A Guerra das Cápsulas
42 Território neutro
Notas iniciais
No dia seguinte, Vegeta pensou em ir falar com Bulma em um território neutro, ou seja, o laboratório dela. Porém ao chegar na entrada ouviu as risadas da moça e aquela voz grave do saiyajin que estava começando a tirar ele do sério. Abriu a porta e viu Turles conversando com ela. Bulma sentada na bancada balançando as pernas, enquanto o saiyajin quase entre as pernas dela falava alguma bobagem que havia provocado os risos da jovem.
— Turles! — Vegeta gritou.
Na hora Bulma desceu na bancada, Turles virou-se para ele e fez uma reverência.
— Majestade.
— Você não tinha que estar supervisionando o treinamento dos novos membros da minha guarda?
— Claro, majestade. Com licença — ele fez mais uma reverência e saiu.
Bulma revirou os olhos, odiava que Vegeta sempre aparecesse quando ela estava tendo algum momento de distração. Voltou aos cálculos do computador. Vegeta ficou com os braços cruzados a observando enquanto ela trabalhava. Sentia a irritação dela no ki, minutos antes ela estava toda alegre e relaxada com a presença de Turles. Nunca tinha sentido aquilo, não sabia direito o nome, mas não gostava de ter que competir a atenção dela com a de outro cara, ainda mais Turles e aquela cara de Kakarotto que ele tinha. Nunca gostou do soldado, porque nunca gostou de ninguém, mas depois da traição de Kakarotto, ele passou odiar Turles mais ainda, simplesmente porque ele o lembrava muito. Só o colocou como o novo chefe da sua guarda pessoal porque ele era o mais qualificado para isso, mas não confiava no infeliz de maneira alguma. Queria que Tarble ocupasse aquele cargo, mas o irmão não tinha a mesma força que Turles.
— Hoje eu vou ao seu quarto — Vegeta disse por fim.
— Para fazer o quê? — Bulma perguntou.
— Como para fazer o quê? Você já sabe.
— Bem, pode ir. Eu não vou estar lá mesmo — ela desdenhou.
— O quê? Aonde você vai?
— Vou sair. Recebi um convite e eu aceitei — ela mentiu para provocá-lo.
— Ah, mas eu vou matar aquele Turles!
— Por quê? Se eu não significo nada pra você, por que se incomoda se eu vou me encontrar com ele ou com qualquer outro?
— Sua insolente, vulgar! Já devia imaginar que uma mulher qualquer agiria assim.
Bulma se irritou com as acusações dele, levantou-se e ficando de frente para ele, começou a discutir.
— Olha só, Vegeta, eu estou de saco cheio de você. Por que não dá o fora daqui e me deixa trabalhar em paz?
— Eu vou dar o fora mesmo! — ele respondeu irado — tenho mais o que fazer do que perder tempo com uma mulher vulgar como você!
— Faça isso!
— Mas antes vou te avisar uma coisa, se te ver de novo com esse Turles você vai pagar caro, ouviu?
Ele saiu batendo a porta do laboratório, a vidraça espatifou-se com o impacto e Bulma ficou praguejando.
***
Naquela noite, Bulma teve que ficar esperando o vidraceiro arrumar a vidraça que Vegeta havia quebrado mais cedo. Como o laboratório era sua responsabilidade, ela insistiu em aguardar o término do serviço para fechar tudo depois.
O nascimento das crianças havia deixado Bulma em um profundo estado de melancolia. Ver a maneira como Tarble e Gure interagia com os filhos, e depois de perceber a insensibilidade de Vegeta naquele momento tão importante, fez ela perceber que dificilmente ela teria o mesmo. Pelo menos enquanto estivesse com Vegeta, ela provavelmente nunca seria mãe e esposa. Seria sempre aquela situação indefinida, ele dizendo não sentir nada, mas a beijava como se o amor dentro dele fosse o mais profundo. O comportamento dele era sempre o mesmo, frio de dia, quente à noite.
Nesses últimos meses, ela havia se apegado muito à Gure e Tarble, considerava ambos como os irmãos que não teve, e passava muito tempo com eles. E ambos eram educados e gentis demais para pedir que ela desse algum espaço, afinal eram recém casados e agora tinham três filhos pequenos para cuidar. Bulma era uma companhia bem-vinda, mas às vezes eles queriam alguma privacidade.
