer suspeita — mas carregaria para sempre a culpa de ter confiado na pessoa errada, a culpa de ter sugerido Pedro como Guardião do Segredo.
E assim, naquela noite sombria, Harry Potter foi levado para longe da única casa que conhecera, para ser criado por Alaric e Miriam Potter na mansão ancestral da família em Godric's Hollow. Os pais de Tiago, Fleamont e Euphemia, já haviam falecido anos antes, vítimas da Varíola do Dragão — uma doença mágica cruel que os levou enquanto ainda jovens. Fleamont morreu primeiro, e Euphemia faleceu pouco depois, de coração partido. Eles nunca conheceram o neto, mas seu legado — a herança dos Potter — viveu em Harry.
Um ano após a tragédia, uma reunião secreta foi convocada no Ministério da Magia. Dumbledore, Magnus Blackwood, Alaric Potter e Sirius Black se encontraram em uma sala subterrânea, longe dos olhos curiosos e das orelhas indiscretas. A sala era iluminada por velas flutuantes que pairavam no ar como estrelas errantes, e as paredes de pedra estavam cobertas por tapeçarias antigas que contavam a história do mundo bruxo — batalhas esquecidas, reis e rainhas de outras eras, e figuras encapuzadas que sussurravam segredos em runas. O ar era pesado, carregado de eletricidade mágica, e o cheiro de poeira milenar e cera de vela preenchia cada canto. Dumbledore estava sentado à cabeceira da mesa, seus olhos azuis percorrendo os rostos dos três homens que confiara como seus aliados mais próximos.
- Voldemort está vivo — Magnus disse, sua voz ecoando no silêncio da sala. — Eu tenho certeza disso. Meus Aurores encontraram vestígios de magia das trevas em diversos lugares — na Albânia, na Romênia, na Rússia. Ele está se movendo, escondido, esperando. Está fraco, mas está vivo.
- Ele está procurando uma maneira de recuperar seu corpo — Dumbledore confirmou, seus olhos azuis brilhando com uma luz que parecia enxergar através do tempo. — E ele vai encontrar. Mas não imediatamente. Levará anos, talvez uma década. Ele precisa de ajuda, de seguidores, de um plano. Ele está sozinho agora, mas não ficará assim para sempre.
- E o que nós fazemos enquanto isso? — Alaric perguntou, sua voz tensa.
- Nós nos preparamos — Dumbledore respondeu. — Nós protegemos Harry. Nós o ensinamos. Nós o amamos. E quando chegar a hora, ele estará pronto. Além disso, precisamos encontrar e destruir as Horcruxes. Esse é o único caminho para derrotar Voldemort de uma vez por todas.
- E as Horcruxes? — Magnus perguntou. — O que você sabe sobre elas?
Dumbledore suspirou, e pela primeira vez, Alaric viu o cansaço em seus olhos. O diretor parecia carregar o peso do mundo em seus ombros.
- Eu sei que Voldemort fez várias — Dumbledore disse. — Talvez seis, talvez sete. Ele fragmentou sua alma ao máximo, buscando a imortalidade. E enquanto essas Horcruxes existirem, ele não pode ser verdadeiramente morto. Eu tenho pesquisado, coletado informações, procurando pistas sobre onde ele pode tê-las escondido.
- E onde elas estão? — Alaric perguntou.
- Não sei ao certo — Dumbledore admitiu, com honestidade. — Mas estou trabalhando nisso. Estou coletando informações, procurando pistas. Quando eu encontrar todas elas, poderemos destruí-las e, finalmente, derrotar Voldemort. Mas isso levará tempo, Alaric. Anos, talvez décadas.
- E Harry? — Magnus perguntou. — O que ele tem a ver com isso?
Dumbledore hesitou, e Alaric viu a luta em seus olhos. O diretor parecia estar pesando cada palavra antes de dizê-la.
- Harry é a chave — Dumbledore disse, sua voz baixa. — A profecia é clara. Ele é o único que pode derrotar Voldemort. Há uma conexão entre eles, uma conexão que Voldemort não entende. Mas isso só acontecerá quando Harry estiver pronto. E até lá, nós precisamos protegê-lo.
Foi então que Dumbledore se inclinou sobre a mesa, seus olhos azuis brilhando com uma intensidade que fez os três homens prenderem a respiração.
