A Guerra do Alvorecer

19 Como os semideuses curtem


Notas iniciais
Seguinte: neste capítulo tem alguns parágrafos que narram sexualidade. Creio que não irão se importar, mas é melhor avisar, certo?

Haviam dois dias que eu não sentia tamanha calmaria no ar. Era como se todos estivessem completamente felizes, como se nossas vidas estivesse completamente normal e como se não estivéssemos com saudades de nossa família. Mas eu sabia que nada disso era verdade – Parou, Gabriel. Hoje é dia de festa! – Sacudi a cabeça espantando os pensamentos que me torturavam.

Já estávamos à caminho do chalé 12. Uma grande massa de adolescentes gargalhavam e conversavam uns com os outros. Eu ia atrás de todos, sozinho e observando cada um, sentindo cada emoção que se aflorava em meio à tanta coisa que havia mudado. O pessoal do fandom já estava se enturmando e conhecendo gente nova.

Leo estava à frente com Duh ao seu lado. Eles estavam falando de um grupo de três meninas que estavam mais à frente. Leo apontou discretamente para a menina que estava no meio dentre as três. Pela aparência intimidadora, logo me liguei, eram filhas de Ares. Elas andavam confiantes e tão intimidadoras quanto suas roupas. A menina do meio para quem Leo apontou era de longe a mais bonita. Não que as outras não fossem também, porque eram! Mas essa era a mais atraente pois exalava autoconfiança e algo que me fez entender o porquê de o filho de Hades estar quase babando por ela. Porém, eu conheço Leonardo Veronezi, e sei que ele não deixará claro que está muito afim dela, não agora.

Pude avistar a Gabi. Ela estava mais à frente, andando ao lado de um garoto de cabelos cor de mel, branco e um pouco mais alto que ela. Não pude adivinhar quem era seu pai/mãe Olimpiana. Pude perceber que ela andava exibindo seus poderes de filha de Hécate para o garoto que pareceu bem interessado. Não nos poderes, mas sim nela, óbvio. Dei uma gargalhada – Outra que não perde tempo. – pensei. Por conhecer a sobrinha que eu tenho, eu sabia, não foi ele quem se aproximou primeiro, foi ela, com o jeito singelo e meigo que ela demonstra para as pessoas que ainda não a conhecem.

Jujubs estava visivelmente triste. Ela andava sozinha e cabisbaixa, assim como eu. A diferença era que eu não estava triste, eu apenas gosto de ficar em perspectiva para poder observar as pessoas. Mas uma coisa que eu não consigo é ver um amigo triste e não tentar ajudar. Apressei meu passo em direção à menina loira com legado de Hécate.

Olá. – Falei ao perto do ouvido dela assustando-a levemente.

Oi biel– Falou ela – Tudo bem? – Perguntou voltando seu olhar para o chão.

Está tudo sim. – Falei – Mas e com você? Porque está separada dos outros? – Passei o braço em volta dos ombros dela.

A menina colocou a cabeça no meu peito, desabou em choro e então paramos de andar.

Que foi, Jujubs? – Falei num sussurro quase suplicante. Ela não falava nada, apenas choravab- Ei, estou aqui. Pode chorar o quanto quiser. – Apertei-a suavemente contra o meu corpo.

Agora soluçando ela desenterrou a cabeça do meu peito e enxugou suas lágrimas.

Biel... O que é tudo isso? Porque eu tenho que ser a dona dessa pedra? Porque eu tenho que estar tão longe da minha mãe e do Lyu?

Ju... Eu entendo tudo isso que você está sentindo– Eu realmente entendia — Também estou morrendo de saudades da minha família, da minha casa e dos nossos outros amigos. Mas... Mas... Essa é a nossa realidade agora– Falei num tom de pesar — Só agora começamos a descobrir nossas verdadeiras histórias, nossos caminhos e de nossas missões aqui na terra. – Cada palavra que eu proferia como consolo à ela, serviam para mim também – O destino tem dessas de brincar com nós e com nossos sentimentos. Mas em questão à isso não podemos fazer nada, não por enquanto. Mas tente ver pelo lado bom, estamos juntos, lado a lado... – Pude ver no olhar dela que ela queria arrumar algo para protestar, quando ela fez menção de falar algo e logo desistiu. – Ei... Pode falar. Pode confiar, você sabe. – Falei quase que sussurrando.

