A Guerra das Cápsulas
62 Um casal complicado - hentai
Notas iniciais
Bulma estava tamborilando os dedos na mesa enquanto olhava para o computador. Havia chegado em um ponto praticamente insolúvel dos seus cálculos e sentia-se péssima por isso.
— Mas que droga! — ela praguejou irritada.
Ouviu risadinhas abafadas vindas do armário. Já sabia quem eram, mas entraria na brincadeira.
— Ah, minha nossa! Será que tem gatinhos aqui no meu laboratório? — ela falou alto encenando desagrado — será que esses gatinhos vieram de novo para bagunçar com os meus inventos?
Os risos ficaram mais altos. Ela foi andando até o armário, simulando curiosidade.
— Onde será que esses gatinhos malvados estão, hein? Será que estão debaixo da mesa? Ou atrás das cortinas? — as risadas aumentaram.
Então ela abriu o armário com tudo e os três saiyajins gritaram e pularam nela a agarrando pelas pernas.
— Tia Bulma! — eles disseram em uníssono.
Ela os abraçou e os beijou. Eles haviam crescido muito, mas ainda eram crianças peraltas e brincalhonas.
— Tia, você deu um beijo mais longo nele! — o primeiro reclamou.
— Mentira! — o segundo se defendeu.
— Eu quero um beijo de verdade, tia! — o primeiro insistiu.
— Seu burro, um beijo de verdade é igual o papai dá na mamãe! Você quer que a tia te beije na boca? — o terceiro perguntou.
— Eu quero! — o primeiro insistiu.
— Credo... você é estranho! — o terceiro fez cara de nojo.
— Se a tia beijar ele na boca, eu vou querer um beijo também! — o segundo falou.
— Meninos, eu não vou beijar nenhum de vocês na boca — Bulma disse preocupada com o rumo daquela conversa.
— Tia, me beija! Quando eu crescer vou ser seu namorado! — o primeiro falou.
— Nossa, mas é um burro mesmo! Ela é sua tia, você não pode namorar com ela! — o terceiro disse.
— Posso sim! Quando eu crescer eu vou namorar com uma moça tão bonita quanto a tia Bulma! — o primeiro respondeu.
— Não vai não, porque eu vou ser o namorado dela! — o segundo respondeu.
— Seu idiota, eu disse que vou namorar com uma moça tão bonita quanto ela, você vai querer roubar a minha namorada, é?
— Eu vou! Se ela for bonita igual a tia Bulma, eu vou lutar contra você e ganhar ela!
— Não vai não, porque eu vou ganhar de você! Eu sou mais forte!
— O mais forte sou!
— Não, eu é que sou!
— Quer ver?
Começaram a lutar entre si, Bulma nem se deu ao trabalho de tentar separá-los. Logo um começaria a chorar e todos os outros desistiriam. Vegeta entrou no laboratório, vendo a bagunça dos meninos, disse bravo:
— O que estão fazendo aqui, moleques? Já disse para não atrapalharem a tia de vocês!
Eles ficaram em silêncio, o único que metia medo neles era o tio Vegeta, que eles admiravam e ao mesmo tempo queriam ser igual quando crescessem, mas até isso acontecer, eles o temiam e o respeitavam.
— Caiam fora daqui! O pai de vocês estava os procurando.
Eles saíram correndo da sala, ainda disputando quem namoraria com a Bulma e quem era o mais forte dentre eles.
— Esses pirralhos insolentes... — Vegeta praguejou.
— Não fale assim deles. Eles o adoram.
Vegeta resmungou. Bulma voltou a sentar-se diante do computador, aquela pequena confusão com os meninos havia clareado algumas das suas ideias, precisava concluir os cálculos antes que esquecesse.
— Por que não veio para o jantar? — Vegeta perguntou pousando as mãos sobre os ombros dela e iniciando uma suave massagem.
— Porque agora isso aqui se tornou uma questão de honra! Eu nunca levei tanto tempo para terminar um invento!
— O que falta?
Então ela começou a explicar sobre os cálculos e a dificuldade de tirar do papel e fazer funcionar na máquina. Aquela ainda era a nave mais rápida que ela estava planejando construir há anos. Vegeta não entendia sobre nada daquilo, mas prestava atenção de verdade quando ela se empenhava nas explicações.
— Vamos pra casa? Está muito tarde — ele pediu ao final das explicações dela.