- Há algo mais que preciso compartilhar com vocês — Dumbledore disse, sua voz grave e carregada de significado. — Algo que poucos no mundo bruxo sabem. Algo que deve permanecer em segredo absoluto, sob pena de morte.
Magnus, Alaric e Sirius trocaram olhares, todos sentindo o peso das palavras de Dumbledore.
- Do que se trata? — Magnus perguntou, sua voz cautelosa.
Dumbledore respirou fundo, seus olhos percorrendo os rostos dos três homens.
- Tenho um espião entre os Comensais da Morte — Dumbledore revelou, sua voz tão baixa que quase era um sussurro. — Alguém que se infiltrou nas fileiras de Voldemort e que me traz informações sobre seus movimentos, seus planos, suas fraquezas.
- Um espião? — Alaric repetiu, incrédulo. — Quem?
- Não posso revelar o nome dele agora — Dumbledore respondeu, com firmeza. — Não porque não confie em vocês, mas porque esse segredo é a única coisa que mantém esse homem vivo. Se Voldemort descobrir que ele é um espião, ele será torturado e morto da maneira mais cruel que o Lorde das Trevas puder imaginar.
- E por que está nos contando isso? — Magnus perguntou, seus olhos azuis fixos em Dumbledore.
- Porque preciso de aliados que saibam a verdade — Dumbledore respondeu. — Alguém que possa ajudar a proteger esse espião, que possa entender por que certas decisões são tomadas, que possa confiar em mim quando eu disser que há informações que não posso compartilhar.
- E quem é ele? — Sirius perguntou, sua voz cheia de desconfiança.
Dumbledore hesitou, e seus olhos encontraram os de Sirius com uma intensidade que fez o jovem bruxo prender a respiração.
- É Severus Snape — Dumbledore disse, sua voz firme.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Sirius ficou pálido, seus olhos cinzentos se arregalando de incredulidade. Ele abriu a boca para protestar, mas Dumbledore ergueu a mão, interrompendo-o antes que pudesse falar.
- Eu sei o que você está pensando, Sirius — Dumbledore disse, sua voz calma mas firme. — Eu sei da inimizade entre vocês, sei do que ele fez no passado. Mas Severus mudou. Ele veio até mim antes mesmo de Voldemort atacar os Potter, implorando que eu protegesse Lily. Ele se arrependeu profundamente do que fez e está disposto a arriscar sua vida para proteger Harry.
- Arriscar a vida? — Sirius repetiu, sua voz cheia de amargura. — Ele arriscou a vida de James e Lily! Ele foi o responsável por eles estarem em perigo!
- Ele foi responsável por ouvir a profecia e contá-la a Voldemort — Dumbledore confirmou, com honestidade. — Mas ele não sabia que a profecia se referia a Harry. Quando descobriu, veio imediatamente até mim para tentar corrigir seu erro. E desde então, ele tem trabalhado incansavelmente como espião, arriscando sua vida a cada dia para nos manter informados sobre os movimentos de Voldemort.
- E você confia nele? — Magnus perguntou, sua voz neutra.
- Confio — Dumbledore respondeu, sem hesitação. — Com minha vida. Com a vida de Harry. Ele é o melhor agente que já tive, e sua lealdade é inquestionável.
Sirius ainda parecia incrédulo, seus olhos fixos em Dumbledore com uma mistura de raiva e confusão.
- E o que ele quer em troca? — Sirius perguntou, sua voz cortante. — Ninguém faz algo assim de graça.
- Ele quer proteger Harry — Dumbledore respondeu. — Ele quer honrar a memória de Lily. E ele quer ver Voldemort destruído. Não há nada além disso.
O silêncio se instalou novamente, enquanto os três homens processavam as palavras de Dumbledore. Magnus foi o primeiro a falar.
- O que você precisa de nós? — Magnus perguntou.
- Preciso que vocês guardem esse segredo com suas vidas — Dumbledore respondeu, seus olhos percorrendo os rostos dos três. — Se essa informação vazar, Snape morrerá. E com ele, nossa melhor chance de derrotar Voldemort.
- E como podemos garantir que o segredo não vaze? — Alaric perguntou.
Dumbledore hesitou, e Alaric viu algo em seus olhos — uma centelha de determinação.
