Notas iniciais
Hey!!

Virei meu rosto, algo molhado e ao mesmo tempo gelado tocou meu nariz, franzi o mesmo e sorri, escondendo meu rosto no travesseiro. Ratinho tinha a constante mania de me acordar com lambidas no rosto, e esse dia não seria diferente. Senti as pequenas lambidas em minha orelha, afastei meu rosto dele e abri meus olhos, o vendo miar baixo, uma maneira de dizer que me queria acordada, que algo estivesse acontecendo. Passei minhas mãos em meu rosto, bufei e me sentei, pronta para enfrentar mais um dia. Ratinho miou novamente. Seu famoso miado de quando Lexie entrava em nossa com a chave reserva e roubava os biscoitos preferidos de Rachel, os quais ele também comia.

– Bom dia, bola de pelo... — murmurei, logo virando meu rosto para o lado, encontrando o vazio. — Onde está Rachel?

Percebi algumas vozes do lado de fora do quarto, me levantei lentamente, me arrastei até o banheiro, e lavei meu rosto e escovei meus dentes. Ao sair do banheiro, vi Ratinho se esfregar na porta, abri a mesma e nós saímos juntos do quarto, ele entrou no quarto de hóspedes, eu segui direto até a sala, ouvi as vozes vindo da cozinha, logo franzi minha testa. Lexie nunca fazia o café da manhã, ou qualquer outra refeição, Quinn não costumava comer conosco, ou até mesmo Brittany, Rachel ainda não se confia totalmente sozinha na cozinha, e Andrea simplesmente não gosta de cozinhar. Parei na porta da cozinha e arregalei um pouco meus olhos, prendendo minha respiração.

– Cante para mim. — a mulher disse, sorrindo para Rachel, a mesma sorriu mais do que podia.

– There's always gonna be another mountain... — Rachel murmurou, jogando uma cobertura de chocolate em um bolo em cima da bancada da cozinha. — I'm always gonna want to make it move. Always gonna be an uphill battle. Sometimes I'm going to have to lose. Ain't about how fast I get there. Ain't about what's waiting on the other side...

– It's the climb. — a mulher completou, fazendo Rachel suspirar.

Shelby acariciou a cabeça de Rachel e beijou a mesma, ela virou um pouco o rosto e sorriu abertamente, Rachel também se virou.

– Oh... Santana. — ela disse, dando um pequeno sorriso. — Bom dia.

– Bom dia... — murmurei, ainda confusa. — Olá, Shelby.

– Santana. — Shelby disse, voltando ao que fazia.

– Shell, encontrei isso no meu apartamento, e eu acho que... — me virei rapidamente, vendo Andrea entrar pela porta. — Oh! Bom dia, Santana! Você dormiu bem?

Olhei para as duas morenas, ambas estavam novamente destraídas, segurei o braço de Andrea e a puxei para a porta da varanda da sala, a deixando confusa.

– O que Shelby está fazendo aqui? E como ela entrou no meu apartamento?

– Ela veio por Rachel, obviamente. Shell é mãe da Rachel, ela se preocupa com a filha. — ela soltou seu braço, bufando. — Eu lhe entreguei minha chave de emergência, porque ela queria fazer surpresa para vocês.

– Acredite, estou bem surpresa. — suspirei e abaixei um pouco minha cabeça. — Sabe por quanto tempo ela irá ficar?

– Não. Por que você não pergunta à ela?

Revirei meus olhos e me afastei dela, voltei para o meu quarto, troquei de roupa, fui até a cozinha e me aproximei de Rachel, que procurava algo na geladeira.

– Rachel. — a chamei, ela logo olhou para mim. — Eu preciso sair um pouco, mas eu volto logo.

– Você não quer ficar aqui? Não quer ficar comigo?

– Não é isso, querida. — me aproximei mais dela, sorrindo. — Eu preciso resolver alguns problemas, serão rápidos, eu prometo.

– Podemos ir à praia com mamãe hoje? — ela sorriu, como uma criança travessa.

– Nós faremos o que você quiser. — lhe dei um selinho rápido, para depois beijar sua testa. — Eu te amo, querida.

– Tome cuidado. — ela disse, segurando minha mão.

– Eu tomarei. — me virei para Shelby e Andrea, que riam juntas. — Eu vou precisar sair, fique à vontade Shelby, se precisarem de mim, me liguem.

– Dirija com cuidado. — Shelby disse. — E não se preocupe, pois eu cuidarei bem da Rachel por você.

– Eu sei que sim.

Acenei para elas e saí, me aliviando um pouco. Pensei em ir falar com Quinn sobre Shelby, mas eu sabia que ela descobriria logo, então segui até o estacionamento e entrei no meu carro. Primeira parada, Pierce College. Logo que entrei, algumas pessoas vieram até mim para saber sobre Rachel, respondi o minimo que pude e segui até a primeira aula de Rachel. Senhorita Holiday olhou para mim e parou de falar, logo se aproximando com o rosto sério, preocupado.

– Senhorita Lopez. — ela disse, parando em minha frente. — Fiquei sabendo sobre o que aconteceu com Rachel. Como ela está?

– No momento ela está bem. — respondi. — Quero dizer... Ela ainda deve estar com medo, mas está com a mãe, então...

