A Guerra das Cápsulas
94 Chichi mente novamente
Notas iniciais
Semanas haviam se passado desde que Goku havia partido e Chichi ainda chorava. Ela havia passado Vegeta pra trás de novo e fez ele acreditar que haviam consumado o casamento, enquanto o príncipe dormia tranquilamente, porém, logo após Goku resolver ir embora, Chichi caiu doente, era apenas uma febre e mal estar, que de acordo com o médico, foi resultado de tantas emoções conflitantes que ela vinha sofrendo. Acontece, que somado à isso, começou a ter enjôos matinais, e logo, exames mais profundos revelaram que a princesa estava grávida. Ela sabia muito bem que o filho só podia ser do Goku, mas o médico não sabia, então, Chichi pediu sigilo, quando o médico mostrou-se espantado, ela disse que queria fazer uma surpresa para o príncipe.
Enquanto a febre dissipava, Chichi, que antes ardia não apenas pela febre, mas pela preocupação, concluiu que isso era o melhor que poderia ter acontecido com ela, assim poderia manter a sua vida intacta, pois Vegeta não faria nada contra ela naquele estado, já que agora ele pensaria que o filho era dele. Logo que a febre foi embora de vez, a princesa passou a usar seu tempo para planejar seus próximos passos. Se jogasse bem, logo poderia se ver livre de uma vez por todas de Vegeta e reencontrar Gohan.
***
Vegeta estava com tremenda dificuldade em colocar alguém para substituir Kakarotto, então, momentaneamente, ele mesmo estava atuando como general do próprio exército. A carga dupla de responsabilidade sobre seus ombros, somados ao ressentimento por ter sido abandonado por Kakarotto quando mais precisava dele, transformou o comumente péssimo humor do príncipe, em totalmente psicótico e violento. Se Goku tinha dificuldades em fazer-se ser respeitado pois nunca matava, Vegeta podia ser reverenciado como um deus, pois o seu punho era o executor mais cruel. Rapidamente, os homens se ressentiram das suas ações que causaram a ausência do general, que era firme e bondoso, ao contrário do príncipe que era volátil e maldoso por prazer, era muito difícil sentir-se seguro quando se trabalhava diretamente com Vegeta, por nada, qualquer um poderia ser morto a qualquer momento.
À noite, Vegeta voltava para o castelo, tomava banho, comia e dormia. Ouvia os choramingos da princesa, e se não fosse a necessidade de ter um herdeiro com ela, a mataria também. Ele precisava de um alívio urgentemente, precisava de um pouco de paz e sossego, precisava ficar calmo e pensar direito, mas a angústia constante dos fracassos recentes, o atormentavam. Sua vida era um engodo, nem sequer era daquele tempo, estava vivendo novamente ali apenas para manter a vida de outros, de pessoas que não conhecia, de pessoas que não gostava. Então lembrou-se da única pessoa que amava. Bulma. Há trilhões de anos luz de distância, sem nem saber de nada sobre o que ele sentia por ela. E a Bulma do seu antigo tempo, morta, mas não esquecida. Quando pensava nela, queria chorar, mas segurava firme, nunca havia chorado. Queria novamente pousar a cabeça naquele colo e deixar toda aquela angústia esvair com um toque das mãos dela. O som do seu sorriso, o calor do seu corpo eram agora coisas inatingíveis, coisas que antes ele tanto desprezou, agora eram apenas um sonho distante.
Irritado, ele atirou coisas ao redor e quebrou mais um cômodo do castelo, queria que tudo ao redor estivesse um caco, assim como ele. Largou seus pensamentos românticos de lado, e foi em busca da princesa. Ela não tinha ninguém para protegê-la, e ele estava a fim de fazê-la chorar com motivos.
***
A situação de Chichi não estava nada boa, sem Gohan, sem Goku, completamente sozinha naquele planeta estranho, sem sua família e seus amigos, sem ninguém que pudesse confiar, e pra piorar, Vegeta com um humor terrível e incontrolável, ela o via matando os homens por nada, e temia por sua vida. Mas ele não sabia da armação que ela fez contra ele naquela noite, então, por enquanto, ela estava à salvo. Mesmo assim, ela espantou-se quando o marido bateu na porta. Chichi secou as lágrimas e foi atender.
— O que foi? — ela perguntou quando o viu plantado na porta com a cara de poucos amigos de sempre.
— Posso entrar?
— Entra vai — ela disse dando passagem, mas deixou a porta aberta.
— É melhor fechar a porta — ele disse.
— Vegeta eu...
— Fecha a merda da porta! — o príncipe berrou.
Chichi fechou e armou-se como pôde. Espantou as frustrações particulares para o lado e cobriu-se de arrogância e aquele ar de superioridade impassível que aprendeu a usar desde criança. Para ele estar ali nervoso como estava, só tinha um motivo, e ela não queria ter que atendê-lo.
— Fale logo, pois eu estava quase pegando no sono.
Vegeta caminhou em silêncio pelo quarto e ficou observando a decoração luxuosa que ela deu ao local. Ele queria matá-la, pelo simples prazer de matar alguém mais fraco do que ele, ao mesmo tempo, queria uma mulher para saciar-lhe. Podia ir para o prostíbulo, mas tinha ela ali, ela era sua esposa, e eles já tinham feito uma vez, poderiam fazer de novo.