– O Lyu... – Ela demonstrou perturbação e desespero num balançar de cabeça. – Minha mãe sabe onde estou, ela sabe que logo isso aconteceria. E por mais que eu esteja com saudade e sei que ela também está, me tranquilizo, pois ao menos ela sabe onde estou e o que está acontecendo. –Cada palavra demonstrava nervosismo e confusão dela – Mas e o Lucas? Será que alguém conversou com ele? Será que ele pode saber que tudo isso está acontecendo? – Ela se afastou um passo de mim e levou as mãos à cabeça – Isso vai acabar me enlouquecendo. – Eu sinceramente não sabia mais o que falar, me coloquei no lugar dela e percebi que não importasse o que alguém falasse nada tiraria essa angustia de dentro dela. Eu apenas podia fazê-la companhia.

Ju. – Era Anna Englert, a filha de Dionísio. Ela se aproximara imperceptivelmente – Vem comigo. – Ela se aproximou da garota e a abraçou – Obrigado Biel... Por cuidar dela. – Ela me lançou um olhar e então eu soube: só ela poderia acalmar Jujubs.

Relaxa, amor. Qualquer coisa me chama.– As meninas se afastaram abraçadas e eu percebi que eu estava muito longe dos outros. Vi a última pessoa virar em uma entrada de arbustos e desaparecer entre os chalés. Fiz menção de correr para alcançar os outros mas foi quando ouvi algumas vozes entre as árvores ao meu lado direito e uma luz fraca que fazia um pequeno sinal por entre as árvores. Achei estranho, pois todos deveriam estar à caminho do chalé 12, e então fui ver quem era. Sem dúvidas eram alguns de meus amigos mexendo com algo novo que já encontraram no acampamento.

Me enfiei na escuridão absurda que era aquele emaranhado de árvores. Olhei para trás e vi que daqui a pouco eu não enxergaria mais onde estava, então comecei a marcar as árvores com um pedaço de galho que peguei no chão. Percebi que a luz ficava mais forte a cada passo. Andava determinado a dar uma bronca em quem estivesse lá. Então parei abruptamente. Uma névoa contornada com um brilho perolado pairava flutuando 1 metro acima do chão. Em seu interior havia apenas a escuridão. Escuridão essa me engolfou numa espécie de deja-vu que eu sabia que tinha a ver com o sonho de hoje. Vi uma silhueta parada à frente da névoa flutuante. Foi quando pisei num galho e com um estalo e um piscar de olhos a névoa e a silhueta desapareceu sem ao menos eu reconhecê-la.

Meus extintos se eriçaram: eu sentia minha audição se apurando, minha visão foi trocada por uma espécie de sexto sentido, meu tato se apurou de tal forma que eu sentia meus pêlos se eriçarem onde o vento batia e meu olfato que denunciou algo para mim... Cheiro de maresia. Porém, eu cheirava maresia, então desencanei e fui me guiando por entre as árvores e enxergando minimamente as marcas nas árvores. E até antes de sair do emaranhando de árvores meus sentidos permaneceram alertas a até o movimento de pequenos insetos no chão.

Mas quem diabos estava lá na floresta? E que diabos era aquela coisa flutuando?– Essas perguntas me perturbaram durante todo o caminho até o chalé 12.

A construção era visivelmente menor que o chalé 1, 2, 3 ou 13. Porém, tinha seu charme. Paredes de mármore branco eram vestidas de vinhas. E lá de dentro saiam luzes de balada e um cheiro acentuado de vinho do bom. As portas estavam abertas. Mas entrei e já me vi com um red-cup cheio de energético com vodka na mão. Nicolas Ocean, meu meio-irmão havia me servido. Aquele sorriso de quem escondia algo se abriu pra mim e ele levantou o próprio copo me oferecendo um brinde. Encostamos os copos e eu não pude ouvir o que ele disse por conta da música alta, mas seus lábios formaram algo como "UM BRINDE AO NOSSO PAI", acenei com a cabeça e um sorriso pouco empolgado e me dirigi à pista de dança.

Estava tocando "Radioactive" do Imagine Dragons; o hino do fandom. Cantávamos super empolgados cada nota da música, cada um com seu copo na mão. A música chegou ao fim e logo começou "Arabella" do Arctic Monkeys. De uma coisa eu soube; a hora do lap dance havia chegado. Cadeiras de materializaram em frente a mesa onde estava o som. Ayumi a filha de Eros subiu numa delas e eu pude ver que ela queria falar algo. Marcelo o filho de Apolo fez um gesto de "abaixar" com a mão em direção ao som e assim aconteceu, agora a garota podia falar.

