A Guerra das Cápsulas

61 Cinco anos depois


Notas iniciais
Yoo, mina-san! Antes de mais nada, mil desculpas pela demora em postar. A minha rotina pessoal mudou radicalmente no último mês e eu acabei deixando a fanfic de lado, porém, fiz um super esforço e consegui desencravar esse capítulo. Não posso garantir mais aquela mesma frequência de antigamente, mas vou continuar me esforçando para trazer sempre bons capítulos para vocês. Sobre a fanfic, haverá um salto de cinco anos na história, como o próprio titulo do capítulo diz. Enjoy!

Chichi pegou seu cesto e foi até a plantação de legumes que ficava ao sopé da montanha onde vivia. Aproximava-se da hora do almoço e Goku, que havia prometido trazer legumes para ela, ainda não havia voltado. Chichi estava muito irritada com a demora, ele já deveria ter voltado há tempos e ela desconfiava que ele tivesse arrastado Gohan para um dos seus treinos, pois esse, misteriosamente sumiu logo que o pai saiu para vender as verduras no mercado.

Após reatarem, Chichi praticamente obrigou Goku a encontrar alguma outra ocupação que não fosse lutar, comer e brincar com Gohan. Então, como a necessidade de comida era constante e real, ele se tornou agricultor. Começou a plantar nabos, cenouras, rabanetes, couves, e outras verduras, depois seguia para a cidade para vender no mercado clandestino. Gohan, que sempre ficava para estudar, vez ou outra, driblava as ordens da mãe e seguia com o pai para o mercado, lá era infinitamente mais divertido, e depois eles sempre seguiam para treinar, coisa que ele só conseguia fazer escondido da mãe.

Chichi estava planejando qual castigo aplicaria em Gohan ao mesmo tempo que desenterrava os nabos que Goku havia plantado. Como sempre, ele os plantava muito fundo na terra, e ela tinha que cavar profundos buracos para conseguir colhê-los, usou um pá manual e as luvas grosseiras, enquanto praguejava.

— Aquele Goku-san! Tão desmiolado! Não pensa no trabalho que eu vou ter para colher os nabos!

E seguia gritando.

Quando terminou, deu de cara com Goku sorrindo no alto de uma árvore. Ele deu um salto e uma pirueta no ar e pousou a poucos centímetros dela.

— Quer me matar de susto é? — ela berrou.

— Você estava gritando comigo, Chichi — ele disse com um sorriso largo.

— Claro que não! Eu estava reclamando que você planta esses nabos muito fundo! Eles vão nascer do mesmo jeito se você os plantar mais pra cima!

— Eu cavei com as mãos, por isso foi muito fundo... quando eu uso a enxada demora demais.

Chichi balançou a cabeça, a força de Goku agora era descomunal, então era muito difícil para ele fazer qualquer coisa comum sem exageros.

— Eu vou fazer o almoço — Ela pegou o cesto e foi andando.

— Não ainda — ele a segurou pelo braço — eu disse que você estava gritando.

— Mas eu não estava! — ela gritou.

— Você gritou agora.

— Me solta, eu tenho coisas pra fazer.

— Você conhece o acordo... se gritar eu posso fazer bem forte em você.

Ele a agarrou e a beijou, a colocou deitada sobre a plantação de nabos, levantou seu vestido e entrou com força.

— Goku-san... agora não. O Gohan-chan pode aparecer.

— Ele não vai... eu deixei ele em casa com o seu pai antes de vir. Eu sabia que você ficaria brava por causa dos nabos.

— Então você planejou tudo isso? Seu animal pervertido...

Goku riu, e tão fundo quanto plantou os nabos, ele entrou nela.

***

Goku ainda se enterrava em Chichi, quando ouviu um pigarrear alto. Levantou o olhar e viu o Dr. Briefs e Gohan os olhando com curiosidade.

— Otou-san, o que você está fazendo em cima da okaa-san ? — Gohan perguntou.

Chichi vestiu-se apressadamente, seu rosto pegava fogo pela vergonha, imaginava o que o Dr. Briefs estaria pensando dela.

— Vamos pra casa logo, Gohan! Estou muito brava com você que saiu para treinar e largou seus estudos de lado!

— Mas okaa-san...

— Não discuta comigo!

Chichi puxou Gohan pelo braço e pegou o cesto de legumes, passou como um raio pelo Dr. Briefs, que estava igualmente constrangido pela situação. Goku, que já havia terminado de se vestir, perguntou ao cientista.

— O que aconteceu, pai da Bulma?

