A Guerra do Alvorecer
14 Á caminho da batalha
Aos poucos a parede no topo da escada foi se abrindo e a luz do dia começava a iluminar nossos rostos. Joseph estava na minha frente e logo atrás de mim estava Marti, Pichu e Jhon por último. O silêncio pairava enquanto vencíamos cada degrau da longa escada. A respiração de todos dizia o que cada um estava sentindo, medo e euforia. Durante aquele momento tive tempo de lembrar-me de algo, minha família, a minha mãe que me esperava em casa depois de mais um evento. Pude visualizar a cena que se repetia a cada fim de semana. Eu subiria a longa rua da minha casa com a Gabi ao meu lado conversando sobre tudo o que ocorreu no fucking evento que é o Supup. Na minha mão direita estaria uma espada de swordplay que não pararia quieta. Quando estou com uma espada na mão eu não resisto ao impulso de manejá-la treinando meus movimentos. Gira pra frente, gira pra trás, corta na horizontal, diagonal e vertical. Sempre tive esse amor por espada e uma habilidade legal também, e agora entendo um pouco o porquê disso.
Chegaria em casa e a primeira coisa que eu faria era tirar a mochila das costa e coloca-la junto da espada em cima da mesa e ir até a cozinha onde eu sei que minha mãe estaria naquele horário – Mãe, estou morto. – Essa seria a primeira frase que eu falaria e logo em seguida iria dar um beijo em sua testa. Mas para mim e para mais dezessete semideuses, hoje não seria assim. O que me confortou durante esse tempo que minha vida virou de cabeça para baixo e me permitiu focar os pensamentos para a minha missão, foi saber que alguém iria avisar e informar minha família sobre mim e sobre a Gabrielli. E por mais que minha mãe vá ficar mil vezes mais preocupada pelo menos ela sabe o que está acontecendo comigo. E no fundo ela sempre soube que essa hora ia chegar.
O topo da escada chegou e eu tratei de espantar os pensamentos da minha cabeça e focar ao meu redor e no que poderia acontecer ali e agora. Joseph parou antes de subir o último degrau e olhou para um lado e para o outro como se estivesse procurando algo. Mas eu podia sentir quando o perigo rondava e sabia que pelo menos naquela rua não tinha nenhum monstro na espreita. O sátiro finalmente subiu o último degrau e logo estávamos todos na parte de fora e a parede de fechava atrás de nós.
E para minha infelicidade o céu estava completamente nublado, as nuvens estavam escuras, quase prontas para soltar uma chuva. Eu esperava que um céu limpo estivesse nos esperando, esperava que o sol estivesse brilhando e exalando esperança. Mas não seria hoje.
– É Martinato... – Bufou Joseph olhando paro o céu – Acho que não teremos a benção de seu pai hoje. – Falou o sátiro olhando para Marti que estava com uma expressão desanimada no rosto.
Isso realmente me entristeceu. Mas eu sempre procuro ver as coisas por um lado bom e logo me veio à cabeça – Como hoje é segunda já não teria muita gente no parque. E com esse tempo feio, não terá ninguém mesmo. – Todos logo entenderam onde eu queria chegar, menos Pichu:
– E o que isso tem a ver, Biel? – Falou a menina baixinha com um tom de arrogância na voz, o que é típico dela.
– Êh sua lerda – Dei um tapinha de leve em sua cabeça – Com toda certeza teremos que batalhar, e por mais que a névoa esconda o mundo mortal do imortal, quanto menos pessoas presenciarem a luta é melhor, para nós e para elas também.
– Ah, faz sentindo. Bem pensado Biel. – Ela falou me dando tapinhas nas costas.
– Lógico que foi bem pensado! Sou filho de Poseidon, mas não sou lerdo. – Falei.
– O quê? Você não é lerdo? Ah, conta outra Biel. – Falou Jhon rindo.
– Tudo bem, tudo bem... Um pouco. – Falei
– Uhum. – Falou Jhon com um tom irônico.