– Rachel voltou para Ohio?

– Não. Shelby veio ficar com Rachel.

– Sinto muito. — ela sussurrou, passando a mão em meu braço.

– Tudo bem. Eu sabia que uma hora ou outra ela viria, só estava esperando o motivo certo. — dei um pequeno sorriso, ela sorriu de volta. — Será que eu poderia conversar com Millicent?

– Oh, claro! Eu não sei o que Millicent tem com tudo isso, mas eu a libero para você.

Senhorita Holiday voltou para dentro, segundos depois Millicent apareceu com sua bolsa no ombro, e a testa franzida.

– Você quer conversa comigo? — ela perguntou, confusa.

– Sim. Quer um café?

Ela deu de ombros e me seguiu até meu carro, fomos até uma cafeteria pequena, a mesma estava um pouco vazia, assim conseguimos uma mesa facilmente. Depois de nos acomodarmos e fizermos nossos pedidos, Millicent esperou os mesmo chegarem, depois do primeiro gole ela suspirou e me encarou.

– Sobre o que você quer conversar, exatamente? — ela perguntou.

– Elliot. — respondi. — Me fale sobre seu parentesco com ele.

– D-do que você está falando?

– Eu sei sobre vocês serem irmãos e sobre você tê-lo beijado.

– Como você sabe disso? Quem lhe disse?

– Não importa quem me disse.

Millicent abaixou sua cabeça e bebeu seu café, depois olhou pela janela e sorriu.

– Quando eu tinha dois anos, minha mãe me deixou em um orfanato, por ser “diferente” das outras crianças. Todo mundo me chamava de burra, louca, ou qualquer coisa parecida. Quando eu completei meus sete anos, os Szohrs me adotaram, Elliot tinha nove anos, e por ser filho único, não havia gostado de mim no início. Quando fiz 14 anos, Elliot disse que gostava de mim e me beijou. — ela ficou séria. — Passamos duas semanas em um relacionamento bobo, até papai descobrir isso, ele nos proibiu de fazer isso, até mesmo de dormirmos no mesmo quarto, assim eu ganhei meu próprio quarto. Mesmo ele sabendo que não podíamos, Elliot me provocou o tempo inteiro, com beijos na bochecha, abraços fora de hora, carinhos e elogios... Pude me segurar por dois anos, mas depois disso eu não aguentei, então o beijei. Ele disse que guardaria segredo.

– Você tem algo com o que ele fez à Rachel? — perguntei, ignorando suas lágrimas.

– Claro que não! — ela quase gritou, tentando se controlar. — Rachel é minha amiga.

– Mas você quase a beijou.

– Eu não fiz isso.

– Na festa, no campo de baseball.

– Eu não tentei beijá-la, Rachel quase me beijou. — ela riu um pouco. — Pergunte a ela sobre isso, porque se eu responder, você não irá acreditar.

Corei um pouco, Millicent esticou seu braço e tocou minha mão, depois sorriu para mim.

– Eu não acho que você seja autista. — eu disse, a fazendo engasgar.

– O que? Por que você acha isso?

– Você não age como um autista.

– Você quer dizer, como Rachel, certo? — ela inclinou um pouco sua cabeça, suspirando. — Pessoas autistas não precisam ser necessariamente como Rachel, Santana. Eu sou autista, descobri isso aos oito anos, mas não como ela. Há várias escalas de autistas. De 1 à 10, Rachel é 8.

– E você seria...

– Quatro. Eu ajo como qualquer um, mas tenho algumas qualidades ou defeitos de um autista.

Antes que eu dissesse algo, meu celular tocou, nos assustando, o peguei rapidamente, achando que poderia ser Rachel.

– Senhorita Lopez... — ouvi uma mulher do outro lado. — Sou policial Scott. Delegado Humprey está pedindo que Rachel compareça ao tribunal para...

– Elliot. — murmurei, a cortando. — Ela irá, chegaremos logo.

– Obrigada.

Guardei meu celular no bolso da minha calça, coloquei o dinheiro em cima da mesa e me levantei, fazendo Millicent franzir sua testa.

– Venha! — a puxei da mesa, logo a puxando para fora da cafeteria. — Nós precisamos buscar Rachel, e depois ir ao tribunal e...

– Tribunal? — ela entrou em meu carro, confusa. — O que faremos no tribunal? — liguei o carro, ela bufou. — Eles irão prender Elliot, certo?

– Eu espero que sim. — suspirei, dando uma rápida olhada para ela. — Me desculpe, Millicent. O que Elliot fez foi errado, tanto com Rachel, quanto com você. Ele merece ser preso e...

– Tudo bem. — ela sorriu. — Ele queria que eu o ajudasse, mas estou cansada de cobrir todas as besteiras que Elliot faz. Se para voltar a ser feliz como antes, Elliot tenha que ser preso, eu a ajudarei com isso.

– Obrigada, Millicent.

– Apenas dirija com cuidado, porque eu não estou querendo morrer.

Notas finais
O que será que vai acontecer no tribunal, hum? O apartamento das meninas: http://www.construtoracorreia.com.br/img/empreendimentos/6_101213113656.jpg xoxo