— Eu vim para avisar que as naves ficaram prontas, nós já podemos ir para guerra.

— Yata! Isso é ótimo, já não via a hora de poder ir lutar! Podemos ir agora?

— Obviamente não. As naves estão prontas, mas ainda temos muito preparativos até poder viajar. Acredito que tudo estará pronto em uma semana.

— Ah, tudo isso? Mas então porque veio? O senhor nunca aparece por aqui.

— É verdade, eu quase nunca apareço por aqui. Mas dessa vez tenho algo importante para conversar com você.

— O que é?

— Eu quero que traga Bulma de volta.

— Não farei isso, de jeito nenhum — Goku respondeu para total espanto do Dr. Briefs.

***

Goku comia vorazmente, enquanto o Dr. Briefs olhava espantado. Chichi já não se incomodava mais com a falta de modos dele, mas exigia que Gohan comesse de modo mais educado, odiava que o próprio pai desse um péssimo exemplo ao filho. Após o almoço, o Dr. Briefs continuou a conversa com Goku, Chichi foi cuidar dos seus afazeres, e Gohan foi estudar.

— Mas então, você está me dizendo que não vai trazê-la de volta, Goku?

— Não foi isso o que eu quis dizer... a verdade é que não sei se posso derrotar Vegeta. E eles dois estavam de caso, eu não sei se ela vai querer voltar.

— Claro que ela vai! Já está nesse exílio há anos!

— Bem, nem dá pra saber se ela ainda está viva...

— Goku!

— É verdade, pai da Bulma. O Vegeta sempre foi um cara maldoso, além disso sempre enjoou facilmente das mulheres. Ele pode tê-la descartado depois de um tempo.

— Descartado?!

— É... matado.

— Goku, não diga uma coisa dessas, ela é minha única filha — o Dr. Briefs estava à beira de um ataque cardíaco.

— O senhor sabe que se o Vegeta foi capaz de matar a Chichi que era a noiva dele, imagina a Bulma que não passava de uma amante.

— Não posso acreditar que minha filha está morta.

— Eu não disse isso, mas é melhor não criar grandes expectativas.

— Goku, faça o possível. Se ela estiver viva, a traga, mesmo contra sua vontade. Minha velha está que não aguenta mais de saudades da filha. É uma choradeira sem fim desde que ela partiu. Você vive como marido e mulher com a Chichi, então pode imaginar o meu sofrimento. Ela não para de falar nisso um minuto sequer. Sabe o que é uma mulher quando desanda a falar e se lamentar, não sabe?

Goku gargalhou.

— E como!

— Bem, então pense nisso e me ajude. Derrote aquele tirano e traga a minha filha de volta.

— Tudo bem, pai da Bulma. Ela era a minha amiga também, eu vou fazer tudo o que puder.

***

Naquela noite, Goku não parou de falar em como estava empolgado com a guerra, Chichi não dizia nada, mas estava com o coração apertado. Não queria saber de mais matança e ódio, por ela, deixava tudo como estava, desistiam dessa guerra. Enquanto se arrumava para dormir, falou isso para Goku.

— Por que vocês tem que insistir nisso? Essa guerra não faz mais sentido algum, eu já ressuscitei.

— Chichi, você sabe que tem outras coisas em jogo. Eu realmente quero me vingar por sua morte, mesmo que você tenha revivido. Não posso correr o risco dele aparecer e te matar de novo.

— Ele nem deve se lembrar mais disso! Por que não deixa essa guerra pra lá?

— Se fosse por mim não teria guerra, eu só derrotaria Vegeta e estava tudo certo. Mas tem as cápsulas, tem o povo terráqueo que as quer de volta, tem Raditz e seus homens que também as querem de volta e agora tem mais uma coisa que o pai da Bulma me pediu.

— O quê?

— Ele quer que eu a traga de volta.

— Coitada da Bulma-chan... nas mãos daquele demônio. A culpa foi toda minha, eu que incentivei os dois.

— Não foi sua culpa, ele já tinha colocado os olhos nela, não tinha mais jeito de fazer ele desistir.

Ouviram uma batidinha tímida na porta. Goku abriu e Gohan entrou, estava cabisbaixo e com o semblante entristecido.

— O que foi Gohan? Não está conseguindo dormir? — Goku perguntou.

— Não é isso, otou-san. É que eu queria ir na guerra junto com o senhor.

— O quê? — Chichi berrou — está doido, menino? Guerra não é coisa pra crianças! Goku-san, você andou colocando coisas na cabeça desse menino?

— Eu não!

