Notas iniciais
Yoo mina-san! Aproveitem o capítulo de hoje!

Chichi passou a contar somente com o seu paladar para as suas receitas, pois Yamcha passou a fugir dela como o diabo foge da cruz. Ela sabia que o culpado pelo afastamento dele era Goku, mas não disse nada. Se ele era um covarde para fugir dela com medo do saiyajin, então ele não servia para ela.

Às vezes, ela ficava observando os rapazes nos treinos. Com exceção dos saiyajins, os únicos que se destacavam era Dezessete, Tenshinran, Kuririn, a Dezoito e o próprio Yamcha, mas esse já estava descartado. Ela queria um namorado corajoso suficiente para não fugir de Goku quando ele aparecesse. Os únicos corajosos o suficiente para peitá-lo eram os saiyajins, mas ela decidiu que não se envolveria com nenhum daqueles monstros novamente. E mesmo entre eles, Goku se sobressaía. Ele era o melhor, o mais forte, mais rápido, mais mortal. E ela odiava isso. Enquanto ele estivesse por ali, ela nunca arrumaria um novo namorado, por isso torcia para que as naves ficassem prontas logo para ele ir embora para a guerra e morrer e ela se ver livre dele.

Goku também queria ir para a guerra e vencer Vegeta, mas queria sua princesa de volta, e continuaria intimidando a todos que se colocassem no seu caminho. Ele também sabia ser malvado quando queria. Ele parecia um bobo, mas no fundo ainda era um orgulhoso saiyajin.

***

Meses se passaram, e agora a enorme barriga de Chichi a impedia de continuar com o mesmo ritmo na cozinha do palácio. Aos poucos, foi diminuindo a carga de trabalho, até que por fim deixou de ir. A gravidez já estava muito avançada, ela queria se preparar adequadamente para aquele momento.

Com a iminência do nascimento do bebê, ela voltou a ser mimada por todos, principalmente pelo pai e por Goku, que estava passando cada vez mais tempo com ela, apesar das constantes brigas e xingamentos de Chichi para com ele. Nos últimos dias de gravidez, o humor de Chichi estava insuportável, tanto que o próprio rei não aguentava mais vê-la humilhando o pobre soldado.

— Filha, você deveria pegar mais leve com ele, afinal ele é o pai do seu filho.

— Só porque eu fui uma besta de dar pra ele, poderia ter dado pra qualquer outro!

— Menina, olha como você fala com o seu pai!

— Ah, papai, cai fora daqui você também... não vê que eu estou em um momento delicado? Vocês homens são todos uns insensíveis e machistas, saiam os dois daqui! — e ela atirava travesseiros e almofadas em ambos.

O bebê finalmente nasceu. Foi um parto dramático e difícil. O médico foi chamado lá nas montanhas para acompanhar, e após muitas lágrimas, sangue e berros de Chichi, nasceu um menino, gordo e rosado, os cabelos negros espetados, o rostinho igual ao de Goku e a cauda ainda curta somente o suficiente para dar a volta na própria barriguinha.

Chichi ficou o beijando e chorando, ele era muito lindo e engraçadinho com aquele rabinho. O Rei Ox ficou todo bobo, era o seu primeiro neto, e depois de tanta coisa ruim que aconteceu, finalmente o milagre da vida vinha para restaurar as esperanças de todos. Goku chegou, empolgado e excitado para ver o filho. Chichi só precisou esperar nove meses por aquele filho, mas ele já estava aguardando há muito mais tempo. Mil coisas passavam pela sua cabeça, e ele não conseguia colocar nenhuma em palavras. Se aproximou com cuidado. Chichi estava toda descabelada e suada, mas ele a achou linda, pousou um beijo na sua testa e disse:

— Obrigado.

Ela ruborizou. A fofura dele ainda a desconcertava.

— Desculpe por tudo, eu estava muito irritada nesses últimos dias — ela disse envergonhada.

— Não tem problema, qualquer um estaria nervoso — ele sorriu — Posso?

Chichi estendeu o bebê para ele. Goku o pegou no colo e o levantou no alto. O bebê começou a chorar. Goku olhava encantado, ele era muito bonitinho e forte. Queria ter um scouter para poder ler o poder do filho, mas Vegeta não havia deixado nenhum pra trás. Então fez o velho teste saiyajin pra ver se o menino era corajoso. Era simples, era só jogar o bebê para o alto, se ele chorasse era covarde, se risse era valente. Fez isso, e o menino abriu o maior berreiro.

— Goku! Você ficou louco? — Chichi gritou.

— Eu só estava testando...

— Testando o quê? Você é doido? Ele é recém-nascido não pode ser jogado para o alto assim!

— Deve ser porque ele é mestiço, lá no meu planeta os bebês já nascem fortes.

— Meu filho não precisa ser forte! Ele vai ser um grande estudioso!

— Ah, estudioso? Nossa, que desperdício... ele pode vir a ser um grande guerreiro.

— Eu não quero nem pensar em ver você o envolvendo nessas violências, entendeu? Deixe ele fora disso!

Goku devolveu o bebê pra ela. Chichi estava muito irritada com a falta de jeito dele. Passada a emoção e vendo que o filho era perfeito, só um pouco chorão demais, Goku sentiu fome.

— Vou lá ver se tem um gohan pra gente comer, estou com fome — ele disse alisando a barriga.

O bebê começou a gargalhar. Chichi ficou espantada. Bebês recém nascidos não gargalhavam também.

