Notas iniciais
Gente, é pra comemorar! A FIC recebeu a sua segunda recomendação, dessa vez foi a lindíssima F Fernandez que deixou palavras tão maravilhosas que me deixaram de queixo caído. Menina, você me tirou o chão com aquela recomendação, eu nem acreditei quando eu comecei a ler e vi tanta demonstração de reconhecimento e carinho. Muitíssimo obrigada por suas palavras, e por acompanhar a FIC e sempre deixar seus comentários tão legais. Sendo assim, o mínimo que eu posso fazer é dedicar esse capítulo à você. Espero que goste! A todos: quem sobreviveu ao capítulo de ontem eu convido para ler o de hoje também. Enjoy!

No dia seguinte, Bulma acordou com o corpo dolorido e marcado. Ainda estava tonta pelas bebidas e falta de sono. Não saberia dizer quanto tempo Vegeta levou, mas ele aproveitou a madrugada toda. Lembrou de tudo o que ele fez com ela e sentiu o rosto queimar.

Olhou ao redor e não tinha nada, lembrou que às vezes o Yamcha deixava uma florzinha.

— Até parece... — ela desdenhou.

Se levantou com dificuldade e foi tomar banho. Lá pôde ver melhor o estrago, muitas marcas de mordidas e chupões, até alguns roxos.

— Kami-sama me livre! Que demônio! Nunca mais, nunca mais!

Lembrou da boca dele em lugares nunca antes beijados, os orgasmos que teve, a cabeça girando, o corpo pegando fogo.

— Nunca mais! — ela repetiu pra tentar se convencer.

Assim que saiu encontrou só as cinzas da fogueira da noite anterior. Entrou na outra casa de cápsula e encontrou todos tomando café. Deu um bom dia tímido. Chichi e Goku responderam. Vegeta nem olhou para ela.

Ninguém tocou no assunto e ela agradeceu, tomou uma xícara de café preto bem forte e mordiscou algumas torradas. Vegeta estava sentado bem na sua frente, mas ele sequer olhou para ela. A conversa foi sobre amenidades, Vegeta permaneceu em silêncio como sempre, e Bulma excepcionalmente não conseguia falar nada.

— Hoje está meio nublado. Acham que compensa continuar aqui ou devemos voltar? — Chichi perguntou.

— Vamos voltar — Goku pediu — Se não tiver problema claro — ele acrescentou. Às vezes se esquecia que era um mero soldado.

— Vamos voltar — Vegeta por fim falou — Você tem que ver o vestido ainda, não tem? O casamento está chegando.

Bulma não conseguiu esconder seu espanto. Obviamente sabia que uma noite somente não resultaria no fim do noivado, mas não gostava de ver como aquilo no final das contas não havia significado nada pra ele.

Goku também parecia espantado com Vegeta falando assim sobre o casamento, mas ele se dignou a calar-se e fazer o que Chichi o orientara, não falar nada sobre aquilo.

Eles arrumaram tudo e partiram. Vegeta foi voando velozmente na frente, Bulma sequer teve a chance de acompanhá-lo. Sentia-se vazia, usada. No íntimo ela sabia que seria assim, mas doía ter sido um mero brinquedo para todos os fetiches dele, sentia-se suja... vulgar, como ele a chamou tantas vezes desde que se conheceram.

— Chichi... bem... vocês ainda vão se casar então? — Bulma perguntou quando estavam sozinhas na nave.

— Sim... — Chichi respondeu sem olhá-la.

— Então no final das contas não adiantou nada.

— Adiantou sim... eu estou viva, não estou?

— Ele sabe do bebê? De você e do Goku? — Bulma perguntou.

— Sim, ele sabe de tudo... mas tem um contrato em vigor, nem eu e nem ele podemos quebrar... estamos presos nesse compromisso.

—"Compromisso" — Bulma pensou — "Ele conseguiu o que queria e agora vai voltar para o seu compromisso... como fui trouxa, meu Kami..."

Chichi podia imaginar o que se passava na cabeça de Bulma, mas não estava disposta a abrir mão do seu plano, não agora que tudo estava encaminhado. O casamento aconteceria conforme o combinado, mas ela não iria para o planeta dele de maneira alguma. Seu plano era na última hora ficar pra trás escondida e deixar que Bulma fosse no seu lugar. Como não existia sentimentos românticos entre ela e Vegeta ela pensava que eventualmente ele acabaria por perdoar, contanto que se mantivessem os arranjos sobre os suprimentos e ele tivesse Bulma em sua cama para saciá-lo. Ela não estava disposta a ser uma mera peça num jogo louco entre os velhos reis e aquela baboseira de deuses. Casaria para cumprir o seu papel mas nunca seria esposa de Vegeta. Sabia que estava prestes a perder a amizade da amiga, mas no fundo acreditava que ela eventualmente iria perceber que amava o príncipe e a perdoaria. Então se antecipou.

— Me perdoe, Bulma.

— Esquece isso, Chichi — Bulma forçou um sorriso — Você está viva, não está? Então nosso plano foi bem sucedido. E ele já teve o que queria, eu estou livre também...

— Sim, você está livre — Chichi respondeu sabendo que não era verdade.

***

Já na casa de Bulma, esta voltou para a fábrica. A produção das cápsulas entrava na reta final. Ela queria mergulhar no trabalho o mais fundo que pudesse para esquecer daquilo tudo. Claro que foi para a cama com ele querendo, mas ele a tratou como uma prostituta. Depois desprezo e ela voltou a ser a mulher vulgar, a terráquea desprezível, uma mera peça para os propósitos dele. Não via a hora dessas duas semanas passarem voando, o casamento acontecer e ela se ver livre para sempre daquela pessoa que só de lembrar a fazia sofrer.

