Notas iniciais
Blood Of Westeros
Boa leitura.

O silêncio era tão profundo que podia ser ouvido. A noite era tão escura que assemelhava-se com uma noite de inverno. Os ventos açoitavam os estandartes negros com o dragão vermelho de três cabeças pintado, assim como açoitava as vestes cinzentas que estavam no pátio de Pedra do Dragão.

O pedregulho era alto e ligeiramente plano, o mar salgado batia agitado contra as pedras, e as embarcações mercantis de Braavos e da própria Westeros estavam aportadas. Na cidadela do penhasco, ninguém passava de nenhuma construção para outra, as ruas estavam totalmente desertas.

Nas ondas fortes que batiam contra o penhasco, era possível, se observasse atentamente, enxergar algo se movendo. Respingos solitários em meio à ondas largas e altas. Se aproximavam cada vez mais do penhasco. Quando de repente, quando a Lua se escondeu atrás das nuvens, os respingos sumiram por debaixo das ondas. E o silêncio voltou a reinar. Nem os ventos faziam barulho, nada. As ondas batiam com força, porém nenhum som propagavam. Uma delas, bem grande, chocou-se com força no penhasco, e três figuras molhadas então estavam agarradas às pedras afiadas do enorme pedregulho.

Em silêncio, as figuras rapidamente começaram a escalar o rochedo, suas mãos ágeis agarravam as pedras pontiagudas como se não se machucassem. Subiram para o cais elevado, agarrando-se na madeira apodrecida. Caminharam pelas ruelas vazias, escondendo-se das luzes das velas dentro das cabanas. Estreitaram-se por entre as casas, surpreendendo guardas postados nas esquinas, abraçando seus pescoços e deixando-os sem respiração.

Então correram para o castelo. O portão estava sendo vigiado, então as figuras escalaram as paredes de pedra como se fosse gotas de chuva que subissem ao invés de descessem. Puxaram os guardas nas ameias para o mar sem fim, e então pularam para dentro do castelo.

E os sons voltaram.

--

-Sabe que é muito bem vindo, Lorde Stark. – disse Thorn sentado em sua cadeira, vestindo um gibão de couro negro com o dragão dos Targaryen desenhado em seu peitoral. Os cabelos louro-prateados estavam amarrados em um rabo de cavalo, suas mãos pousadas na pena que repousava no tinteiro.

O homem de cabelos grisalhos e olhos duros como pedra fria estava de pé, com vestes cinzentas e sem nenhum símbolo, apenas com a espada embainhada em seu cinto. Ele assentiu firmemente enquanto tirava as luvas das mãos.

-Vossa Graça, fico satisfeito de poder estar aqui, na sua presença. – disse Lorde Stark – O senhor seu pai, Rei Aereon Targaryen, pediu que eu viesse aqui esta noite, meu príncipe, para aconselhá-lo na viagem para Dorne.

Thorn abriu um sorriso amigável, tomando a jarra de prata que ali na mesa repousava e enchendo dois copos de vinho.

-O senhor meu pai alertou-me, Senhor Mão. – disse Thorn, tomando um copo para si e levando aos lábios. – Sente-se, a noite está fria, beba um bom vinho para se aquecer.

Korden Stark, Senhor de Winterfell, sentou-se em uma cadeira oposta a Thorn, tomando o copo e bebendo um gole do vinho. Seu paladar era duro do Norte, mas conhecia um vinho da Árvore quando bebia um.

-Fria demais para o meu gosto, esta noite. – concordou ele. – Pelo visto, o duro inverno está chegando. É melhor nos prepararmos.

Thorn voltou a molhar a pena no tinteiro e a escrever em seu pergaminho amarelado e manchado por gotas de vinho.

-O inverno sempre está chegando para os Starks. A impressão que tenho é que torcem para o inverno acabar só para dizer que o próximo chegará. – e gargalhou. O duro Stark deu um sorriso e bebeu mais um gole. – Como anda meu pai em Porto Real?

-Seu pai nunca viu dias melhores, meu príncipe

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.