A Guerra do Alvorecer
3 Meu pai estava debaixo de um sino
Minha cabeça estava prestes a explodir. Cada passo que eu dava era com se um elefante chutasse meu cérebro. As cenas passavam pela minha cabeça rapidamente, se embaralhando e fazendo com que eu tropeçasse ao tentar me livrar delas. Em um dos tropeções eu cai de frente, conseguindo apenas defender meu rosto do chão de grama e galhos. Eu tentava me levantar inutilmente já que minhas pernas não me obedeciam. Então minha visão começou a embaçar mais ainda e antes de desmaiar eu consegui sussurrar apenas algumas poucas palavras — Preciso… chegar… aos… meus… amigos.
Estava de volta agora a um lugar que eu jamais imaginaria vir em meus sonhos. O Parque da Juventude, onde foi a prisão Carandiru, onde ano passado ocorreu o evento de lançamento do quarto livro da saga Heróis do Olimpo. Um parque de poucas árvores e bastante espaço livre. Fui andando pela entrada do parque olhando em volta, vi que já era fim de tarde, o céu estava praticamente limpo, havia apenas algumas nuvens coloridas de laranja por conta do pôr do sol. Num espaço muito aberto havia um sino. Sino que lembro-me muito bem pois no dia do evento de A Casa de Hades, logo quando cheguei ao parque, vi o Marti, Malu (nutella), Vini (nico) e outras pessoas que não lembro, gravando uma cena de um dos livros da saga Heróis do Olimpo onde, Jason (filho de Júpiter) desmaia, em frente a esse sino. Então, fui na direção dele. E quanto mais eu me aproximava eu podia ver uma silhueta de um homem alto e forte se formando. Fui diminuindo os passos e procurando ver quem era o homem. Bem perto agora do homem vi que ele se virava em minha direção, levantava o braço e me chamava. Me senti seguro de chegar mais perto dele, e me aproximei cautelosamente.
Quando perto o bastante do homem, vi em seu rosto uma expressão e um olhar aconchegante, como o de um familiar. Foi então que ele pronunciou as primeiras palavras:
– Gabriel, meu garoto. Você está muito grande e forte, forte até demais – Ele riu debochadamente
Quem esse cara acha que é pra zuar comigo? – Quem é você?
– Ah… Essa pergunta. É sempre a primeira coisa que ouço dos meus filhos quando falo com eles pela primeira vez, mesmo que não diretamente, como agora aqui em seu sonho.
– Espere, você falou filho?
Ele revirou os olhos como quem está entediado:
– Perguntas, perguntas… Elas sempre se repetem. E mesmo com o passar dos milênios elas não mudam.
Antes que eu pudesse formular algo pra falar ele continuou:
– Ok, vamos lá. Eu sou Poseidon, o deus do mar, dos cavalos e dos terremotos. Um dos três maiores deuses do Olimpo, ao lado de meus irmãos: Zeus, o rei dos deuses e do monte olimpo e Hades o senhor do submundo. E sou seu pai.
Automaticamente cai na risada. Eu dava gargalhadas altíssimas e continuas. – esse cara está louco, só pode –. Enquanto eu ria ele me observava com a expressão inalterada com um sorriso de canto de boca. Quando consegui parar de rir, debochei:
– Ok, papai. Agora me dá dinheiro para eu ir visitar meu meio-irmão lá em Nova Iorque no acampamento meio-sangue.
E voltei a rir descontroladamente. Mas enquanto eu ria, pude sentir o chão tremer em meus pés. Então a risada se transformou em espanto se encaminhando pro desespero, então perguntei sem esperar respostas, claro: – O que está acontecendo? É um terremoto?
– Sim, é um terremoto. E sou eu que estou causando isso. Acabei de falar que sou o deus dos terremotos – Ele respondeu.
O terremoto parou, e eu incrédulo consegui falar apenas: — Que porra é essa?
Agora com uma pitada de nervosismo em seu rosto, o suposto deus falou:
– “Porra” não, me respeite. Você é apenas um semideus que não descobriu seus poderes e ainda não fez nada pelo mundo. Agora cale-se e me deixe falar – Falou ele nervoso.
Tenho que admitir, eu fiquei sem o que falar. Era como se uma força bloqueasse a minha capacidade de pensar e de se mover, eu apenas podia escutar.