Dei risada e á minha frente Joseph falou já caminhando:
– Não temos tempo pra blá blá blá! Não se lembram? Dez minutos e o grupo dois sai. – Ele estava certo, eu tinha me esquecido completamente. – Então andem suas lesmas. – Reforçou o sátiro irritado.
[...]
O caminho até o metrô foi bem longo, e o fizemos a pé. Mas Realmente não estávamos muito longe do parque, logo chegamos ao metrô Ana Rosa, bom e velho metrô Ana Rosa. Já se passava do meio dia, eu olhava para trás e tentava na esperança ver o grupo dois alcançando a gente. Eu focava minha visão que sempre foi incrivelmente boa, mas mesmo assim não conseguia avistar ninguém do grupo. Descemos a escadaria do metrô acelerando mais ainda a velocidade do passo. Como tudo tinha que ser rápido fui falando – Vocês estão com bilhete único com crédito? Se não tiverem vão logo na frente comprar os passes. – Sem parar de andar Pichu tirou sua mochila das costas e fuçou atrás do bilhete único:
– Eu perdi o meu! Puta que pariu. – Falou a garota nervosa.
– Não esquenta Pichu. Não vamos usá-lo por um bom tempo! – Falei com um tom de lamentação.
Marti afirmou que estava com o bilhete dele e estava carregado. Eu tinha certeza que o meu tinha também tinha crédito. Já terminando de descer as escadas Jhon disse:
– O meu está sem crédito, droga. – Falou o menino apressando o passo – Vou comprar um bilhete! – Apressadamente Pichu, Jhon e Joseph saíram á frente pelo corredor que levava ao vão das catracas e da bilheteria do metrô. O dia estava calmo, poucas pessoas estavam na rua já era horário que a grande maioria estava trabalhando ou estudando. Olhei para o lado Marti andava ao meu lado igualmente atento aos arredores como eu.
– Como você está mano? – Perguntei.
Ele olhou rapidamente em meus olhos e depois voltou a olhar pra frente e deu um sorriso de canto de boca:
– Estou louco pra matar alguns cães infernais e outros filhos do tártaro. – Disse o garoto loiro.
– Divido desse mesmo sentimento, cara. – A empolgação subia pela minha pele eriçando meus pelos. Minhas mãos coçavam e eu não conseguia deixa-las paradas.
Marti me deu um cotovelada no braço e sinalizou com a cabeça pra uma mulher que vinha em nossa direção. Ela estava longe, mas pude distinguir sua aparência, ela era incrivelmente linda. Branca, cabelos pretos pouco abaixo dos ombros, batom vermelho e uma maquiagem que destacava seus olhos que ainda não dava pra distinguir a cor deles. Ela estava vestida num sobre tudo vermelho que se abria mostrando um decote generoso. Suas pernas estavam nuas e mostravam escamas verdes. Eu congelei. Só tive tempo de segurar no braço de Marti que ainda a olhava.
– Marti, olhe as pernas dela. – Falei com o tom de voz baixo e frio.
Olhei no rosto do garoto. Ele estava com a mesma expressão que a minha. A mulher chegou a poucos metros de nós e parou nos encarando com uma expressão maliciosa. Agora eu via realmente o que ou quem era, e percebi que Marti também. No lugar de suas pernas estavam dois rabos de cobras.
– Olá garotos. Gostariam de uma diversão? – Sua voz era áspera e o tom irônico. Ela passou a mão em seus seios acho que na tentativa de parecer sexy e deu uma piscadela que chamou a minha atenção para seus olhos, um de cada cor. Esquerdo castanho e direito verde.
Marti sacou rapidamente seu arco e colocou uma flecha na mira e antes de soltar falou:
– Vá se divertir no tártaro. – A flecha fincou na parede atrás dela na próxima curva do corredor.
A mulher monstro estava pendurada de cabeça pra baixo pelas suas pernas de cobra agora com uma lança na mão.
– Não seja tão violento, semideus. – Falou a criatura balançando sua língua de cobra – Vamos fazer assim. Eu deixo os dois me comerem e depois eu devoro vocês. Sejamos justos né? – Ela soltou o que parecia uma risada reptiliana e meu estômago revirou. Às vezes eu odiava essa minha capacidade de imaginar as cenas.
