A Guerra das Cápsulas
109 A Bulma que ninguém conheceu
Notas iniciais
As últimas construções queimavam e aos poucos, o silêncio tomava conta da cidade. Todos os desabrigados haviam corrido para o castelo, e apenas o rei dos saiyajins e seu filho conversavam em meio aos destroços. Trunks, sentado, escolhia aleatoriamente e atirava pequenas pedrinhas para o outro lado da rua, enquanto Vegeta em pé, sisudo, com os braços cruzados na altura do peito, ouvia o relato do rapaz a contragosto.
"Eu não sei muito bem como tudo começou, porque eu era muito criança, e só fui começar a entender as coisas bem depois, mas a linha de tempo onde cresci, foi a linha de tempo adicional que foi criada quando Goku-san viajou no tempo com Zamasu para acelerar o processo de tornar-se mais forte. Pois bem, nessa linha de tempo, como você já deve saber, você havia matado a princesa Chichi na noite do baile de casamento, mas ela nunca foi ressuscitada, pois Goku foi enganado por Zamasu e posteriormente foi morto. Sem a presença deles, você escravizou os terráqueos, sequestrou a minha mãe e a trouxe para esse planeta, o planeta Vegeta, e alguns anos depois, eu nasci. Eu fui criado sob os costumes dos saiyajins, então treinei desde bem jovem, e com pouca idade já era superior à muitos guerreiros mais velhos do que eu.
Minha mãe sempre foi bondosa comigo e me protegeu das coisas, e eu sendo criança, não pensava muito sobre coisas que não me diziam respeito naquela época, uma delas, por exemplo, quem era o meu pai. Minha mãe trabalhava como cientista no seu laboratório, e eu tinha acesso à maioria dos cômodos do castelo, mas nunca imaginei que eu fosse seu filho, até que que me tornei forte o suficiente, e passei a chamar a atenção dos outros na academia, quando isso aconteceu, meu martírio começou, ridicularizam-me por causa do meu cabelo, me chamavam de mestiço imundo, de bastardinho. Eu já não tinha rabo, pois soube que ele foi cortado ao nascer, então nunca pensei que eu fosse um saiyajin, pensava que eu era apenas um terráqueo morando ali, assim como a minha mãe, até que vasculhei e encontrei a cicatriz. Comecei a perguntar para a minha mãe e ela não respondia, ela sempre desconversava. Eu apenas te via de longe, quando estava treinando, você nunca treinou comigo, nunca sequer falou comigo, ou olhou para mim, por isso nunca suspeitei que eu fosse seu filho, afinal você era o príncipe. Até que certo dia, encontrei minha mãe chorando em casa. A gente morava no castelo, mas depois passamos a morar na cidade, perto dos alojamentos dos soldados. Quando eu vi, ela estava com o rosto machucado, bem machucado, sangrava muito e estava inchado. Minha mãe era linda e vaidosa, mas naquele momento, ela estava um caco. Eu nunca a havia visto tão frágil e perdida. Eu a ajudei com os curativos, preparei a comida e coloquei ela para dormir. Ela teve febre, eu fiquei cuidando dela. Então, você apareceu, era quase meia noite, as ruas estavam escuras, você veio sozinho, eu achei estranho pois sempre tinha uma escolta enorme atrás de você. Você foi entrando e pela primeira vez falou comigo. "Cadê sua mãe?", você perguntou, eu estava assustado e ao mesmo tempo encantado, o príncipe dos saiyajins estava na minha casa, falando comigo, querendo saber da minha mãe! Eu sabia que ela era uma cientista importante, mas isso me fez pensar que ela era mais do que importante para você. Ingênuo, eu apontei para o quarto dela, você entrou e fechou a porta atrás de você. Então, eu só ouvi o choro dela aumentar, depois vocês discutiram, e aí minha mãe começou a gritar, e a gritar e gritar. Eu fiquei desesperado, fiquei com medo. Eu tinha que fazer algo para ajudar ela, mas tinha muito medo de você, eu já tinha te visto lutando, você não só era o príncipe por ter o sangue real, mas por mérito de ser o mais implacável, muitos tentaram tirar o seu trono, e você os matou em praça pública, como um show para todos verem. Eu te admirava como o meu príncipe, eu queria ser como você. Mas naquele momento eu estava confuso, você estava machucando a minha mãe, e eu não tinha ideia de como ajudar ela, sem desrespeitar você.
Eu sentei ao lado da porta do quarto dela, e esperei. Os gritos dela terminaram, você falou umas coisas que eu não entendi, e então você saiu do quarto dela. Você passou por mim sem nem me olhar e saiu batendo a porta da nossa casa, tão forte que quebrou a vidraça.