– Tudo isso que eu disse aqui é verdade sim. Mas não funciona como nos livros que você e seus amigos leem. Em falar nesses livros… Eu disse pra Atena não deixar aquele filho dela, o tal do Rick Riordan, escrever uma versão mesmo que diferente de tudo que acontece com os semideuses, mas ela insistiu que isso ajudaria vocês a obterem um pouco de conhecimento sobre os deuses gregos e romanos. Realmente funcionou, mas me rendeu boas doses de stress por causa do deboche de meus filhos. Aliás, não sei por que tenho filhos tão idiotas que brincam e riem de tudo. Mas isso me diverte nas horas que não estou me apresentando pros filhos do mar que encontraram sua primeira missão.
Continuei sem conseguir falar nada. E ele continuou essa história louca:
– Agora é sério, preste atenção. Filho, em menos de uma semana a maioria de seus amigos do fandom desses tais livros passará por coisas parecidas pela qual você passou hoje. Você foi o primeiro, pois tem uma missão que decidirá praticamente todo o rumo dessa guerra. Agora você precisa encontra-los e triplicar sua atenção com eles até que eles descubram seus pais olimpianos. Mas não se esqueça que vocês tem que ficarem juntos e unidos sempre, a partir de agora mais ainda. Eu sei que você tem milhares de perguntas e dúvidas, mas meu tempo está acabando, e o próprio tempo lhe responderá essas perguntas. E para você não ter nenhuma dúvida de que você é um semideus, procure a água e se conecte com ela, ela te fortalecerá. Agora você pode usar seus poderes. Permaneça com o bem meu filho, você é a calmaria.
Imediatamente fui remetido de volta para o parque – quanto tempo será que eu passei desmaiado?- Eu continuava jogado no chão totalmente sujo. Mas agora as imagens pararam de passar na minha cabeça, e meus braços e pernas me respondiam, não perfeitamente, mas o suficiente pra achar ajuda. E a dor de cabeça continuava a me torturar a cada passo que eu dava em direção ao primeiro bebedouro que achei. As pessoas olhavam para mim e aposto que pensavam que eu estava bêbado, afinal eram 13hrs da tarde de um domingo ensolarado, e muitos adolescentes que vão pros rolezinhos do MAM bebem e se drogam muito. E aposto que por isso ninguém me ajudou.
Cheguei no bebedouro, e pra minha eterna alegria estava vazio. Sedento, apertei e segurei o botão, e a água saltou pra fora da torneira brilhando com o sol lhe comtemplando. Abaixei minha cabeça e coloquei minha nuca debaixo da torneira. No exato momento em que a água tocou minha pele todos os pelos do meu corpo se arrepiaram. Senti o ar entrando e tomando conta dos meus pulmões, como se ele me limpasse por dentro, então o soltei, junto com um suspiro de prazer. Eu queria sentir aquilo eternamente. Levantei minha cabeça, juntei minhas mãos em concha e enchi com água e joguei no meu rosto. Então pensei o que as pessoas devem estar achando de um adolescente com aparência de bêbado praticamente tomando um banho no bebedouro do parque. Olhei em volta, as pessoas estavam normalmente se divertindo, ninguém olhava pra mim. Achei estranho, mas voltei para meu “banho” rejuvenescedor.
Agora me sentindo pronto pra correr uma maratona sai do bebedouro, e me lembrei de limpar o que desse das minhas roupas. Olhei para a minha camisa e ela estava limpa, completamente limpa, meus shorts, meu tênis, meu boné, tudo limpo. Então lembrei — “procure a água e se conecte com ela, ela te fortalecerá.”–. Isso realmente é muito doido. Lembrei de outra coisa – “Agora você precisa encontra-los” meus amigos… Eles precisam de mim. -. Imediatamente sai correndo, correndo como nunca na minha vida.
Chegando agora na “caixa d’água” pude avistar aquele bando de doidos de laranja correndo de um lado pro outro, gritando, conversando, lutando, etc… Comecei a andar, meu coração respirava um pouco mais tranquilo, mas eu ainda precisava ver todos meus amigos para ficar seguro. O primeiro a me avistar descendo pro bosque foi o Dan, ele gritou o Lelo e apontou pra mim, então veio os dois correndo em minha direção. Meus irmãos estão bem, e agora mais do que nunca precisamos ficar juntos, pois temo que nossas vidas virarão de cabeça pra baixo daqui alguns dias.
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