- Há um juramento mágico — Dumbledore disse, sua voz baixa. — Um Voto Perpétuo. É um juramento inquebrável, selado pela magia mais antiga. Quem o faz não pode quebrá-lo sem sofrer a morte.
- Um Voto Perpétuo? — Magnus repetiu, seus olhos se arregalando. — Isso é extremamente raro. E perigoso.
- Sei disso — Dumbledore confirmou. — Mas é a única maneira de garantir que esse segredo nunca seja revelado, mesmo sob tortura ou Legilimência. A magia do Voto os impediria fisicamente de contar a verdade.
- E você está nos pedindo para fazer um Voto Perpétuo? — Sirius perguntou, sua voz tensa.
- Estou — Dumbledore respondeu, sem hesitação. — Sei que é um pedido enorme. Mas é o único caminho.
Sirius ficou em silêncio por um longo momento, seus olhos fixos em Dumbledore. A luta interna era visível em seu rosto — a raiva que sentia por Snape, a lealdade que sentia por James e Lily, e o desejo de proteger Harry a qualquer custo.
- Eu farei — Sirius disse, finalmente, sua voz firme. — Por Harry. Para proteger Harry.
Magnus assentiu, seus olhos encontrando os de Dumbledore.
- Eu também farei — Magnus disse. — Pelo bem do mundo bruxo.
- E eu — Alaric concordou, sua voz firme. — Por James. Por Lily. Por Harry.
Dumbledore sorriu, e Alaric viu uma centelha de esperança em seus olhos.
Os quatro homens se levantaram. Dumbledore os conduziu até o centro da sala, onde o chão de pedra estava coberto por um círculo de runas antigas, tão desgastadas pelo tempo que quase não podiam ser vistas. As velas flutuantes tremeluziram, lançando sombras dançantes que pareciam ganhar vida própria nas tapeçarias.
- Ajoelhem-se — Dumbledore ordenou, sua voz grave e solene.
Magnus, Alaric e Sirius ajoelharam-se sobre a pedra fria, formando um triângulo imperfeito. O cheiro de cera de vela e magia ancestral preenchia o ar, e o silêncio era tão profundo que Alaric podia ouvir o bater de seu próprio coração.
Alaric e Sirius estenderam as mãos direitas, encontrando-se no centro do círculo. Seus dedos se entrelaçaram num aperto firme e solene — uma conexão de confiança que transcendia as palavras. A pele de Alaric estava fria, mas a mão de Sirius queimava de determinação.
Magnus ergueu sua varinha de carvalho e, com um movimento preciso e cerimonial, colocou a ponta sobre as mãos entrelaçadas dos dois homens. A madeira vibrou contra suas peles, pulsando com uma magia antiga que parecia respirar. Uma faísca dourada dançou na ponta da varinha, lançando reflexos nos olhos dos quatro bruxos.
Dumbledore, o arquiteto daquele juramento, deu um passo à frente. Sua silhueta imponente recortava-se contra a luz das velas, e sua voz ecoou como um sino de bronze nas paredes de pedra, cada palavra carregada de um poder que parecia dobrar o próprio ar.
- Eu, Alvo Dumbledore, testemunha deste Voto Perpétuo, convoco a magia mais antiga para selar este juramento — Dumbledore declarou, sua varinha apontada para o teto. — Que as palavras aqui ditas sejam gravadas em suas almas, inquebráveis como o aço, eternas como o tempo. Que a morte seja o preço da quebra, e que a magia vos una para sempre a este segredo.
O ar ao redor deles começou a vibrar. Alaric sentiu um formigamento na pele, como se mil agulhas invisíveis o tocassem. As runas no chão começaram a brilhar com uma luz fraca e âmbar.
Dumbledore abaixou a varinha e fixou os olhos em Alaric e Sirius.
- Primeira cláusula — Dumbledore entoou, sua voz firme. — Jurem que guardarão o segredo da verdadeira lealdade de Severus Snape, nunca o revelando a qualquer alma viva, seja por palavra, escrita, pensamento ou magia, sob nenhuma circunstância.
Alaric sentiu a gravidade das palavras. Olhou para Sirius, que assentiu com os olhos cheios de determinação. Juntos, eles responderam:
- Eu juro.
