A Guerra das Cápsulas
85 Um torneio sangrento
Notas iniciais
Era a manhã do torneio e as arquibancadas da arena estavam lotadas. O povo saiyajin, excitado por mais um torneio de artes marciais, gritava os nomes dos seus guerreiros favoritos. Vegeta, Kakarotto, Nappa e Turles eram os nomes mais ouvidos. No centro da arquibancada, na única parte coberta, os membros da nobreza protegiam-se do sol escaldante, no meio deles, a figura feminina e delicada de Chichi destacava-se, com suas roupas longas, fluídas e claras, em total contraste à moda vigente dos saiyajins: as cores fortes, como azul royal e dourado das armaduras dos soldados, ou a semi-nudez, favorita do povo.
Era a primeira vez que eles faziam um torneio desde que voltaram no tempo, e logo Chichi soube que essa era a primeira vez que eles faziam um torneio em muito tempo. Graças às dificuldades que o povo saiyajin enfrentava, desde que tiveram o planeta semi-destruído por Freeza anos antes, eles estavam deixando coisas como entretenimento de lado. Mas com a volta de Chichi, Goku e Vegeta do futuro, a princesa convenceu o pai a liberar uma quantidade maior de recursos para os saiyajins e assim resolver logo a questão que havia sido a causa da guerra entre os dois povos na outra linha de tempo. Preocupado que os motins que sofreu na outra linha de tempo se repetissem, Vegeta passou a agir com generosidade e assim acelerou a reconstrução do planeta, gerando emprego para todos, então, aquele torneio significava muito para o povo saiyajin, era a volta da prosperidade e dos bons tempos que eles tanto ansiavam.
Ocorre que por mais festiva que a data fosse, saiyajins e violência eram duas palavras inseparáveis. Chichi estava abismada com o estilo de confraternização de todos, soltando raios uns nos outros, brigando e quebrando ossos. O povo era verdadeiramente selvagem. E eles gostavam. As canecas de cerveja batiam umas nas outras a cada soco que tomavam, e isso era apenas o que acontecia nas arquibancadas, o torneio sequer havia começado.
Quarenta e oito lutadores disputariam uma Batalha Real, lutando simultaneamente uns contra os outros até que sobrasse apenas quatro. Então esses quatro seriam divididos em duplas e o vencedor de cada dupla disputaria a final para ver quem seria o grande vencedor. Mortes não eram proibidas, mas devido à necessidade constante de soldados, muitos estavam dispostos a não matar, e para que a misericórdia imperasse, era simples, apenas o perdedor deveria reconhecer a superioridade do adversário e implorar perdão. Outra regra era que quem caísse fora da arena não poderia ser atacado, mas ao mesmo tempo estaria eliminado do torneio.
O torneio começou e foi um verdadeiro banho de sangue. Chichi, que até então nunca tinha visto um torneio entre saiyajins, espantou-se com a violência destes. Muitos estavam pouco se lixando para a regra da misericórdia, então ela entendeu que aquele, era também um momento para acertos de contas. No centro da arena, ela via Goku dando um show e eliminando rapidamente muitos dos seus oponentes, mas ao contrário da maioria, Goku não os matava, apenas os atirava desacordados para fora da arena. Já Vegeta aproveitava para matar livremente, o estrago que o príncipe estava causando era grandioso. Em pouco tempo, o número de guerreiros em pé foram diminuindo, até que sobraram apenas os quatro favoritos do público.
Vegeta, coberto de sangue, olhou com um sorriso maldoso para Turles. O apresentador do torneio anunciou uma pausa, após isso voltariam com as lutas individuais que já estavam escolhidas, Goku versus Nappa e Vegeta versus Turles. O vencedor de cada uma dessas lutas faria a grande final, que seria exibida na noite daquele mesmo dia, após o festival de máscaras.
***
Nappa era corpulento e alto, mas apesar disso era rápido e estratégico. Goku gostava de lutar contra ele. Não havia o mais leve traço de generosidade em Nappa, e malícia era a palavra que mais combinava com ele, portanto, Goku podia ir pra cima com tudo. Socar e chutar com toda a força, lançar raios e neutralizar o oponente por segundos, para receber o mesmo após tentar revidar. Ele estava se divertindo como nunca. Para ele, não tinha nada mais delicioso do que poder lutar com tudo de si sem receios, estava em uma excelente forma física e o seu oponente também. Só que de relance olhou Vegeta com a cara fechada na área reservada à ele na arquibancada, lembrou-se das palavras do príncipe na hora do intervalo.
— Mate o patife.
— Mas Vegeta, ele vai ser útil contra Black — Goku alegou.
— Não, ele não será... mate o patife. Isso é uma ordem.
Goku não queria ter que matar um guerreiro bom daqueles, irritava-se com o estilo de fazer as coisas de Vegeta. O tempo da luta estava acabando, então neutralizou Nappa e socou-o até desacordá-lo. Desobedecendo as ordens do príncipe, lançou o imenso corpo de Nappa para fora da arquibancada. Ele ainda teve tempo de ver o olhar irado de Vegeta.
