A Guerra dos Deuses
2 A vida nas ruas
Notas iniciais
_Ideia genial! _ berrou Maggie por cima dos gritos dos ciclopes_"Nossa Maggie, um prédio abandonado . Por que a gente não fica la?!"
Suspirei. Nossas costas estavam pressionadas umas contra as outras. Aparentemente nos havíamos entrado no lar de bando de ciclopes. Cada uma de nós equipada somente com uma espada de ossos. Ela estava certa. Com certeza a minha ideia de passar a noite na rua não foi uma das melhores. Este era o terceiro ataque que estávamos sofrendo.
Enquanto Maggie reclamava, pulei nas costas de um dos ciclopes e lhe cortei a garganta.
_Cala boca e vê se trabalha! Você parece um pelicano bêbado!
Outro ciclope veio correndo em nossa direção. Antes que ele pudesse chegar mais perto, enterrei minha espada em seu peito. Eu não tinha ideia do porque eu era tão boa, mas dentre os fatos atuais, esse era o menos preocupante. A luta ia continuando.
A coisa era sempre igual. Nós matávamos um, todos os outros vinham revidar, e eu usava aquela névoa negra para afastar a todos eles.Quando os ciclopes ou haviam se transformado em areia, ou haviam fugido, nos sentamos no chão exaustas.
A fome começava a me dominar. Abri minha mochila de maneira desanimada. Não havia trago muita coisa para comer. Estava pensando no que teríamos que fazer para conseguir mais comida quando Maggie me interrompeu:
_Você pode me explicar de novo por que nos temos que ficar escondidas? Nos na o quebramos nenhuma lei...
A resposta saiu quase no piloto automático. Deveria ser a quinta vez que ela me perguntava isso.
_Por que nós estamos fugindo dos nossos pais, da policia e de uma boa quantidade de monstros.
Ela murmurou algo sobre nos não estarmos fazendo um trabalho muito bom.
_Por que nos estamos fugindo da policia?
_Porque nossos pais com certeza vão falar pra policia que nos fugimos e ela vai tentar achar a gente.
O resto do trabalho foi silencioso. Não fazia nem uma seis dias que nós havíamos abandonado nossas vidas normais, então a pergunta "será que fiz a coisa certa" não parava de martelar na nossa mente.
Escolhemos o local mais seco e limpo para estabelecermos acampamento.Nós forramos o chão com cobertores e tapetes que havíamos trago de casa Logo tínhamos algo próximo de uma cabana. Para disfarçar o cheiro de semideus, nós acendemos velas aromáticas e espalhamos perfumes fortes e enjoativos sobre as nossas coisas. Tive que segurar o vomito mais de uma vez.
Eu queria poder contar a você que nós nos sentamos, e discutimos o que iriamos fazer,como ganhar dinheiro e etc. Mas, no momento em que sentamos, começamos a chorar sem parar. Nossas roupas estavam cheias de areia e fediam a suor e sangue. O cansaço e a fome era muito grandes e eu sentia saudades de uma cama.
Quando finalmente nos acalmamos, eu declarei que poderia fazer o primeiro turno de vigia. Maggie aparentemente teve um sono agitado. Eu me sentei com a espada em punhos. Precisava aproveitar agora que Maggie estava dormindo para fazer isso, senão, poderia ser tarde de mais. Me curvei e recolhi alguns gravetos. Juntei todos e ascendi uma pequena fogueira. Tentei me manter afastada dos cobertores. Eu tinha que ser rápida, se alguém notasse a fumaça saindo do prédio abandonado, eu estaria em sérios problemas.
Eu peguei alguns biscoitos da minha mochila e arremessei na fogueira.
_Á Hades!
Eu não sabia direito como fazer isso, mas me ajoelhei e tentei rezar. Eu sabia que os gregos faziam sacrifícios aso deuses, mas não fazia nem ideia do que era necessário para receber uma resposta.
_Você realmente não sabe fazer isso não é mesmo?
Olhei para frente, e ali me encarando estava Hades. Ele usava o mesmo terno de antes. Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, atirei a pergunta que estava entalada na minha garganta a um tempo
_Por que você me abandonou?
Tentei não soar magoada. Nao tive muito sucesso. Ele suspirou. Eu tinha certeza que estava calculando cada palavra com extremo cuidado. Agora que ele estava tão perto, era perceptível que ele estava triste, seus ombros estavam levemente curvados, como se carregasse um grande peso. Era de se imaginar que o Rei dos Mortos fosse meio deprimido né, mas aqui do meu lado, ele parecia tão humano....
_Vai parecer conversa fiada se eu disser que não tinha escolha?
_Sim
Ele soltou um risinho.
_Você é uma garotinha difícil de agradar_Ele suspirou_ Eu cheguei a conclusão que você precisava de uma vida humana. Deuses não costumam criar seu filhos mortais. Sua amiga ali e a prova disso.
Ficamos naquele silencio incomodo pelo que se pareceram horas. Quando meu pai finalmente quebrou aquele silencio foi para se despedir. Apesar de eu me mexer desconfortável, Hades parecia confortável com o silencio
_Vai dormir. Amanha vou mandar o menino bode te buscar.
_Menino bode?
Eu nem pude terminar de fazer a pergunta. Ele ja havia ido. Acordei A Maggie e nos trocamos de turno. Desta vez, eu tive um sono sem sonhos ruins para me perturbar.
***
_Ari! Acorda! Tem alguem vindo. Gemi e me mexi de maneira desconfortável. Dormir no chão molhado e sujo não era a melhor das opções, e eu ainda podia sentir as areia do ciclopes grudando no meu corpo.
_ Não enche o saco.Sua vez de matar os monstros.
Ela me chutou. Levantei reclamando. Consegui ouvir vozes distantes.
_Não tem ninguém aqui Gus! Admita. Desta vez foi só um sonho.
A voz era meio infantil.Já a segunda era mais grave. Mais profunda.
_ Ainda tem areia de monstro aqui, Billy.
As vozes estavam cada vez mais próximas, eu apertei de maneira nervosa a minha espada. Assim que as figuras apareceram eu atirei minha espada. Acertei um garoto de cabelos castanhos. O segundo era loiro e tinha pernas de bode. O primeiro a falar foi o loiro. Ele parecia estar citando um texto á muito decorado.
_Fiquem calmas. Eu sou o Billy e esse é o Gus. Nós vamos levar vocês ao Acampamento Meio-Sangue.
Eu estranhei o nome. O garoto se apressou a explicar.
_E um lugar pra pessoas como vocês, semideuses.
O segundo garoto sorriu para mim e disse:
_Prazer. Sou filho de Dionisio.
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