Notas iniciais
É golpe! Não passarão! Ou passarão... whatever.

Turles pediu três dias para deixar tudo pronto para Bulma. Era o tempo que ele precisava para ajeitar os detalhes finais do seu plano, deixar todos os saiyajins que participariam do golpe à postos, mas para ela, ele disse que era o tempo que faltava até a viagem de Vegeta.

Ela aguentou esses últimos três dias com grande resiliência. E Vegeta piorou muito ao perceber que o comportamento indiferente dela não mudaria. Ele tentou de tudo para arrancar alguma reação de Bulma. Mas ela simplesmente aguentava tudo em silêncio. Somente na última noite, na véspera de partir em segredo, ela acabou quebrando o silêncio com uma frase que o assustou.

Vegeta já havia terminado de gozar nela, então ele forçou um beijo, Bulma virou o rosto e não deixou. Com a insistência dele e as repetidas negações dela, Vegeta mordeu o lábio inferior dela até que começou a sangrar. Ele já havia feito isso dias atrás, então o ferimento reabriu. Bulma tocou o lábio machucado com o dedo, limpou o sangue e esfregou nos lábios dele.

— Obrigada, príncipe. Foi realmente muito fácil deixar de amar você.

***

Para Bulma, o plano era simples, ela só precisava arrumar suas coisas discretamente e sair para o laboratório como fazia todas as manhãs. Turles insistiu que ela precisava arrumar tudo antes de sair para o laboratório pois não teria chance de voltar ao castelo. O que Bulma não sabia, era que outra pessoa usava as suas cápsulas para guardar as próprias coisas, por isso aquele interesse de Turles.

Vegeta havia percebido que alguns saiyajins cresceram os olhos nas riquezas da Terra toda vez que ele ordenava que procurassem alguma coisa. Percebeu que algumas cápsulas com dinheiro e jóias havia sumido. Como não sabia quem havia roubado, matou todos os saiyajins que sempre os ajudava com isso, e colocou alguns integrantes da sua guarda pessoal para fazer essa tarefa. Tudo já havia sido planejado por Turles, o roubo das cápsulas com dinheiro e jóias, e como ele imaginou, o príncipe colocou alguém da sua guarda pessoal para realizar aquela tarefa. Esses saiyajins investigaram e levaram pouco tempo para descobrir que o local onde o príncipe guardava a cápsula com todas as riquezas de Terra era justamente dentro da caixinha de cápsulas da terráquea, que ela agora mantinha guardada na sua gaveta de calcinhas. Com isso, o interesse de Turles por Bulma cresceu. Agora ela não era só uma iguaria exótica a ser provada, mas também a portadora de todas as riquezas que ele desejava roubar do príncipe.

O resto do plano era simples, Bulma quebraria alguma máquina do laboratório, e, quando os técnicos fossem arrumar, ela se ausentaria, nesse momento iria para o hangar, lá uma das saiyajins a deixaria entrar na nave e depois o resto era com ela, era só pilotar rumo à liberdade.

Ela fez isso, porém não conseguiu sair de órbita. A nave simplesmente parou de funcionar, e ela precisou fazer um pouso forçado. Entrou em pânico, imaginou que Turles a tivesse traído, que tudo não passava de um plano de Vegeta. Ela viu quando uma nave surgiu e pousou próxima à nave dela. Temerosa, preparou-se para o pior, já imaginava seu corpo estraçalhado pelos cães de Vegeta. Turles saiu da nave e correu até ela.

— Bulma, tivemos um problema, o príncipe adiou a viagem — ele mentiu.

— E agora? O que eu faço?

— Fique tranquila, você vai conseguir sair do planeta, eu vou escoltá-la. Vamos?

Bulma estava muito desconfiada daquilo, mas sua situação era delicada e não pensava em voltar para o castelo de maneira alguma. Acabou aceitando.

— Pegou todas as suas coisas? — Turles perguntou.

— Sim, está tudo aqui comigo.

— Ótimo.

Voaram e a nave finalmente saiu de órbita. Bulma começava a se sentir cada vez mais livre.

***

Naquela tarde, Vegeta precisou buscar alguns recursos para os novos centros de treinamento que estavam sendo construídos. O local mais seguro que encontrou pra guardar as cápsulas foi o quarto da terráquea, já que ele era o único que tinha o direito de entrar lá, a regra para todos os outros saiyajins era simples: entre e morra. Ele vasculhou e não encontrou a caixinha de cápsulas dela, estranhou porque ela sempre deixava no mesmo lugar. Procurou em outros lugares e nada, resolveu ir até o laboratório, acreditava que ela tinha levado junto. Aproveitaria para tirar a limpo aquela história de ela ter deixado de amá-lo. Ele não tinha dado permissão para ela deixar de sentir o que dizia sentir. Ele a queria como ela sempre foi, quente, geniosa e respondona. Mas pelo visto a sua tática de assustá-la havia causado o efeito oposto. Tudo o que atraía na terráquea havia desaparecido, ela havia se tornado como uma estátua apática, e só de pensar que ela havia encontrado outro para dar o seu amor, ele sentia que poderia destruir o planeta inteiro, tamanho o ódio que sentia.

