A Guerra das Cápsulas
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Notas iniciais
Chichi acordou tranquilamente, espreguiçou-se e sentou-se no futon onde os cobertores revirados indicavam a tórrida noite que compartilhou com o amante. Levantou-se com dificuldade pelo peso da barriga já muito grande. Andou pela cabana e não havia ninguém. Preparou um chá e estranhou que não houvesse nada para comer. Os fundos da cabana escondia uma sacada, com mais uma mesinha de madeira, esta redonda e duas cadeiras, a cerca de madeira ao redor mal impedia que os galhos das árvores penetrassem pelas frestas, de alguns deles pendiam alguns frutos. Chichi aproximou-se e percebeu que tratava-se de laranjas, colheu algumas, descascou uma e começou a comer. Olhou ao redor e percebeu que estava em um local muito alto, mas não podia ter noção de quanto, pois as folhagens das árvores impediam totalmente a visão do solo.
Ficou observando as montanhas ao redor. Ao longe, podia ouvir o som de uma batalha, com certeza era Goku treinando. Chichi estreitou os olhos e pôde distinguir duas figuras, a mais alta era Goku, mas o mais baixo ela não conseguiu reconhecer. Os dois permaneceram lutando por quase uma hora antes de encerrarem. Chichi descansava sentada em uma das cadeiras quando percebeu a chegada do amante.
— Goku-san... você passou a manhã toda treinando.
Ele apenas entrou na cabana e a ignorou.
— Goku-san! — Chichi gritou atrás dele.
Ele entrou no quarto do futon, e abrindo mais uma porta discreta, pegou uma peça de roupa limpa, despiu-se e vestiu as novas. Chichi o observava em silêncio da soleira da porta, ele estava muito estranho, agindo friamente.
—"Será que fez algum treinamento mental que mudou o jeito dele?" — ela pensava preocupada.
— Você já comeu? — ela perguntou em voz alta.
— Não.
— Está com fome?
— Não.
Chichi deu risada.
— Como assim não está com fome depois desse treinamento todo?
— Não estou.
— Bem, mas eu estou! — ela respondeu irritada — trate de ir caçar algum bicho pra eu preparar.
— Não tem coisas pra cozinhar aqui.
— E como você faz? Quem prepara sua comida? Você manda algum restaurante entregar?
Ele riu.
— Eu não preciso mais disso.
— O quê? De comer? Quer dizer que não precisa mais de comer?
— Exatamente.
Então Chichi percebeu outra pessoa entrando no quarto. Tomou um tremendo susto quando o viu. Era um rapaz baixo, apenas alguns centímetros mais alto que ela, tinha a pele num tom de verde claro, o cabelo branco crescia apenas no centro da cabeça e subia em um topete alto, as pontas caíam ao lado do rosto dando um aspecto moderno e estiloso. Suas roupas tinham ombreiras bem altas e usava um brinco em cada orelha.
— Oh... você é o amigo que estava treinando com ele? Muito prazer, eu sou a Princesa Chichi... bem, de fato agora eu sou a rainha, mas isso não vem ao caso...
— Calada — o homem de pele verde disse repentinamente.
— Ei! Como ousa me tratar assim? Não tem modos não? Eu sou da realeza, entendeu? Da realeza!
— Vou silenciá-la de uma vez por todas — o homem de pele verde disse olhando para o outro que apenas sorria.
— Não, deixe ela... eu pretendo usar esse corpo mais um pouco. Sexo é uma prática interessante entre os mortais.
— Goku-san! — Chichi gritou enquanto ruborizava — Não tem vergonha de falar assim perto dos outros?
— Goku-san? — o homem verde perguntou — Quer dizer que ela não sabe?
— Não sei do quê? O que está acontecendo aqui? — Chichi quis saber.
— Se você não falou, deixe que eu falo — o homem verde disse.
— Falar o quê? Quem é você afinal? Por que sua pele é verde? Qual a sua relação com o meu Goku-san?
— Eu sou ele no meu corpo imortal de Deus. Eu sou Zamasu.
Chichi ficou pálida.
— Então se você é o Zamasu...
— Isso mesmo, ele não é o mortal Son-Goku-san, ele é Black.
***
Driblar Bulma ao longo do dia foi relativamente fácil. Ele sempre teria seus treinamentos como justificativa, mas à noite, era difícil, pois tanto ela quanto o irmão Tarble, Gure, Chichi quando estava bem disposta, queriam jantar juntos como uma grande e feliz família. Vegeta apenas tolerava a presença de todos, trocava meia dúzia de palavras com o irmão enquanto ouvia as tagarelações das três mulheres, sempre tão animadas. Nessa ocasião, Chichi não estava presente. A esposa estava cada vez mais gorda e lenta, ele sentia que o bebê poderia pular para fora a qualquer momento, o que seria ótimo, assim poderia colocar o moleque para treinar logo.
Ouviu Bulma mandando um dos criados levar o jantar da princesa. Momentos depois, o criado voltou avisando que a princesa não estava no quarto.
— Será que ela saiu para tomar um ar? — Bulma disse pensativa.
— Deve estar ralando a barriga no fogão — Vegeta resmungou.
— Impossível... ela já está com a gravidez muito avançada para cozinhar — Bulma emendou.
— Majestade, ela não estava lá quando fui levar o almoço e nem hoje cedo quando fui levar o café da manhã — um dos criados disse à Vegeta.
Todos pararam de comer e olharam para o rapaz.
— E porque não avisou? — Bulma perguntou — Onde será que ela está?
Vegeta fez um sinal para um dos guardas, o homem se aproximou da mesa e ele ordenou.
— Chame uma equipe de dez homens e vão procurar a princesa e a tragam para cá em segurança.
