A Guerra do Alvorecer
7 O primeiro filho da morte
Chegando ao bosque fui imediatamente ver se o Leo tinha voltado com o Pi, Du, Anna e Giu. O Dan continuou ao meu lado, acho que com certo receio que eu suma novamente. Gabi e Saraiva sentaram-se na mesa do chalé de Apolo onde estava a Jujubs, Aria, Lyu e Marti. Jujubs tem 18 anos, altura de mais ou menos 1,70, cabelos louros e raiz castanha escura e corpo bem distribuído. Aria tem 16 anos, da mesma altura que Jujubs, cabelos pretos, encaracolados e muito longos, corpo um pouco mais magro que o da Jujubs, mas não esquelético, e é descendente de Japonês. Lyu tem 18 anos, mede mais ou menos 1,85, cabelos e olhos bem claros e tem o corpo magro.
Perguntei para todos que eu conhecia, mas nenhum deles tinha visto algum dos cinco que sumiram. Então voltei pra mesa de Apolo, sentei-me ao lado esquerdo da Jujubs e o Dan no último pedaço do banco que restava ao meu lado. Todos conversavam sobre assuntos aleatórios dos quais nem eu e nem a Gabi prestávamos atenção. Eu estava perdido em pensamentos, agora pela primeira vez eu pensei em minha família — Como vou contar tudo isso pra minha mãe e irmãs? Se eu tiver que sair de casa? Se eu… morrer? – Tudo isso agora rondava meus pensamentos. E aposto que os da Gabi também mais tarde. Mas eu tinha que ordenar meus pensamentos me permitindo pensar em uma coisa de cada vez, se eu não fico louco.
Eu já não aguentava mais ficar sentado, estava ansioso e inquieto, e não fazia nem dois minutos que me sentei. Pensei em sair para procurá-los, mas logo pensei que poderíamos nos desencontrar e eu precisava estar aqui quando chegassem, caso o que eu estou pensando realmente aconteça. Eu estava roendo as unhas, e a Jujubs como tem agonia de ver alguém roendo unhas me deu um tapa na mão e falou com tom de bronca:
– Biel, você sabe que eu tenho agonia de ver alguém roendo as unhas, então perto de mim não, por favor.
Tirei a mão da boca e coloquei em baixo das minhas pernas que começaram a se mover freneticamente. Jujubs percebeu que eu estava muito nervoso, aliás, era impossível alguém não perceber isso, e perguntou?
– O que está acontecendo que está tão inquieto assim? Você não parou um minuto desde a hora que te vi no começo do dia.
Quando eu ia abrir a boca pra falar meu celular toca, tirei rapidamente o celular do bolso com a esperança de que seja algum dos cinco que sumiram. E na tela estava escrito ‘LEO IRMÃO CHAMANDO’. Meu coração deu um salto, imediatamente atendi e apressadamente perguntei – Onde vocês estão? – Meu coração batia mais rápido agora clamando por notícias. Ele começou a falar. Sua voz estava calma, porém com um ar de mistério:
– Estamos aqui atrás do MAM, está todo mundo bem. Mas estou me sentindo mal. Preciso que você e o Dan venham pra cá, não quero ficar ai no meio de tanta gente.
Levantei-me rapidamente com um pulo e sem responder a Jujubs. Apenas falei – Daqui a pouco eu volto gente – O Dan foi se levantando, e antes que ele pudesse falar algo eu falei – Era o Léo. Vamos– Com essa ligação me senti tão leve que parecia que estava carregando uma bigorna nas costas. Chamei o Dan e pedi pra Saraiva que ela não desgrudasse da Gabi. Então fomos em direção ao MAM. Andamos em silêncio um pedaço do caminho. Eu não tinha coragem de olhar nos olhos dele. Eu tinha muita coisa pra falar, mas não podia. E ele com certeza já percebeu que tem algo muito estranho comigo, só não teve tempo de perguntar. Minha ligação com o Dan é muito forte, não conseguimos mentir um pro outro, nem por mensagem. Sim, ás vezes me assusto com isso.
Ele olhou pra cima. O calor estava intenso. As gotas de suor brilhavam em sua pele. O Dan é poucos centímetros mais alto que eu, deve ter mais ou menos 1,85, já que a última vez que me medi eu estava com 1,79. Ele é de cor parda, assim como eu. E bem forte devido á anos dedicados ao Jiu-Jitsu. Careca, assim como eu. Tem 17 anos, assim como eu. E usa óculos, e não, eu não uso óculos assim como ele.
Resolvi quebrar o silêncio e soltei uma expressão bem comum em meio á semideuses. Que agora, pra mim e pra Gabi é bem irônico. Pois sabemos da real existência dos deuses do Olimpo – Eita irmão. Hoje Apolo está bem animado em – Falei sem olhar pra ele.
Ainda olhando pro céu ele falou:
– Pois é. Mas eu gosto de calor. E sei que você também. Mas acho que não é só Apolo que está nos abençoando... Não sei, mas não paro de sentir o cheiro do mar. Não que eu não goste, claro. Mas isso está muito estranho.