— Tira a roupa — Vegeta ordenou seco.
— O quê? — Chichi gritou.
— Você ouviu, tire a roupa.
— Vegeta, eu não vou fazer mais nada com você, foi só daquela vez.
— Sua trouxa... eu preciso te engravidar.
— Não precisa, não, príncipe.
— O que está dizendo, sua insolente?
— Eu já estou grávida, seu idiota.
— Está brincando, só está dizendo isso para se ver livre.
— Não estou brincando, não. Eu teria dado a notícia de um jeito mais amistoso, mas você me obrigou.
— Descobriu quando?
— Hoje mesmo.
— Eu não confio em você, você está mentindo pra mim — Vegeta disse desconfiado.
— Vá em frente, então — ela caminhou até ele — vocês saiyajins conseguem sentir o ki, não conseguem? Não foi assim que descobriu quando eu estava grávida do Gohan?
Vegeta a olhou desconfiado. Então Chichi pegou uma das mãos dele e colocou sobre seu ventre. Vegeta sentiu uma ínfima energia vinda do ventre dela, era um feto recente.
— Você está grávida mesmo — ele disse — mas como posso ter certeza que é meu? Pode ser do Kakarotto.
— É seu, acredite. Eu não teria outro filho dele, Goku é o pior pai do mundo, o nosso primeiro filho está perdido, se esse fosse dele, eu nem sei o que aconteceria com a pobre criança.
Vegeta riu. Finalmente teria um príncipe herdeiro, assim poderia ser coroado rei.
— Quem mais sabe? — ele perguntou.
— Só o médico.
— Bem, precisamos fazer o anúncio real, e você vai precisar se cuidar bem, eu quero o meu filho bem forte.
— Ele será — ela disse satisfeita — será forte e amado.
— Eu não vou amar esse filho — Vegeta debochou.
— Por que não?
— Saiyajins não amam suas crias.
— Não fale dele como se ele fosse um bicho, ele não é uma cria!
— Bom, por enquanto ele ainda é quase como um bichinho, mas já serviu ao seu propósito, que é o de me ajudar a me tornar rei, como prêmio vai ser criado para ser um guerreiro de elite, fora isso, não vai receber nada de mim.
— Que coisa, horrível! Bem, eu vou amar meu filho, mesmo que o pai seja um cara horroroso como você. Agora saia, eu preciso descansar, como você mesmo falou.
— Sair? Eu vim em busca de algo e pretendo conseguir.
— Eu sei que você está louco por mim, majestade, mas hoje eu realmente não posso — ela desdenhou.
Vegeta resmungou. Ainda tinha que aguentar aquele nariz empinado.
— Não tem ninguém louco por você, não! — ele disse irritado — Não vá tirando conclusões precipitadas. Eu tenho todas as mulheres que eu quiser à minha disposição, pena que meu pai foi um burro que teve que fechar esse acordo justo com o seu. Se eu pudesse escolher preferiria a princesa do planeta dos lagartos, pelo menos ela não fede a cebolas!
— Já acabou, príncipe?
Ficaram se medindo com os olhares, então Chichi percebeu que aquela hostilidade toda vinha de outro lugar. Não tratava-se mais do ódio eterno que cultivavam um pelo outro. Vegeta a desejava, não morta e enterrada como ele sempre dizia, mas sim sexualmente. Isso a assustou mais ainda, não sabia a quantas andava os sentimentos dele pela Bulma, com ela na Terra e sem saber de nada do que havia acontecido, era bem provável que ele tivesse resolvido esquecê-la de uma vez por todas. E se ele já tivesse esquecido, nada mais natural que colocar os olhos na mulher que estava mais perto, ou seja ela, a própria esposa.
— Por que não vai lá naquele lugarzinho sujo que você costuma frequentar? Lá você vai encontrar o que procura, e depois pode matar ela no final se quiser — Chichi disse maldosamente com um sorriso.
— Não brinca comigo, sua maldita terráquea — Vegeta apertou fortemente um dos punhos da princesa, até o sorriso dela morrer.
— O maldito aqui é você, e além de maldito é burro! — Chichi disse — Se fizer algo contra mim vai prejudicar o bebê.
— Eu posso arrancar seu útero inteiro e colocar ele dentro de uma incubadora, assim o bebê nasceria do mesmo jeito — ele disse com um sorriso malvado.
— Isso é impossível! O bebê não viveria! Não existe um tipo de tecnologia que permita algo assim.
— Tem certeza? Esqueceu que nós saiyajins somos alienígenas? Eu tenho um laboratório secreto cheio de cientistas loucos que não seguem as mesmas regras morais que vocês terráqueos.
— Mentira sua...
— Você tem razão, esse tipo de coisa não existe. Mas me irrita mais um pouquinho só pra você ver — ele ameaçou.
Chichi se desvencilhou dele, e Vegeta saiu do quarto, ainda era muito divertido assustar a princesa. Já ela, concluiu preocupada que nem mesmo um filho era garantia de ter um pouco de paz e segurança, então resolveu colocar o plano B em ação.
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