Chichi avisou a Vegeta que voltaria para o palácio, para cuidar dos pormenores do casamento, visto que agora faltava só duas semanas. Ela também tinha intenção de conseguir consultar-se com um médico para saber da gravidez, para isso precisaria de espaço e sigilo, coisa que não conseguiria se permanecesse ali sob a vigilância dele. Ele pareceu não se importar quando Goku disse que a escoltaria. Apesar da trepada memorável que a terráquea o dera, ele ainda tinha entalada na garganta a traição de Goku. Embora ele não soubesse de tudo, ele considerava a intenção de Goku ficar na Terra como uma traição. Ele esperou Chichi subir para arrumar suas coisas e disse para Goku.

— Não esperava isso de você, Kakarotto.

— Vegeta, eu nem sei como explicar.

— Não precisa se explicar, isso foi uma tremenda traição da sua parte. Mas esperava que você viesse me contar, não ela.

— Eu realmente...

— Só fique calado, ok?

— Mas está tudo bem? Você concordou?

— Sim, o que eu poderia fazer?

— Até sobre o bebê?

— Sim, até essa merda dessa burrice que você fez...

— E você realmente está tranquilo quanto à isso?

— Eu estou, mas se você continuar falando eu vou deixar de ficar — ele ameaçou.

— Claro, eu não vou falar mais.

— Nunca fale mais comigo sobre isso, entendeu?

— Claro majestade... eu realmente só queria dizer que se servir de consolo, eu realmente me apaixonei.

— Claro que você se apaixonou... você é um trouxa... um fraco.

Goku não se considerava nem trouxa e nem fraco, mas não discutiria com Vegeta, não sobre aquele assunto tão delicado. Achou melhor aceitar as ofensas em silêncio e deixá-lo em paz. Mais tarde ele usufruiria do seu prêmio e então lembraria da cara de Vegeta o chamando de trouxa, sendo que o único trouxa ali era ele mesmo.

***

Com a partida de Chichi e Goku para o palácio, Bulma encontrou a casa vazia assim que voltou da fábrica à noite. Estava cansada, mal dormira na noite anterior. Encontrou algo na geladeira e comeu assistindo TV. Os pais haviam deixado um bilhete dizendo que estariam fora pelos próximos dias. Eles sempre inventavam umas viagens de última hora, e parece que agora era uma dessas ocasiões. A mãe de Bulma deixou uma torta de morango pronta para ela na geladeira. Bulma pegou um pedaço e comeu. Imediatamente o sabor do morango a fez lembrar da noite anterior. O hálito frutado do homem que a beijara e a devorara como um louco tinha aquele gosto doce e o seu tratamento que recebera no dia seguinte era como aquele sabor residual que fica após terminar a fruta, azedo. Essas lembranças trouxeram lágrimas aos seus olhos. Junto com isso lembrou-se de Yamcha, que na cama era um lobo e depois a trocou por uma qualquer.

— "Eu nunca fui amada" — ela concluiu.

Mas logo afastou esses pensamentos da cabeça, se aquilo tudo havia resultado no perdão para Chichi e a vida intacta da amiga, ela estava feliz. Odiava perder entes queridos, odiava matança e violência desnecessária. Dar-se como uma puta para um tirano como Vegeta não era uma coisa para se orgulhar, mas evitar a morte de dois inocentes, principalmente de um bebê ainda no ventre da mãe era algo do qual ela se orgulharia para sempre.

Estava divagando quando ouviu um som de coisas caindo lá no seu quarto, logo temeu que fosse um ladrão. Estando sozinha em casa, ainda tinha o sistema de segurança, mas não se lembrava de tê-lo acionado. Censurou-se pensando em como sua distração a colocava em perigo.

Pegou a maior frigideira que encontrou na cozinha e subiu as escadas de mansinho. Abriu a porta com cuidado e deu de cara com uma silhueta masculina no escuro. Sem aviso avançou para cima do bandido e bateu com toda a força que podia na cabeça dele.

— Ai ai ai, mulher!

Aquela voz inconfundível.

— Vegeta?! — ela gritou.

— É lógico que sou eu! Quem você pensou que fosse?

— Um ladrão, um bandido, sei lá!

— Não sou bandido nenhum.

— E você está fazendo o que aqui? A princesa voltou para o palácio para lidar com as questões do casamento.

— É, ela pode resolver tudo sozinha.

— Não me diga que você pretende ficar aqui até o dia do casamento?

— Por que não? Alguma objeção?

— Todas!

— Mulher, já quebramos o gelo.

— Eu queria era quebrar a sua cabeça, isso sim.

Ele se aproximou e tirou a frigideira das mãos dela. A envolveu em um abraço, começou a passar a língua pelo seu pescoço.

— Pare com isso, o que está fazendo?

— Adivinha — Vegeta respondeu — Vim terminar o que começamos.

— Eu não lembro de ter deixado nada pendente com você.

— Ah é?

— É sim.

— Pois eu quero a continuação então.

— Não tem continuação nenhuma. O acordo era só ontem e nunca mais.

— Nós fomos até depois da meia noite, então teoricamente ainda é o mesmo dia.

— Por acaso alguém já caiu nessa? — ela tentou se desvencilhar do abraço dele.

— Você está com muita gracinha pra quem está apaixonada.

Bulma piscou várias vezes e depois desviou o olhar antes de dizer.

— Quem disse que eu estou apaixonada?

— Não está?

Ele se aproximou devagarinho, ela não fugiu. Ele a beijou. E o que fizeram depois não necessariamente pode ser chamado de amor.

Notas finais
Pois é, people. Óbvio que o Vegeta não iria se contentar com uma vez só. Aguardo seus comentários. Abraços!