A Guerra das Cápsulas
26 Ouriços do tamanho de cachorros
Notas iniciais
Durante o jantar Chichi permaneceu em silêncio. Goku perguntou diversas vezes se ela estava melhor, mas ela se resignou a responder com um sorriso tímido e acenar positivamente com a cabeça.
— Não deve ser nada, amanhã você estará ótima, é só comer bem e parar com a dieta. Eu sei que você quer ficar bonita pra mim no casamento, mas não precisa exagerar — Vegeta disse.
— Já falei que não é dieta, foi só um mal estar — Chichi respondeu irritada.
A noite em uma praia deserta não tem muito o que se fazer, principalmente se o grupo são dois casais completamente desajustados com pouco espaço para interação social entre eles. Ali num ambiente um pouco mais descontraído e devido ao acontecimento daquela tarde, a conversa estava naturalmente entre Goku e Chichi. Ela queria ter um momento de privacidade com ele para contar sobre o que realmente estava acontecendo, mas com Vegeta por perto isso seria praticamente impossível.
— "Por isso que ele tem que optar por se afastar por conta própria, nisso a Bulma poderia me ajudar... " — a cabeça da princesa trabalhava à mil.
— Vamos voltar amanhã? Com esse mal estar da Chichi acho que seria melhor — Bulma falou.
— Não por mim, pessoal. Não vamos estragar o passeio por minha causa.
— Não é estragar, se você não está se sentindo bem eu acho que deveríamos voltar — Goku falou.
— "Ele é tão fofo. Enquanto o Vegeta está insinuando que eu causei isso com uma dieta... esse escroto!" — Chichi pensava tentando ocultar seus sentimentos sobre ambos.
— Eu também acho que devemos voltar — Bulma emendou.
— Não, gente! Parem com isso, eu quero aproveitar! Essa vai ser minha última vinda à praia, depois nunca mais! E eu sempre gostei de praia, depois talvez eu nunca possa ir em uma! — ela quase gritou.
— Tem praias no meu planeta, princesa. Claro que não são tão belas quanto a de vocês, mas nós temos praias sim — Vegeta disse.
— Vegeta, as praias de lá são horríveis... ela vai odiar com toda certeza — Goku falou.
— Como são as praias de lá afinal? — Chichi quis saber.
— A areia é grossa e angulosa, difícil andar descalço sem machucar os pés, a densidade da água é maior então sente-se um peso muito grande ao entrar no mar. O sol do nosso planeta é mais próximo da atmosfera, por isso as praias são absurdamente quentes, e tem que usar roupas grossas se não quiser ganhar uma queimadura. Fora os monstros marinhos. Temos caranguejos do tamanho de cavalos, águas vivas do tamanho de elefantes, ouriços do mar do tamanho de cachorros e...
— Tá, Kakarotto. Elas já entenderam que nossas praias são horríveis. Até eu tenho medo daqueles ouriços — Vegeta disse.
Todos riram. Era a primeira vez desde que pisara na Terra que Vegeta falava tranquilamente sobre uma fraqueza sua. Bulma gostou de vê-lo falando assim, estava mais parecido com um rapaz normal.
— Mas é bom ela saber o que a espera, nosso planeta não é tão bonito quanto o de vocês humanos — Goku acrescentou.
— Será que eu vou sentir falta daqui então? — Chichi perguntou já nostálgica.
— Tem outras coisas pra fazer. E quando começar a ter filhos vai ficar tão ocupada que...
Chichi bateu com a mão na mesa e interrompeu o noivo. Pediu licença e levantou-se, foi para o quarto.
— Viu? Tinha que falar dos ouriços do tamanho de cachorros? — Vegeta se dirigiu à Goku.
— É bom ela saber logo...
— Eu vou lá falar com ela — Bulma disse.
— Não, deixa que eu vou... — Goku falou — Eu vou pedir desculpa, acho que a assustei com essa história dos ouriços. Posso ir Vegeta?
— Vá de uma vez! — Vegeta respondeu bravo.
Ficaram só os dois na mesa. Bulma terminou de bebericar seu vinho, levantou e foi para a soleira da porta de saída. Uma brisa fresca soprava do mar, o céu estava estrelado, o dia seguinte faria um sol intenso. Vegeta levantou e foi para junto dela.
— Mulher, aquilo de hoje à tarde...
