A Híbrida-Reneslec
3 Conversando com um Volturi
Notas iniciais
P.O.V. Renesmee.
Eu não gosto de estar aqui. Eu me sinto só, muito só.
—Porque está aqui trancada no quarto?
—Porque você se importa?
—Vai dormir de calça jeans e moletom?
—Não. Eu vou sair, preciso de um pouco de ar.
—Você devia pedir a permissão do Aro.
—Ele sabe que eu vou sair. Eu notifiquei ele.
—Então eu vou com você.
Nós fomos a um café, ele puxou a cadeira para eu sentar e se comportou como um perfeito cavalheiro. Eu pedi um chocolate quente já que estava relativamente frio.
—Isso não é chocolate quente! Isso é chocolate morno! Devia dizer chocolate morno no cardápio se é isso que vão servir.
—Eu vou reclamar com o gerente.
—Não precisa. Eu posso concertar.
Eu primeiro fervi o chocolate quente e experimentei.
—Ai! Ta muito quente.
Depois eu congelei um pouco.
—Perfeito. Você foi gentil, cavalheiro... ok, cartas na mesa. O que você quer?
—Nada.
—Sério, o que você quer? Quer o segredo não é? Foi o Aro que mandou.
—Não! Eu só... tava tentando ser gentil.
—Volturis não são gentis, Volturis são interesseiros. Se te tratam bem não é porque se importam, é porque querem alguma coisa!
Eu dei um gole no meu chocolate quente.
—Foi muito impressionante o que você fez lá na sala do trono. Controlar todo mundo daquele jeito. Eu nunca vi nada igual.
—Eu sou telecinética. Posso mover coisas com a minha mente, posso controlar coisas com a minha mente. Em resumo, os seus poderes tem limites... os meus não.
Dei outro gole.
—Não é atoa que o Mestre Aro está de olho em você. O estranho é que... você parece tão humana.
—Minha mãe era uma bruxa, ela era humana.
—Não é diferente, parece uma camuflagem. Para esconder seu verdadeiro poder.
—Talvez seja. Eu não saberia dizer. Eu tenho poderes que eu desconheço, que só se mostram quando estou inconsciente. Eu levito quando durmo.
—Isso é interessante.
—Eu tenho bloqueios na cabeça que estão caindo aos poucos. O último que caiu destrancou uma habilidade nova. Controle mental. Ontem eu quase fiz um homem se matar. Se ele fosse humano, teria morrido.
—E o que ele era?
—Vampiro. Fiz ele se atirar de uma janela. Foi sem querer, mas eu fiz.
—Quem você fez se atirar da janela?
—Um dos guardas Volturi ai, ele tava me enchendo o saco. Dai eu sujeri que ele se jogasse da janela e ele se jogou. Eu só ouvi o barulho do chão quebrando.
—Você é fascinante.
—Você é esquisito.
Ele riu.
—Volturi dando risada? É o fim do mundo!
Eu disse brincando.
—Todo mundo encara.
—Claro, com você usando essa roupa ridícula.
—Roupa ridícula?
—Podia ter se vestido que nem gente pra variar. Tirado essa roupa horrorosa. Você não tem roupa de gente normal?
—Não.
—Você vive enfurnado naquele castelo não é? Só sai pra matar gente ou trazê-las como refém. Isso não torna a sua existência, tipo... miserável?
—Uau! Você tem uma língua afiada.
—Eu falo na cara. Melhor falar na cara do que ficar falando pelas costas. Você tem cartão de crédito?
—Tenho.
—Maneiro. Vem comigo cabeção.
Ela chamou o garçom, deu pra ele uma nota de cinquenta e saiu me puxando.
—Onde vamos?
—Fazer compras.
P.O.V. Alec.
Ela me fez entrar em lojas que eu nunca entraria.
—Porque estamos aqui?
—Compras! Ok, qual é o seu estilo?
—O que é estilo?