Eu entrei no quarto, e minha mãe estava mais machucada ainda, você tinha batido nela. No rosto. O rosto lindo da minha mãe estava machucado. Eu não acreditei. Quis matar você, te odiei com todas as forças. Minha mãe passou a noite chorando e eu passei a noite com ela, impotente, chorei também. Meu príncipe tinha traído minha confiança e judiado da minha mãe, que era a cientista mais importante de todas. No dia seguinte, minha mãe acordou cedo, se arrumou, passou maquiagem e foi trabalhar. Eu sempre a amei, mas depois de ver como ela levantou a cabeça e seguiu adiante, eu passei a admirá-la mais ainda, e jurei que nunca mais deixaria você e nem ninguém fazer nada de ruim pra ela.
Pouco tempo depois, veio a notícia do grande casamento real. A minha mãe estava bem triste. E ainda assim, eu não relacionei uma coisa com a outra. A gente foi assistir ao casamento junto com os súditos que trabalhavam no castelo. Você se casou com a filha de um general, uma mulher feia e masculina, sinto em dizer, mas eu lembrava dela como uma grande guerreira que ajudava no treinamento das crianças. Ela era durona e justa, e as pessoas colocaram esperança de que isso seria bom para equilibrar o seu temperamento, pois todo mundo tinha muito medo de você, mas tempos depois, até mesmo a sua esposa durona foi subjugada, você quebrou com o espírito dela também. Na mesma ocasião do casamento, você foi coroado rei, e seu poder político aumentou mais ainda.
Minha mãe estava bem bonita no dia do casamento, as marcas da agressão que você havia provocado haviam sumido, mesmo que houvesse outras mulheres bonitas, acho que ela era a mais bonita de todas, não só porque eu como filho a achava linda, mas porque vários soldados a chamaram para dançar. Ela dançou com alguns, dispensou outros. Ela chamava atenção, pois diferente das saiyajins comuns, ela era a figura mais delicada e feminina. De longe vi minha mãe dançando com o Turles, um cara fortão que vivia atrás dela. Eu fiquei brincando com os meus colegas da academia, lutei e comi bolo recheado, coisa rara para nós sayajins guerreiros. Foi quando eu vi, você importunando a minha mãe em um corredor escuro. Ela tentava sair e você a segurava, a apertava. Acho que você estava bêbado. Eu fiquei alerta, e me aproximei andando com calma. Ouvi um pouco da conversa de vocês, mas ela não fez sentido algum pra mim. Só lembro que minha mãe te empurrou e tentou correr, você a segurou e ela te deu um tapa na cara, você deu um soco no rosto dela, então eu parti pra cima de você e bati em você, você revidou me socando em cheio no rosto e eu quase morri. Os guardas foram chamados, nós fomos expulsos do casamento, minha mãe disse que estava cansada. Ela correu comigo para o hangar, e tentou pegar uma nave. Você foi atrás com os seus guardas e nos alcançou. A gente já estava dentro de uma das naves, você entrou e lançou um raio no painel de controle e o destruiu, mandou os guardas me levarem para fora, e de novo, eu apenas ouvi os gritos da minha mãe. Você bateu nela de novo, você machucou ela. Você saiu de dentro da nave sorrindo, parecia satisfeito, eu xinguei você e você me mandou ficar calado. Os guardas foram pegar a minha mãe, ela estava muito mais machucada, sangrava, chorava. Você a jogou em um quartinho no calabouço do castelo, ela ficou presa ali por um tempão, eu nem sei dizer por quanto tempo. Eu fiquei jogado, não tinha pra onde ir, então ficava tentando chegar próximo da minha mãe. Os guardas sempre me afastavam. Depois de um tempão, eu já tinha perdido muitos dias de aula na academia, estava fraco e cansado. Os guardas tiraram minha mãe de lá de dentro e eu não acreditei. Ela estava com as mãos e os pés quebrados, estava magra, pálida, completamente ensaguentada. Eles riam da minha mãe, riam dela, diziam: "O rei pegou pesado com essa daqui", então eu que já sabia, confirmei que era você que de novo, havia machucado a minha mãe.