A varinha de Magnus explodiu em uma língua de fogo rubi e dourado. A chama serpenteou das pontas dos dedos de Magnus, envolvendo as mãos entrelaçadas de Alaric e Sirius como uma víbora incandescente. O fogo não queimava a pele, mas penetrava nela, deixando um rastro de calor intenso que Alaric sentiu subir pelo braço até o peito. Uma marca fina, como um anel de brasa, gravou-se em seus pulsos, pulsando com uma luz própria antes de desaparecer sob a pele.
Alaric prendeu a respiração. O calor era insuportável e sublime ao mesmo tempo — como se a própria magia estivesse costurando o juramento em seus ossos.
- Segunda cláusula — Dumbledore prosseguiu, sem deixar que o silêncio se instalasse. — Jurem que nunca agirão para expor ou prejudicar Severus Snape, direta ou indiretamente, e que o protegerão do conhecimento de sua traição, mesmo que suas próprias vidas estejam em jogo.
O suor escorria pela testa de Alaric. Ele sentiu o peso da promessa — não apenas guardar um segredo, mas ativamente proteger o homem que desprezava. Por Harry. Por James. Por Lily.
- Eu juro — ele disse, a voz firme, mesmo que seu coração estivesse em tumulto.
- Eu juro — Sirius repetiu, e havia uma tensão em sua voz, uma luta interna que Alaric podia sentir através do aperto de suas mãos.
Uma segunda língua de chama irrompeu da varinha de Magnus, mais grossa e brilhante que a primeira. Ela se uniu ao primeiro anel de fogo, formando uma espiral dupla que apertou suas mãos com mais força. Alaric sentiu o calor subir por seus braços, alojando-se em seu peito como um segundo coração em chamas. Uma dor aguda, mas não física — uma dor na alma, um lembrete de que aquele juramento era para sempre.
Sirius ofegou, seus dedos apertando os de Alaric com mais força. Seus olhos cinzentos estavam úmidos, mas não de lágrimas — de uma fúria contida, uma dor que não podia ser expressa.
Dumbledore ergueu a varinha mais uma vez. Seus olhos azuis brilharam com uma luz que parecia conter a sabedoria de séculos. A terceira cláusula pairou no ar como uma sentença de morte.
- Terceira e última cláusula — Dumbledore disse, e sua voz agora era um sussurro que ecoava como um trovão. — Jurem que, se algum de vocês for submetido à tortura, Legilimência ou qualquer forma de coerção mágica, a magia do Voto os impedirá fisicamente de revelar a verdade, e que a tentativa de quebrá-lo resultará em sua morte imediata e indolor — mas certa.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Até as velas pareciam ter parado de tremular.
Alaric olhou para Sirius. Nos olhos do padrinho de Harry, ele viu tudo — a culpa, a raiva, o amor desesperado por Harry, a promessa silenciosa de que faria qualquer coisa para proteger o menino. E naquele momento, Alaric soube que confiava em Sirius mais do que em qualquer outra pessoa no mundo.
- Eu juro — Alaric disse, sua voz ecoando na pedra fria.
- Eu juro — Sirius disse, e sua voz não tremeu.
A terceira chama explodiu da varinha de Magnus — não rubi, mas dourada puro, como fogo de fênix. Ela se lançou sobre as mãos dos dois homens com uma fúria majestosa, unindo-se às outras duas chamas em um anel sólido de fogo que apertou seus pulsos como um bracelete de ferro em brasa. O calor era avassalador, mas não queimava — fundia-se à carne, à alma, ao próprio ser.
Uma luz ofuscante, branca e dourada, envolveu os três homens — Magnus, Alaric e Sirius — por um instante eterno. Alaric sentiu o peso do Voto se alojar em seu peito como uma segunda respiração: uma corrente invisível, inquebrável, que vibraria a cada batida de seu coração até o último de seus dias. A marca em seu pulso queimou uma última vez, depois esfriou, tornando-se invisível, mas presente — um lembrete silencioso do que ele havia jurado.
Quando a luz se dissipou, os quatro homens estavam imóveis. O ar ainda pulsava com a magia residual, e as runas no chão haviam se apagado, consumidas pelo poder do Voto.
- Está feito — Dumbledore disse, baixando a varinha. Sua voz estava cansada, mas havia uma satisfação profunda nela. — Agora vocês sabem a verdade. E agora, juntos, vamos proteger Harry e derrotar Voldemort.
