A Guerra das Cápsulas

108 Perigo dentro e fora


Notas iniciais
Yo mina-san! Aproveitem o capítulo de hoje!

Gohan havia se ocupado a manhã toda procurando Chichi, e já havia ultrapassado o limite da preocupação, não a conseguia localizar pelo ki, não a conseguia localizar viva ou morta em parte alguma, ninguém a havia visto, ninguém sabia dela. O menino havia retornado às galerias do castelo, pois agora temia que Vegeta tivesse feito algo contra a mãe, e se fosse o caso, mataria o rei naquele momento, porém assustou-se com os gritos vindos do quarto do soberano, quando estava prestes a entrar, a poça de sangue que formou-se por baixo da porta e ultrapassava os limites do cômodo, deixou o menino desesperado, e crente que o rei havia matado a sua mãe, abriu a porta num estrondo e deu de cara com a cena mais inusitada possível, Bulma, que sangrando quase à beira da morte caiu por cima dele, enquanto ao fundo, Vegeta e Black iniciavam uma contenda, voando pela janela.

A confusão atraiu os soldados do rei, que logo postaram-se diante do quarto.

— É o Black — Gohan avisou — ele atingiu Bulma, e está lutando com Vegeta.

Os guardas abriram espaço para Gohan que levou o corpo de Bulma para longe dali e apenas puderam dar apoio moral, pois a luta entre Vegeta e Black, estava muito acima das suas habilidades.

***

Trunks treinava tranquilamente na região afastada do castelo, quando ouviu os estrondos da luta de Black e Vegeta. Voou rapidamente até o local, porém no caminho, encontrou Gohan carregando o corpo desfalecido de Bulma. Viu-a coberta de sangue e perguntou:

— O que aconteceu? Ela está viva?

— Sim — Gohan respondeu — está viva, mas está muito debilitada, temos que nos apressar, se não ela pode morrer.

— Vamos a colocar em uma câmara de regeneração. Os dois levaram Bulma até o médico, que preparou a câmara rapidamente e colocou a moça dentro.

— Quem fez isso com ela? — Trunks perguntou enquanto observava a mãe submersa naquele líquido azulado, e as borbulhas ao redor da boca tampada pelo respirador que indicava que ela respirava por ali.

— Penso que foi Black — Gohan respondeu — quando cheguei ela já estava assim, e o seu pai estava indo pra cima dele.

— Vamos até eles, não podemos permitir que Black o mate.

Voaram rapidamente até o local da luta onde Vegeta e Black trocavam socos intensos. O rei estava em clara desvantagem, enquanto Black parecia não estar dando nem a metade de si.

Black atingiu Vegeta com um soco no meio da barriga, e conduziu-o até o alto com um chute no mesmo lugar, voou lá para cima antes de Vegeta atingir o ponto máximo de altura, e chutou-o novamente para baixo, em direção ao chão, o corpo de Vegeta caiu com um baque surdo e ele espirrou sangue pela boca, Black chegou milésimos de segundos depois e pisou no exato lugar onde havia chutado Vegeta, enquanto o outro pé pisava no rosto dele, de encontro ao chão. Vegeta continuou tossindo sangue.

— Inseto miserável... — ele balbuciou entre dentes.

Black o atingiu com um raio direto no peito, o que provocou uma nova onda de sangue saindo do corpo do rei dos saiyajins.

— Que luta mais chata — Black disse — pensei que você ao menos pudesse oferecer alguma resistência.

Ele saiu voando em direção às cidades habitadas, e uma sequência de luzes, gritos, sangue e lágrimas, marcava o início da devastação dos mortais que Black tanto desprezava.

***

Trunks e Gohan carregaram o corpo pesado de Vegeta para o mesmo lugar onde o corpo de Bulma estava, porém o médico avisou que a regeneração da moça ainda não estava completa, e que não poderia a tirar antes, por risco de deixar seqüelas terríveis.

— Ele vai morrer! Meu pai vai morrer! — Trunks disse desesperado.

— Não, eu posso fazer uma coisa — Gohan disse.

— O quê? Faça logo, Gohan, o que é? — Trunks pediu desesperado.

Então, ele estendeu a mão sobre o corpo machucado de Vegeta bem na direção onde o golpe de Black o havia atingido, uma luz clara e amarelada saiu das mãos do jovem, e ele conduziu um processo de cura acelerada no corpo do rei. Em poucos minutos, Vegeta estava completamente são e restabelecido.

— O que aconteceu? — Vegeta perguntou ao despertar.

— Você apanhou do Black e eu o salvei — Gohan respondeu.

— Você me salvou? Como?

— É simples, eu aprendi toda a filosofia dos namekuseijins quando vivi com eles, e um deles, o meu amigo Dende-kun, me ensinou essa técnica de cura.