— Esquece aquilo, Vegeta — Bulma respondeu — É melhor você dar atenção à Chichi.
— A minha situação com ela já está resolvida. Nós vamos casar e pronto — ele respondeu irritado — Agora preciso saber de você.
— Saber o quê?
— Se você vai... se você vai ficar comigo ou não.
Vegeta estava com aquele olhar predatório de sempre, mas Bulma já havia aprendido a não demonstrar vulnerabilidade e com isso ele não conseguia intimidá-la mais. Ele já não tinha vontade de destruir aquele corpo, seus pensamentos para com Bulma eram de pura luxúria. Depois que a beijara na casa do Mestre Kame queria repetir mil vezes, queria ter acesso livre à tudo o que ela poderia proporcionar, queria tirar suas dúvidas, por que ela o excitava tanto? Por que ela era tão segura de si?
A tática de ameaças já não funcionava mais, e no seu íntimo ele não queria nada à força. Como sempre só teve mulheres na base da violência, medo ou obrigação, ele queria experimentar uma que o quisesse por ele mesmo, que se entregasse pelo prazer de se entregar e não por medo de morrer. Sempre que pensava nisso, lembrava de Bulma em cima dele na noite do baile, quando ela estava com os sentidos alterados e implorando para ser possuída.
— "Como eu fui burro" — ele pensou — "deveria ter feito naquela noite, ela estava tão quente, teria gostado também".
Mas ele, como sempre, com esses pensamentos de superioridade saiyajin havia colocado tudo a perder, agora teria que seduzi-la. Tinha que ser naquela noite. Pensou que já havia conseguido as cápsulas na base da negociação, talvez conseguisse sexo da mesma maneira.
— Tenho uma proposta para te fazer.
— Eu realmente não quero saber do que se trata — Bulma respondeu.
— Quero que copule comigo — ele falou ignorando as recusas dela.
Bulma balançou a cabeça exasperada.
— Que raio de proposta é essa?
— É isso o que você ouviu. Você sabe o que significa não sabe?
— Claro que eu sei. Mas não vou fazer nada com você. Eu já havia dito que não era pra tentar nada de cunho sexual.
— Eu não vou usar violência. Você gostou quando nos beijamos. Eu sei porque eu li os sinais do seu corpo.
— Eu não gostei.
Vegeta sabia que era mentira, Bulma tinha sérios problemas para mentir. Era transparente demais, quando ela mentia piscava várias vezes e desviava o olhar.
— Sabe, no meu planeta somos mais liberados em relação à cópula. As mulheres solteiras são incentivadas a terem relações com o máximo de parceiros que elas quiserem.
— Aí está o ponto. Aliás, dois pontos. Essas são as regras do seu planeta, nós não estamos nele. E também eu não quero.
— Não quer mesmo?
Ele se aproximou e tocou sua cintura.
— Não faça nada, deixa comigo — ele avisou.
Bulma permaneceu parada, tentando ao máximo não demonstrar a excitação crescente, as batidas descontroladas do coração.
— "Ele deve estar ouvindo. Está batendo igual uma britadeira" — ela pensou.
Ele deslizou as mãos pela nuca e pressionou levemente, ela não aguentou esconder e gemeu baixinho. Ele beijou bem gentilmente e aos poucos foi intensificando. Logo tantos o beijo quanto a pressão que ele exercia sobre o corpo dela estavam mais intensos. Bulma sentia a excitação escorrer pela calcinha. Já estava sem um contato sexual há algum tempo, muito mais tempo do que queria admitir. Estava chegando naquele ponto em que sua motivação era mais pela necessidade física e não apenas por sentimentos românticos. Logo estaria em sérios riscos de dar para o primeiro canalha que aparecesse na sua frente.
— "E ele está bem aqui na minha frente, nesse exato momento" — ela pensou enquanto correspondia ao beijo.
— Não sou nenhum canalha, se quer saber — Vegeta falou quando parou de beijá-la.
— Lê pensamentos agora? — ela riu.
— Não, só me dê o que eu quero logo e ficarei em dívida com você.
— Nós não estamos negociando.
— Pensa nas vantagens de ter um príncipe te devendo.
— Eu não sou assim, se eu fizer algo vai ser por querer, não em troca de favores.
— Ok, então faça porque quer, porque seu corpo já deu todos os sinais.