Quando chegou ao laboratório, ela não estava. Os técnicos disseram que não a viam desde que foram arrumar a máquina que quebrou. Vegeta não achou estranho, por se tratar de uma situação rotineira, então resolveu esperar. Mesmo decorrida uma hora após os técnicos terem terminado o serviço, Bulma não voltava. Ele saiu e começou a perguntar por ela. Todos disseram não ter visto. Ocorre que boa parte daqueles saiyajins estavam engajados no plano de Turles, e o trabalho deles era despistar e atrasar o príncipe o máximo que conseguissem.

Vegeta começou a estranhar, porque Bulma dificilmente passaria despercebida. Era a única de cabelo azul no planeta. Andou por todas as áreas do castelo e nada. Acabou chegando até os campos de treinamento, boa parte dos homens que deveriam estar treinando não estavam lá. A dúvida virou inquietação. Voou até as áreas mais afastadas do complexo que fazia parte do castelo. Acabou chegando ao hangar. Quando entrou, entendeu o que havia acontecido. Todas as naves haviam sumido.

***

Tarble brincava com os filhos quando Vegeta entrou como um raio nos aposentos dele e Gure.

— Ela fugiu! — Vegeta disse pálido.

— O quê? — Tarble não estava entendendo nada.

— Bulma fugiu... ela roubou todas as naves e fugiu.

— Explica isso com calma — Tarble levou ele para fora do quarto, não queria assustar a esposa ou os filhos.

Vegeta contou tudo o que sabia.

— Ele agiu mais rápido do que eu imaginava, então — Tarble disse ao fim da narrativa de Vegeta.

— Do que você está falando?

— Bulma não fugiu, nii-san. Turles a levou, ele estava armando um golpe. Eu estava desconfiado, mas não pensei que ele faria tão rápido.

— Por que não me contou? Teria matado ele!

— Justamente porque queria evitar isso. Turles vai ter o dele, mas do jeito certo e na hora certa. Se o matasse na frente de todos incitaria mais ainda o ódio contra você. Sua popularidade não está grande coisa, nii-san. Sabia que toda a sua guarda pessoal está envolvida nisso?

Vegeta ficou pasmo.

— Impossível...

— Acha mesmo? Cadê eles então? Não deveria ter pelo menos um com você o escoltando o tempo todo?

Foi então que Vegeta se deu conta que desde cedo não via nenhum membro da sua guarda.

— Eles estão armando contra a sua vida, querem tomar o poder e roubar as cápsulas que trouxe da Terra — Tarble continuou.

— E você sabia de tudo desde o início e está calmo assim? — Vegeta gritou.

— Eu não sabia desde o início, descobri há cerca de uma semana. Quando Turles começou a se aproximar mais de Bulma, achei estranho porque nunca o vi atrás de mulher nenhuma, ele sempre as mata depois de copularem... enfim... alguma coisa estava acontecendo com Bulma, ela estava muito depressiva nesses últimos dias, então acho que Turles se aproveitou disso. Talvez ele a seduziu, não sei.

Vegeta ficou branco, no final ele mesmo a havia jogado para os braços de Turles.

— Bem, irmão — Tarble continuou — O que deve ser feito agora é guardar bem guardado as cápsulas, acredito que Turles vai voltar fortalecido para nos atacar e roubá-las. Ele provavelmente levou Bulma para ter com o que barganhar.

— Não... ele já as levou.

— Como assim?

— Se Bulma está com ele, então as cápsulas também estão.

— Me explica isso direito.

— Eu pensei que o lugar mais seguro para guardá-las fosse a gaveta de calcinhas dela... — Vegeta ruborizou.

— É algum tipo de fetiche? — Tarble perguntou bravo.

— Claro que não!

— Então é burrice mesmo!

— Olha como se dirige à mim, moleque!

— Você foi burro, irmão, admita. Agora vamos ter que correr.

Tarble usou o seu scouter para mandar uma mensagem remota.

— Eu tenho um espião infiltrado — ele avisou — ele deve estar à postos, ganhando a confiança de todos e pegando os detalhes sobre o que Turles pretende fazer.

Então Tarble começou a dar detalhes do que Vegeta deveria fazer, o príncipe mal ouvia, só lembrava das palavras do irmão.

—"Talvez ele a seduziu".

E lembrou de como a estava magoando com seu comportamento sádico naquela última semana. Ele mesmo a havia afastado e jogado nos braços daquele traidor do Turles. Vegeta sentia um ódio tão intenso o consumindo, que pensou que explodiria. Ao seu lado, Tarble muito calmo, terminava de dar as instruções.

— Entendeu, nii-san? — Tarble perguntou.

— Entendi.

— Ok, então se apresse, quanto mais o tempo passar, pior vai ficar.

— Vamos logo então.

— Eu não vou — Tarble avisou.

— O quê?

— Eu não vou... está louco se pensa que vou deixar Gure e os bebês sozinhos sendo que todo mundo pode ser um potencial traidor. Turles deve ter deixado alguns dos homens dele para trás, não posso correr o risco de Gure cair nas mãos deles.

Vegeta resmungou. Juntou um grupo de saiyajins que serviram seu pai no passado. Eram saiyajins antigos e tradicionalistas, que acreditavam na monarquia e que não o trairiam por nada, então partiu para o confronto.

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Notas finais
Pessoal, muito provavelmente o próximo capítulo será publicado já amanhã, não é uma promessa, mas vou me esforçar, ok? Abraços!