Alaric olhou para suas mãos. A pele estava intacta, mas ele sabia que algo havia mudado dentro dele. Ele podia sentir o Voto como uma presença constante, um guardião silencioso que selava seus lábios. Ele olhou para Sirius, que estava pálido, mas firme, e Magnus, que guardava a varinha com uma expressão solene.
Naquele momento, Alaric entendeu o significado daquele juramento. Não era apenas sobre Snape. Era sobre o futuro de Harry. Era sobre a confiança que Dumbledore depositava neles. Era sobre o fardo que eles carregariam juntos, em silêncio, para sempre.
Os anos se passaram, e Harry cresceu na mansão Potter em Godric's Hollow, cercado de amor e segurança. Miriam era a personificação do conforto — seus cabelos castanhos salpicados de prata estavam sempre presos em um coque desgrenhado, e suas mãos estavam sempre ocupadas, com um livro, com uma agulha de tricô, com uma xícara de chá que parecia nunca esfriar. Ela contava histórias para Harry sobre seus pais, sobre o amor que eles tinham por ele, sobre a coragem que demonstraram.
- Você é um Potter, Harry — ela dizia, a voz doce como mel, enquanto o aconchegava em seu colo. — Você tem uma herança de amor e coragem. Seus pais... seus pais eram heróis.
- O que aconteceu com eles? — Harry perguntava, seus olhos verdes tão sérios para uma criança tão pequena.
Miriam suspirava, e seus olhos se enchiam de uma tristeza que ela nunca conseguia esconder completamente.
- Eles foram mortos por um homem mau, querido. Um bruxo chamado Voldemort. Mas eles lutaram bravamente para te proteger. Sua mãe deu a vida por você, e isso... isso é a magia mais poderosa que existe.
Alaric era o patriarca, a figura imponente que ensinava Harry sobre honra, legado e dever. Ele carregava Harry em seus ombros pelos corredores da mansão, apontando retratos de antepassados que balançavam e cumprimentavam o menino.
- Esta é a família Potter — Alaric dizia, sua voz profunda e calorosa. — Você é o último da linhagem direta, Harry. Mas você nunca está sozinho.
- Eu tenho você, tio Alaric — Harry respondia, segurando seu cabelo prateado.
- Sim, você tem — Alaric concordava, sua voz falhando ligeiramente. — E sua tia Miriam. E seu primo Gideon. E todos os Potters que vieram antes de nós. Eles estão todos aqui, Harry. Eles te amam.
E Gideon, o primo que Harry sempre admirou, era a luz da mansão. Dois anos mais velho que Harry — ele nasceu em 1979, dois anos antes de Harry — Gideon já tinha treze anos quando Harry embarcou para Hogwarts. Ele era um rapaz alto e atlético, com cabelos castanhos sempre desgrenhados e olhos castanhos-claros que brilhavam com travessura e bom humor. Ele já estava no terceiro ano em Hogwarts quando Harry chegou, e sua presença na escola era um conforto para o primo mais novo. Ele e Harry exploravam a mansão juntos durante as férias, descobrindo segredos escondidos em cada canto — uma biblioteca secreta atrás de um quadro de um ancestral que roncava, um baú com roupas antigas que os faziam parecer duendes quando vestiam, e uma vez, acidentalmente, libertaram um pequeno duende doméstico que ficou preso em um jarro por duzentos anos.

— Você é o meu irmão, Harry — Gideon dizia, sério, após uma dessas aventuras. — Eu sei que você tem um padrinho e tudo, mas você é meu irmão. Sempre será.
Harry nunca soube como responder a essas declarações. Apenas abraçava o primo, sentindo o amor que transbordava daquele menino que era mais irmão do que primo.
Os anos passaram, e a mansão Potter era um local de visitas constantes. A família Black visitava regularmente — Sirius, Marlene, Nicholas e Lyra. Dumbledore aparecia para tomar chá com Alaric, sempre com um brilho nos olhos ao ver Harry. E Magnus Blackwood, o Chefe dos Aurores, também fazia questão de visitar, sempre com histórias sobre suas missões e conselhos sábios para Harry.
- Você está ficando tão grande, Harry — Magnus dizia, seus olhos azuis brilhando com orgulho. — Você se parece tanto com seu pai. E tem a bondade de sua mãe.
