A Guerra dos Mares - 2° Livro
3 Vyck III
Eu estava em um quarto escuro, não via ninguém, mas sabia que não estava sozinha alguém estava lá comigo, e eu não gostava nem um pouco daquilo. Tentei me mexer mas não consegui, quando olhei para meus punhos vi correntes, nas minhas pernas também tinham. So que essas correntes eram diferentes de todas as que eu tinha visto, elas eram de ouro, com desenhos de cobras que a rodeavam de um extremo ao outro, os olhos dessas cobras eram vermelhas como sangue, quando por um pequeno segundo parecia que as cobras estavam se mexendo, fechei os olhos e olhei novamente, e as cobras estavam rodando minhas pernas e meus braços, subindo cada vez mas, quando vi aqueles olhos de perto o desespero começou a tomar conta de mim, tentei de tudo para me soltar, nada surtia efeito sobre elas, quanto mas eu tentava mas elas subiam, até o momento que desisti de lutar contra elas. Quando eu fechei os olhos esperando por seu bote, elas pararam de subir, então olhei de novo e elas tinham sumido, quando do nada veio uma voz do fundo daquele quarto.
– Você não sabe o quanto tempo eu esperei para ver você filha de Gaia — Ela sabia quem erá a minha mãe.
– Quem é você ?, e como sabe quem é minha mãe ?.
– Há todos sabemos quem é sua querida mamãe, você é uma pequena aberração, se seu pai soubesse de sua existência, você já estaria morta, você gosta de enganar seus companheiros, né ?, não conta a verdade para eles, a esconde deles, sera que qual vai ser a reação deles quando souberem que você não é o que fala ?.
– Calada, mostre-se, chega de se esconder nas sombras — " Sombras " como não pensei nisso — Mas é claro, quem mas poderia ser, me solte agora Nix ou te matarei — A voz não me respondeu, então essa foi minha confirmação de que era ela — Ande me solte sua deusinha fraca.
– Quieta, você não sabe do que eu sou capaz pequena idiota, te mato em dez segundos.
– Então me solte e veremos quem mata quem — Novamente ela se calou, percebi que estava com medo — Ficar com medo não adiantara nada, eu farei questão de ir ao Tártaro ter matar pessoalmente, te encontrarei e te matarei.
– Eu sou uma deusa você não pode me matar.
– Veremos — Pude sentir que ela se afastava, quando ela sumiu completamente as correntes me soltaram, me levantei da cama e olhei em volta, não conseguia enxergar nada, mas sentia a terra nós meus pés, comecei a andar, mesmo sem enxergar podia saber o que estava na minha frente, enquanto houvesse terra em baixo de meus pés eu saberia para onde ir, podia sentir uma saída logo a frente, o que tinha lá dentro eu não sabia, sentia a terra em toda a parte e sabia que tinha alguma coisa lá dentro mas não conseguia identificar o que. Quando finalmente cheguei a porta que levava a tão esperada saída, abri a porta devagar esperando que algo me atacasse, mas nada aconteceu, quando entrei a porta se fechou, tentei reabri-lá, mas não deu certo, estava presa de novo. Ao contrario do outro quarto, esse era iluminado, o chão era água por todo o canto, as paredes eram de mármore branco, tinha quatro estatuas de anjos com arcos na mão, no centro da sala tinha uma estatua toda encolhida, mas essa era diferente, tinha cabelos pretos e usava roupas, me aproximei para ver melhor, quando cheguei bem perto pude ver que não era uma estatua, era uma menina. Dei a volta nela para ver seu rosto, ela era linda, seus olhos verde água, seus cabelos ondulados e pretos, ela olhava fixamente para o chão.
– Olá — Falei, ela não falou nada apenas continuou olhando para o chão — Quem é você ? — De novo ela não fez nada — Quem é você ? — Perguntei mais firmemente, nada ela não expressou nada. Levei a mão para tocar em seu ombro, ela estava gelada, por um segundo pensei que estava morta, mas pude sentir sua respiração ofegante, tirei a jaqueta que estava vestindo e coloquei em volta dela, depois de uns cinco minutos ela olhou para mim, seus olhos estavam tristes, pedindo por socorro, parecia sentir dor.