Marti disparou outra flecha que por muito pouco não acertou a cabeça do monstro. Rapidamente a cobra se soltou do cano em que ela se pendurava e veio rastejando em zigue-zague em nossa direção numa velocidade fora do normal e com a lança em punho. Marti disparou mais outra flecha que passou de raspão na cauda da serpente o que a desacelerou um pouco me dando tempo de desembainhar storm e colocar o escudo em punho. Agora ela estava há poucos metros de Marti com a lança apontada para seu peito, ele não teria tempo de atirar outra flecha por mais que ele fosse rápido. Então pulei entre os dois no último segundo desviando a ponta da lança com meu escudo o que resultou em faíscas e um barulho estridente. Empurrei Marti para trás com o braço direito abrindo um espaço para que eu girasse minha espada e fizesse um corte na horizontal a fim de decepar a cabeça da dracaenae. Mas a criatura foi mais rápida se abaixando e desviando do corte que seria fatal. Ela apoiou o lado sem ponta da lança no chão quando ouvi um grito:
– BIEL. – Era Pichu.
Me distrai e fui arremessado ao chão com uma rasteira de caudas de cobra. Antes que eu pudesse tentar algo a mulher monstro se levantou e chutou meu braço fazendo storm voar alguns metros e no mesmo movimento ela investiu com a ponta da lança na direção do meu rosto que eu defendi com o escudo. Ouvi atrás de mim Marti falando:
– Minha chance.
E logo em seguida uma flecha atravessou a cabeça do monstro o fazendo explodir em pó dourado.
Me levantei e a primeira coisa que fiz foi pegar storm, depois me sacudi pra tirar o pó de cadáver das minhas roupas. Joseph, Pichu e Jhon vieram ao nosso encontro, Marti já estava ao meu lado.
– Pelos deuses garotos. Vocês lutaram muito bem. – Disse Joseph espantado.
– Nós treinamos para isso né Marti? – Falei.
– Não exatamente pra isso. Mas já que tem que ser assim... Vamos fazer virar útil o que foi agradável, né?! – Demos uma risadinha rápida e seguimos em direção às catracas. Dei um tapinha no ombro de Marti com a mão esquerda e falei – Obrigado, bro. – Ele deu uma risada de canto de boca e falou:
– Se não fosse por mim você tinha virado comida de monstro em! – Falou ele zoando comigo.
– Eu? – Dei uma risada de deboche. – Se eu não tivesse me lançado entre você e ela você que estaria com uma lança cravada no seu peito. – Ele riu e me deu soco de leve com o punho direito e falou:
– Realmente cara. Então que seja assim daqui pra frente, um salvando do outro da morte. – Falou ele.
– Eu tenho certeza que será assim. – Seria assim daqui pra frente com todos e assim até o fim.
Vendo por um lado o metrô estar completamente vazio era bom. Mas vendo por outro, era ruim, pois cada pessoa que eu visse esperaria ser um monstro. A essa hora o grupo dois já deve estar chegando, e não sai de mim o medo de eles serem atacados como nós fomos, mas eu confio no Dan e nas habilidades dele e caso o aconteça algo eu vou saber, eu sempre sei.
O trem acabara de chegar e estava vazio, o que não me surpreendeu. Nos sentamos no fundo do trem o que nos permitia ter uma visão de todos que entrassem no vagão. Até a estação Carandiru eram doze estações, então tínhamos tempo para ser atacados por meio mundo de monstros. Você deve estar pensando que estou sendo pessimista, mas não eu não sou. A essa altura dos acontecimentos poder matar alguns monstros serviria como um jeito de liberar o nervosismo que estou acumulando desde ontem no começo do dia. Algo voltou à minha cabeça, a maldita pedra de Hécate e o fato de eu ter que encontrar a pessoa a quem acálicis vai pertencer. E sempre que penso no assunto a pedra brilha intensamente no meu bolso em seu tom roxo.