—Ta, então... vai usar o que eu mandar e vai adorar. Veremos, esse seu cabelo, a cor dos seus olhos... esquece a cor dos olhos. Você vai ficar bem de azul. Mais ou menos um quarenta e dois?
Ela começou a pegar camisas, camisetas, bermudas, calças jeans.
—Acho que por enquanto ta bom, vamos experimentar.
A moça a barrou quando ela ia entrar no provador masculino, mas ela logo deu um jeito.
—Você vai me deixar entrar e sair desse provador quando eu quiser, quantas vezes eu quiser, pelo tempo que eu precisar.
—Eu vou deixar você entrar e sair desse provador quando você quiser, quantas vezes você quiser, pelo tempo que você precisar. Claro, fique á vontade.
Ela sorriu e passou sem problemas. Eu fiquei experimentando roupas por um bom tempo e até que ficou legal.
—Com isso a gente não vai ficar. Não ficou bom, mas o resto vamos levar.
Ela devolveu algumas coisas para a moça e o resto ela passou no caixa e eu paguei com cartão.
—É só isso?
—Querido, só estamos começando.
Passamos o dia entrando e saindo de lojas, ela é claro experimentou e comprou coisas pra ela mesma. Mas, a maioria foi pra mim.
—Adorei. Foi tão...
—Divertido. A palavra que procura é divertido.
Nós mal colocamos o pé no castelo eu já senti a dor. Mas, de repente passou.
—Jura?! Seu próprio irmão? Seu gêmeo?! Tem que ter sangue de cobra mesmo.
Ela torturou Jane, deu uma surra nela.
—Ai! Isso é horrível.
Jane chorou que nem um bebê. Renesmee olhou bem no fundo dos olhos dela e disse:
—Eu sei que só estava fazendo isso porque seu mestre mandou, mas faça de novo e eu te mato. Ele é seu irmão vadia. Sangue do seu sangue, sua família. Não se trai a família. E lembre-se, faça outra vez e eu te mato.
Ela me ajudou a levar as coisas para o meu quarto e a organizar.
—Porque me protegeu da Jane?
—Ela pode ser sua irmã, mas é uma verdadeira vadia. Você é irmão dela, a única família que lhe sobrou e ela fica fazendo isso com você? Ah, vai se foder.
—Obrigado.
—Você sabe demonstrar gratidão. Uau! Parece que realmente tem uma alma dentro dessa casca. Uma alma destroçada e perturbada, mas uma alma.
—Destoçada e perturbada?
—Você perdeu sua humanidade. Você olha nos olhos de outra pessoa, a pessoa implora por sua vida e você a destroça. O que tem de nobre nisso?
—Cullen. Tá brincando de casinha com o meu irmão?
—Eu não fiz nada com ele. Vamos.
Elas saíram e foram para a sala do trono.
—O que você quer?
—Eu quero andar ao sol.
—Nunca. Você nunca vai sair ao sol, nunca. Você vai viver nas trevas pra sempre!
—Eu quero sair no sol!
—Sempre querendo o que não pode ter.
Aro avançou encima dela e eu me coloquei no meio.
—Fique longe dela! Você não merece o tal segredo de andar no sol.
—Você ousa me trair?!
—Se te trair é te impedir de ferí-la então, sim. Fique longe dela Aro.
Eu a tirei da sala do trono deixando um Aro furioso para trás.
—Obrigado. Por ter me defendido, embora eu pudesse lidar com ele.
—Acho que você foi a única pessoa que foi gentil comigo em quatrocentos anos.
—Isso é triste. Mas, você tem que admitir que não dá muitos motivos para as pessoas serem gentis com você.
—Sim. Verdade.
—Vou lançar um feitiço de proteção no quarto. Só por garantia.
Ela fez uma linha de sal na porta e começou a falar em latim. Ela desenhou uns símbolos nas paredes, no chão e no teto. Com tinta de pichar parede.
—O Aro vai te matar.
—Ele vai tentar.

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