– Meu nome é desconhecido até mesmo para mim — Disse ela, sua voz era rouca devido ao tempo.
– Não sabe quem é ?.
– Não.
– Você mora aqui ?.
– Acho que posso dizer sim, desde pequena estou aqui, você é a primeira pessoa que vem me ver, quem é você ?.
– Meu nome é Vyck. Você nunca viu ninguém além de mim ?.
– Não, sempre estive sozinha, a minha única companhia são essas estatuas, elas são as únicas que sabem de tudo, mas nunca me dizem nada sempre mantém os segredos escondidos de mim — Olhei novamente aquelas estatuas, tentando ver se elas tinham algum vestígio de vida, mas nada aconteceu elas se manterão imóveis — Não se engane por elas estarem assim paradas, elas estão ouvindo tudo e vendo também — Do nada uma das estatuas virou os olhos para mim, levantei rapidamente e as estatuas saíram de seus pedestais e irem em minha direção — Por favor vá embora — Pediu a menina com os olhos cheios de lagrimas.
– Não a deixarei aqui.
– Não pode me levar, elas nunca deixaram você me levar.
– Se tentarem me impedir acabo com elas, não a deixarei aqui.
– Não pode derrota-las, saia daqui agora — Olhei em volta e estava cercada pelas quatro estatuas, tinha areia em baixo dos meus pés, mas a água não deixaria que eu a movesse, tinha que lutar, quando lançaram o primeiro ataque o bloquei com minha espada que se desfez no chão, tentei reconstruí-lá, mas não deu certo estava quebrada, o segundo ataque consegui desviar, mas a estatua que estava atrás de mim me atacou, me jogando do outro lado da sala, as quatro estatuas vinheram para cima de mim ao mesmo tempo, quando fechei os olhos para esperar o ataque mortal delas, mas nada aconteceu, voltei a abrir os olhos e bem na minha frente tinha uma barreira de água, que estava impedindo a passagem das estatuas, quando olhei para o canto exterior do quarto vi a menina com as mão esticadas, seu rosto estava vermelho devido ao esforço, ela se virou para mim e por um segundo sabia quem era aquela garota — Vá, não conseguirei detê-las por muito tempo.
– Mas e você ?.
– Elas não faram nada comigo, precisam de mim, agora vá — Corri para a porta que agora estava aberta, parei e olhei para a menina, a água em volta dela fazia um redemoinho e ia subindo pelas pernas dela, seus olhos ficaram em um tom azulado, ela perecia tão poderosa ali, ela olhou de volta para mim, e apontou a mão fazendo a água fechar a porta me empurrando para fora. Me levantei e tentei abrir a porta que agora estava trancada, a terra debaixo dos meus pés estava ceca, então dava para movimentar a terra, estiquei a mão e a terra me obedeceu formei um redemoinho e lancei contra a porta, nada aconteceu ela permaneceu imóvel, tentei de novo e nada. Olhei em volta e não via nada, até que comecei a sentir o chão se desfazer, tentei correr mas não deu certo e comecei a cair.
Acordei com Poseidon sentado do meu lado, ele olhava para o vazio como se alguém estivesse lá. Quando seus olhos se fixaram em mim ele sorriu, um sorriso fraco sem vida e sem esperança.
– O que foi ? — Perguntei.
– Você esta querendo tentar uma coisa muito perigosa, sabe que Jason pode morrer ?. Ele é o único filho que realmente amo, sua mãe foi a mulher que fez minha cabeça girar, nunca vi uma mundana tão bela quanto aquela.
– Poseidon, posso te garantir que Jason não morrera. E eu posso imaginar que a mãe de Jason seja a mulher que você sempre foi apaixonado, Jason e um exemplo disso, você nunca teve filhos depois do tratado que fez com Hades e Zeus.
– Vyck, você não pode garantir nada, o plano que esta tramando com Jason é muito perigoso, não posso perder mais um filho meu.
– Como assim mais um ? — Poseidon me olhou com uma tristeza nos olhos.