***
A luta de Vegeta versus Turles era pra durar cinco minutos, e como o general havia poupado a vida de Nappa, todos acreditavam que Vegeta faria o mesmo com Turles. Só que o que seguia na arena era o banho de sangue mais violento jamais visto. Turles nunca foi fraco, mas não era páreo para Vegeta, e apesar da disparidade entre os poderes, o príncipe não estava nenhum pouco interessado em parecer generoso. Já havia quebrado as duas pernas de Turles que caído ao chão implorava misericórdia. A resposta do príncipe veio com ele arrancando os dois braços de Turles e os atirando para o povo na arquibancada. Chichi viu horrorizada os dois braços do soldado voando e caindo perto de si, então um grupo de saiyajins pegou os braços de Turles e levantando-o ao alto gritavam ensandecidos pelo nome de Vegeta.
— Pare, Vegeta! — Goku gritava.
Vegeta respondeu lançando um raio em forma de lâmina contra o pescoço de Turles, cortando a cabeça do soldado. Insatisfeito, ele lançou a cabeça de Turles para o alto e a incinerou com um raio até virar pó.
***
O povo gritava enlouquecido pelo nome do príncipe. As batalhas de Vegeta eram sempre memoráveis. Ele saiu da arena andando calmamente, com os braços cruzados na altura do peito e um discreto V de vitória nos dedos levantados, enquanto as mulheres semi-nuas se jogavam pra cima dele, enroscando os rabos nele, implorando pelo direito de copularem com ele. Os homens gritavam o seu nome, o saudavam e reverenciavam. Chichi cobria os olhos, não conseguia nem ver os restos mortais daquele soldado que ela não conhecia, mas estava impressionada pela semelhança com Goku. Agora a final seria entre Goku e Vegeta e ela temia se o príncipe não tentasse fazer o mesmo com o ex.
— "Ele não pode ser tão louco assim" — ela pensou.
Mas ao mirar aqueles olhos negros e intensos do marido que calmamente andava na sua direção, Chichi teve sérias dúvidas.
***
Após as lutas da manhã, teve o festival de máscaras. Chichi não sabia que tradicionalmente, esse evento acompanhava as lutas do torneio e era organizado pelo próprio povo. E organização não era bem a palavra, porque consistia em fazer o que quisessem, pois protegidos pelo anonimato proporcionado pelas máscaras, o povo copulava ao ar livre, matava e isso tudo era o de menos, as coisas que aconteciam nas vielas e becos eram inomináveis. Chichi achou estranha a necessidade de máscaras, porque a coisa mais comum era encontrar um casal ou outro copulando em público. No começo isso a deixava tremendamente espantada, mas depois acabou percebendo que esse era um traço cultural comum a todos os saiyajins de baixo nível. Apenas entre os nobres e a realeza havia um certo pudor, mas no geral, transava-se muito naquele planeta.
Depois de um tempo, tentando passar pelo povo seminu que copulava livremente, Chichi entendeu a necessidade das máscaras. Elas igualavam todos os saiyajins, de todas as classes e patentes, nobres e pobres tornavam-se um só naquela festa de corpos suados, onde a ordem era a cópula e a total liberdade para ser e fazer o que quisessem.
Chichi já estava completamente arrependida de ter pego aquele caminho, quando reconheceu uma pessoa no meio daquela bagunça. Era Goku. Ela conhecia cada centímetro daquele corpo como ninguém. O general divertia-se com duas mulheres simultaneamente. Ela estava tão chocada e enciumada pelo fato que aproximou-se, e sem pensar, tirou a máscara do homem. Mas ao ver seu rosto percebeu que não era Goku, apenas alguém com um porte físico muito parecido com o dele, além do mesmo padrão revolto de cabelos. O homem a olhou irritado, até dar-se conta da sua beleza.
— Mais uma? Pode vir que eu dou conta — ele disse malicioso.
— Não... me desculpa, eu pensei que fosse alguém conhecido — Chichi respondeu sem graça.
— Não seja tímida, venha...
O homem a puxou para si e as duas mulheres a seguraram. Chichi começou a gritar. Em dois segundos, o verdadeiro Goku apareceu e a livrou daquela confusão. Ele a pegou no colo e voou com ela direto até o castelo e a deixou em seus aposentos.
— Obrigada — ela disse envergonhada — eu não sabia que o festival de máscaras era assim.
— Você foi pelo caminho mais perigoso, por que passou por lá? Deveria ter voltado com a comitiva do príncipe.
— Eu fiquei com tanto medo do Vegeta depois daquela luta terrível, que apenas quis ficar o mais longe possível dele.
Goku pareceu preocupado.
— E você está bem? Se machucou na luta?
— Nenhum pouco — Goku respondeu.
— Então o que é esse sangue? — ela apontou para algumas manchas no uniforme dele.
— Não é meu, deve ser de algum dos homens que morreu — ele desconversou.
— Tem na sua mão também — ela disse pegando nas mãos dele.
— Ah? Isso é... deve ser... — ele se atrapalhava todo com as palavras.
— Goku-san, você matou alguém? — Chichi perguntou assustada.
— Ele... eu tentei salvá-lo, eu não tive culpa — Goku respondeu com o olhar pesado.
Chichi percebeu que ele estava mais triste que o normal, então desobedecendo a regra que ele mesmo havia imposto, ela o abraçou.
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