Paramos na estação Liberdade. Tinha apenas um homem super estranho sentado num banco preferencial. Imediatamente coloquei a mão em storm e os outros se preparam para desembainhar suas armas. O homem me encarava, mas nem sequer se movia. O sinal tocou e a porta se fechou então relaxei. Coloquei a mão em meu bolso que era protegido por dois botões e agarrei a pedra e a tirei do bolso. No exato momento em que levantei a pedra na altura do meu rosto eu vi um vulto se movimentar rapidamente em minha direção de fora do trem. Graças ao meu reflexo me joguei no chão livrando meu rosto dos estilhaços do vidro. Acabei caindo de mau jeito e a pedra voou da minha mão para de baixo de um dos bancos. Enquanto me levantava gritei – A PEDRA! – Vi Pichu se lançar em direção à ela. Me levantei num pulo rápido, desembainhei storm e então pude sentir o trem se movimentar.
Á minha frente um híbrido de três cabeças empurrava sua cabeça do meio (leão) para dentro do trem e a janela sedia cada vez mais à força do monstro. Pude ver de relance as outras duas cabeças e rapidamente identifiquei, era uma quimera. Do lado esquerdo de seu corpo se projetava a cabeça de um dragão e do lado direito a cabeça de uma cabra e das suas costas saltavam grandes asas que batiam freneticamente.
Entre um rugido e outro o animal soltava labaredas de fogo. Esperei apenas uma oportunidade e então avancei com storm enfiando a lâmina de baixo para cima no focinho do monstro que grunhiu e colidiu com a parede da estação quando o trem entrou no túnel deixando-a para trás. Sentei-me no banco e suspirei fundo – Essa foi por pouco. – Falei.
– Será que chegamos vivos até o Carandiru, pelo menos? – Perguntou Jhon.
– Lógico que chegamos, vira essa boca pra lá, Jhon. – Falou Pichu sentando-se ao meu lado e me dando a pedra que brilhou levemente quando tocou minha mão.
– Achei estranho o monstro não ter entrado no vagão e atacar só quando a pedra entrou na visão dele. – Falou Joseph. Eu ainda não tive tempo de pensar em nada, mas agora que ele falou realmente fazia sentido.
– Realmente, isso foi muito estranho. – Falou Marti.
– Estranho ou não, nós devemos sair desse vagão pra não chamar a atenção dos mortais. – Falei mesmo sabendo que também seria perigoso sair do trem antes de chegar à estação de destino. Mas o que não estava perigoso agora? Todos concordaram comigo e assentiram com um aceno. A tensão tomava conta dos cinco. O trem continuava seu caminho. Pude ver alguns técnicos entrando no vagão e o interditando e eu fiquei pensando curioso “O que será que eles acham que aconteceu?” “O que será que as câmeras da estação e do vagão filmaram?”. Eram pensamentos idiotas perto do que estava acontecendo e podia acontecer, mas eu precisava pensar em algo que desviasse a minha preocupação com os outros grupos pelo menos por alguns segundos.
Tínhamos acabado de sair da última estação antes de chegar a nossa. E como nessa altura da linha de metrô os trilhos eram suspensos em ar livre eu já podia ver à frente a estação Carandiru ficando mais perto. Levantei-me. Eu estava inquieto, minhas unhas já estavam em seu limite. No lado direito do meu corpo a pedra na espada brilhava inquieta. Ao olha-la senti uma sede de lutar, era como ela me instigasse a isso.
De repente algo balançou o trem que deu uma leve inclinada para o lado e ao mesmo tempo um barulho de metal se abrindo veio do teto. Bem acima da minha cabeça dois pares de vergões paralelos ao outro se abriu e pude um ouvir um piado de águia só que mais grave e alto do que uma águia normal poderia emitir. Olhei pela janela e vi um animal grande e quadrúpede e uma calda que se movia como uma serpente. Ele estava dando uma voltas e vindo em nossa direção. Ele vinha numa velocidade paranormal com suas garras gigantescas se preparando para mais um ataque então gritei:
– SE SEGUREM E ABAIXEM-SE. – Logo depois do meu grito eu pude sentir o impacto que me impulsionou para frente e na lateral superior direita do trem, mais frestas se abriram com um barulho alto.
