A Guerra das Cápsulas
71 O novo rei dos saiyajins
Notas iniciais
Uma semana depois do ataque de Freeza, Vegeta acordou na câmara de regeneração. Seu corpo estava completamente recuperado, ele sentia-se como um adolescente, cheio de energia, pronto para matar qualquer um que se colocasse no seu caminho. Mas a despeito da vontade de matar e lutar, seu pensamento estava em Bulma.
— Cadê a terráquea?
— Está em segurança — Tarble respondeu.
Então, Vegeta lembrou que um rapaz desconhecido surgiu e derrotou Freeza com a maior facilidade. Precisava encontrá-lo também para ver se ele era realmente tudo aquilo que parecia.
— E o estranho que derrotou Freeza?
— Ninguém mais viu, sumiu tão rapidamente como apareceu.
Vegeta resmungou.
— E Kakarotto?
— Sumiu também.
— Sumiu? Você quer dizer, voltou para a Terra com o rabinho entre as pernas.
— Não, ele sumiu mesmo. Aparentemente o jovem que derrotou Freeza o levou.
— Deve tê-lo matado também. Uma pena, por que Kakarotto estava se tornando interessante e eu que iria derrotá-lo.
— Não me parece que ele morreu não, mas enfim, isso não vem ao caso agora. Foi bom que acordou, estamos indo para a cerimônia de sete dias em memória dos que morreram.
— Pra quê isso? Saiyajins morrem aos montes todos os dias, vão inventar de rezar pelos mortos agora? — Vegeta riu.
— Dessa vez sim, porque um membro da família real morreu também.
Vegeta sentiu-se estremecer. Pensou na frágil Gure, ou na sobrinha recém-nascida.
— Quem morreu, Tarble?
— Meu filho primogênito, nii-san — Tarble disse sem emoção.
***
Vegeta mal conseguiu olhar para Gure cheia de lágrimas pelo filho ou os outros sobrinhos que ainda choravam a perda do irmão. Nunca foi muito ligado às crianças, mas eles eram da família, eram saiyajins fortes que estavam se tornando excelentes guerreiros apesar da pouca idade. Isso tinha valor para ele. E apesar dos pesares, tinha um grande afeto pelo seu irmão mais novo, não conseguia imaginar a dor que ele estava carregando por baixo daquele rosto inexpressivo. A cerimônia foi mais longa do que ele desejava, Vegeta percorreu o olhar pelo salão todo em busca de uma cabecinha azul, mas apenas um mar negro e castanho de cabelos espetados. Ao final da cerimônia, correu para os seus aposentos. Ela só poderia estar lá. Sensível como era, ainda deveria estar chorando a morte do sobrinho.
Entrou no quarto e Bulma não estava. Andou pelas galerias do castelo, foi até o laboratório, no hangar, na academia das crianças, no quartel militar. Bulma não estava em lugar algum e ele começou a ficar desesperado. Voou pelos arredores do castelo, até a região desértica onde ela se complicou com os lagartos certa vez. Nada.
— Onde ela está, Tarble? — Vegeta entrou gritando no salão onde Tarble se reunia com os conselheiros.
— Ela quem?
— A Bulma, é claro.
— Ah, a Bulma-san? Voltou pra casa.
— Não me faça de trouxa! Acabei de vir de lá, ela não está em lugar algum do castelo.
— Deve ser porque ela voltou pra casa, não deve?
— O que está dizendo, imbecil? Eu já não falei que ela... não me diga que... ela foi embora com os terráqueos?
— Isso mesmo.
— Não pode ser — Vegeta ficou pálido.
— Ela foi. Insistiu muito para ir, eu tentei a persuadir a esperar você acordar, mas ela não quis me ouvir. Disse que queria aproveitar a chance e fugir daqui logo.
— Eu não acredito... a Bulma me abandonou?
— Finalmente ela conseguiu a sua liberdade. Fiquei muito feliz por ela, pra falar a verdade.
— Seu idiota...
— Irmão, não me culpe. Se a tivesse tratado com carinho, mas você sempre foi um bruto, sempre a tratou mal.
— Aquela tola! Mas se ela pensa que vai ficar por isso mesmo, ela se engana! Eu vou pegar uma nave agora mesmo, em pouco tempo estarei lá na Terra e ela vai ver só.
— Vai bater na moça? — Tarble perguntou espantado.
— Vou! Vou quebrar a cara dela de tanto que vou bater!