Acho muito justo as meninas do fandom mostrarem pra esses semideuses o que é um lap dance de verdade.– Então o vozerio de homens e mulheres gritando e assoviando tomou conta do espaço e vários dos veteranos correram em direção às 9 cadeiras. Na seguinte ordem cada uma das meninas tomaram conta de uma cadeiras onde já havia um cara sentado em cada uma delas: Gabi, Thay, Anna, Giu, Saraiva, Pichu, Agatha, Aria e Ayumi.

Cada uma delas se movimentavam sensualmente e faziam suas "cobaias" fazerem caras e bocas. Uma coisa que pude perceber era que as meninas disputavam entre si quem rebolava mais, quem se atrevia mais, quem tinha mais truques na manga para surpreender quem estava assistindo e quem estava recebendo o lap dance. Então na segunda parte da músicas elas puxaram os caras da cadeiras e chamaram o próximos. E eu como não sou bobo logo me dirigi à uma das cadeiras. Não importava de qual menina eu fosse receber um lap dance (com exceção à Gabi, claro), eu sabia que me daria bem com todas, afinal, é muito tempo de houses parties com cada uma delas.

Acabei escolhendo a cadeira da Thay. Por incrível que pareça, nunca recebi um lap dance dela, apenas assisti. Continuava a tocar 'Arabella'. Olhei nos olhos da Thay e percebi que aquela bebida não era comum, já que a festa havia acabado de começar e eu já podia ver no olhar dela que algo havia mudado e a malícia se aflorava.

Ela começou a dançar sensualmente e eu apenas aproveitava o momento com as mãos atrás da cadeira, nós não podíamos tocá-las, são as regras. A música agora mudou e 'Do I Wanna Know' começou a tocar. E agora tinha acabado minha vez na cadeira, me levantei e a Thay segurou no meu braço, eu me virei e ela subiu na ponta dos pés me deu um beijo no rosto e me abraçou. Rapidamente ela me soltou e sorriu pra mim antes de fazer a alegria de outro campista na cadeira. E com apenas aquele sorriso, eu soube: tudo estava bem, pelo menos por aquela noite. Agora eu estava liberto. Liberto para curtir uma festa do deus das festas.

Peguei um red cup numa mesa onde só tinham copos vazios, e então o copo de encheu com o que eu queria: vinho. Cherei o vinho como sempre e um arrepio se espalhou pelo meu corpo. Levei o copo à boca e experimentei um vinho de sabor que eu nunca pensei na minha vida que existisse. Cada pelo do meu corpo se eriçou, me senti revigorado e pronto para dançar a noite e a madrugada inteira. Mas tinha algo de mais estranho. Uma sensação que eu não era tão acostumado em sentir. Um tesão intensso, algo que senti poucas vezes na vida daquele jeito. Era como se eu estivesse com a pessoa por quem sou apaixonado no alto do Empire States, só ela e eu, prontos para colocar fogo em Nova Iorque através de nossos corpos. Olhei ao meu redor e as pessoas dançavam num movimento tão lindo e tão excitante que eu tive a impressão que todas estivessem experimentando de seus orgasmos mais intensos. Meu corpo, mente, alma e coração só queriam uma coisa agora: curtir. Curtir como se não houvesse amanhã.

Me joguei no meio de todos. A música agora mudava. 'Close to the Edge' do 30 Seconds to Mars começou a tocar. Olhei rapidamente em direção onde estava rolando o lap dance e as cadeiras haviam sumido e todos vieram pra pista de dança. Agora todos dançavam e pulavam sentindo a música. Cada vez que alguém me tocava, mesmo que por fração de segundos, aquele lugar se arrepiava, era como seu eu pudesse sentir na pele a fervência em cada um.

