A Guerra das Cápsulas

59 Um pedido disfarçado?


Notas iniciais
Yoo mina-san! Pessoal, vamos ver o que está rolando no planeta Vegeta? Enjoy!

Bulma voltou para o seu quarto após ajudar Tarble com Gure e os bebês. Todos estavam assustados e apreensivos pelos acontecimentos com Nappa. Bulma banhou-se e foi dormiu. Na madrugada, Vegeta apareceu no seu quarto. Ele estava coberto de sangue e todo sujo.

— Vamos pra cama — ele disse simplesmente. Estava exausto.

— Vegeta? O que aconteceu?

— Recuperei as cápsulas.

— E aquele Nappa?

— O desgraçado fugiu.

Ela o ajudou a livrar-se da sua roupa de batalha. O ajudou com o seu banho.

— Vegeta... depois vá falar com o Tarble. Ele ficou muito chateado — ela disse enquanto o ajudava a secar os cabelos.

— E daí?

— Como e daí? Você sugeriu que deixasse um dos filhos dele morrer!

— Esse moleque mimado...

— Vegeta... não me diga que estava falando sério?

Novamente Bulma e suas ideias pacifistas que não faziam sentido algum para Vegeta. Ele optou por mentir e tranquilizá-la.

— Claro que não... mas nas batalhas temos que blefar para confundir o inimigo.

— Jura que era isso mesmo?

— Eu não sou nenhum crápula, mulher — ele deu um sorriso de canto.

— Vegeta... se não foi assim eu não sei se vamos poder ficar juntos — ela disse sem o encarar.

Vegeta a segurou firmemente pelo braço.

— Nós vamos ficar juntos sim, entendeu? Você é minha namorada!

— Então não minta pra mim, por favor.

— Não estou mentindo... mas não queria mais que você questionasse meu julgamento. E mais ainda... nunca mais vá para o meio da batalha, é muito perigoso. Se você cair nas mãos de um lixo como aqueles eu nem sei o que vou fazer.

Bulma tranquilizou-se. Acreditou nele. Vegeta ficou satisfeito por ter passado ileso dessa vez.

— "Relacionamentos são difíceis" — ele pensou — "e permeados de mentiras".

***

Alguns meses haviam se passado desde o incidente com Nappa. Gure e os bebês estavam completamente recuperados dos traumas vividos, mas Tarble ainda remoía rancor contra Vegeta, por ter agido de maneira egoísta para com seus filhos. O relacionamento deles estava por um fio. Vegeta o desprezava por considerar um fraco que vivia pelos caprichos da esposa e dos filhos, e Tarble nem escondia que não toleraria mais a tirania do irmão. Frequentemente estava ameaçando ir embora. Mas Vegeta o proibia. A verdade é que Vegeta não confiava em mais ninguém, e Tarble fazia a ponte entre ele e os conselheiros e o povo saiyajin. Bulma ficou no meio deles, tentando intermediar a situação por um pouco de tempo, depois ela simplesmente desistiu. Passou a apoiar Tarble abertamente, para total ira de Vegeta.

— O seu irmão está certo — ela disse — a família dele é o que ele tem de mais importante, se você não os valoriza não tem porque ele continuar aqui te servindo.

Até que a intromissão dela ameaçou em colocar um fim no namoro deles, então ela deixou tudo de lado. Passou a simplesmente não falar nada. Mas no fundo ainda apoiava Tarble e Gure. Queria que Vegeta fosse mais maleável e entendesse os sentimentos das pessoas, mas sabia que aquilo era pedir demais. O amava muito, mas sabia que não dava para exigir o impossível dele.

Enquanto Tarble e Gure viviam seu conto de fadas particular, com um relacionamento honesto, baseado em amor, diálogo, respeito e confiança, cercado de três filhos lindos que eles amavam mais ainda, Vegeta e Bulma ainda tinham alguns problemas para lidar. Três meses já haviam se passado desde aquela triste ocasião com Turles, e eles ainda não tinham conseguido ter relações sexuais de novo.

Vegeta queria muito. Estava como um louco alucinado que nunca havia ficado tanto tempo sem uma mulher, mas não procuraria outra, não agora que estava tentando ter um relacionamento sério com Bulma. O problema é que ele não tinha coragem de abordá-la, temia tocá-la e ofendê-la, machucá-la, ou fazer ela se lembrar de Turles. Bulma também queria, mas tinha vergonha de tomar a iniciativa. Dormiam juntos toda noite no quarto do príncipe, mas ficavam somente nos beijos, quentes e molhados e carícias como dois adolescentes se descobrindo. Queimavam de desejo, mas nenhum dos dois era corajoso o suficiente para tentar ir adiante, e correr o risco de se machucarem.

***

Somente duas estações marcavam a passagem do tempo no Planeta Vegeta. O inverno, seco, quente, e com ventos cortantes que baixavam um pouco a temperatura à noite, e o verão, ou sinônimo de inferno, já que a temperatura aumentava tanto, que algumas tarefas tornavam-se impossíveis. Era uma dessas noites de verão escaldantes, Bulma estava na varanda do quarto de Vegeta observando os saiyajins treinando até altas horas da noite em um dos campos de treinamento ali perto. Seminua, pois o simples contato de roupas na pele era intolerável, ela se abanava com um leque enorme, e bebia limonada gelada, mas não era o suficiente para aplacar o calor. Vegeta entrou no quarto, vindo do seu treinamento, estava banhado em suor, com apenas a calça, sem a parte de cima da armadura e uma toalha pousada no pescoço. Ele se aproximou, a tocou de leve na cintura. Trocaram um beijo suave.

