A Guerra das Cápsulas
74 Dois namorados
Notas iniciais
Vegeta não podia acreditar, além de fingir que não se lembrava dele, ela ainda o havia traído com outro, a prova estava ali, um bebê, um filho de outro cara.
— Eu não posso acreditar nisso, mulher! — Vegeta gritou e o bebê começou a chorar.
— Chichi, leve o seu amigo embora daqui, por favor. Ele está assustando o Trunks — Bulma pediu.
— Trunks? — Vegeta perguntou.
— É, qual o problema com o nome dele? — Bulma perguntou irritada.
— É um nome horroroso.
— O seu qual é por acaso?
— É Vegeta, obviamente. O nome do meu planeta.
— Que coisa mais idiota, como é que alguém coloca um nome de planeta em uma criança? É como se alguém nascido na Terra se chamasse Terra, é ridículo — Bulma desdenhou.
— É um nome maravilhoso para um saiyajin — Vegeta gabou-se.
— Você é um saiyajin então? Está explicada a falta de educação.
— Ah, sua mulherzinha insolente! Porque está fingindo que não me conhece? Pensa que eu sou idiota?
— Eu não estou pensando nada, eu já tenho essa certeza. Agora caia fora daqui, essa sua cara feia está assustando o meu filho.
— Cara feia? — Vegeta perguntou horrorizado.
— É, feia! Cara feia! Saia da minha casa! — Bulma perdeu a paciência de vez e saiu levando Trunks que ainda berrava no colo dela.
Vegeta e Chichi saíram e ela disse entre os risos enquanto entravam na nave de volta para casa.
— Viu? Eu falei que ela estava estranha. Ela não lembra de nada, pensa que paramos no tempo ou algo do tipo, vive me perguntando quando vai ser o meu casamento. Ela parece não se lembrar de nada do que aconteceu nesses últimos anos.
— Essa insolente está fingindo! — Vegeta protestou.
— Não é fingimento, é verdade. Acho que qualquer uma que passasse alguns anos com você iria querer apagar completamente a própria memória — Chichi riu.
— Até parece — Vegeta ruborizou lembrando de todas as coisas maldosas que fez contra Bulma.
_ Mas fora esse lapso de memória ela é a mesma Bulma-chan de sempre.
— E o moleque?
— Ela engravidou assim que voltou do seu exílio.
— E quem é o pai? — Vegeta gritou.
— É um mistério... pode ser do Yamcha, ou do Dezessete, mas o bebê não se parece em nada com nenhum deles.
— Por que esses dois? Não me diga que...
— É um rolo danado, às vezes ela está namorando com o Yamcha, depois está namorando com o Dezessete, eu desisti de tentar entender qual é o da vez. Acho que agora ela está saindo com os dois.
— Não pode ser — Vegeta ficou pálido — essa mulher é realmente tão vulgar assim?
— Que vulgar que nada! Eu acho o máximo que ela tenha dois namorados! Se fosse eu no lugar dela faria o mesmo.
— Essas mulheres terráqueas são todas vulgares... bem que eu sabia, nenhuma de vocês prestam.
— Cale a boca! Você está é com ciúmes! Foi tão legal quando ela te deu aquele tapão! — Chichi começou a gargalhar.
Vegeta deu de ombros, estava remoendo a sua mágoa enquanto Chichi pilotava a nave, assim que ela pousou, ele mal deu tempo, arrancou a porta da nave e saiu voando, sentia as forças completamente regeneradas de novo.
— Ei! Você quebrou a porta da minha nave! — Chichi gritou com ele.
— Mande os serviçais consertarem — Vegeta respondeu já no ar.
— Não tem mais serviçais, seu imbecil! Não estamos no palácio!
Vegeta deu um sorriso malvado e atirou um raio na nave e a destruiu de uma vez.
— Seu desgraçado! — Chichi berrou enquanto tentava se proteger da explosão.
***
A noite chegava na Terra enquanto Vegeta, sentado no alto de um cume observava o movimento dos humanos.
— Vermes malditos...
Nutria uma raiva descontrolada pelos humanos, por serem fracos, ignóbeis e principalmente por um, ou dois, deles estarem com Bulma, sendo que ela era dele, só dele para ele fazer o que quiser. Ainda não acreditava que Bulma não se lembrava dele, isso era impossível, considerando que viveram juntos por tantos anos. Mas então, lembrou-se quando Tarble sugeriu que Gure a fizesse se esquecer de todos os acontecimentos envolvendo Turles, e como isso incluía esquecer dele e de todo o resto.
— Aqueles dois patéticos... e eu aqui preocupado com o pirralho que morreu... como sou tolo! Mas deixem eles comigo, eles não perdem por esperar — Vegeta resmungava.
Alçou vôo e sua direção foi inevitavelmente a casa da Bulma. Ao invés de entrar pela porta de frente e correr o risco de levar com uma bandeja de doces na cara, ele voou até o andar superior e procurou pelo ki dela. Encontrou-a em um quarto ao lado do antigo quarto dela, agora redecorado como um quarto de criança, mas não entrou. Bulma estava dando de mamar para o bebê Trunks. O bebê sugava o seios da mãe guloso, enquanto Bulma acariciava o rostinho dele. A agitação de Vegeta foi percebida por Bulma, assim que ela olhou tomou um susto tão grande que acabou gritando, isso assustou Trunks que começou a chorar.
— Seu demônio desgraçado! O que está fazendo aqui de novo? Não me diga que ficou me espionando? Seu tarado! Vou chamar a polícia!
— Pode chamar, eu mato eles todos com um dedo só — Vegeta ameaçou adentrando ao quarto.
— Seu estúpido... o menino estava calmo, mas aí você apareceu... agora ele vai ficar chorando, coitadinho! — Bulma o acalmou e o colocou no berço.