Várias músicas tocaram, algumas eu não conhecia. E embalado pelo som de uma música que logo reconheci 'Sex on Fire' do Kings of Leon, avistei a garota de Afrodite que fez Erick, o garoto de Hermes se jogar no estrume dos pégasus. Eu havia parado de me movimentar e fiquei à admirando com o copo na mão. Ela agora estava com um jeans preto e rasgado nas pernas. A barra de suas calças estavam dobradas até um pouco acima de suas bostas de couro. Sua regata cinza, comum e solta era praticamente um convite. Então meus olhos pararam em seus cabelos enrolados e soltos pelos ombros. Seus olhos castanhos estavam destacados por uma maquiagem escura que me penetrava os olhos e se duvidar, a alma. Sua boca torceu em seu batom vermelho e eu distingui um sorriso convidativo. Ela se virou e adentrou um corredor escuro do chalé 12 num desfile excitante. Meu extinto falou mais alto e eu a segui.

Pelo corredor inteiro eu esbarrava em pessoas se pegando, foi então que eu a avistei parada à porta de um cômodo com a luz acesa. Ela entrou e antes que eu pudesse alcançar a porta a luz se apagou, porém não hesitei e adentrei o cômodo escuro. Eu a pude ver graças à luz de um cigarro, porém o cheiro não era de nicotina. Me sentei ao lado dela no que logo percebi que era uma cama.

– Esse cigarro... — Ela acendeu o isqueiro para acender o cigarro que havia se apagado e nosso olhar se encontrou.

– Sim... — Ela me passou o cigarro, dei um tragada e o apaguei com algumas gostas d'água que invoquei e depois a beijei.

Seu lábios desceram pelo meu pescoço e subiu para minha orelha e voltou para os meus lábios. Agarrei o os cabelos de sua nuca e dei um leve puxão que arrancou um leve gemido dela. Beijei seu pescoço e fui descendo lentamente até chegar aos seus seios. Ela gemia e se contorcia, segurando minha nuca contra seus seios. Fui descendo pela sua barriga lentamente enquanto ela se contorcia cada vez mais intensamente. Quando cheguei ao seu umbigo ela me puxou rapidamente para cima

Agora não, gatinho– Ela cochichava em meu ouvido num estilo de gemido — A festa está só começando.

Então eu beijei-a intensamente. Nossos corpos se encaixavam perfeitamente. O ritmo de nossos movimentos estavam em total sincronia. Então, ela desacelerou o ritmo e me deu alguns selinhos e paramos de nos beijar. Ela arrumou sua roupa e se levantou e meu puxou junto.

Venha, vamos curtir.– Ela me puxou pra fora do quarto e no meio do corredor escuro ela soltou minha mão e sumiu.

Chegando na pista de dança à procurei em meio à todos que pulavam e dançavam, mas não a achei. Eu queria muito não a perder de vista e continuar com ela pelo resto da noite, mas sua voz ecoou na minha cabeça "Venha, vamos curtir" ou "A festa só está começando". Então me joguei de volta pra pista.

Em meio à alguns copos eu beijava algumas garotas que eu conhecia e outras que não. E assim foi durante um bom tempo.

Quando eu já estava cansado de dançar e as músicas não me agradavam mais, resolvi ir tomar um ar puro. Nas escadas do chalé havia muita gente se pegando ou conversando. Fiquei surpreso por não ter ninguém dando "pt" (perda total). Numa festa comum à essa hora já eram pra ter vários tombados. Minha mente sublinhou a palavra 'comum', já que essa não era uma festa comum.

A minha esquerda vi a Agatha sentada no penúltimo degrau da escada conversando com uma menina baixinha e de cabelos longos e lisos, ambas com o copo nas mãos, rindo bastante e se balançado. Sinais de embriaguês. Me aproximei das duas e então a Agatha me viu.

Oi biel– Ela abriu um sorriso — Sente aqui com a gente– Eu sentei — Essa é a Lira Lagonegro, filha de Hermes.

Prazer, Lira.– Dei um beijo em seu rosto — Sou...

Eu sei quem você é, o acampamento inteiro sabe!– Falou ela.

Você é a segunda pessoa que fala isso – Meu tom era de desânimo — Não gosto desse reconhecimento rápido. Muitas pessoas vão achar que realmente me conhecem sem ao menos...

Ahh, corta essa.– Ela me interrompeu de novo — Eu apenas sei se nome, relaxa.

Eu realmente relaxei, tinha algo nela que despertava minha confiança. Será que era algum poder de filhos de Hermes? Despertar a confia da pessoa e assim roubá-la com mais facilidade?

Enfim...– Comecei a mudar de assunto — Estão gostando da festa?

Está muito foda, biel.– Respondeu a Agatha — Já bebeu do vinho?– Ela olhou pro seu copo — Isso é coisa de outro mundo.

