A Guerra do Lixo
1 A Guerra do Lixo
11 de abril:
Eu sei quem foram os culpados. Isso começou há tanto tempo que é como se eu visse o nome de cada um estampado em sua respectiva prova do crime.
Seis ou sete sacos de lixo jogados na minha lixeira e em frente à entrada da minha casa. Era essa a visão que eu tinha da minha fachada toda manhã. Já se tornou hábito pôr o lixo para fora de noite para poder usar a minha própria lixeira, e a minha paciência já estava no fim.
12 de abril:
Eu devolvi o lixo aos seus respectivos donos e coloquei um cadeado na minha lixeira. O resultado? O lixo está amontoado na frente da minha garagem e algumas sacolas foram jogadas por cima do meu portão... Até onde vai a falta de noção e moral de alguém!
13 de abril:
Dessa vez eu fui mais explícito. Pus uma faixa enorme no meu portão com o seguinte recado: “Quem jogar o lixo aqui terá ele de volta! Eu sei quem faz isso, compre sua própria lixeira!”.
De manhã havia mais lixo e um recado num envelope: “Tô sem vontade” e mais uma dezena de ofensas à minha família, minha masculinidade e o que mais eles poderiam xingar.
Agora isso ficou pessoal.
17 de abril:
Foram três dias de paciência digna de um monge, enquanto meu plano assava em fogo baixo.
Nunca tive um despertar mais relaxante ás seis da manhã.
Saí bem mais cedo para colocar o lixo de propósito. Cumprimentei meus vizinhos normalmente enquanto eles me cobriam de insultos, tentavam limpar as próprias mãos e as calçadas repletas de lixo e sacolas rasgadas que não desgrudavam do chão de jeito nenhum.
Preciso agradecer àquele vendedor. Essa cola é de qualidade mesmo.
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