A Guerra das Cápsulas

50 A nova namorada do príncipe - parte I


Notas iniciais
Is it too late now to say sorry?

Bulma estava mergulhada em um profundo mar azul. Tentou nadar mas os braços e pernas não obedeciam aos seus comandos. Começou a se desesperar por não conseguir sair do lugar. Abriu a boca para gritar mas sentiu-se afogar naquele líquido, olhou ao longe e viu uma figura de homem vindo em sua direção, ele andava calmamente, mas em pouco tempo estava sobre ela, ele tocou em uma cúpula de vidro que represava toda aquela água e ela rompeu-se. Bulma sentiu o corpo ser estraçalhado, em pé, em frente dela, Vegeta a olhava e ria malignamente.

— Vegeta! — ela gritou buscando o ar desesperada.

Vegeta, na cama ao lado dela, acordou assustado com seus gritos.

— O que foi?

Bulma, percebendo que ele estava ao lado dela, além de também estar em seus pesadelos, afastou-se bruscamente, acabou caindo da cama. Vegeta levantou-se e foi até ela, Bulma começou a gritar e o empurrar. Ele a abraçou e tentou acalmá-la.

— Shiu! Fique tranquila, está tudo bem agora...

— Não, me solta!

— Fique calma, fique calma. Eu estou aqui com você.

— Por isso mesmo!

***

Após acordar no meio da noite, Vegeta teve muita dificuldade em acalmar Bulma, mas por fim ela compreendeu que estava segura. Porém a moça não quis ficar perto dele. Bulma ficou na cama, e Vegeta em pé encostado na parede, a olhava com os braços cruzados.

— Você lembra do que aconteceu? — ele perguntou.

— Não... não de tudo. Lembro de você naquele planeta estranho, depois Turles... — ela voltou a chorar — mas então ele me bateu e eu desmaiei, depois disso não lembro de mais nada.

Vegeta tremeu ao lembrar do que viu Turles fazendo com ela. Arrependeu-se de tê-lo matado tão depressa, ele merecia sofrer muito mais por tudo aquilo. Resolveu poupá-la dos detalhes.

— Você foi machucada, mas agora está tudo bem.

— E ele?

— Eu o matei.

Bulma ficou calada. Não ficava feliz com a morte de ninguém, mas pelo menos sentia-se um pouco mais segura agora. Ela levantou-se com dificuldade.

— Eu vou para o meu quarto — ela avisou.

— Não... fique aqui.

Ela balançou a cabeça desanimada.

— Vegeta... acabou aquilo que havia entre a gente, eu não vou voltar a me submeter à você.

Ele se aproximou, tocou o rosto dela com cuidado.

— Eu não quero que seja assim. Eu estive pensando...

— Eu não quero saber o que você esteve pensando — ela o interrompeu bruscamente e afastou o rosto das mãos dele.

— Bulma, me ouça pelo menos...

Ele quase nunca a chamava pelo nome. Ela entristeceu-se, precisava sempre acontecer algo de ruim para ele demonstrar alguma decência no tratamento para com ela?

— Eu quero uma nave para voltar para a Terra — ela pediu.

— Não, eu não quero que você volte.

— Mas eu não quero ficar aqui. Você vai me jogar nas mãos de algum louco de novo.

— Eu não vou fazer isso.

— Não mesmo? Na próxima vez que se irritar comigo vai me abandonar em um planeta qualquer para morrer de qualquer jeito.

— Não... isso não vai mais acontecer.

— Eu estou cansada, Vegeta. Me deixe ir, por favor! Não tem mais nada pra mim aqui.

— É claro que tem — ele respondeu ofendido.

— O quê? Trabalhar igual uma escrava durante o dia e servir como uma puta para você todas as noites?

— Não vai ser mais assim.

— Não mesmo, porque eu vou embora!

— Bulma, escute... sobre isso, eu estive pensando. As coisas entre a gente não precisam continuar do jeito que estavam. Eu pensei sobre tudo o que me disse, e acabei concluindo que... eu conclui que... na verdade o que eu quero dizer é que... — ele ficou irritado, não conseguia se expressar — olha só, isso é muito difícil pra mim, entendeu?

— Então poupe-se do trabalho.

— Não! Eu preciso falar... na verdade eu quero que você seja minha namorada — ele ruborizou fortemente ao concluir a frase.

— Esse auê todo só pra isso? — Bulma desdenhou.

— Isso é o que eu posso fazer no momento.

— É uma pena pra você, porque minha resposta é não.

— Bulma...

— O que pensou? Que eu fosse me derreter toda por causa desse seu pedido? Acha que eu me esqueci que desprezou o meu amor quando eu quis dá-lo à você?

— Eu não sabia.

— Não sabia o quê?

— Que as coisas mudariam — ele parecia arrependido.

— Nada mudou, Vegeta. Nada!

— Mudou sim... os meus sentimentos...

— Ah, você tem isso agora?

— Mulher, você está ridicularizando o meu esforço! — Vegeta protestou.

— Da mesma maneira que você fez comigo!

— Mas eu mudei, entendeu? Ver você machucada me fez perceber... e depois Tarble veio com aquela história.

— Que história?

— Não é nada preocupante — ele desconversou, não queria que ela soubesse que existia a possibilidade de esquecê⁻lo — é besteira do meu irmão.

_ De qualquer forma, a minha resposta é não para tudo o que você me pedir... E eu quero uma nave, se não me der por bem eu vou roubá-la! — ela disse andando até a porta.

— Aonde você vai?

— Vou para o meu quarto... eu quero dormir.