Se não tivesse gente nova eu estaria morrendo de tédio– Respondeu a Lira — Mas até que você e seus amigos são bem animados, hein? – Ela olhou pra Agatha.

Animados?– Respondi logo — Eles são loucos, isso sim– Eu e a Agatha demos uma gargalhada.

E isso inclui você também, Gabriel Rezende.– Agatha apontou pra mim.

Eu?– Perguntei dando uma risada debochada — Sou um inocente perto de vocês.

Ahh, para com isso. Sem falsa modéstia na frente da veterana.– Ela falou com desdém e eu dei risada.

Lira estava visivelmente se divertindo e inicialmente gostei dela.

Gabriel, posso fazer uma mágica com você?– Perguntou a garota de Hermes.

Hmm, quem sabe!?– Respondi.

Ela se virou para mim.

Feche seus olhos– Falou ela e algo na minha mente me alertou.

Opa, eu estava pensando aqui eu inicialmente gostei de você. Mas isso não significa que irei confiar em uma filha de Hermes tão rapidamente.– Dei uma risadinha e ela apresentou uma cara que misturava frustração e divertimento.

Caramba. Eu nunca consigo enganar um filho de Poseidon.– Ela deu um soquinho na própria perna — Aquele Nicolas eu quase consegui, mas com você e o Danilo, nem cheguei perto.– Ela olhou em meus olhos com ar de curiosidade e perguntou — É algum tipo de poder dos filhos de Poseidon?

Não!– Respondi imediatamente — Quer dizer... Não sei– Será que era? — Whatever!– Levantei num pulo — Vamos andar por aí?

Você e essa sua mania de andar por ai quando está chapado... – A Agatha não gostava muito de andar. Mas a Lira demonstrou empolgação quando se levantou.

Vamos! Claro que vamos– Falou a filha de Hermes que agora em pé, percebi que era bem baixinha. Será que ela podia correr na mesma velocidade que Erick sendo que tem as pernas mais curtas? — Vamos Agatha.– Ela puxou a nova amiga pelo braço e saímos sem rumo.

Enquanto andávamos eu ia olhando por céu. Estava completamente limpo, temperatura agradável, lotado de estrelas e uma lua cheia incomunmente grande.

Noite linda, não?– Comentei ainda olhando pra cima.

Sim...– Falou Lira num tom pensativo — Voltou a ser assim quando você trouxe a pedra de volta.– Havia um tom de alivio na voz dela — Há tempo o acampamento não andava tão bem. Eu estava até me acostumando.

Creio que não seja por tanto tempo... – Pensei alto.

O que você disse?– As duas meninas perguntaram em uníssono.

Na nada...– Me apressei em dizer, mas eu estava mentindo.

Por favor, biel– Agatha falou com tédio na voz — Não minta pra gente... Não minta pra mim.– Ela sublinhou a palavra 'mim'.

Ok...– Falei aceitando o fato de que eu teria que contar algo à elas. Respirei fundo — Tive um sonho... Hoje. Eu estava no tártaro, ou pelo menos acho que estava. Depois cai. E então estava na redondezas de um castelo. Mas não tenho certeza, estava muito escuro. Incrivelmente escuro. E... Vai gente... Hécate ainda está sequestrada, vocês sabem.– Elas parecerem tomar um choque por ter que lembrar esse fato.

Realmente... As coisas não estão bem.– Falou Lira, triste.

Por quanto tempo será que a pedra vai sustentar toda essa magia?– Perguntou Agatha, ela havia voltado à olhar pro céu, e então eu percebi que ela não esperava uma resposta.

Mas... Foda-se.– Falei balançando a cabeça pra espantar a preocupação — Hoje é nossa noite. Pelo menos por hoje não devemos nos preocupar com o mundo e nem com os deuses, e sim com nós. Apenas com nós.

VAMOS CURTIR! UHUUUUL– Gritei e consegui o que queria; empolgá-las novamente.

Viramos atrás do chalé 1 que ficava do outro lado da fogueira e me deparei com uma cena que me deixou intrigado. Parei abruptamente. Dan e a filha de Afrodite que a pouco tempo eu estava pegando no chalé 12, se beijando. Eu não a conhecia, não gostava dela, era apenas atração sexual. Mas... Era o Dan que estava ali, meu irmão. Será que eu havia perdido a garota mais gostosa do acampamento pra ele?... Foda-se. Eu realmente não me importava. Fiz menção de virar o rosto e continuar andando quando ela piscou pra mim e lambeu os lábios me provocando enquanto Dan beijava seu pescoço.

