Notas iniciais
Yoo mina-san! Aproveitem o capítulo de hoje!

O rei saiu da casa e encontrou Goku cortando lenha para a lareira. Durante o dia, a montanha era morna e agradável, mas à noite os ventos cortantes baixavam bastante a temperatura, era impossível dormir sem aquecimento dentro de casa. Depois que o rei o viu todo brilhante naquela madrugada meses atrás, começou a confiar que ele poderia de fato derrotar Vegeta e vingar sua filha. Com o tempo, acabou percebendo que ambos tinham o mesmo temperamento pacífico e amistoso, e tornou-se um dos maiores apoiadores de Goku, então ele mesmo não entendia porque Chichi rejeitava o rapaz e no seu íntimo, desejava que a filha o aceitasse de volta.

A princesa havia ressuscitado há dois dias, mas ainda negava-se ver ou falar com Goku. Ele, que havia ficado extremamente emocionado com a ressurreição dela, estava confuso, não entendia. Temeu que ela julgasse que ele a havia matado, mas o rei o assegurou que não era esse o caso, que ela lembrava perfeitamente que foi Vegeta quem fez aquilo. Então ele não entendia o motivo.

Chichi ficou tremendamente espantada quando descobriu que ainda estava grávida, assim como o rei e Goku. A única explicação que encontraram foi nas palavras que o Mestre Kame havia dito tempos atrás.

— Ela vai ser ressuscitada exatamente do jeito que estava quando morreu.

Sendo o bebê ainda parte dela na ocasião da morte, a vida dele foi restabelecida nas mesmas condições que a da mãe.

Goku terminou de cortar a lenha e a levou para a lareira, alimentou o fogo. O sol já havia se posto, ele não queria permanecer mais tempo ali enquanto Chichi o desprezava. Temia que sua presença causasse mal para a princesa, e ele a queria o mais confortável possível.

— Estou partindo nesta noite — ele disse para o rei assim que terminou de alimentar o fogo.

— Pelo menos jante conosco e durma aqui. Amanhã você vai.

Ele acabou aceitando quando viu o carro voador de Kuririn chegando com os amigos. Todos queriam ver a princesa que já estava totalmente restabelecida.

Lunch preparou um jantar mais denso e gostoso agora que Chichi podia se alimentar melhor. Fez uma mesa grande e bonita, os amigos trouxeram flores e frutas frescas. Chichi colocou um vestido em estilo oriental azul escuro com alguns detalhes vermelhos. Ao contrário do que o pai pensou, ela havia adorado a ideia de não precisar mais ficar no palácio sem fazer nada, agora que estava de volta à vida, tinha grandes planos, queria viver uma vida simples e normal como sempre sonhou em viver. As roupas novas, muito mais simples, marcavam essa nova fase da sua vida. Tudo era novamente sensacional e emocionante, sentia o filho no ventre, tinha planos para ele também, ele seria um grande estudioso. Pensou em arrumar um namorado, um rapaz calmo e pacífico que não se envolvesse em coisas violentas e dramáticas. Sua vida seria perfeita, maravilhosa. E tudo começava ali com aquele banquete que compartilhava com os amigos.

Tudo estava ótimo, até que a porta se abriu e Goku apareceu, com um sorriso largo e o olhar pidão de sempre. Chichi fez menção de se levantar e deixar o banquete, mas o pai a impediu.

— Ele vai jantar com a gente — o rei avisou.

Ela se resignou e permaneceu tentando evitar o olhar dele. Mas cada vez que o olhava, Goku estava vidrado nela. Ele até havia deixado a comilança habitual um pouco de lado naquela noite. Os rapazes conversavam alegremente e as meninas faziam planos com Chichi, fariam compras para o bebê e para ela com os mercadores dos outros planetas que apareciam toda semana, depois pintariam e decorariam o quartinho. Ao fim do jantar ficaram jogando cartas, bebendo e conversando. Chichi até se esqueceu dos terrores passados, ainda era jovem e bonita, tinha uma vida toda pela frente, um filho que nasceria e todas as incríveis possibilidades que vem com uma segunda chance. Queria esquecer do seu passado, do príncipe tirano e do fato de que talvez nunca mais visse novamente sua melhor amiga e confidente.

Tudo isso seria possível se Goku não estivesse ali com aquela cara de cão arrependido, lembrando-a constantemente que foi um deles que a matou. Agora, ela mesma não entendia como havia colocado um cara como ele na cabeça. Ele era forte e bonito, obviamente era, mas as suas qualidades terminavam aí. Achava-o bobo, idiota, estúpido, burro, patético. Não tinha uma personalidade inteligente como Kuririn, ou nobre como Tenshinhan, ou misterioso como Dezessete, ou engraçado como Yamcha. Na verdade, ele não tinha personalidade nenhuma. Sua voz era estridente demais para um homem daquele porte e o comportamento infantil que ela tanto adorava antigamente, agora parecia o comportamento de um débil mental.