- Você conhecia meu pai? — Harry perguntava, seus olhos brilhando.
- Conhecia — Magnus confirmava, com um sorriso. — Ele era um dos melhores Aurores que já conheci. Corajoso, leal, e com um senso de justiça inabalável. Você tem o sorriso dele.
Quando completou sete anos, Alaric e Miriam decidiram levar Harry ao local onde tudo havia começado. A casa de Godric's Hollow, em Potter's Lane, ainda estava em ruínas quando chegaram. O telhado desabado, as paredes rachadas, os vidros quebrados. Mas havia algo ali — uma energia, uma lembrança — que fazia o coração de Harry apertar.
- Aqui — Alaric disse, sua voz grave. — Aqui foi onde seus pais viveram. E aqui foi onde eles morreram, protegendo você.
Harry entrou na casa com passos hesitantes, sentindo o peso da história sob seus pés. Os móveis estavam destruídos, os livros espalhados, as paredes marcadas por magia das trevas. Mas no quarto do bebê, algo permanecera intacto — uma pequena arca de madeira, com o nome de Harry gravado em letras douradas. Dentro, encontrou uma manta de bebê — a mesma na qual ele fora embrulhado na noite em que seus pais morreram — e uma carta de sua mãe, escrita em uma caligrafia bonita e fluente. Harry segurou a carta com mãos trêmulas, as lágrimas escorrendo por seu rosto. Miriam o envolveu em um abraço, sentindo o corpo do menino tremer contra o dela.
- Ela te amava muito, Harry — Miriam sussurrou. — Ela te amava tanto.
Naquela noite, Harry dormiu com a carta debaixo do travesseiro, e sonhou com uma mulher ruiva de olhos verdes que o chamava de "meu pequeno herói".
Quando Harry tinha oito anos, conheceu Morgana Blackwood em uma das festas de gala que Alaric e Miriam insistiam em comparecer — eventos elegantes e tediosos onde os adultos conversavam sobre política e os filhos eram deixados para brincar entre si. Ele a encontrou sentada em um banco de pedra no jardim, os olhos fixos na lua crescente. Ela tinha um ar melancólico, como se carregasse o peso do mundo em seus ombros.
- Você também acha isso um tédio? — ela perguntou, sua voz suave como seda.
Harry sentou-se ao lado dela, e os dois começaram a conversar. Morgana contou sobre sua ansiedade, sobre suas fobias, sobre o medo de não ser boa o suficiente. Harry contou sobre a perda de seus pais, sobre a solidão que sentia mesmo cercado de amor. Eles descobriram que compartilhavam uma conexão profunda — ambos carregavam pesos que não haviam escolhido, ambos lutavam para encontrar seu lugar no mundo.
- Você quer ser meu amigo? — Harry perguntou de repente, sentindo-se corajoso.
Morgana se virou para encará-lo, seus olhos brilhando na luz da lua.
- Eu gostaria muito, Harry — ela respondeu, com um sorriso. — Eu gostaria muito.
Naquela noite, Harry encontrou algo precioso — alguém que entendia sua dor, que não o julgava, que o via como uma pessoa comum.
Quando Harry completou onze anos, a carta chegou. Era uma manhã de sábado, e ele estava no jardim com Gideon, que estava em casa para as férias de verão. Os dois primos brincavam de Quadribol em miniatura, rindo e competindo como sempre faziam. O céu estava azul e claro, e o cheiro de grama recém-cortada preenchia o ar. Os pássaros cantavam nas árvores, e o lago refletia o sol como um espelho de ouro.
- Harry! — a voz de Miriam ecoou pela mansão. — Venha aqui! Tem uma carta para você!
Harry largou a vassoura e correu para dentro. A carta era de pergaminho amarelado, com o brasão de Hogwarts em vermelho e dourado. Seu coração disparou quando leu as palavras: "Caro Sr. Potter, temos o prazer de informar que Vossa Senhoria tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts."
- Tio Alaric! — ele gritou, correndo pelo corredor. — Eu vou para Hogwarts!
Naquela noite, houve uma celebração na mansão. Gideon estava radiante, contando a Harry tudo o que ele precisava saber sobre Hogwarts.