— Não foi ele, okaa-san. Mas eu ouvi as conversas, eu sei que as naves estão prontas e eu queria ir também.

Chichi pôs as mãos na testa, não acreditava no que estava ouvindo. Goku se ajoelhou para ficar na altura do filho.

— Gohan-chan, se fosse uma viagem simples, papai te levaria com todo prazer, mas é como a sua mãe disse, guerra não é coisa pra crianças, é muito perigoso.

— Mas eu sou forte!

— Eu sei que é, mas eu preciso que você fique aqui para cuidar da sua mãe e de todo o resto, entendeu?

— Mas, otou-san...

— Gohan-chan! — Chichi interveio — ouça seu pai, guerra é uma coisa muito perigosa!

— Mas, okaa-san...

— Não tem mas coisa nenhuma! Agora vá dormir, que você precisa acordar cedo para estudar.

— Tá bom, okaa-san — ele respondeu e saiu amuado, não antes de ganhar um beijo na testa do pai e ter os cabelos bagunçados.

— Você é muito dura com ele, Chichi — Goku sentenciou assim que o filho saiu.

— Eu dura? Sou uma mãe dedicada! Você que está desencaminhando esse menino, logo ele será um delinquente igual a você que só pensa em lutar!

— Eu um delinquente?

— É, você e todos aqueles seus amigos são todos uns delinquentes violentos!

Goku a agarrou pela cintura e prendeu as mãos dela nas costas.

— Me solta, que eu estou brava com você!

— É? E você vai fazer o que contra um delinquente violento como eu? — ele pressionou o braço dela mais um pouco.

— Você quebrou meu braço! — ela gritou.

Goku a soltou imediatamente, tinha certeza que havia medido a força, mas Chichi era delicada demais, e às vezes ele se empolgava.

— Chichi, me desculpa! Eu não queria, eu pensei que havia pegado leve!

Ela correu para o outro lado do quarto e ficou rindo.

— Seu tolo, eu andei treinando também, Goku-san! Agora já estou mais forte!

— Chichi, você me enganou!

Ele deu um salto e rapidamente a alcançou do outro lado do cômodo, dessa vez ela não resistiu, ele a levou para a cama, ela sentou no colo dele, e arrancaram suas roupas e se fartaram no corpo um do outro.

***

A última semana de preparativos para a guerra passou voando. Goku passou a manhã brincando com Gohan, Chichi permitiu por ser o último dia dele com o filho. Depois ele almoçou e após descansar um pouco, partiu.

Chichi ficou observando o filho estudando tranquilamente, ele pareceu ter entendido que guerra não era algo seguro para ninguém, muito menos para crianças. Passou as mãos nos cabelos do filho e deu um beijo nele. Gohan ficou vermelhinho e limpou o rosto com as costas das mãos.

— Não é pra ficar me beijando toda hora, okaa-san — ele reclamou.

— Eu vou te beijar a hora que eu quiser! Você é meu filho e eu te amo, você sabe disso, não sabe?

— Claro que eu sei — ele resmungou.

— Não fique chateado por não poder ir com o seu pai, depois eu vou deixar você brincar com o Haya-dragon, ok?

— Tá bom — ele respondeu desanimado.

Chichi saiu para recolher as roupas do varal. O pai estava dormindo no sofá com o jornal sob o rosto e Gohan permaneceu no quarto estudando. Tentou de todas as maneiras, mas não conseguiu esquecer da má impressão que sentia por causa daquela guerra. Fora isso, estava muito chateada que Goku nem se despediu direito dela, deu um tchau de qualquer jeito e já saiu voando. Algumas lágrimas começaram a escorrer enquanto ela terminava de recolher as roupas. Se analisasse sua vida pelo lado de fora daria um excelente filme. Havia sido a princesa de um planeta inteiro, agora era uma dona de casa comum, havia morrido e ressuscitado, amava um alienígena e seu filho tinha um rabo de macaco. Seria um filme muito bizarro.

Enxugou as últimas lágrimas e entrou para guardar as roupas. Então, como um vento, ele surgiu.

— Chichi.

— Goku-san? O que aconteceu? Você desistiu de ir?

— Não, eu ainda vou.

— E então?

— É que eu me lembrei que não me despedi direito de você.

Chichi ruborizou fortemente. Então Goku tocou em seu rosto com suavidade e pousou um delicado beijo em seus lábios.

— Adeus, Chichi. Vou sentir sua falta.

Ele saiu voando pela janela rapidamente, e ela esboçou um leve sorriso.

Notas finais
Deixem comentários, abraços!