A Herdeira!
12 Sentindo-me confusa.
Notas iniciais
Finalmente estava quase na hora do jornal oficial. Eu trajava um vestido diferente dos outros, não era bufante, nem extravagante. Tinha comprimento até o joelho, meio branco e cor de creme.
Era a primeira vez que eu estava vestindo algo assim, na frente das câmeras. Meu cabelo estava lindo. As pontas estavam delicadamente cacheadas e ele estava meio solto e meio preso. A tiara estava pousada delicadamente em meus cabelos. Desci as escadas e encontrei Kaden me esperando junto com papai.
Eles se surpreenderam por conta de meu vestido, mas nada disseram. Nos posicionamos em nossos lugares e então as o hino de Illéa começou a tocar. Já estava começando.
—Boa noite, Illéa. Boa noite majestade, altezas. –Gravil cumprimentou trajando um de seus ternos rosa claro. –Essa noite começaremos o jornal com os avisos de sua majestade, Rei Maxon. Por favor.
Meu pai logo foi em direção a Gravil e começou a da alguns avisos. Sinceramente? Eu estava tão nervosa que eu só escutei a voz de meu pai me chamando para falar sobre minhas idéias. Caminhei em direção a poltrona em frente a Gravil enquanto meu pai saiu e me dirigiu um sorriso reconfortante.
—Boa noite, Gravil. –Falei sorrindo.
—Boa noite, alteza. –Falou. –Como vai a seleção?
—No momento vai bem, com certeza começamos a elite em menos de um mês. –Falei. Nem tinha falado sobre isso com meu pai, mas já foi.
—Certo, no momento temos quantos participantes? –Perguntou.
—15. Quinze participantes. –Falei.
—Já se apaixonou por algum deles? –Gravil perguntou. Que diabos de pergunta era essa? Senti algo quente nas minhas bochechas. Eu estava corando? É isso mesmo que está acontecendo? Deuses que humilhante. Gravil logo percebeu já que começou a rir junto com Kaden e papai. –Essa com certeza é uma ótimo resposta.
Ri um pouco, ainda nervosa.
—Bem, creio que tenha avisos para dar. –Falou ainda meio risonho.
—Sim. É, tenho desenvolvido vários projetos para ajudar Illéa e a população com ajuda de alguns selecionados. Alguns deles já estão sendo colocados em prática. Todos os hospitais de Illéa estão sendo revistados para vermos quais deles estão em situações precárias, pois muitas das pessoas que os usam podem acabar pegando doenças por conta da situação do hospital. Vamos começar a construir alguns edifícios, o primeiro é de um orfanato para as crianças não viverem mais nas ruas. Ele terá tudo, cozinha, quartos para todas as crianças, banheiros, alas para recrear. Eles também estudarão em uma escola especial por o caso deles sofrerem algum tipo de discriminação. Mas a escola terá professores capacitados e não eles não terão tratamento diferente de qualquer criança. Poderiam introduzir também o ensino da música na ficha escolar das crianças, ou qualquer tipo de esporte para passar o tempo. Devem ser contratados profissionais capacitados para tal tarefa. –Parei um pouco para respirar enquanto levantava e gesticulava com as mãos. – o segundo é um restaurante comunitário para as pessoas que não tem nenhum dinheiro para comprar comida. Sei que muita gente passa fome por aí e devíamos ajudar nisso. Vamos começar por pouco em algumas províncias mais próximas e depois o projeto vai começar a crescer se expandido pelas outras áreas do país. Espero que dê tudo certo.
—Nossa, um projeto bem grande e bem construído. –Gravil elogiou.
—Obrigada. –Falei.
—Então, o aniversário de vossa alteza está chegando, não é? –Perguntou mudando de assunto.
—Daqui a dois dias. –Assenti sorrindo.
—Vai fazer um baile? –Perguntou.
—Ainda não sei. Se eu for fazer provavelmente não vai ser no dia certo, talvez será no próximo final de semana. Não sei. –Dei de ombros.
—Certo. Muito obrigado princesa. –Falou. Levantei-me da poltrona e fui para meu lugar entre Kaden e papai. Ambos sorriam orgulhosos de mim e no fim, não pude deixar de sorrir também.
Quando tudo acabou, já passava das dez da noite. Rapidamente entrei no meu quarto e pedi para Neena trazer meu jantar atrasado. Tomei um longo banho e me vesti com uma camisola rosada, sentei-me na cama e logo comecei a comer. Dispensei Neena que logo levou a bandeja e me deitei na cama pensando na noite de hoje e quem eu tinha certeza que já iria para a Elite. Mas e Kile? Ainda lembro da conversa que tivemos hoje de manhã.
Era mais ou menos meio dia. Alguém bateu na porta do meu quarto e logo Neena abriu. Kile apareceu sorrindo com um livro na mão. Com certeza deve ser sobre arquitetura. Ele sentou-se na cama e me olhou.
—Bom dia, Eady. –Ela já adotara a tempos este apelido.
—Bom dia, Kile. O que faz aqui? –Perguntei ajeitando-me na cama.
—Só vim te ver. –Deu de ombros me fazendo sorrir.
—Esse livro é sobre arquitetura? –Perguntei curiosa.
—É sim. –Falou mostrando-me a capa. O segredo de um arquiteto de William Nosan.
—Você ama isso, não é? –perguntei risonha.
—Sim. –Seus olhos brilharam. –Ontem a noite, você disse que a elite vai começar em menos de um mês? –Perguntou e eu assente confusa. –Eady, quando vai perguntar a minha mãe, sobre eu ir embora? Quando vai me eliminar?
Aquilo foi um choque para mim. Ele queria ser eliminado? Eu tinha prometido a ele desde a primeira noite que se ele me desse um beijo eu diria isso a mãe dele. Que o deixasse partir e fazer o que ele quiser, ser um arquiteto.
—Não sei. –Falei baixinha.
—Que tal quando for falar quais são os meninos da elite? –Perguntou sugestivo. Eu assenti ainda olhando pro nada. –Tenho que ir, Fox quer que eu o ajude em uma coisa.
—Está bem. –Assenti de novo. Ele me deu um leve beijo na bochecha e logo saiu do quarto. E eu fiquei com meus pensamentos.
Eu estava totalmente confusa. Kile me pediu que eu falasse para a mãe dele sobre isso faz meses, e eu pensei que ele já tinha mudado de ideia. Eu não sabia por que eu estava tão triste e confusa. Eu não estava me entendendo. Suspirei apagando a luz do meu abajur e me aconcheguei na cama abraçando um de meus travesseiros como se eu quisesse que ali na verdade fosse alguém. E eu estava com medo até de pensar quem seria.
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