O homem saiu e eles continuaram seu jantar. Vegeta estava reiniciando a comilança, quando sentiu um ki absurdamente forte. Não era humano, nem saiyajin, nem de nenhuma raça alienígena conhecida. Virou-se e deu de cara com um gato de pele roxa. Vegeta deu um grito e pulou da cadeira, todos assustados, imitaram o seu gesto. O gato era muito alto e estava de pé das duas patas traseiras como um humano, ele tinha uma postura elegante, mas seu olhar revelava que não deixaria qualquer ofensa passar despercebida.
— Você é o saiyajin que atingiu o poder de um deus? — o gato perguntou com uma voz grave.
— Deus? Quem é você? — Vegeta perguntou espantado.
— Responda logo antes que eu perca a paciência. Você é aquele que atingiu o poder de um Deus? Eu vim aqui para batalhar.
Vegeta não estava entendendo nada, então outra pessoa desconhecida chegou.
— Bills-sama, então você está aqui? — ele disse de maneira afetada.
Essa segunda pessoa tinha a aparência mais impressionante ainda. Não era um gato falante como o primeiro, mas definitivamente não era humano. Era muito mais alto que o gato, usava umas roupas suntuosas, seu cabelo era branco e ostentava um topete muito alto, fora isso trazia um cajado nas mãos e um aro azul pairava em torno do seu pescoço. Vegeta olhou de todos os ângulos e viu que aquele aro não estava preso a lugar algum.
— Quem são vocês? O que querem aqui? — Tarble perguntou.
— Perdão pela intromissão — o segundo a chegar disse — eu sou Whis e este é Bills-sama, o Deus da Destruição.
— Deus da Destruição? — Vegeta repetiu atônito.
— Sim, Bills-sama veio para lutar como guerreiro saiyajin que atingiu o nível de Deus, mas ambos fomos seduzidos por esse aroma maravilhoso, o que são essas coisas?
— São comidas, nós estamos jantando — Bulma disse.
— Comidas? Então são de comer?
— Sim, obviamente — ela emendou.
— Eu gostaria de provar, será que posso? — Whis pediu educadamente.
Vegeta não gostava de jantar na presença de desconhecidos, mas aqueles dois caras esquisitos não eram qualquer um, ele logo percebeu. O tal do Whis não parecia ter nenhuma intenção maligna em si, mas o gato Bills era assustador, seu olhar era de fazer qualquer um gelar, até Vegeta sentia-se intimidado. E ver o outro o chamando de Deus da Destruição, fez com que Vegeta agisse com cautela.
— É claro, os dois são meus convidados. Fiquem à vontade — Vegeta adiantou-se.
Os três sentaram-se e Bills e Whis começaram a comer. Whis comia educadamente sentindo o sabor de tudo, enquanto Bills enfiava o máximo que podia na boca e engolia de uma vez. Vegeta tentou comer tranquilamente, mas a presença daqueles dois estranhos o tirava do sério. Ao fim do jantar, Whis ficou tecendo elogios à comida.
— Subarashi! É tudo tão maravilhoso e exótico! Nunca imaginei comer iguarias tão finas aqui nesse planeta! Não sabia que a culinária dos saiyajins era tão refinada.
— De fato é muito boa, mas essa é a culinária terráquea — Vegeta disse.
— Terráquea? Mas vocês são saiyajins, não são? — Whis perguntou olhando todos ao redor.
— Não todos, a minha esposa é terráquea, então naturalmente ela trouxe seus costumes para cá.
— Uma esposa? Oh, que emocionante, eu nunca vi uma esposa na vida!
— O que é uma esposa? — Bills perguntou.
— É a companheira dele, Bills-sama. A mulher que ele escolheu para ser mãe dos seus filhos, para ficarem juntos até que sejam velhinhos!
Vegeta ouviu a definição, e embora não estivesse errada, a relação dele com Chichi não tinha nada daquele romantismo.
— E onde está essa esposa? — Bills perguntou.
— Ela está num estágio avançado de gravidez, por isso não seu reuniu conosco — Vegeta respondeu.
— Ela está grávida? — Whis perguntou — isso é tão emocionante!
— E o filho é seu? — Bills perguntou.
Todos olharam espantados para o gato, aquela pergunta era ofensiva, além de indiscreta.
— É claro que é! — Vegeta respondeu irritado.
Bills e Whis trocaram um olhar significativo.
— Nós vamos indo — Whis disse — eu agradeço por ter nos convidado para o jantar, principalmente porque chegamos assim sem avisar.
— A gente pode levar mais dessa comida? — Bills perguntou.
Todos se entreolharam, mais uma pergunta estranha e mal educada.
— É claro, um criado vai fazer uma marmita para vocês — Bulma se antecipou.
O criado foi até a cozinha e preparou duas marmitas com porções generosas de tudo o que estava servido. Whis juntou as mãos e exclamou:
— Que gentileza! A viagem é longa, esse lanchinho vai nos ajudar muito!
Bills, que estava com o focinho cheirando as marmitas, acabou por soltar:
— Que pena... eles tem umas comidas gostosas, vou ficar triste por destruí-los.
— Bills-sama... — Whis o censurou com o olhar.
Todos agora os olhavam preocupados, Vegeta quebrou o silêncio.
— Destruir? Como assim?
— Bem, pra quê esconder isso deles, Whis? Eles foram legais com a gente, então vamos contar pra eles antes de os matar — Bills falou com um olhar tranquilo,
— Tem certeza, Bills-sama? — Whis emendou preocupado.
— Sim — Bills então se dirigiu aos outros presentes — como já sabem, sou o Deus da Destruição, eu vim para cá para destruí-los.
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