— Ainda bem que ela foi mesmo, coitada da Bulma-san. Vou torcer para que você não a encontre nunca.
— Idiota... só não te arrebento agora porque está de luto, mas se pensa que pode falar assim com o seu príncipe e futuro rei está muito enganado.
— Príncipe pode até ser, mas futuro rei acho impossível — Tarble disse inexpressivo.
— Eu vou resolver a questão do herdeiro, só preciso trazer a Bulma para cá e a engravidar.
— Mesmo que a encontre e a engravide irmão, não há mais possibilidade de você se tornar rei deste planeta.
— Como não? Esse é o meu direito de nascença! — Vegeta alegou.
— Era, não é mais, você teve tempo suficiente para resolver a questão do casamento e do herdeiro, mas ficou brincando e arrumando confusão com os nossos principais aliados, os terráqueos.
— Eu ainda tenho tempo, tem um ano ainda!
— Não tem mais, porque outro já foi coroado rei em seu lugar.
— Me diz quem é o desgraçado que vou matá-lo agora mesmo e retomar o meu lugar — Vegeta vociferou.
— Pode me matar então, o novo rei do nosso planeta sou eu.
***
Vegeta ouviu incrédulo as palavras do seu irmão. Seu dia estava piorando a cada minuto, primeiro descobriu que o sobrinho estava morto, depois que Bulma voltou para Terra e agora que Tarble era o novo rei no lugar dele.
— O que disse, maldito?
— O que ouviu, irmão. Eu fui coroado rei de Vegeta há três dias, foi uma bela cerimônia, pena que você estava dormindo e não pôde participar — ele disse com um sorriso.
— Eu vou te arrebentar!
Vegeta correu para cima do irmão mais novo, mas a eficiente guarda real, que antes era dele, postou-se entre eles, impedindo que Vegeta se aproximasse de Tarble. Vendo que um ataque era impossível, ele tentou conversar.
— Tarble, nós somos irmãos, como pôde usurpar meu trono assim?
— Nii-san, acredite. Eu fiz isso para proteger a todos, não por uma rixa boba entre irmãos. Em todos esses anos como príncipe regente você não governou pelo povo, apenas por você. Você foi violento, matou por prazer, não reconstruiu o planeta quando teve a chance, deixou o povo passar dificuldades sem motivos. Você foi um péssimo líder, não soube governar ou trazer as pessoas para o seu lado, pelo contrário, a cada dia o número de revoltas e motins aumentava. Você estava conduzindo nosso povo para a destruição e eu não posso mais permitir isso. Eu assumi a responsabilidade, porque não posso mais ver pais e mães terem seus filhos tirados de si por estar debaixo das regras de um leviano.
— Mas Tarble...
— Não tem mas, nii-san. Acabou. Você nunca se orgulhou do nosso povo, se fosse por você os saiyajins estavam destruídos há muito tempo.
— Injúria! Eu sempre me orgulhei de ser o príncipe desse povo!
— Sempre se orgulhou? Matando a torto e a direito como matava?
— É o meu direito como membro da família real!
— Direito que eu também tenho mas nunca exerci.
— Porque você é fraco.
— Posso ser fraco sim, mas eu sou o rei agora, e você é muito bem vindo para aprender a governar comigo, eu quero que você seja o general do nosso exército, treine nossos homens e os deixem tão fortes como você, se realmente ama o nosso povo, prove sendo leal à mim, sendo leal ao seu rei.
— Isso nunca! Você me traiu!
— Eu fiz o que foi necessário. Mas não tem problema, eu imaginei que você rejeitaria a minha proposta. Se não vai ser leal à mim, então será considerado desertor. Perderá seu título e seu lugar como membro da família real dos saiyajins.
— Tarble, pense bem...
— Eu já pensei irmão, eu pensei bem nesses últimos dias. Eu fiquei com ódio e quis me vingar de você por causa do meu filho, mas percebi que isso não o traria de volta. Então resolvi que vou ser o melhor rei que eu puder para honrar a memória dele, para que os meus outros filhos se orgulhem de mim e para que eu posso continuar merecendo o amor da minha esposa.
— Isso é muito tocante, mas não muda o fato de que me traiu.
— O conselho foi unânime, todos já não aguentavam você, todos os queriam fora. Se houve traição foi do império inteiro. Ninguém te queria mais, nem o povo, nem ninguém.