- Você vai amar, Harry — Gideon disse, seus olhos brilhando. — A Grifinória é a melhor casa, claro. O castelo é incrível, a comida é maravilhosa, e o Quadribol... você vai adorar o Quadribol.
- Você acha que eu vou ser colocado na Grifinória? — Harry perguntou, ansioso.
- Claro que vai — Gideon respondeu, com uma confiança que acalmou o coração de Harry. — Você é um Potter, Harry. Os Potters sempre foram da Grifinória.
Durante o jantar, Harry fez as perguntas que sempre guardara no coração. Ele já sabia que seus pais haviam morrido protegendo-o, mas havia detalhes que ele nunca entendera completamente. Com onze anos, ele sentia que era hora de saber mais.
- Tio Alaric — Harry começou, hesitante. — O que realmente aconteceu naquela noite? Como Voldemort foi derrotado? Como eu sobrevivi?
Alaric trocou um olhar com Miriam, depois suspirou profundamente. Ele sabia que essa conversa chegaria um dia, mas também sabia que Harry era muito jovem para entender toda a verdade. Dumbledore sempre dizia que as crianças precisavam ser protegidas dos fardos que não podiam carregar.
- Voldemort não foi derrotado, Harry — Alaric disse, com honestidade, mas escolhendo as palavras com cuidado. — Pelo menos, não no sentido que a maioria das pessoas pensa. Ele foi derrubado. A maldição que ele lançou em você ricocheteou e destruiu seu corpo físico. Mas ele sobreviveu, de alguma forma. Dumbledore e Magnus disseram que ele está por aí, em algum lugar, esperando o momento certo para retornar.
- Então ele pode voltar? — Harry perguntou, seus olhos verdes arregalados.
- Pode — Alaric confirmou, sua expressão grave. — E quando isso acontecer, Harry, você precisará estar preparado. Mas não se preocupe com isso agora. Você é apenas uma criança. Você merece aproveitar sua infância, fazer amigos, aprender magia. O futuro virá quando tiver que vir.
- Mas como ele sobreviveu? — Harry insistiu, sua curiosidade aguçada. — Como a maldição ricocheteou?
- Por causa da sua mãe — Miriam respondeu, sua voz suave. — Lily deu a vida por você, Harry. Ela poderia ter se salvado, mas escolheu ficar. E aquela escolha criou uma magia antiga e poderosa — a magia do amor. Voldemort não entende esse tipo de magia, e por isso ela o derrotou.
- Mas como isso funciona? — Harry perguntou, franzindo a testa. — Como o amor pode derrotar alguém tão poderoso?
- É uma magia muito antiga, Harry — Alaric explicou, com paciência. — Mais antiga do que qualquer feitiço que você aprenderá em Hogwarts. É a magia que existe no coração das pessoas, a magia que nos faz proteger aqueles que amamos. Sua mãe tinha essa magia, e ela a usou para te proteger.
Harry ficou em silêncio, processando as palavras. Ele ainda tinha muitas perguntas, mas Alaric podia ver que o menino estava cansado, sobrecarregado pela emoção do dia.
- Harry — Alaric disse, sua voz suave. — Há muitas coisas sobre aquela noite que você ainda não está pronto para entender. Coisas que apenas os adultos podem compreender. Mas saiba disso: sua mãe e seu pai te amavam mais do que qualquer coisa no mundo. E eles morreram para te proteger. Você é o maior presente que eles poderiam ter deixado para nós.
- Mas por que Voldemort queria me matar? — Harry perguntou, sua voz um sussurro. — O que eu fiz para ele me odiar tanto?
Alaric sentiu o coração apertar. Essa era a pergunta mais difícil de todas. Ele não podia contar a verdade sobre a profecia — não agora, não quando Harry ainda era tão jovem e vulnerável. Dumbledore havia sido claro sobre isso: algumas verdades precisavam esperar até que a pessoa estivesse pronta para ouvi-las.
- Você não fez nada, Harry — Alaric respondeu, com firmeza. — Absolutamente nada. Voldemort temia você porque você tinha algo que ele nunca poderia ter — o amor de sua mãe, a proteção dela. Ele não entendia esse tipo de magia, e por isso temia você. Mas isso não é culpa sua. Nunca foi.
- Ele ainda me teme? — Harry perguntou.
