Notas iniciais
Olá, pessoal! Eu queria agradecer por terem clicado para ler ♥ Espero que gostem, e deixem seus comentários dizendo se odiaram e etc., por favor.

Ah, é o primeiro capítulo da minha primeira fic, eu estou trabalhando a minha escrita para se assemelhar a de alguns autores que admiro muito, então espero que acompanhem, na esperança de minha escrita melhorar, haha ♥

PS: Leiam com calma, e pausadamente, para entrar mais no "feeling" da coisa. Por favor, informem qualquer erro que encontrarem, muito obrigada.

Acordo. O coração disparado no peito. Há um bipe horrível ecoando no cômodo. Levanto-me, apressada, calço as pantufas ao pé da cama, e identifico o barulho. Lácrima de comunicação. Afobada, puxo a poltrona de frente para a esfera mágica e a ligo.

Ele aparece.

O rosto pálido, cansado, olhos inchados. Tem um esparadrapo na testa. Quando me dou conta, havia parado de respirar.

- Levy.

Meu nome na boca dele soa tão melódico. Sei que estou descabelada e com olheiras gigantes, mas fiquei esperando a ligação dele por 38 horas e 16 minutos direto, e mais 3 horas e 2 minutos dormindo, creio que tenho o direito de parecer desleixada.

- Gajeel. – Dou um breve sorriso, bocejo, esticando os braços, e volto a olhar para ele. Os olhos tão vermelhos.

- Por onde quer que eu comece?

- Pelo de sempre. – digo.

A ordem de tudo era: relatório, comentários ácidos sobre seu ódio em fazer relatórios, assuntos aleatórios.

- Hoje eu não vou reclamar – diz Gajeel. Ele está dentro de sua tenda, que divide com Gray Fullbuster, e busca algo dentro de uma mochila. – porque você faltou do Conselho de Guerra, então preciso te dar todas as informações possíveis...

- Que Conselho? – interrompo.

Ele parece tão chocado quanto eu. Então era isso. Ordens para não sair do quarto, não se comunicar com ninguém. Não queriam que eu participasse do Conselho, a reunião entre todas as guildas unidas contra Zeref, em prol da continuidade da raça humana.

- Mas que porra... – Começo a soltar a língua, mas Gajeel imediatamente me impede.

- Eles acham que você não aguenta.

Estou ali, estática, olhando para meu melhor amigo no mundo, que está a 303 quilômetros de distância. Quero tanto abraça-lo.

- Isso é besteira, fui eu quem começou tudo isso, eu deveria estar...

-Cale a boca, Levy. – ele parece estar pensando em algo importante. – É por causa de mim. Eu disse pro Gray que você não devia saber desse tipo de coisa, iria se sentir culpada e...

- Você também? – grito. Não deveria ter feito isso. Tampo a boca, assustada comigo mesma. Se alguém suspeitasse que eu furtei uma lácrima da sala do Mestre, eu estaria ferrada.

- Pare de bancar a durona, baixinha.

Eu estava a tanto tempo esperando essa ligação, pensando em como iria manda-lo calar a boca, não me chamar de baixinha, falar linha por linha de tudo o que aconteceu, e de como eu iria mostrar que estou sendo forte diante de tudo, mas agora eu sei que não consigo. Franzo a testa, sinto os olhos arderem, mordo os lábios. Mas não vou chorar. Olho para baixo, não para ele. Não para os olhos vermelhos acusadores. Tento não escutar a voz tão calma, tão grave, tão monocórdia, que todos achavam cruel, e que eu achava acolhedora.

Volto a escutar quando ele começa a dizer algo sobre a guerra.

- O Fagus, aquele troço azul metido a mago, ele criou umas criaturas novas.

- Bestas – corrijo.

- Isso aí. Elas são um pouco piores do que as outras, soltam um gás que atordoa e, de algum jeito, elas captam partes do seu subconsciente. Elas se transformam em seres humanos e... Bem, até aí estava tudo certo. Era horrível matar pessoas, claro. – Ele finalmente achou o que procurava. Uma garrafa de líquido transparente. Olho atravessado para aquela coisa. Ele percebe. Suspira. Ele quer dizer algo, provavelmente sobre como o acalma, sobre como não tem grande efeito nele. Com um aceno de cabeça, dispenso a ladainha toda e ele volta a falar – Mas ficou pior, de ontem para hoje. Eu não faço ideia de como ele faz essas coisas tão rapidamente, mas ele faz. E elas vieram e começaram a se transformar em nossos conhecidos. Pensamos que seria qualquer um, mas todas as coisas se transformavam na mesma pessoa. Compartilhamos experiências e chegamos à conclusão de que é a pessoa com quem mais, hum, nos importamos. – Ele parece meio engasgado ao dizer isso.