— Vamos... não vou mais conseguir pensar em nada mesmo.
Ela desligou os computadores e foram andando pela longa plataforma. Ao chegar no castelo, os trigêmeos ainda estavam brincando e bagunçando entre as galerias.
— Mas será possível? — Vegeta disse — esses moleques não obedecem ninguém! Aqueles dois tolos não cansam de por filhos no mundo para causar problemas para os outros.
— Eles estão só brincando, daqui a pouco cansam e vão dormir — Bulma disse.
Vegeta foi ralhar com os sobrinhos mais uma vez, dessa vez os meninos obedeceram de verdade quando viram ele reunir poder em uma das mãos. Já haviam visto o tio em batalhas, a coisa estava séria para o lado deles. Bulma subiu para o quarto, mas antes passou nos aposentos de Tarble e Gure. Ela havia tido mais um bebê, dessa vez era uma menina, nasceu bela e forte como os irmãos, mas ainda não tinha o temperamento agitado deles, era só uma menininha tranquila, que dormia o tempo todo e mamava quando tinha fome. Os dois pais se derretiam pela pequena, mal se cabiam de felicidade com mais um filho, e, enquanto se dedicavam à ela, momentaneamente esqueciam dos outros rebentos. Bulma ficou conversando com eles e admirando a pequena, até que Vegeta veio buscá-la.
Já no seus aposentos, enquanto tomava banho, ela chorou. Sempre aproveitava esses momentos para chorar, e eles estavam se tornando cada vez mais frequentes. Já não suportava a saudade dos amigos e principalmente dos pais. Sempre que pedia para Vegeta deixar que ela fosse visitá-los, ele negava. Nem mesmo comunicação escrita era permitida. Quando aceitou se tornar namorada dele, achou que as coisas seriam diferentes, mas pouco tempo depois, assim que viu que Bulma o amava de verdade e dificilmente faria algo pelas suas costas, Vegeta voltou a agir com a mesma tirania de sempre.
O pedido de deixá-la à vontade para conhecer o planeta não foi respeitado. Da primeira vez que ela tentou, Vegeta a seguiu disfarçadamente. Bulma percebeu, então ele alegou que a ameaça de possíveis saiyajins traidores ainda era real. Ela achou fofo que ele se preocupasse com ela, mas depois de um tempo aquilo começou a incomodá-la. Quando Vegeta não podia escoltá-la pessoalmente, ele mandava um séquito de saiyajins para protegê-la, sempre mulheres, porque ele não confiava em nenhum dos seus homens sozinho com ela.
Depois, a questão do tratamento vulgar que ele dispensava à ela, também voltou com força total. Só que agora, ele usava isso como um fetiche na hora do sexo. Vegeta usava as palavras mais baixas quando estavam na cama, e agia com a mesma brutalidade e perversão de sempre, e ele estava cada vez mais bruto e pervertido. Às vezes, Bulma queria um tratamento romântico, mas sempre recebia puxões de cabelo, xingamentos, palavras vulgares, mordidas, penetração anal, gozadas na boca e no rosto. Ele havia voltado para aquela fase de a comer como um animal insaciável como quando começaram. Ela já não sabia se ele de fato tinha algum sentimento romântico por ela, além de receber esse tratamento, ele nunca disse que a amava, e provavelmente nunca diria.
E o pior de tudo, Vegeta havia voltado a matar. Indiscriminadamente, por motivos banais ou por mero capricho. Bulma ouviu rumores, mas não queria acreditar, então passou a observá-lo discretamente, e lá estava. Em uma semana apenas, chegou a matar dez pessoas, e por motivos tão fúteis que ela mal pôde crer. Às vezes ele sequer olhava para a pessoa, soltava um raio e a fulminava em segundos. Quando Bulma foi tirar satisfações com ele por causa disso, tiveram uma briga violentíssima. Vegeta alegou que estava indo contra a sua natureza para agradá-la, Bulma exigiu que ele cumprisse pelo menos essa parte do acordo. Ele disse que não aceitaria exigências de uma terráquea insolente. Bulma chorou por vários dias, Vegeta foi incapaz de pedir desculpas. Fizeram as pazes transando igual dois animais, e depois ele disse para que ela não se metesse mais naquele assunto. Bulma se resignou e calou-se, se ele ainda não tinha entendido depois de todo aquele tempo, ele provavelmente nunca entenderia.