...

Eu e as meninas demos a volta no chalé 1 e voltamos pro 12, nós havíamos passado bastante tempo andando e conversando, creio que horas. A festa continuava fervendo. Desejei que meu copo se enchesse de caipirinha, e assim aconteceu. Fui pra pista de dança e estava tocando "Make me wanna die" do The Pretty Reckless. Todos dançavam, se pegavam, riam como se o mundo fosse acabar quando a música acabasse, e eu me entreguei.

...

Quando sai do banheiro fui puxado com força pra dentro de outro cômodo e jogado numa cama. Estava tudo escuro, só pude sentir os cabelos dela no meu rosto e seus olhos brilharem e ela me beijou. Afastei-a desobedecendo meus extintos.

– Você é louca...- Nos encaramos por alguns segundos e puxei-a novamente.

Eu senti que seria agora que colocaríamos fogo em tudo. O corpo dela e o meu, ardendo de desejo. Ela desabotoou minha calça e abaixou meu zíper e rapidamente fiz o mesmo. Dentro de alguns segundos estávamos, eu apenas de cueca e ela de calcinha.

...

Eu ainda podia sentir o perfume dos cabelos dela. Abri os olhos e ela não estava lá. Uma janela entreaberta deixava o sol entrar e impedir que eu abrisse meus olhos completamente. Minha cabeça não girava e nem doía e minha boca não estava seca. Nada de ressaca. Levantei meu tronco rapidamente procurando-a e me joguei na cama novamente. Eu não fiquei muito surpreso por ela ter ido pela manhã.

Me levantei, vesti minhas roupas rapidamente e sai do quarto em direção ao banheiro. A porta estava aberta então fui entrando. Me deparei com a Anna sentada no vaso e com um cigarro na mão.

E ai, garanhão. Ela é boa mesmo?– Perguntou ela enquanto subia a calça.

Que... Que?– Ela tinha visto?

Ah, deixa de ser moça, biel...– Falou ela com tom de tédio — A filha de Afrodite mais gostosa que já vi! Que inveja de você cara...– Ela veio em minha direção subiu nas pontas dos pés e me beijou na bochecha.

Ah... Não pensei que alguém tinha visto! – Falei sinceramente — Enfim... Ela fez juz aquele corpo e ao fato de ser filha da deusa do amor.

Haha, não esperava menos– Ela também parecia não estar com ressaca — A próxima sou eu, ela que me aguarde. — E ela saiu do banheiro e eu fui correndo mijar.

Voltando pro chalé 3 vi que todos já estavam se aprontando para começar as atividades, então apressei o passo.

Entrei no meu chalé e estava só Nicolas se trocando.

Bom dia, cara.– Falei não muito empolgado.

Bom dia, maninho. Como foi a festa?– Ele sempre com o tom de simpatia forçada.

Foi ótima. E pra você?– Perguntei apenas por educação enquanto procurava roupas e uma toalha limpa.

Foi foda, como sempre.– Falou ele. — Aliás... Aquele seus amigos de Eros beijam muito bem!– Pera..

Você é gay?– Perguntei, não muito surpreso. Isso pra mim já era normal.

Não, véi. Sou bi.– Respondeu ele com naturalidade.

E tu pegou a Ayumi e o Jhon...– Falei sentindo um pingo de mágoa pelos dois por eu saber que esse meu meio irmão não era coisa boa.

Algum problema?– Ele meio que se assustou — Pera... Tu gosta de algum deles? Se for isso... Me desculpa, eu não...

Não, Nicolas.– Fui tratando logo de esclarecer antes que ele pensasse coisa que não existia. — Não. Eles são só meus amigos.– Falei.

Uffz.– Demonstrou alívio meio falso. — Se tiver alguém que você goste aqui... Me fale, pra evitar qualquer mal entendido.

Relaxa, está tudo bem.– Menti. Eu não iria contar nada pra ele.

Disparei pro banheiro e tomei o banho dos justos. Me revigorei, me vesti, peguei a storm e meu escudo e fui em direção às portas do imenso chalé.

Notas finais
E a história começa a se encaminhar para seu clímax. O mistério está se desenrolando. Aguardem que voltarei à escrever mais.