— Você vai dormir comigo a partir de agora, não quero que você corra nenhum risco.

— O maior risco que eu corro é justamente aqui com você!

— Vamos fazer o seguinte, então. Durma aqui hoje, amanhã conversaremos sobre a nave.

— Não vou cair nessa. Você vai me obrigar a... — ela sentia-se suja só de lembrar.

— Eu não vou fazer nada do tipo. Confie em mim. Eu quero que seja minha namorada a partir de agora, então não vou forçar nada.

— Mesmo assim, Vegeta... esse quarto me traz más memórias... aquela menina que você matou, os cães. Qual a diferença entre você e o Turles?

— Não me compare com aquele verme! — ele gritou.

— Olha aí... você é igualzinho... a mínima contrariedade e você já explode!

— Bulma... entenda... eu só fiz aquilo para te mostrar que estava falando sério.

— Precisava matar uma menina inocente? Praticamente uma criança!

— Eu sou um príncipe, eu posso matar meus súditos se eu quiser — ele declarou indiferente.

— Eu discordo, mesmo que seja um príncipe você não tem esse direito!

— Na verdade eu tenho sim, são essas as leis do meu planeta. Os membros da realeza tem licença para matar quem quiser.

— Que horror — Bulma balançou a cabeça enojada.

— Eu fui educado assim desde criança, não tem como mudar isso.

— Se esforce um pouco, então!

— Isso vai fazer você me aceitar?

— Não.

— Então qual a vantagem?

— Vai te ensinar a lidar com as coisas de outra maneira, sem precisar sair matando a torto e a direito — ela declarou.

— Eu posso fazer isso se você quiser, mas você vai ter que ser minha namorada.

— Eu não vou negociar de novo com você, eu lembro bem o que eu ganhei da última vez.

— Eu estou falando que agora será diferente. Você pode pelo menos me dar uma chance? Não acredito que seus sentimentos mudaram tão rápido assim.

— Mudaram... eu já não te amo mais... — ela declarou mesmo sem ser verdade — desde aquela semana horrível que me obrigou, que me usou. Você fez coisas horríveis e ainda se divertiu. Como pôde, Vegeta?

— Você pode me perdoar por aquilo? Eu estava confuso... nunca tinha recebido uma declaração de amor, você me assustou.

— Eu te assustei? Você que me assustou!

— Ah, mulher... você é impossível!

— Você é que é um turrão! E já vou falar que você começou errado. Você não pode me pedir em namoro e me obrigar a ficar aqui com você, as coisas tem que acontecer naturalmente.

— É? Eu não sei dessas coisas. Nunca tive uma namorada.

— Nunca?

— Não.

— Então como você fazia?

— Como eu fazia o quê? — ele pareceu não entender a perguntar.

— Quando queria... você sabe.

— Eu simplesmente mandava a mulher vir para o meu quarto.

— E se ela não quisesse?

— Eu a matava.

— Tá vendo? Se eu não concordar é isso o que vai acontecer comigo?

— Claro que não! Com você é diferente — ele a tentou tranquilizar.

— Eu não enxergo a diferença, se eu não tenho opção de escolha.

— Me ajuda com isso então... eu realmente não sei nada sobre relacionamentos — ele pediu sinceramente.

— Eu não vou te ajudar, pois nós não vamos ter um relacionamento.

— Ok... você tem razão de me rejeitar, eu mesmo rejeitaria.

— Que bom que finalmente entendeu... pelo visto não é tão burro quanto eu imaginei! Agora deixe eu ir para o meu quarto. Eu realmente estou cansada.

— Não, fique aqui... você sabe que o que Turles armou foi um golpe. Tarble já me disse que tem mais envolvidos, mas eles se calaram depois da morte de Turles. Eles estão espalhados por aí, pode ser qualquer um, então eu temo que eles venham tentar uma revanche... por isso quero que você fique aqui até tudo passar.

— Isso é verdade?

— É verdade! Eles poderiam pegá-la para tentar me atingir.

Bulma imaginou-se de novo nas mãos de caras tão malignos quanto Turles, estremeceu.

— Tá bom, mas se você tentar me tocar eu vou fazer um escândalo!

— Eu não vou fazer nada... eu juro.

— E você vai dormir no chão!

— Tá, eu durmo! — ele resmungou.

Bulma ajeitou-se entre os cobertores na cama dele, fechou os olhos e tentou dormir, era difícil depois daquela conversa intensa, aquele pedido de namoro todo desajeitado. Riu internamente lembrando de como ele ficou vermelho ao dizer. Ela achou fofo, mas não cairia naquela história, com certeza tudo voltaria a ser pior do que era antes, como namorado ele se sentiria com mais direitos ainda sobre ela, e ela estaria perdida se não o obedecesse. Mal concluiu os pensamentos e sentiu as mãos dele perto dela.

— O que foi que eu falei?! — ela gritou.

— Calma... eu só quero pegar um cobertor. Está muito frio.

De fato a noite estava fria, algo raro por ali. Bulma ficou com pena ao ver ele pegar um cobertor e se enrolar no chão ao lado da cama, nem parecia o orgulhoso príncipe de sempre.

— Sobe aqui vai... está muito frio. Dorme na cama, mas não coloque a mão em mim — ela avisou.

Vegeta deitou-se ao lado dela e não ousou desobedecer a ordem da sua "namorada".

***

Na manhã seguinte estavam os dois enrolados nos cobertores, Bulma dormia com a cabeça apoiada no peito dele, as pernas enroscadas e o agarrando possessivamente. Vegeta acordou e observou a cena, um sorriso bobo formou-se nos lábios do príncipe.

Notas finais
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