Então, quando Gure anunciou mais uma gravidez, Bulma percebeu que já estava ali naquele planeta há muitos anos, e apesar de ser a namorada do príncipe, sua situação não havia mudado nada. Ainda era tratada como uma prostituta prisioneira. Via o curso natural da vida seguindo para todo mundo, mas para ela, apenas aquele ciclo vicioso de sexo selvagem e uma paixão alucinada que ela já não sabia de onde vinha, ou mesmo se tinha base para sustento a longo prazo.
Sentiu os braços dele a envolvendo pelas costas e arrependeu-se de não ter trancado a porta como sempre fazia. Vegeta a agarrou pelos peitos e foi logo mordendo seu pescoço e dizendo as obscenidades mais vulgares. A inclinou até que o rosto dela encostou no azulejo frio e começou a penetrá-la com toda força.
— Vegeta, vai com calma.
— Cala a boca, sua vadia — ele pressionou o pescoço dela quase até o limite do sufocamento enquanto permaneceu metendo com mais força ainda.
Quando estava prestes a gozar, a virou de frente e enfiou o membro na boca dela.
— Agora bebe tudo — ele colocou até o fundo até quase ela engasgar. Depois a soltou e falou para ela sair para ele terminar seu banho.
Bulma saiu e secou-se. Mas uma coisa não conseguia secar, as lágrimas que desceram incessantes até ela adormecer.
***
Vegeta encontrou Bulma já dormindo, então entrou com ela debaixo das cobertas e a agarrou possessivamente. Só de sentir aquele corpo carnudo e o perfume que dela exalava, ele já ficava excitado de novo. Começou a passear as mãos pelo corpo dela, então a virou de frente para si e subiu em cima dela, foi logo afastando a beirada da calcinha dela para voltar a penetrá-la, então percebeu que ela chorava.
— O que foi?
— Eu não queria assim... você sempre faz tão grosseiro e vulgar. Eu queria que você fosse romântico pelo menos uma vez.
— Você quer "romancinho", é?
— Eu quero. Eu preciso voltar a acreditar.
— Mulher, você sempre com essas frescuras.
— Não é frescura, eu sou romântica. Eu gosto assim.
— Bem, e eu gosto desse jeito de homem.
— A gente sempre faz do seu jeito.
— É porque eu sou o príncipe, eu que mando — ele riu.
Ela o empurrou para o lado. Vegeta ficou resmungando.
— Eu estou cansada disso, Vegeta. Você voltou a ser o mesmo animal de sempre.
Ele continuou resmungando.
— Só pensa em você, é sempre estúpido, grosseiro e vulgar.
— Arre, que eu não aguento essa choradeira toda! — ele gritou — se eu sou estúpido você é uma mimada chorona, uma mulherzinha vulgar que não aguenta nada.
— Idiota! — ela deu com um travesseiro na cara dele — saia daqui!
— O quarto é meu, saia você — ele disse maldoso.
— Imbecil, insensível! — ela saiu gritando.
Bulma foi beber na sala do trono. Sentou-se, quase desnuda como estava no trono de Vegeta, enquanto ele ficou andando no quarto de um lado para o outro, sem saber o que fazer para resolver aquele conflito. De novo e sempre, o problema deles era o mesmo: incompatibilidade de gênios. Algo contraditório, já que eles tinham os gênios parecidíssimos, ambos eram teimosos e dificilmente arredariam o pé da sua opinião.
***
Vegeta acabou cedendo, encontrou Bulma semi-nua e dormindo sentada no trono, as pernas cruzadas apoiadas em um dos braços do trono, enquanto a cabeça estava apoiada no outro. Uma taça já vazia pendia da mão mole, Vegeta cheirou o resíduo do conteúdo, era vinho.
— Essa vulgar... fica bebendo e se expondo assim e depois quer ter alguma razão — ele reclamou baixinho.
A pegou no colo e a levou para o quarto. A pousou na cama, e depositou um beijo suave em seus lábios, enquanto a cobria.
— Sua idiota, não vou ficar falando toda hora, você já sabe.
Bulma resmungou alguma coisa incompreensível no seu sonho embriagado. Ele deitou ao lado dela e ficou observando aquele belo rosto até pegar no sono. Sabia que ela estava infeliz e estava disposto a fazer ela voltar a sorrir para ele como nos velhos tempos. Resolveu deixar o orgulho de lado por um pouco de tempo para ver sua mulher feliz com ela precisava e merecia.
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