— Deixa ele chorar um pouco, esse moleque mimado. Preciso falar com você.
— Eu não tenho nada pra falar com você, caia fora daqui! — Bulma respondeu irada.
— Foi a Gure, não foi? Ela apagou a sua memória.
— Quem é Gure? Não sei do que está falando, ninguém apagou nada em mim.
— Se ela apagou então você é inocente, vou poupá-la. Mas você volta para o meu planeta comigo imediatamente — Vegeta avisou.
— Está louco? Eu não vou a lugar algum com você.
— Você vai sim, mulher. Já está decidido. Vamos fazer conforme combinado. Chichi será a esposa e você a amante.
— Que loucura é essa? Eu não serei amante de ninguém! Eu já tenho namorado.
Mal ela falou isso e a porta foi aberta.
— Bulma-chan? O bebê Trunks já dormiu? — Yamcha perguntou — eu vim para buscá-la. Vamos sair?
— Esse é um dos paspalhos, não é? Ele vai morrer agora — Vegeta disse mirando um raio na direção de Yamcha.
Bulma se jogou na frente de Yamcha, vendo que o alvo seria ela, Vegeta desviou o raio que saiu pela janela e explodiu uma árvore lá fora. O barulho acordou Trunks e ele recomeçou a chorar.
— Saia daqui! Eu já disse! Você é débil mental, ou o quê? — Bulma gritou.
— Você ainda defende esse verme? — Vegeta perguntou indignado.
— É lógico seu imbecil, agora some daqui, não sei porque estou perdendo tempo com você, eu nem te conheço, seu bruto, ignorante!
Vegeta viu Bulma abraçada à Yamcha, que não estava entendendo nada. Então para não matar a todos e causar uma tragédia maior ele saiu voando pela janela.
***
Chichi estava servindo o jantar para o pai quando Vegeta chegou arrombando a porta.
— Tinha que ser... — ela disse o olhando com raiva.
— Vai reclamar é? — Vegeta gritou.
— É óbvio, você só sabe quebrar as coisas! Não somos ricos não, se é o que você pensa.
— Pois deveriam ser, já que trouxeram as cápsulas de volta.
— Meu pai decidiu dar tudo ao povo para reconstruir o planeta depois que você roubou tudo de nós.
— É... que comovente. Sirva o meu jantar — Vegeta ordenou.
— Seu jantar? Não tem nada pra você aqui, porque não vai embora de uma vez? — Chichi desdenhou.
— Você é minha esposa, esqueceu?
— Só no papel.
— Filha, não vá deixar o rapaz com fome. Você pode jantar aqui, príncipe Vegeta. Apenas peço para não quebrar mais as nossas coisas, como a minha filha disse, nós não temos mais nenhuma riqueza — o Rei Ox pediu educadamente.
Vegeta ficou resmungando enquanto Chichi serviu um prato para ele. Após o jantar, Vegeta a chamou para conversar.
— Olha só, Chichi, façamos uma trégua nas nossas diferenças, ok? — Vegeta pediu.
— Claro, é só você parar de agir como um brutamontes e se comportar.
—A situação é séria, eu preciso da sua ajuda com algo muito importante.
Então ele explicou todos os acontecimentos que o trouxeram de volta à Terra, a guerra, o ataque de Freeza, explicou que o próprio irmão tomou o reino no lugar dele e principalmente falou sobre a morte injusta do sobrinho, da qual ele se culpava, e o seu plano de levar as Dragon Balls emprestadas para ressuscitá-lo e assim recuperar o trono.
— Dessa vez eu juro que não vou roubar nada de ninguém, apenas preciso delas para ressuscitar o pirralho — Vegeta disse.
— Eu não posso dá-las à você — Chichi respondeu.
— Não seja egoísta! Eles ressuscitaram você com as esferas, vai deixar uma criança morta por causa das nossas diferenças do passado?
— Não é nada disso, eu não tenho as Dragon Balls, elas não estão comigo. Aliás, ninguém nunca mais as viu.
— Mas elas ainda existem? Elas podem conceder vários desejos, não podem?
— Eu acredito que sim, mas não sei onde estão. O Dr. Briefs inventou um radar que localizava as Dragon Balls, se pedir para ele, ele pode te emprestar.
— Esse é o pai da Bulma, não é?
— Sim.
— Eu não posso voltar lá, ela me odeia, nem lembra de mim, e está com aquele paspalho daquele verme daquele Yamcha... — ele se atrapalhava com as palavras, tamanha a sua ira.
— Mas também, a culpa é sua! Porque não chega e conversa civilizadamente com ela? Você já a foi agarrando e forçando a barra, ninguém gosta disso. Se ela não se lembra de você, é claro que ela vai querer você longe depois do jeito que agiu — Chichi argumentou.
— Tá, e o que eu faço?
— Fale abertamente com ela, como falou comigo. Seja sincero, não xingue, nem ameace, e pelo amor de Kami-sama não saia destruindo as coisas e soltando raios, isso assusta as pessoas.
— Tá bom, mas se não funcionar desse jeito, eu vou quebrar tudo, roubar o radar e trazê-la à força!
— Isso, seu plano B é maravilhoso, vai por esse caminho sim, príncipe — Chichi desdenhou.
Vegeta percebeu a ironia nas palavras dela e saiu voando, irritado por não poder destruir mais nada.
***
Era início da madrugada, quando Vegeta voltou para a casa da Bulma. As luzes apagadas denunciavam que todos já dormiam. Ele entrou sorrateiramente no quarto de Bulma e o que viu fez ele desistir de não destruir tudo. Engalfinhados na cama, Bulma e Dezessete beijavam-se apaixonadamente.
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