– Eles realmente não querem que cheguemos ao acampamento. – Disse Joseph.
– Não me diga, sátiro. Juro que não tinha percebido isso. – Replicou Jhon em seu tom irônico que só ele tinha.
– Você não está entendendo garoto. – Retrucou Joseph num tom de ‘cale-se’. – Não é normal virem quimeras e grifos atrás de semideuses comuns. Os monstros que geralmente atacam são aqueles que ficam vagando atrás de comida e geralmente são cães infernais, dracaenae e ciclopes. Já esses dois últimos, tenho certeza que foram mandados por forças maiores. Então esperem que as coisas só iram piorar se eu estiver certo.
O trem acabará de chegar à estação. Pulamos do trem e saímos em disparada, pude ver de relance um homem grande e gordo encostado na parede e seu olhar me acompanhou. Marti, Pichu e Jhon estavam um pouco mais à frente então cheguei perto de Joseph e falei – Você viu? – Ele apenas balançou a cabeça positivamente e deu um comando para que todos corressem.
A estação estava quase vazia, a não ser por algumas pessoas que depois de passarmos por elas nos seguiam em um ritmo também acelerado. Tudo bem, tanto eu como você sabemos que não são pessoas, mas vai ficar assim mesmo. Descemos as escadas no mesmo ritmo e rapidamente chegamos à avenida. A chuva começara a cair e ia aumentando de intensidade. O vento frio bateu forte no meu braço e eriçou meus pelos. Os vendedores ambulantes que normalmente ficavam de frente a entrada e saída do metrô não estavam lá. Creio que por causa das nuvens pretas que anunciavam uma tempestade. – Um filho de Zeus seria bem-vindo nessa batalha. – Pensei alto e ao meu lado Joseph respondeu:
– Realmente garoto, realmente!
Acabamos de chegar na entrada coberta do parque e apenas a caminhada de menos de um minuto do metrô até aqui foi o suficiente para molhar boa parte de nossas roupas, o que me deixou com as energias fervilhando. De repente algo passou pelo meu ouvido esquerdo fazendo um zumbido. Olhei para trás e reconheci o responsável por aquilo que quase me acertou a cabeça, era um manticore. Corpo de leão, cabeça de homem e cauda espinhosa. Pude contar mais ou menos uns 10 monstros nos seguindo. Mas não consegui distinguir qual era qual, pois a névoa bagunçava minha mente.
O parque estava completamente vazio até onde eu conseguia ver, apenas uma das lanchonetes estava aberta. Alcançamos um espaço vazio e amplo. Avistei à minha frente o sino, o lugar para onde deveríamos ir.
– Parem. – Ordenou Joseph.
E assim fizemos. Storm já estava em minhas mãos e eu tirava o escudo das minhas costas. Pichu estava com sua espada média e curvada na mão direita e no braço esquerdo um escudo redondo e pequeno. Marti já estava com uma flecha na mira e Jhon com duas espadas médias em posição de ataque. E Joseph com sua lança já estava preparado para cravá-la no primeiro monstro que tentasse algo.
Então do meio dos dez seres horrendos saiu uma mulher pálida, cabelos extremamente escuros, olhos vermelhos e dentes de vampiro. Ela tinha uma perna feita de bronze e a outra extremamente peluda. Rapidamente reconheci a empousa que começou a falar:
– Olá meus queridos. – Falou ela numa voz que por incrível que pareça era sensual. – Há quanto tempo né, Joseph? – Falou ela sorrindo maliciosamente para o sátiro.
– Você realmente não cansa de ser morta por mim, né Crissea? – Falou Joseph num tom irritado.
– Claro que não meu querido sátiro. Mas seria um prazer poder dividir uma cama com você e quem sabe ir juntos para o submundo, não é? – Indagou a empousa com uma risada irritante.