— Não sei como você consegue treinar com esse calor absurdo! — ela disse.

— Gastar energia me ajuda a diminuir a temperatura do corpo.

— Ah, é? Então vou começar a treinar também... não estou aguentando. Se ao menos vocês tivessem uma piscina por aqui.

— Piscina? O que é isso?

— Não sabe o que é uma piscina? Como eu posso te explicar — ela pensou — bem, é como um lago artificial, pra você nadar e se refrescar.

— Parece interessante.

— É muito interessante! Por que não manda construir uma pra gente?

— Não sei se teremos espaço.

Ela olhou ao redor, de fato toda a área estava tomada pelas construções. Então mirou num local que trazia memórias ruins.

— O que acha de fazermos bem aqui onde os cachorros ficavam? — ela sugeriu apontando para o fosso vazio logo abaixo da varanda do quarto.

— Pode ser... você tem algum projeto?

— Não, mas posso resolver isso rapidinho! — ela disse empolgada, correu para a mesa e começou a desenhar.

Já no dia seguinte contactou alguns trabalhadores e começaram a construção da piscina. Vegeta ficou observando ela cuidar de tudo, logo o antigo fosso dos cães estava ganhando uma cara nova. Porém os dias se passaram e a coisa parecia que não ficaria pronta nunca.

— Esses vermes insolentes estão enrolando com o trabalho! — Vegeta disse certa vez ao se aproximar da área onde seria a piscina.

— Claro que não, eles estão dando o melhor de si — Bulma os defendeu — não vê que estão trabalhando nesse sol de matar? Devem estar cansados, coitados!

Vegeta resmungou. Então Bulma mandou trazer limonada gelada para todos. Vegeta ficou enciumado.

— Fica mimando esses serviçais, daqui a pouco ninguém vai te respeitar.

— Pelo contrário, príncipe. Daqui a pouco eles vão me amar! Tanto que acho que vou me candidatar ao posto de princesa. Tem tanta coisa legal que eu poderia fazer para melhorar as coisas por aqui.

E ela pôs-se a gesticular e tagarelar como se já fosse uma grande princesa, construindo coisas e resolvendo a vida de todos. Vegeta a observava seriamente, mas por dentro estava se divertindo com a ingenuidade dela. Então a segurou firmemente pelo pulso.

— Sua tola, a única maneira de se tornar princesa desse planeta é se casando com o príncipe.

Bulma ruborizou fortemente.

— "Será que isso é um pedido?" — ela pensou. Mas resolveu não demonstrar sua emoção, fez-se de superior, como sempre fazia.

— É mesmo? Será que não tem um terceiro irmão disponível, então? Fofo como o Tarble e gostoso como você?

Dessa vez foi Vegeta quem ruborizou.

***

Em uma galáxia remota, muito longe dali, um guerreiro encontrava seu destino. Era Nappa, que finalmente havia chegado até os domínios de Freeza. Ele se ajoelhou diante do lagarto e fez uma profunda reverência.

— Nappa? O que um macaco miserável como você faz por aqui? — Freeza disse com desprezo.

— Freeza-sama, eu vim para me unir à você na luta contra Vegeta.

— Vegeta-san? Hummm... perdeu seu tempo, os saiyajins já não me interessam.

— Freeza-sama, Vegeta agora tem riquezas e recursos incalculáveis, ele conseguiu tudo com umas esferas mágicas que podem conceder qualquer desejo.

— Esferas mágicas? — Freeza parecia interessado — me diga mais sobre isso.

— Eu não sei dos detalhes, mas ele conseguiu as riquezas roubando do Planeta Terra, essas esferas estão lá. Turles queria roubar as riquezas de Vegeta e depois ir conquistar esse planeta, mas ele foi morto antes.

— E você ganha o que me contando tudo isso? — Freeza perguntou desconfiado.

— Eu quero a vingança contra tantos anos de humilhação... quero que Vegeta perca tudo, que ele sofra.

— Vai ser difícil ver o Vegeta sofrer. Ele não se abalou nem quando eu matei o pai dele.

— É, mas agora parece que ele se afeiçoou à uma humana.

— Uma mulher humana?

— Sim, uma bela mulher de cabelos azuis. Ela é uma cientista que ele trouxe do Planeta Terra.

Freeza ponderou aquelas informações. No passado, as investidas contra os saiyajins se mostraram infrutíferas, pois eles resistiram e ele não os conseguiu dominar. Mas agora se havia algo de valor para o príncipe, então ele poderia tentar atingi-lo de novo.

— Obrigado, Nappa. Suas informações foram muito valiosas — Freeza disse educadamente.

— Então vai deixar eu me unir à você, Freeza-sama?

— Por quê? Sabe que não tolero esse cheiro de macaco de saiyajin perto de mim — Freeza respondeu com um sorriso, então o atingiu com um raio. Nappa foi instantaneamente fulminado.

Notas finais
Deixem comentários, abraços!