Trunks o olhava espantado e incrédulo, então os treinos de Gohan haviam sido muito mais profundos do que ele imaginava. Já Vegeta deu de ombros, levantou e o empurrou para o lado.

— Não fez mais do que a sua obrigação, pirralho. Cadê a Bulma?

Gohan fechou o punho com indignação, nem salvando a vida de Vegeta ele demonstrava alguma gratidão.

— Otoosan, pelo menos agradeço ao Gohan — Trunks pediu.

— Eu já disse que ele não fez nada além da sua obrigação. Cadê a Bulma?

O médico mostrou Bulma dentro da única câmara que funcionava. Vegeta colou as mãos no vidro e a observou atentamente, o corpo nu envolto por aquele líquido e a respiração fraca que saía do respirador. Lembrou-se imediatamente quando passou pelo mesmo na linha de tempo original, e rejeitou a ideia sacudindo a cabeça. Lá, Bulma havia sido machucado por Turles bem no momento em que ele havia percebido seus sentimentos por ela, e aqui, o mesmo acontecia, porém o vilão da vez era Black. Ele fechou os punhos com raiva e bateu no vidro da câmara.

— Majestade, é melhor não bater, pois essa é a única...

— Blá, blá, blá... já sei! — Vegeta disse irritado — Essa é a única câmara funcionando e ela pode ficar em apuros.

O médico o olhou assustado em como completou a frase exata que ele iria falar.

— Deixa, pai — Trunks pediu pousando as mãos nos ombros do rei.

— Aquele desgraçado! Vou matá-lo com as minhas próprias mãos — Vegeta rosnou.

— Não, otoosan. É melhor você pensar em abrigar a todos no castelo, antes que ele mate todo mundo. Eu e Gohan vamos lutar contra ele.

— Insolente! Está dizendo que eu não sou páreo para ele no nível que estou agora?

— Não é, pai. E você mesmo viu.

Gohan que ouvia tudo em silêncio, perguntou para Vegeta.

— Foi você quem matou minha mãe?

— Achou o corpo dela?

— Não...

— Então não fui eu, seu asno. Porque se eu tivesse matado aquela lá, teria pendurado o corpo dela em praça pública!

— Seu desgraçado! — Gohan foi para cima de Vegeta e começaram a trocar socos.

— Parem vocês dois! — Trunks pediu — não vai adiantar nada se brigarmos entre a gente, é isso o que Black quer.

— Foda-se — Vegeta respondeu irritado cruzando os braços na altura do peito.

— Ela sumiu, Trunks, minha mãe sumiu! — Gohan gritou quase às lágrimas — a sua está machucada mas está ali, e a minha? Ninguém liga pra minha mãe perdida? E se Black pegou ela?

— Deve ser isso, Black a pegou para ser sua marmita — Vegeta disse com um sorrisinho malvado.

— Você não ouse falar assim da minha mãe, já disse! — Gohan respondeu.

— Cala a boca, pivete que você não sabe de nada. Sua mãe adora dar, na certa caiu na lábia de Black só porque ele tem a mesma cara que o seu pai. Se o exército dos saiyajins tivesse a mesma cara que ele, ela daria para todos.

Gohan atingiu um soco forte em Vegeta, forte o suficiente para o derrubar no chão, completou com um chute na região do abdômen, no mesmo local onde o havia curado minutos antes.

— Pare, Gohan! — Trunks gritou — É melhor você ir, vá localizar Black e tente neutralizá-lo, enquanto isso eu e meu pai vamos abrir o castelo para o povo entrar.

— Até parece que eu vou deixar a ralé se misturar no meu castelo! — Vegeta disse.

— A gente tem que fazer isso, pai. Se não todos eles vão morrer.

Gohan saiu irritado e voou para a região onde ouvia-se os gritos provocados por Black. Vegeta deu instruções detalhadas ao médico de como cuidar de Bulma, como se ele não soubesse, e uma ameça muito séria caso acontecesse algo com ela.

— E vê se conserta essas outras câmaras, pelo visto vamos precisar de todas elas — ele disse.

***

Trunks tomou a dianteira e providenciou alojamento dentro do castelo para todos os que podiam. Muitos já haviam morrido e os restantes estavam desesperados pela perda repentina dos entes queridos, e não compreendiam porque o antigo general Kakarotto estava matando a todos, obviamente confusos pela semelhança do general com Black. Porém explicar à todos os pormenores daquela situação, não era possível naquele estado de calamidade, então ele apenas acenava com a cabeça e respondia que logo tudo seria esclarecido, e que o "general" não mataria mais ninguém. Como não coube todo mundo no castelo, muitos foram para o hangar, e outros tantos para os alojamentos dos soldados.