- Ele teme a ideia de que você possa derrotá-lo — Alaric disse. — Mas você não precisa se preocupar com isso agora. Você vai para Hogwarts, vai fazer amigos, vai aprender magia. E quando o momento certo chegar, você estará pronto.
- E se eu não estiver pronto? — Harry perguntou, sua voz falhando.
- Você vai estar — Alaric disse, com uma certeza que acalmou o coração de Harry. — Você é um Potter, Harry. E os Potters nunca fogem de uma luta. Mas isso não significa que você precisa lutar agora. Você tem tempo. Muito tempo.
Harry assentiu lentamente, ainda processando as palavras do tio. Ele sabia que Alaric estava escondendo algo, que havia mais na história do que ele estava contando. Mas também sabia que seu tio só queria protegê-lo. E, por enquanto, isso era o suficiente.
- Tio Alaric — Harry disse, sua voz baixa. — Um dia, você vai me contar tudo?
Alaric olhou para Harry, vendo a maturidade em seus olhos verdes. Ele sabia que aquele dia chegaria, que Harry um dia estaria pronto para saber a verdade sobre a profecia, sobre as Horcruxes, sobre tudo.
- Um dia, Harry — Alaric prometeu, sua voz carregada de emoção. — Quando você estiver pronto, eu vou te contar tudo. Mas hoje não é esse dia. Hoje, você só precisa saber que é amado, que é protegido, e que tem uma família que faria qualquer coisa por você.
Harry sorriu, um sorriso pequeno mas sincero, e se aninhou contra o tio. Alaric o abraçou com força, sentindo o peso do menino contra seu peito.
- Eu te amo, tio Alaric — Harry sussurrou.
- Eu também te amo, pequeno — Alaric respondeu, sua voz falhando. — Mais do que você pode imaginar.
Naquela noite, Harry dormiu tranquilo, sabendo que, independentemente do que o futuro reservasse, ele tinha uma família que o amava incondicionalmente.
Na noite seguinte, Morgana visitou Harry em Godric's Hollow. Ela havia recebido sua carta também, e os dois passaram horas conversando sobre Hogwarts, sobre as casas, sobre os professores.
- Você sabe que o Patrono de Dumbledore é uma fênix? — Harry perguntou. — Meu tio Alaric me contou. Ele usou um Patrono para avisá-lo sobre o ataque, na noite em que meus pais morreram.
- Uma fênix? — Morgana arregalou os olhos. — Isso é muito simbólico. Fênixes renascem das cinzas, assim como a esperança.
- É o que meu tio diz — Harry concordou. — Ele diz que Dumbledore sempre acreditou que Voldemort voltaria, mas que também acreditava que haveria uma maneira de derrotá-lo de vez.
- Ele está certo — Morgana disse, com uma certeza que surpreendeu Harry. — Meu pai também acredita nisso. Ele é o Chefe dos Aurores, Harry. Ele vê as sombras se movendo. Mas ele também diz que, se estivermos preparados, poderemos vencer.
- E como vamos nos preparar?
- Estudando — Morgana respondeu, com um sorriso. — Aprendendo. Treinando. E, acima de tudo, ficando juntos.
- Vamos ficar juntos, Morgana — Harry disse. — Não importa o que aconteça.
- Sempre, Harry — ela respondeu, apertando sua mão. — Sempre.
No dia 1º de setembro, Harry partiu para Hogwarts. Na Estação King's Cross, com Alaric, Miriam e Gideon, ele sentiu o coração disparar de ansiedade e excitação. Gideon, já veterano, colocou a mão no ombro do primo.
- Não se preocupe, Harry — Gideon disse, com um sorriso confiante. — Eu vou estar lá para te ajudar. E se alguém te incomodar, é só me procurar.
- Obrigado, Gideon — Harry respondeu, sentindo-se mais calmo.
E enquanto o trem partia da estação, Harry Potter sabia que sua vida estava prestes a mudar para sempre.
Mas o segredo que Magnus, Alaric e Sirius carregavam em seus corações — o Voto Perpétuo que os impedia de revelar a verdade sobre Severus Snape — permaneceria guardado por muitos anos. E, em algum momento no futuro, quando Harry estivesse mais velho e pronto para ouvir a verdade completa, Alaric cumpriria sua promessa e contaria tudo.
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