Ela já tinha percebido, então decidiu ficar mais tempo no laboratório. Seus projetos estavam andando bem, ela estava construindo o protótipo de uma nave muito mais rápida, se tudo desse certo, essa nave faria a viagem para o planeta Terra em sete dias somente e não três meses como as que eles tinham. Ainda levaria muito tempo para essa nave ficar pronta, então Bulma decidiu que se empenharia mais, assim esqueceria sua solidão e tristeza.
Turles voltou ao laboratório. Vegeta já o havia dispensado da sua guarda diária. Encontrou Bulma fazendo nada com o olhar perdido no monitor do computador. O vidraceiro já havia terminado o serviço.
— Bul-ma? — ele a chamou brincando com as sílabas do nome dela.
— Turles? — ela tomou um susto, ele a tirava dos devaneios de maneira repentina.
— Já está tarde. Quer que eu a escolte até o castelo?
— Não, não precisa.
— É perigoso, eu acompanho você.
— Não, eu não vou agora.
— Por que não?
Bulma não respondeu. Seria complicado demais explicar tudo o que estava em sua mente naquele momento, e por mais sexy que Turles fosse, ela não confiava totalmente nele para falar dos seus assuntos mais íntimos. Ele tinha aquele olhar intrigante, mas às vezes o surpreendia com um olhar muito estranho pra cima dela.
— Nada específico. Só não quero ir agora — ela respondeu com um sorriso tímido.
— São os bebês, não são?
Ela o olhou assustada.
— Por que diz isso?
— Parece que com o nascimento dos príncipes você ficou mais melancólica.
Ela sorriu tristemente.
— Está tão na cara assim?
Turles riu. Se aproximou.
— Deve ser difícil ver uma família feliz e imaginar que nunca vai ter o mesmo.
— Eu nunca pensei que não terei o mesmo... — ela respondeu incomodada com o grau de percepção dele.
— Sério? Então está nos seus planos ser mãe dos filhos de Vegeta?
— Não.
— Mas você tem direito, não tem? De ser mãe... de ser amada.
Ela queria dizer que sim, mas desde que aceitou ir para a cama com Vegeta há tantos meses atrás quando ainda estava na Terra, aquele direito parece ter sido roubado dela. Cada vez mais ela sentia-se longe de ser mãe, e mais ainda de ser amada.
— Você tem razão. Eu queria pelo menos um décimo do amor que Gure recebe, e um filho só já me seria suficiente, imagine três! — ela suspirou — Eu soei tão invejosa agora, não soei?
Turles riu, levou uma das mãos ao ombro dela.
— Você pode ter isso também. Não é inveja querer algo bom pra si, inveja é não querer que o outro tenha.
Ela pensou naquelas palavras. Nunca foi ciumenta ou invejosa, mas estava se tornando cada dia um pouco mais amarga. Pensou em Chichi, e no bebê que já deveria ter nascido, e Goku, apaixonado como um tolo, devia estar babando por ela e pelo filho, e agora Gure também, feliz e com filhos, casada e amada por seu belo marido. Não tinha como não se comparar à elas e pensar que ela não tinha absolutamente nada, nem de valioso ou concreto. Qualquer uma poderia ser amante do príncipe, só precisava estar disposta às perversões dele, não tinha nada de especial nisso. Envergonhada ela balançou a cabeça tentando fugir do sentimento de inferioridade que crescia.
— Ouviu, Bulma? — Turles a tirava novamente dos seus devaneios — você pode ter tudo de bom que quiser. Você merece muito mais do que o príncipe te dá.
— Obrigada, Turles — ela respondeu evasiva.
Ela desligou o computador, levantou-se e foi saindo da sala.
— Eu não queria te expulsar, mas eu tenho que fechar a sala antes de sair.
— Claro, eu vou te acompanhar até o castelo — Turles ofereceu.
— Não precisa.
— Precisa, sim. É perigoso por aqui. Não sei como o príncipe não colocou alguém para fazer a sua segurança.
— Até parece que ele se importa com isso.
— Deveria se importar.
