Um som agudo e irritante ecoou por todo o apartamento, tirando o jovem de seu transe de agonia. Levantou-se do sofá, correndo em direção ao interfone e pressionando o seu botão rapidamente, abrindo o portão que dava para o prédio. Começou a andar pela cozinha, tentando tirar a aflição que lhe corroía de dentro de si. Mas ele sabia que, quer ele andasse quilômetros, quer ele andasse alguns metros, nada amenizaria mais sua amargura do que tê-la em seus braços.

Duas batidas tímidas soaram na porta, fazendo com que ele tropeçasse no tapete ao tentar virar-se para ela. Cruzou a sala em dois passos largos, abrindo a porta e abraçando a menina chorosa atrás dela. Esta começou a soluçar copiosamente nos braços do garoto, que beijava seu cabelo.

— Calma, vai ficar tudo bem… Eu… Eu tenho certeza. — Ele disse, mesmo que não acreditasse em suas próprias palavras.

— Mesmo? — Ela se afastou um pouco dele, quebrando o abraço e limpando suas lágrimas negras de rímel com a manga do moletom.

— Claro que sim. — Ele deu um sorriso caloroso, olhando-a fundo nos olhos. — Tudo sempre fica no fim; se não ficou, não acabou.

Ela retribuiu o sorriso, abaixando sua cabeça, um pouco envergonhada. Ele deu um passo para frente, abraçando-a novamente.

— Porém… Você terá de lutar, tudo bem? Nada vai se ajeitar se você não acreditar e, principalmente, resistir. — Ela balançou sua cabeça ao ouvir as palavras dele, concordando. — E já vou te avisar… Vai ser difícil. Muito difícil. No entanto, você sempre terá a mim. Você sabe disso, não?

— Claro que sei, seu bobo! — Ela disse, rindo levemente. O menino sorriu, sabendo que aquele provavelmente era o primeiro sorriso genuíno do dia dela, e que a razão deste era ele.

— Então não há nada com o que se preocupar. — Seus olhares se encontraram e os dois sorriram, um pouco envergonhados. — Eu serei sempre seu, você sabe disso.

Os dois abraçaram-se forte, pensando nas palavras que haviam dito. Sabiam que se amavam, que se desejavam… Sabiam que o amor e o desejo eram dois sentimentos recíprocos, pelo menos em sua situação. Entretanto, nada era feito. Apenas ficavam ali, agindo como se nada estivesse acontecendo. E, acima de tudo, perguntando-se por que o amor era tão complicado.

Contudo, os dois sabiam a resposta. Sabiam-na mais do que seus próprios nomes e identidades. Ele era tão complicado… Apenas porque não havia sido dado chances de ser compartilhado.

Why can’t I erase a heartless you?

잔인한 너는 왜 지워지지 않니 않냐고?

Notas finais
Mereço alguma review? ç.ç
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!