Minha mãe ficou em uma câmara de regeneração por várias semanas. Você sempre ia ver como ela estava, eu fiquei esperando para ver quando ela ficaria boa. Um dia, o médico a tirou de lá, ela estava linda, completamente recuperada, nem sinal de que alguma vez tivesse levado um soco sequer. Eu pensei que a gente iria pra casa, mas ela recebeu ordens de ir trabalhar no laboratório. À noite, os guardas a vieram buscar, e ela foi jogada de novo no quartinho do calabouço. Eu fui atrás, mas você já estava lá a esperando. Eu fiquei com ódio, achei que você fosse bater nela. Mas pela primeira vez na vida, eu estava enganado, você a beijou, então, eu que tinha sete anos, estava começando a aprender as coisas, entendi que tudo aquilo era porque vocês eram amantes. Minha mãe chorou e você falou algumas coisas pra ela, ameaças, basicamente. Disse que seria assim dali em diante, que se a visse com alguém mataria os dois, quebraria ela inteira de novo e de novo, e quantas vezes fosse necessário até ela aprender. E você disse que ela moraria ali bem embaixo do seu quarto pra você poder ver tudo o que ela faria. Ela perguntou de mim, e você respondeu que eu nada, que eu iria continuar treinando com os soldados como sempre. Você passou por mim e me deu um tapa na cabeça, me disse pra eu me comportar, senão quem pagaria era ela.
Eu fui morar no alojamento dos soldados, e lá minha vida virou um inferno. Os soldados saiyajins só podem ir para o alojamento a partir dos treze anos, eu tinha sete e era o único dessa idade lá. Todo mundo queria me bater, me ridicularizar, se aproveitar de mim de todas as maneiras possíveis, imagináveis. Até que eu comecei a me defender, e fazia isso em grande estilo. Quando eu pegava leve, quebrava os dois braços ou a coluna do infeliz. Mas normalmente eu matava mesmo, para dissipar aquele ódio por estar longe da minha mãe e por não saber o que você aprontava com ela longe de mim. Logo, comecei a ser respeitado, e eles pararam de me encher. O tempo foi passando, e eu apenas via a minha mãe de vez em quando, ela estava piorando a cada dia, cada vez mais infeliz, mais sozinha e triste. De vez em quando eu via um machucado ou outro, mas ela inventava histórias, eu sabia que tinha sido você.
Os anos passaram, e eu acabei me tornando o comandante das forças especiais. Uma tropa formada pela elite da elite, apenas os melhores guerreiros faziam parte. Essa tropa era usada em missões especiais, quase todas elas envolvendo matar e dizimar raças de outros planetas, trabalho que muitas vezes você ia junto. Sua esposa teve vários filhos, mas nenhum deles era tão forte quanto eu. Ninguém mais ousava me chamar de bastardinho, mas nessa altura, eu sabia que era seu filho. Eu não ligava, você não me dirigia a palavra, e eu não dirigia a palavra à você, quando você passava, era apenas reverência e silêncio. Eu ouvia suas ordens e acatava sem questionar. Você vivia fazendo burrices e metendo os pés pelas mãos, mas eu o odiava tanto, que nunca sequer questionei mesmo as coisas que estavam claras que daria errado, meu pensamento era que em uma dessas, você se ferrasse bem ferrado e morresse, assim minha mãe ficaria livre. Mas infelizmente, isso nunca aconteceu.
Certa vez, você inventou de ir para uma missão no planeta Terra, o planeta Natal da minha mãe. Os terráqueos haviam sido escravizados e mandavam quase todos os recursos deles para nós. Quando eu fui me despedir da minha mãe, ela pediu pra eu tentar procurar o meu avô, falou da Capsule Corporation, falou de como a família dela era rica lá na Terra e como ela havia sido feliz antes de te conhecer. Quando eu fui abraçá-la, senti um ki vindo direto do seu ventre, entendi que ela estava grávida, mas fiquei em silêncio. Nós fomos para a missão na Terra, e você matou o Rei Cutelo, que era o pai da princesa Chichi, que havia sido morta anos antes por você. Colocou Nappa para governar o planeta em seu nome e assim estabeleceu o reino de terror absoluto sobre os terráqueos. Havia muitos sayajins vivendo na Terra e todos eles eram fiéis à você e à sua maneira de fazer as coisas, ninguém questionou essa decisão tirânica. Eu localizei os meus avós e os encontrei morando muito longe do palácio, o que restava da Capsule Corporation havia se tornado uma linha de produção em massa das cápsulas hoi-poi que você tanto adorava. Não havia mais pesquisas novas, meus avós estavam velhos e cansados, passavam muitas necessidades. O meu avó me reconheceu, acho que pelo tom de cabelo semelhante ao dele. Ela quis saber da minha mãe, eu falei que ela estava bem e feliz, menti para não deixá-los preocupados, e que ela estava com saudades deles. Você ouviu em silêncio e não disse nada. Posteriormente, houve uma discussão entre você e o meu avô, sobre a quantidade de cápsulas que era possível produzir, você se irritou e o acabou matando, na minha frente, na frente da minha avó idosa. Mesmo que eu não os conhecesse direito, senti mais ódio ainda de você, por sua crueldade para com pessoas inocentes e indefesas como dois idosos.