— Hein, Chichi? Quer que eu traga um pouco de gohan pra você? Você deve estar com fome.

O bebê voltou a gargalhar.

— Fale isso de novo — ela pediu.

— O quê?

— Isso o que você falou.

— Você quer gohan?

O bebê riu gostoso.

— Eu acho que ele gostou dessa palavra — Chichi sentenciou.

— Gohan? — Goku perguntou.

Novas gargalhadas do pequenino.

— Gohan! — Goku repetiu empolgado. Pegou o filho de novo e voltou a jogar ele para cima. Dessa vez o bebê gargalhava alto.

— Gohan! Gohan! Gohan! — ele repetiu várias vezes enquanto jogava o bebê para o alto. Seu filho era corajoso sim no final das contas.

***

Mesmo após Gohan nascer, Chichi não voltou com Goku. O bebê já estava com três meses e nada dela ceder. Goku passou a dormir lá na casa das montanhas algumas vezes por semana, usou a desculpa de que queria passar mais tempo com o bebê, mas seu foco na verdade era ela.

O rei observava a teimosia da filha, e a insistência de Goku. Achou que poderia intervir e dar uma solução para aquele chove não molha.

— Chichi, por que não dá logo uma chance pra ele?

— Ainda isso, pai? Eu já disse que não sinto mais nada pelo Goku, não vou ficar com ele só porque temos um filho juntos.

— Não ama mesmo? Está na cara que você ainda é apaixonada por ele.

— Eu não sou! — ela ruborizou e piscou várias vezes.

— É mesmo? De qualquer forma não vá entrar por um caminho sem volta só porque você se decepcionou uma única vez com ele. É a ele que você ama, isso dá pra ver há milhas de distância. E ele a ama também, é tão ingênuo que nem esconde. Tente o perdoar e siga a sua vida ao lado dele.

— Isso é ridículo! Ele que me deixou para morrer nas mãos daquele demônio e agora eu que tenho que ser boazinha e perdoá-lo? E daí que ele me ama? Quando eu precisar dele, ele não vai estar lá para mim e o nosso filho. De que adianta ser forte, se ele é um covarde?

— Ele não é covarde. Ele é muito corajoso na verdade — o rei o defendeu.

— Pode até ser, pai. Mas de que adianta ele ser corajoso se ele não vai mover uma palha pra me defender quando eu precisar? Eu não quero que aquele terror se repita. E eu só quero paz para a minha vida. Paz, calmaria e anonimato, de preferência. Não dá para eu viver em paz, se estiver com medo. Ele não me inspira confiança nenhuma. E você deveria parar de me obrigar, da última vez que me obrigou a algo eu morri, quer que aconteça o quê comigo dessa vez?

O Rei Ox acabou se calando. Dificilmente venceria esses argumentos. Mas agora depois dessa conversa entendia qual era o problema. Sabia que Goku não era muito esperto, então decidiu que teria que mostrar claramente à ele o que fazer.

***

Chamou Goku de canto certa manhã, após ele voltar com os javalis que caçou para o almoço e entregar para Chichi.

— Chi, faça aquele ensopado gostoso pra gente! — Goku pediu empolgado.

— Não tem outro jeito, não é mesmo? — ela respondeu indiferente.

Chichi agora ocupava seu tempo limpando a casa, lavando roupa, cozinhando e cuidando de Gohan, que era manhoso e chorão, exigindo dela o tempo todo. Goku só treinava, comia e brincava com o filho. O pai também não ajudava em nada, passava o dia lendo os jornais clandestinos que Kuririn e o Mestre Kame traziam quando o visitavam. Ela se irritava com toda a carga de trabalho em cima dela, e estava meio arrependida de ter aberto mão de ser aquela princesa mimada de antigamente.

— Goku, venha cá — o rei o chamou.

Goku foi, pensando que se tratava de algum assunto trivial.

— Filho, eu estive pensando — o rei falou — a Chichi ainda ama você.

— É sério? Ela disse? — Goku perguntou empolgado.

— Não, mas ela é minha filha e eu a conheço, ela o ama profundamente, acredite. Mas ela não confia que você possa ser o cara corajoso que ela precisa, porque você não a defendeu de Vegeta quando ela mais precisou.

Goku abaixou a cabeça, se envergonhava de não ter feito o que era necessário.

— O que eu faço então?

— Mostre a ela que agora você é forte e corajoso o suficiente para defendê-la!

— Mas eu já falei para ela!

— Não adianta falar, você tem que mostrar! Ela tem que sentir que você é o cara que ela precisa, entendeu?

— Entendi... mas eu meio que já desisti — Goku respondeu desanimado — ela é muito melhor do que eu, duvido que vai me aceitar, mesmo que perceba que eu sou corajoso.

— Então o que está fazendo aqui, filho? Você está atrasando a sua vida ficando aqui, e a dela também. Uma hora ela vai querer arrumar um namorado, o que você vai fazer?

— Eu não vou deixar... vou intimidar qualquer um que tentar se aproximar dela! — ele respondeu com um brilho maldoso no olhar.

— Tá vendo? Esse é o espírito! Por que não usa essa garra para tentar reconquistá-la?

— É muito difícil... quando ela fala eu já desisto de tudo, só consigo fazer o que ela manda.

O rei balançou a cabeça desconsolado. Goku era o mais forte, mas Chichi ainda o superava. Então pensou em um plano para unir aqueles dois de vez e resolver logo aquilo.

Notas finais
Deixem seus comentários, abraços!