Whis, que tomava toda a atenção dos cozinheiros, exigindo pratos cada vez mais exóticos e caprichados, pensou que toda aquela reunião de pessoas dentro do castelo fosse uma festa.

— Então teremos uma festa! Oh, isso é tão emocionante! — ele dizia batendo palmas e sorrindo.

— Isso não é uma festa, Whis-san. Black começou a agir e está matando a todos na cidade. Então eu tive a ideia de abrigar a todos aqui por enquanto para protegê-los.

— Oh, mas isso é tão generoso da sua parte! — Whis disse animado — apenas se certifique que eles não façam muita bagunça, se não podem acordar o Bills-sama, e se isso acontecer, Black será o menor dos nossos problemas.

— Eles vão se comportar — Trunks respondeu preocupado. Havia uma ameça real fora do castelo, e outra pior ainda dentro dele.

Vegeta, por sua vez, já tinha convocado o seu exército, que liderado por Caulifla estavam mais do que prontos para a batalha. Após os preparativos, ele se reuniu novamente com Trunks, que ainda auxiliava as pessoas e orientava os serviçais do palácio a cuidar de tudo e se protegerem, mas principalmente não fazerem muito barulho.

— Eu não o ouvi mais — Vegeta disse.

Trunks entendeu que ele falava de Black.

— Sim, eu também não, acho que Gohan conseguiu neutralizá-lo.

— Assim tão fácil?! — Vegeta desdenhou.

— Eu tenho certeza que não foi fácil. Por aqui já está tudo pronto, vamos tentar localizá-los?

Os dois voaram em direção às cidades, encontraram muitos mortos pelo caminho e muitas pessoas desabrigadas, pois Black havia destruído a maior parte das construções. Trunks ordenou que todos fossem para o castelo o mais breve possível. Continuaram voando, e cada vez achavam estranho que não encontravam nem sinal de Black e de Gohan.

— Onde será que eles se meteram?

— Será que o pirralho conseguiu acabar com o Black e se matou no processo? — Vegeta perguntou.

— Não sei... é possível. Mas de fato, se foi assim, foi muito fácil.

— Aquele macaquinho miserável, bem que podia ter feito o mesmo e salvado Bulma logo.

— Ele não teve escolha. Não queria ter que usar as suas habilidades de cura abertamente.

— Que seja... é um egoísta!

— Ele salvou você!

— Como se eu precisasse ser salvo por alguém — Vegeta desdenhou.

Trunks deu de ombros, o pai era arrogante demais para admitir que estava à beira da morte quando ele e Gohan o socorreram.

— Eu só queria que ela ficasse bem logo e pudesse se esconder melhor, ali ela está muito exposta, Black pode tentar atingi-la de novo — Vegeta argumentou.

Trunks diminuiu a velocidade do vôo.

— Você mudou bastante, otoosan.

— Mudei? A porra que eu mudei! Eu sou o mesmo de sempre!

— Não é como eu me lembro de você.

— Você chegou a me conhecer na outra linha de tempo?

— Sim — Trunks respondeu.

— E como foi?

Trunks acelerou novamente o vôo deixando Vegeta para trás. Vegeta acelerou também e o alcançou rapidamente.

— Moleque insolente! Me responda quando eu te fizer uma pergunta!

Trunks continuou o ignorando, fingindo não ter ouvido a pergunta que tanto o magoava. Vegeta acabou por perder a paciência de vez, e socou o rapaz no rosto, de modo que ambos foram ao chão interrompendo bruscamente o vôo. Trunks levantou irritado e respondeu:

— O que você quer saber? Que você machucava minha mãe? Que ela era mantida como escrava? Que você era um monstro para nós? É isso o que você quer saber?

— Escrava? Como assim escrava?

— Deixa pra lá, foi em outra linha de tempo, não foi exatamente você que fez o que fez com ela.

— Eu quero saber de tudo, fala — Vegeta ordenou.

— A gente não tem tempo pra isso agora, otoosan.

— E vamos ter tempo quando? Black deve estar por aí, e pelo o que eu posso imaginar, o pirralho não deve ser tão bom assim para tê-lo derrotado, é perigoso mesmo que tenha morrido. Se for o caso, os próximos da lista somos nós, depois sua mãe e todo mundo. Eu quero pelo menos sentir um pouco de raiva para poder matar o desgraçado que é o culpado de tudo.

— Raiva? Se eu te contar, mesmo você vai sentir vergonha.

— Moleque eu já falei...

— Tá bom, pai. Se quer tanto saber eu te conto. Mas saiba que Black não teve culpa alguma nas coisas que você fez pra minha mãe e pra mim.

Notas finais
Deixem comentários, abraços!