— "Só espero que meu filho não nasça burro como ele" — ela pensava enquanto observava ele se atrapalhando pela milésima vez com as cartas e revelando seus naipes, que o fariam perder o jogo muito em breve.

***

Assim que todos partiram, Chichi recolheu-se no seu quarto. Goku e o pai ainda ficaram na sala conversando, mas ela não iria permanecer ali, não queria ouvir as idiotices que o saiyajin dizia. Ficou penteando os cabelos, depois passou seus cremes, trocou o vestido por uma camisola e foi deitar.

Mal deitou-se, ouviu batidas na porta.

— Pode entrar, pai — ela gritou debaixo das cobertas.

Ele entrou e sentou-se em um banquinho diante da cama dela.

— Chichi eu...

Ela abriu os olhos e viu o saiyajin, como um bobo atrapalhado, um sorriso que quase dava a volta na cara.

— O que está fazendo aqui? Saia já daqui! — ela disse agressivamente.

— Chichi, vocês precisam conversar — a voz grave do pai foi ouvida da porta.

— Papai, tire ele daqui! Eu já disse que não quero!

— Ouça o rapaz, filha... esqueceu que ele é o pai do seu filho?

Chichi resmungou, o pai fechou a porta deixando os dois sozinhos. Goku não sabia o que fazer, não entendia aquela rejeição. Se ela se lembrava de tudo o que aconteceu antes da morte, porque o rejeitava? Se em vida ela o amou loucamente, ele não entendia como esse sentimento havia mudado.

— Saia daqui, saiyajin — Chichi disse com a voz baixa, porém extremamente agressiva.

— Chichi eu... o que eu fiz? Me explica pelo menos! — Goku estava desesperado.

— Não é o que você fez, é o que você não fez.

— Chichi...

— Você disse que me defenderia com a sua vida se fosse preciso. Mas me deixou completamente sozinha pra morrer pelas mãos daquele tirano! — o rancor em sua voz era verdadeiro.

Goku entendia que ele deveria tê-la protegido como prometeu, mas como antes julgava-se inferior, agiu como um covarde. Agora as coisas haviam mudado.

— Você foi um covarde! — ela gritou — me deixou nas mãos daquele desgraçado! Você não tem ideia do que ele fez comigo naquele quarto, você não tem ideia do medo que eu senti!

— Chichi eu...

— E ele me contou da sua noiva! Por que não voltou para se casar com ela?

— Que noiva?

— Ele me contou tudo, não adianta mentir. Falou do seu fraco por mulheres bonitas... foi assim que você passou esse último ano? Correndo atrás de mulheres bonitas?

— Não, eu só treinei, eu não fiz nada além de treinar!

— Seu covarde! Não tem coragem nem de admitir!

— Chichi eu não...

— Caia fora do meu quarto, Goku! Caia fora! E vá embora dessa casa também, não quero te ver nunca mais.

— Mas a gente vai ter um filho juntos.

— Não, esse filho é só meu e você não vai nem poder olhar pra ele!

— Chichi...

— É isso mesmo, se você não foi homem pra nos proteger quando precisamos, agora não vai poder alegar qualquer direito sobre nós!

— Chichi, eu realmente... eu fui um covarde, eu sei disso. Mas eu mudei... eu vou te provar que eu mereço o seu amor.

— Coitado de você, Goku — ela riu — acha mesmo que tem alguma chance comigo agora? Eu sempre fui e sempre serei da realeza, e você? Um soldado de baixo nível, uma escória... o príncipe tinha os defeitos dele, mas bem que ele me avisou.

— Chichi, não seja cruel comigo.

— Eu vou fazer o que eu quiser com você, seu tolo! Se não gostou vá embora e me faça o favor de não aparecer mais com essa cara patética na minha frente.

Goku lembrava dessa palavra, ele mesmo a havia usado há mais um ano quando se conheceram e ela o seduziu dizendo que o amava.

— Eu sabia que uma hora você perceberia isso, Chichi. Pena que agora que não posso fazer nada quanto à isso, não posso deixar de ser patético. Sempre serei burro e idiota e nunca vou entender esses jogos complicados de cartas que vocês jogam. Mas eu mudei, agora eu sou forte, sou corajoso. Vou me vingar de Vegeta e provar que posso ser um bom pai.

— Faça isso então, mas faça longe de mim.

— Tudo bem, não posso te obrigar a ficar comigo... mas o nosso filho eu vou ver sim, vou cuidar dele, eu vou ser o pai dele.

Ela balançou a cabeça, estava cansada daquela conversa. Ainda demoraria muito para o bebê nascer, até lá ele já teria ido pra guerra e sido morto, como ela mesma foi por Vegeta. Ela quase estava do lado do tirano nessa história.

Notas finais
Simples assim pessoal, ele não estava lá para defendê-la quando ela precisou, então porque ela continuaria idolatrando ele? Deixem seus comentários, abraços!