Fui remetido a um momento que me parecia tão distante mas tinha acontecido hoje de manhã. Quando me levantei da cama em casa e fui em direção ao banheiro e entrou pela janela um vento com o cheiro da brisa do mar. Como tudo indica que muitos de meus amigos são como eu, não pude deixar de me alegrar ao pensar na possibilidade do Dan ser realmente meu meio irmão por parte de pai.
A melhor coisa que me veio á cabeça foi dizer – Faz tempo que não vamos á praia. Pode ser a saudade do nosso habitat natural – E dei um sorriso de canto de boca.
Já chegando em frente ao MAM avistei o Pi, Duh, Giu e Anna sentados na grama conversando alguma coisa, não pude ouvir porque ainda estava longe. Um pouquinho mais ao fundo estava o Léo, sentado encostado numa árvore com um cigarro na mão. Ele olhava para um ponto fixo no chão e nem sequer piscava. Sua outra mão segurava um graveto que desenhava algum rabisco no chão de grama. O Léo tinha o costume de se isolar as vezes enquanto fumava seu cigarro. Mas eu o conhecia bem, e mesmo se ele não tivesse me falado no pelo celular, eu perceberia que tinha alguma coisa naquela cabeça que o incomodava. Por trás de seus óculos redondos seus olhos não brilhavam e seu rosto não tinha expressão nenhuma. O Léo tem 15 anos mas aparenta ter 17, idade que ele revela pra desconhecidos. Pele branca, cabelos extremamente pretos que formavam um topete bem grande. Aqueles topetes de vocalista de banda de rock dos anos 80. Ele é do meu tamanho. É magro, mas não esquelético. Tem postura daqueles lutadores de vale tudo que ganham por serem rápidos.
Agora chegando onde estavam os quatro unidos, fui logo perguntando – Gente, está tudo bem? – Eu aposto que deixei escapar na minha voz um tom de preocupação além do que eles esperavam. Mas nenhum deles expressou que percebeu essa preocupação. Estavam aéreos, rostos tristes com um tom de confusão.
Giu foi a primeira a responder com a voz fraca e mais aguda que o normal:
– Estamos bem sim, biel. Eu e a anna saímos pra conversar e acabamos perdendo a noção do tempo que passamos conversando.
Logo em seguida o Duh continuou a fala da Giu:
– Viemos atrás delas e ficamos por aqui mesmo. Hoje não estamos muito animados pra ficar com o resto do pessoal.
Como tudo agora pode acontecer. Eu apenas falei – Se acontecer qualquer coisa. Ou precisarem conversar, me chamem – Era questão de tempo. Ia acontecer com eles também. Eu podia sentir isso.
Agora fui na direção do Léo, e o Dan veio junto. Quando cheguei, sem falar nada ele praticamente cochichou:
– Finalmente apareceu em.
Enquanto me sentava ao seu lado o Dan foi falando pro Léo:
– Você acredita que esse negro estava apenas andando? Mas andando fora do parque. Que tem uma grande diferença. Já dei uns murros nele. E se ele fizer isso de novo os murros vão ser mais fortes.
Tinha certo tom de seriedade na voz do Dan. Ele ficou realmente preocupado. Mas não entendo como ele não me viu sentado enquanto meditava. Talvez aquele tenha sido o único lugar que eles não passaram, já que segundo eles, andaram o parque inteiro. O Léo permaneceu em silêncio sem tirar seus olhos do chão. Então eu perguntei – E ai, o que te perturba? – Ele mudou de posição. Agora de pernas cruzadas. E falou:
– Não sei bem o que é. Mas desde que acordei hoje pela manhã eu venho sentindo algo estranho dentro de mim. É como se a vida não tivesse mais graça. Como se nada mais pudesse me fazer feliz. Aliás, acordei várias vezes nessa madrugada. E apenas fiquei andando pela casa sem rumo. Mas não tem motivo pra eu estar assim.
Eu coloquei a mão em sua cabeça dei uma bagunçada em seu cabelo e disse – É, eu acho que eu te entendo. Acho que todos nós um dia nos sentimos assim. Mas isso passa, daqui a pouco voltará a ser como antes – Quando tirei a mão de seu topete que agora estava bagunçado ele olhou pra mim. Seus olhos continuavam frios e agora pude ver que ele estava pálido. Logo ele desviou o olhar para o lugar onde estava a rabiscar com um graveto até uns instantes atrás. E entre a grama eu pude distinguir um símbolo constituído do que parecia uma cruz de cabeça pra baixo e em sua ponta um círculo cortado ao meio com suas duas pontas apontadas pra cima como se formasse uma tigela. E dentro da suposta tigela outro círculo, só que completo. O mesmo que paira em seu escudo de swordplay. Era um dos símbolos do deus Hades da mitologia grega, o deus dos mortos e senhor do submundo.
Talvez eu já esperasse por isso. Sua personalidade realmente dizia isso. Será que é como nos livros? A personalidade dos deuses define também a personalidade de seus filhos. Cada deus é responsável por certos pontos da natureza e do mundo todo. E isso é passado para suas proles.
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