Nós voltamos para o Planeta Vegeta, e muitos meses já haviam se passado pois a viagem era muito longa. Quando vi minha mãe, ela segurava um embrulho, que logo imaginei ser o bebê que havia nascido. Minha mãe foi esperar nossa chegada na plataforma de desembarque, e nos saudou com um aceno de mãos, feliz, sorridente, esquecida de todos os abusos que você cometia contra ela. Eu respondi acenando, e você claro, não respondeu. Mas o Turles, que era o chefe da guarda real, respondeu também, acenando de volta para minha mãe. Ele era um dos que havia dançado com ela na noite do seu casamento. Turles morreu naquele momento, e como boas vindas, minha mãe apanhou por uma semana seguida. Você parecia louco, dizendo que o bebê que a minha mãe teve era dele. Mas como era burro e ignorante, ninguém teve coragem de alegar que Turles esteve na viagem o tempo todo com você, e que ela já estava grávida quando você partiu.
Mal a gente se recuperou dessa crise, e Black apareceu naquela linha de tempo. Nós os sayajins lutamos para nos defender dele, mas ele dizimou quase o planeta todo. Alguns poucos sobreviveram. Apesar da sua tirania para com os terráqueos, muitos deles vieram para ajudar contra Black, mas obviamente, não representou um grande desafio para ele. Foi bom que com isso acabei conhecendo o Mestre Kame, um ancião que havia conhecido Son-Goku, Chichi, o Rei Cutelo, e como era o antigo mestre de artes marciais deste último, ele sabia sobre as profecias, pois o rei havia confidenciado à ele. O Mestre Kame me contou sobre tudo o que ele sabia até aquele momento, sobre a necessidade de nascer um filho da princesa terráquea que havia sido morta com um saiyajin, mas nem ele sabia que ela já estava grávida quando morreu e que aquilo era uma realidade alternativa, na verdade, nem eu sabia naquela época.
Junto com os terráqueos, nós conseguimos segurar Black por um tempo, mas ele matou a minha irmãzinha, a sua filha na frente da minha mãe, apenas pelo prazer de matá-la e você não teve sequer coragem de defendê-la. Eu acabei lutando com ele e o neutralizei, nessa luta, acabei atingindo o nível do super sayajin pela primeira vez. Nesse meio tempo, minha mãe revelou que estava trabalhando em uma máquina do tempo, pois ela queria fugir dali e só via essa solução, voltar no tempo antes de te conhecer e te evitar a todo custo. Ela me deu toda a tecnologia que estava desenvolvendo escondido de você e me mandou fugir para um tempo da Terra antes da aparição de Black, me mandou procurar por Son-Goku-san e falar sobre a ameaça de Black. Quando consegui finalmente entrar na nave, pude ver Black ressurgindo das cinzas, e indo para atacar você, minha mãe, como um instinto protetor de mulher ama, ela ainda se jogou na frente para poupá-lo e foi atingida, logo depois Black incinerou à você e aos outros saiyajins restantes como pó. Mesmo o odiando por ter matado minha mãe e minha irmã, foi o único momento em que senti simpatia por ele.
Depois disso eu voltei no tempo, encontrei Goku, mas antes, tive acesso às informações mais detalhadas da profecia, então entendi, que eu teria que nascer, custe o que custasse, e que independente do que tivesse acontecido com os meus pais na outra linha do tempo, aqui as coisas eram diferentes, pois não eram exatamente as mesmas pessoas. Então, fiz a maior burrice que poderia fazer, disse pra minha mãe que ela seria absolutamente amada por você. E acho que essa ilusão a fez tomar muitas decisões precipitadas na linha de tempo original. De qualquer forma, eu fiquei feliz por aquele sorriso singelo que ela esboçou quando eu disse isso".
Vegeta descruzou os braços e soltou um longo suspiro.
— Você está errado, moleque.
— Como errado? Essa é a história do que aconteceu na linha de tempo onde nasci! — Trunks disse irritado.
— Você está errado — Vegeta disse pousando uma das mãos no ombro do rapaz — Você não mentiu quando disse que ela seria absolutamente amada por mim.
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