Percebi que Joseph já estava sem paciência. Ele olhou de canto para Marti dando apenas um sinal com a cabeça e o garoto que logo entendeu. O filho de Apolo puxou mais a corda do arco e soltou a flecha em direção ao rosto da mulher vampiro que nem sequer se moveu em sua defesa. Antes de a flecha perfurar e mandar novamente a criatura para o tártaro algo foi ao encontro da flecha a lançando para o lado. O manticore sorria e balançava sua cauda repleta de espinhos.
A empousa tomou uma expressão sombria e indagou com uma voz que doeu em meus ouvidos:
– Me dê a pedra agora, semideus. – Ela apontava para mim.
Meu sangue ferveu. Apertei mais forte o cabo da espada enquanto a chuva caia pesadamente sobre mim e me fortalecendo – Só se você vir pegar, fadinha. – Provoquei colocando o escudo à minha frente e levantando a espada acima da minha cabeça. Ela correu em minha direção e tirou das costas uma espada média. Para ganhar espaço dei alguns passos longos para o lado e vi a luta começar.
A empousa parecia burra, mas só parecia mesmo. Ela controlou sua raiva e em vez de pular para um ataque mal pensado ela fez um corte de baixo pra cima o que me surpreendeu, porém foi fácil de pará-lo com storm. Logo em seguida ela girou e atacou o lado direito do meu corpo que eu defendi com o escudo empurrando a espada e tirando um pouco do controle do monstro sobre sua arma. Foi então que eu estoquei com storm na direção da barriga da mulher, porém ela foi esperta e rolou para o lado livrando seu corpo, mas não sua roupa que rasgou mostrando sua pele. Ela se levantou rapidamente e investiu com uma joelhada. Esse ataque dela me fez pensar “porra, que burra”, pois coloquei o escudo à frente me defendendo. O que eu não me lembrava era que, uma de suas pernas era feita de bronze e foi com ela que ela proferiu a joelhada me fazendo desequilibrar para trás. Me recompus e pensei – Agora é a minha vez. – Avancei rapidamente com três golpes seguidos sem dar a ela a chance de atacar entre um e outro. Estoquei, girei por cima da cabeça e ataquei na horizontal e por fim acertei um chute frontal em seu peito a desequilibrando. Então desci com storm rapidamente arrancando seu braço direito que caiu em pó no chão junto com a espada que se desmanchou mais lentamente. Girei rapidamente dando uma rasteira e a derrubando no chão. Cravei storm na perna de bronze que era o me oferecia perigo no momento e a deixei presa no chão. Só por maldade eu queria que Joseph mandasse aquela coisa para o tártaro novamente, olhei em volta, Joseph acabara de cravar sua lança no manticore que explodiu em pó.
– JOSEPH. – Gritei e fiz um sinal com a mão o chamando na hora que ele olhou para mim.
Ele veio correndo em seu trotado de bode e quando viu a monstra grudada no chão ele me olhou, sorriu e disse:
– Valeu, filho do mar. – Me deu um tapinha no ombro levantou sua lança ao lado da quase moribunda que gemia e balançava tentando se soltar.
– Eu vou voltar e sugar esse teu sangue de bode até o fim. – Cuspiu a monstra chamada Crissea.
– Tente a sorte. – Falou Joseph descendo sua lança no coração da empousa.
Voltamos para ajudar os outros, haviam chegado mais monstros, mas Marti, Pichu e Jhon estavam lutando incrivelmente bem. Fui até Marti quando ele enfrentava um escorpião gigante. Tomei sua frente o protegendo de uma investida com o grande ferrão do animal. Atrás de mim ele disse:
– Eu podia desviar. – Falou o garoto.
– Eu sei. – Respondi. E eu realmente não tinha dúvidas que ele desviasse.
Mas como eu já tinha dito antes de sairmos do esconderijo “temos que proteger o que tem o poder de cura”, e eu faria isso.