Vegeta lembrou das palavras de Bulma, dizendo que ninguém o amava. Ela estava certa. A terráquea insolente estava certa. E agora ele a havia perdido assim como o seu trono. Retirou-se sem mais discussões, porque não aguentava aquela verdade. Caminhou pelo pátio deserto do castelo. Viu os dois sobrinhos brincando com uma criança saiyajin. Havia visto aquele menino junto dos sobrinhos na cerimônia, mas não deu importância ao assunto. Agora vendo os sobrinhos lutando com ele, percebeu que o garoto estava em outro nível, o estilo era livre, mas os movimentos limpos, seus golpes eram precisos e tinham impacto. Parecia muito com o novo estilo de luta de Kakarotto.
Vegeta se aproximou e ficou observando eles lutarem, o garoto era realmente bom, e estava muito avançado para ser um membro da academia saiyajin.
— Moleque — Vegeta o chamou — onde treinou?
Gohan e os gêmeos pararam de treinar e fizeram uma rápida reverência para Vegeta.
— Eu treinei na Terra — Gohan respondeu.
— Na Terra? E por que não voltou com os outros?
— Eu vim escondido, eles não sabiam que eu estava aqui. Minha mãe pensou que eu havia ido para a escola, mas eu vim pra cá, eu queria ver a guerra.
— Quem é o seu pai? Raditz? Um dos saiyajins traidores que estavam com ele?
— Não, meu pai é Son-Goku-san.
— Como eu imaginei — Vegeta riu — o puto era tão apaixonado pela princesa que não pensou duas vezes em arrumar outra assim que a vadia morreu. Ei, quem é sua mãe? Por acaso é alguma terráquea bonita? Kakarotto sempre foi fraco para mulheres bonitas.
— A minha mãe é a mulher mais linda do meu planeta. Dizem que ela foi princesa antes de eu nascer.
— O que está dizendo, pirralho? — Vegeta perguntou assustado.
— Sim, é o que me disseram. Ela era a princesa de verdade do Planeta Terra, eu duvidava, mas vi as fotos dela nos livros de história. Antes eu achava que era um apelido, mas todo mundo a chama de Princesa Chichi.
— Está completamente louco, pirralho! Eu matei a princesa terráquea com as minhas próprias mãos!
— Mas ela está bem viva e é a minha mãe.
— Eu já disse que eu mesma a matei — Vegeta insistiu.
— Mas ela foi revivida! Meu avô me contou a história. Ele disse que eles usaram umas esferas mágicas e um dragão apareceu e ressuscitou minha mãe, depois disso eu nasci.
Vegeta ouviu o relato estupefato. Se ele mesmo já não tivesse visto as esferas do dragão acharia que aquela criança era tão burra quanto o pai, mas sabendo que as esferas eram reais e o poder verdadeiro, ele acreditou. Se fosse esse o caso, então as esferas poderiam ser usadas mais de uma vez, coisa que ele não sabia. E se já foi usada pelo menos duas vezes, talvez pudessem usar mais duas ou três, ou quantas fosse necessário. Decidiu que iria usar as esferas para recuperar seu trono e conseguir tudo o que queria na vida.
— A minha mãe está viva sim. E o meu pai é o mais forte do universo! — Gohan continuou.
— É o mais idiota, isso sim! Não soube controlar a cria que veio cair bem nas minhas mãos, mas agora vou foder de vez com aqueles dois desgraçados que não me cansam de passar para trás!
Dizendo isso, Vegeta chutou Gohan em cheio no estômago, o garoto caiu de joelhos e inclinou o corpo para frente. Os sobrinhos começaram a gritar.
— Pare tio, ele é nosso amiguinho! Pare com isso!
— Calados vocês, seus pirralhos insolentes!
Então Vegeta golpeou Gohan na nuca e o desacordou. Arrastou o corpo até o hangar, colocou-o em uma nave individual e a programou para os confins do universo. Deu partida e a nave decolou levando Gohan para um lugar longínquo e desconhecido.
Vegeta ficou rindo, pensando em como era doce a vingança. Quando percebessem que Gohan havia ficado para trás, eles viriam correndo para pegá-lo, mas então já seria tarde demais, o garoto provavelmente, ficaria vagando no espaço para todo o sempre até morrer. Enquanto isso, ele mesmo iria até a Terra para buscar as esferas, Bulma e a princesa que estando viva ainda era sua esposa de direito. Ao lado dele, alheio aos planos malignos do príncipe, os sobrinhos choravam.
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