Andaram pela plataforma que ligava o laboratório até o castelo e Turles foi falando sobre amenidades, Bulma mal ouvia, só sorria e concordava com a cabeça, não queria ser mal-educada com ele.
Quando estavam prestes a entrar no castelo, a voz irada de Vegeta foi ouvida.
— Turles! O que está fazendo com ela?
— Majestade — Turles fez uma reverência — estava tarde, então resolvi escoltá-la.
— Ele me fez uma gentileza, coisa que certas pessoas não fazem ideia do que significa — Bulma disse irônica.
— Isso foi pra mim, terráquea? — Vegeta perguntou irritado.
— Será que foi? Será que você é capaz de perceber uma indireta?
Vegeta ficou irado com Bulma o desrespeitando na frente de um soldado. Precisava colocá-la no seu devido lugar, e faria isso com requintes de crueldade.
— Sua terráquea vulgar. Não se esqueça que só está viva graças à minha bondade. Lembre-se que é apenas uma marmita que eu trouxe da Terra para comer quando tenho vontade.
Bulma sentiu os olhos lacrimejarem, passou como um raio por ele e correu para o castelo. Em silêncio, Turles observava os maus tratos que ela recebia do príncipe, e internamente, comemorava o fato dele facilitar tanto assim o seu caminho.
***
Bulma jogou-se na cama e deixou que as lágrimas corressem abundantemente. Não aguentava mais receber aquele tratamento de Vegeta. Ele entrou alguns minutos após ela, jogou-se na cama sobre ela e começou a tatear seu corpo e tentar tirar as suas roupas.
— Saia de cima de mim! — ela berrou.
— Vai ficar de frescura? — ele a virou de frente com um movimento só e prendeu seus quadris com as coxas.
— Frescura? Você viu o que falou pra mim?
— A culpa é sua por me desrespeitar na frente de um soldado!
— Seu estúpido! Você bem que mereceu!
— Se eu mereci, então você também mereceu. Eu falei que não queria te ver com ele de novo. Agora estamos quites. Abre essas pernas logo!
Bulma deu um tapa no rosto dele.
— Sua desgraçada! Me bateu de novo?!
— Saia daqui, senão vou fazer pior!
— O que você vai fazer? — ele disse massageando a cara — você não pode fazer nada contra mim, é só uma mulher vulgar, uma terráquea insolente. Você está aqui para me servir e fazer o que eu mandar!
— Cale a boca e saia daqui agora mesmo! — ela o tentou empurrar.
— Não saio enquanto não fizer o que eu vim fazer.
— Seu idiota... vai me forçar é?
— Não, você vai me dar com prazer e ainda vai gostar... como a vadia que você é.
Ela levantou a mão para o bater de novo. Vegeta segurou seus punhos no ar e a prendeu em cima da cabeça.
— Você não vai me bater mais uma vez, não, mulher.
Ele a imobilizou completamente e começou a tirar as roupas dela. Bulma brigou, protestou, xingou, ameaçou, mas ele não parou. Já estava completamente nua e à mercê dele. No seu íntimo, Vegeta confessava que aquilo o excitava muito. Mas ao se deparar com aquele olhos úmidos e suplicantes ele não conseguiu ir adiante. Ele sabia que havia pego pesado falando grosserias para ela, mas não podia ficar por baixo, principalmente com Turles ouvindo tudo. Tinha que manter o comportamento intragável perante todos, se não logo seria um fraco como Tarble, se desdobrando em mil para atender uma mulher qualquer. Aquilo o irritou muito, então ele acabou por soltá-la.
— Sua terráquea vulgar...
— Saia daqui! — ela escondeu o rosto no travesseiro e voltou a chorar.
— Amanhã você fique pronta pra mim! — ele gritou.
— Não vou!
Vegeta saiu batendo a porta. Como sempre, ele chiava, ameaçava e quase matava de tanto ódio, mas quem ganhava as batalhas era Bulma. Sempre ela e sua fragilidade inerente o confundia, o deixava perdido. Se fosse outra teria apanhado como nunca, teria a fodido até a alma e depois jogado o corpo lá de cima do castelo para os cães comerem. Mas só de pensar naquele corpinho ou naquele rosto machucados ele queria morrer. Odiava muito que seu ponto mais fraco era justamente a dor daquela terráquea.
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