Entre uma flecha e outra, investidas com a espada aquela luta já estava ficando cansativa. Não tínhamos brecha para acertamos um ponto vital do monstro. Então me concentrei e em dois segundos consegui formar três correntes d’água que prenderam as duas patas dianteiras e a cauda do escorpião. Então eu gritei – SUA CHANCE. – Marti assentiu e desembainhou sua lâmina média. Ele sabia que seria desperdício de flechas tentar acertar o escorpião, pois ele se mexia demais, e seu casco não deixava muito espaço pra acertá-lo. O garoto correu e desviou das mordidas do animal gigante, entrou debaixo deu seu corpo e perfurou acima dele um ponto que fez o escorpião desmanchar em pó.
Aqueles jatos de água exigiam bastante de mim, mas eu aguentava segurá-los por mais alguns segundos. Olhei para trás e vi Pichu desviando dos golpes de um ciclope. Jhon duelando bravamente com uma dracaenae e Joseph enfrentando um cão infernal. Chacoalhei os três jatos d’água e os lancei na direção dos três oponentes que enfrentavam meus companheiros os esmagando e fazendo explodirem em pó dourado. Quando eu já não aguentava mais segurar os jatos d’água eu os soltei e eles caíram no chão com um estrondo.
Joseph, Pichu e Jhon estavam de costas um pro outro sendo cercados por três cães infernais. Acima de mim ouvi um piado de águia, era o grifo. E ao meu redor já se juntavam uma equidna, dois cães infernais e dois ciclopes. Estávamos todos cercados e não tínhamos nem como nos juntar para lutarmos em grupo. Tentei juntar mais água, mas uma tontura me desestabilizou no exato momento em que o grifo desceu em velocidade paranormal em minha direção dando tempo só de me jogar de qualquer jeito pra um lado e Marti se jogou para o outro. Quando atingi o chão senti uma dor aguda e profunda penetrando meu braço direito e o sangue espirrando do local que fui atingido por uma das garras do maldito grifo. Marti se levantou e se aproximou de mim com sua espada nas mãos ainda ameaçando os outros monstros que nos cercavam. Ele não devia se preocupar comigo agora ou morreríamos – Marti está tudo bem! Não se distraia. – Falei me levantando.
– Mas... Seu braço... — Insistiu o garoto.
– Esqueça meu braço. – Gritei no exato momento em que o grifo descia para mais um ataque. Marti se virou rapidamente colocando uma flecha no arco, atirando acertando o rosto do híbrido voador que explodiu em pó.
Ouvi um grito alto vindo da entrada do parque que não estava tão longe da gente. Me permiti olhar de relance e reconheci Dan correndo com sua lança e escudo em mãos. Com ele vinha Agatha, Duh, Ayumi e Bieringuer. A felicidade de ver que pelo menos do grupo dois todos estavam vivos e bem me consumiu me fazendo esquecer a dor que paralisava meu braço direito. Uma energia insana tomou conta do meu corpo – Marti me dê cobertura. – Falei pro garoto sem olhá-lo. Na minha cabeça se formavam linhas que eu devia seguir em ataque aos monstros. Sai correndo. Eu me sentia rápido como uma bala e a chuva que caia sobre minha pele me fortalecia me dando a sensação de invencibilidade. Os dois cães infernais vieram correndo e pulando de um lado pro outro entrelaçando o caminho que eles faziam em tentativa de me confundir. Calculei mentalmente a distância que restava antes de colidirmos e no último segundo parei e me lancei para trás com um salto mortal deixando storm á frente enquanto eu girava fazendo um grande corte no focinho de um dos monstros peludos o forçando parar e uivar de dor. Antes que eu pudesse tomar uma posição favorável o outro cão infernal se lançou sobre mim dando tempo apenas de eu levantar o escudo para defender-me das garras e dos dentes do monstro. Agora ele estava sobre mim latindo. Eu não aguentaria por muito tempo. Foi quando uma brecha se abriu e eu perfurei a lateral esquerda do cão, ele fraquejou e então empurrei mais a espada para dentro do animal acertando seu coração e o fazendo explodir em pó.
Quando tirei o escudo da minha visão, Dan estava na minha frente estendendo a mão, agarrei-a e me levantei.
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