Bulma pensou em Chichi. A amiga dizendo que só ela poderia ajudar, que ela deveria tentar fazer o Vegeta desistir do casamento. Ao mesmo tempo não poderia falar isso e Vegeta pensar que ela estava apaixonada por ele, se ele entendesse errado iria torturá-la com suas maldades. Mas era tão bom voltar a ser o centro das atenções e tê-lo praticamente implorando, ela sabia que não precisava fazer muita coisa para deixá-lo rastejando.
— Tem uma coisa... — ela disse.
— O que é?
— É algo que a Chichi vai falar com você. Se você for bom pra ela então...
— O que a Chichi tem a ver com isso?
— Isso é coisa dela, fale com ela e ela vai te explicar tudo. Se você for compreensivo e generoso então...
— Então você vai copular comigo?
Bulma ficou intensamente vermelha.
— Mas vai ser só uma vez, entendeu? E você não poderá ser violento comigo... e nem fazer coisas pervertidas.
— Mulher, nem venha com frescura... eu vou querer fazer tudo.
— Você vai fazer só o que eu deixar! Se eu deixar... isso vai depender de como você vai agir com a Chichi.
— Pra quê essa frescura toda?
— São as minhas condições.
— Ok, vou falar com a minha noiva.
— Eu posso falar com ela antes?
— Vá agora então, eu quero resolver isso logo.
***
No quarto, Chichi chorava deitada na cama. Goku entrou e ela se assustou.
— Você aqui? O Vegeta vai...
— Relaxa, ele sabe... eu vim te pedir desculpas, aquela história dos ouriços...
— Esquece aquilo, não estou chorando por causa disso. Só não aguentei em ouvir ele falando daquele jeito: "Quando começar a ter filhos..." O que ele pensa, que vou me tornar uma parideira?
— O Vegeta não tem sensibilidade nenhuma com as mulheres, ele sempre as enxergou como guerreiras para lutar, ou prostitutas para trepar ou como mães para procriar. Se você está na categoria de mãe é porque ele te respeita muito.
— Cada dia eu o odeio mais... cada vez que ele chega perto de mim quero vomitar — Chichi declarou.
— Bom, pelo visto parece que você está enganando ele perfeitamente.
— Eu tenho que enganar, é o único jeito. Ainda mais agora...
— O que tem agora?
— É uma coisa que aconteceu... eu não sabia, na verdade ainda não tenho certeza. Mas os sinais estão todos aqui.
— O que é afinal? — Goku quis saber.
— Eu acho que estou grávida.
Goku pareceu não entender.
— Grávida, Goku. Sabe o que é isso?
— É claro que eu sei! É quando a mulher vai ter nenê — ele ruborizou.
Chichi riu, nunca havia visto um homem adulto falando assim.
— É isso mesmo, eu vou ter um nenê e você é o pai, seu bobalhão — ela deu um selinho nele.
Ele parecia emocionado. Um filho era algo maravilhoso, algo que ele sempre quis. Agora o teria com uma princesa, a mulher mais bela que conhecia, que desejava, que pensava o tempo inteiro.
— Nossa, mas agora vamos ter que arrumar um jeito de cancelar de vez esse casamento — Goku falou.
— É só nisso que eu penso desde que descobri.
— Mas seu pai não vai nos apoiar, ele já disse.
— Não...
— E se o Vegeta descobrir vai nos matar.
— Será, Goku? Ele não pode ser tão cruel assim, mesmo eu estando grávida? Quem seria o monstro de matar um mulher grávida?
— Ele seria... ainda mais com você o seduzindo e fazendo ele acreditar que está apaixonada, isso seria um golpe tremendo ao ego dele.
— Eu tive que fazer isso.
— Não estou te culpando — ele falou.
— Você não tentaria me defender se ele fizesse algo contra mim? — Chichi perguntou com um olhar triste.
— Com a minha vida! Mas ele é traiçoeiro, se ele não pudesse fazer nada na hora ele esperaria a oportunidade.
Chichi começou a chorar.
— E agora o que eu faço?
— Fica calma, nós vamos resolver tudo — Goku a tranquilizou — Por enquanto quero que descanse, vamos ganhar tempo e pensar em algo. Enquanto isso aproveite a praia linda que vocês tem aqui, as nossas tem ouriços do tamanho... bem, você sabe né?
— Eu sei, as praias de vocês são horríveis — ela disse sorrindo enquanto o beijava.
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