– A mãe de Jason não teve somente ele, ela ficou gravida de gêmeos, uma menina e um menino, que no caso é Jason. A menina que se chamaria Suly faleceu depois que nasceu.
– Como ?.
– Quando Zeus soube que ela estava gravida, mandou seus guardas vigiarem ela, e quando as crianças nascessem eles as matariam, eu tentei impedir mas Zeus me proibiu, e para ter certeza absoluta de que não faria nada, ele mandou guardas para ficar aqui no meu palácio me vigiando. A mãe de Jason deu a luz a eles e dois, e meses depois ela foi atacada em casa por 10 homens fortemente armados, e Suly estava com ela, os guardas não mediram esforços em tomar a criança das mãos dela e cortar sua cabeça. Jason estava no hospital ainda, por ter engolido muita água de parto antes de nascer. Zeus não sabia da existência dele, então quando seus guardas saíram de meu palácio, fui ver Jason, e quando cheguei no hospital sua mãe estava lá, ela me expulsou de perto dele, falou que eu era um monstro, que não prestava, que eu merecia coisa pior que a morte. Sai daquele lugar e nunca mais voltei, mas mandei minhas náiades fazerem um " creme " especial para manter ele escondido de Zeus. Por isso ele esta vivo até hoje. Mas agora que Zeus sabe que ele é meu filho, ele vai tentar de tudo para mata-lo, não importa se isso significar a destruição do Olimpo, por isso tentei manter ele o mais longe o possível de mim e de tudo.
– Sinto muito Poseidon, não sabia disso. Mas por quê Zeus foi tão cruel ?, a ponto de matar uma criança.
– Ele se sentiu ameaçado pelo poder que podiam herdar de mim, ele achava que depois que ficassem grandes, e descobrissem que eram meu filhos, se voltariam para ele e tentariam tomar seu trono.
– Como que uma criança poderia tomar seu trono ?.
– Não sei na época ele esta enlouquecido pelo poder. Você sabe que ele vai tentar de tudo para te matar e matar Jason, você tem que cuidar dele. Seus poderes ainda estão em desenvolvimento, se Jason soubesse usar todos os poderes que tem, ele seria muito mais poderoso que vários deuses menores.
– Por que você não ensina a ele usar seus poderes por completo ?.
– Ele tem que seguir seu próprio cam....
– Chega Poseidon já ouvi essa ladainha de vocês várias vezes, sinceramente não sei o motivo de terem nos colocado no mundo, se vão querer nos matar por ser seus filhos. Vocês são todos estranhos, não ajudam seus filhos quando mais se necessita, prefere deixar um filho morrer, ao tentar interver nas decisões que foram tomadas, e mesmo que Zeus seja o Rei do Olimpo, você deveria ter feito algo para detê-lo era sua filha, uma criança inocente, que morreu por causa do medo do pai.
– Vyck chega, você acha que eu não passo cada dia pensando nela, pensando que eu poderia a ter salvo, eu sou o que mais sofreu com tudo isso.
– Você é que se engane Poseidon, quem mais sofreu com isso foi Suly e a mãe dela, você não sabe o que é isso, e nunca irá saber. Agora chega estou cansada dessa conversa sai do meu quarto agora — Poseidon ficou ali durante uns dois minutos me olhando perplexo pelo que eu tinha falado — O que foi ?, não vai sair não ?, quer que eu saia ?.
– Não pode deixar eu saio — Quando Poseidon estava na porta ele se virou para me olhar e disse — Pense muito Vyck no que você fará para salvar meu filho de seu destino. Podem até falar que os deuses não se importam com seus filhos, mas é mentira, eu sempre amei muito meus filhos. Nos somos assim para proteger vocês, não é para o maú de vocês.
– Infelizmente acaba sendo — Depois que Poseidon saiu do quarto fui olhar minha espada, e lá estava ela na minha mesinha toda em pedaços, olhei para onde estava minha jaqueta e ela também tinha sumido, então pude ter certeza de que não tinha apenas sonhado. Me sentia carregada de informações ruins, e carregada de ódio por Zeus. Precisava esparecer minha cabeça, tinha que sair daquele quarto. Quando estava quase saindo do quarto ouvi o grito de Jason.
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