E embora eu deva estar pensando naquela porcaria de guerra, nas bestas, em como pará-las e tudo o mais, eu estou pensando em quem ele vê.

- E nós temos que matar essa pessoa. Temos que matar aqueles com quem nos importamos e suportar isso, repetidas vezes. Claro que a maioria de nós dá conta disso, mas alguns não. – Gajeel dá um longo gole no líquido transparente. – Lissana vai ter de ser... Hum, como posso dizer... Aposentada?

Devo admitir, estou espantada. Lissana não é o que se pode chamar de frágil.

- Mas bem, vocês sabem que não é real, certo? Vocês só precisam conseguir abstrair isso. – digo, preocupada com meus amigos.

- Não é tão simples. Quer dizer – ele balança a cabeça – é simples. Só que tudo parece tão real, Levy. Os gritos, e o sangue, até as tripas. Eu sinto vontade de vomitar. Nós não temos a opção de derrotar essas coisas, temos que mata-las, e não estamos acostumados com isso. A gente sempre só “derrota” os inimigos, certo? Eu sei que não tenho muita moral pra falar, já matei pessoas.

Os olhos dele se escurecem, não é uma coisa de que ele goste de se lembrar. Pergunto-me como foi que ele mudou tanto em tão pouco tempo. Ele continua:

- Mas é horrível demais. Real demais. Imagine uma pessoa implorando pela vida, implorando para parar de machuca-la, e você cortando a cabeça dela fora e... Você gosta dessa pessoa.

Gajeel parece realmente perturbado, e eu também começo a ficar enjoada. Entretanto, não posso deixar de me questionar, quem eu veria? Bem, talvez a resposta fosse óbvia demais.

- Fim de relatório – diz ele.

Assinto e me contorço na poltrona, puxando os joelhos de encontro ao peito. Olho para Gajeel.

- Quando você volta?

- Logo.

Breve como sempre. Não é atoa que o escolheram para fazer relatórios. Reviro os olhos.

- Não tem uma data específica?

- Não.

Será que um dicionário seria um presente sutil para ele?

- Você está cansado, é isso? Está afim de dormir? – pergunto, já um tanto irritada. Eu normalmente aguento as respostas monossilábicas dele por alguns minutos, mas hoje eu não estou com o mínimo de paciência.

- Na verdade, não. Quero lhe perguntar uma coisa.

Arqueio as sobrancelhas. Gajeel e um assunto? Ou melhor, uma pergunta? Não preciso de janelas para saber que está chovendo lá fora.

- Você está bem? – Ele indaga.

Seus olhos me encaram tão profundamente que estanco por um momento. Isso foi tão... Intenso. Como ele consegue? Como consegue transmitir tanta emoção com três palavras? Com um olhar? Ou eu sou exagerada? Talvez uma mistura dos dois.

- Bem, você sabe. Tentam me matar todo dia, e incendiaram meu apartamento – sorrio irônica, tentando me defender daqueles olhos cor de sangue como posso – mas eu estou bem, já falamos sobre isso. Você sabe que eu aguento e...

- Não. – Sua voz adquire um tom especial, um tom que sei que só eu conheço – quero saber se está segura.

Não posso deixar de sorrir um pouco. Rio para disfarçar e assinto.

- Claro que estou. No porão há 17 metros embaixo da guilda, com Mirajane, Evergreen e Bixlow de guardas, o Mestre lá em cima, com Cana e Macao. Estão decidindo quem vai ser meu protetor oficial. E claro, Natsu está com Lucy, cuidando dela, tipo assim, 200% do tempo. – sorrio amargamente, pensando em como até mesmo Lucy tinha sido colocada em perigo, tudo por minha causa — Devo dizer que é bem ruim ficar dois dias trancada num porão, sem ar fresco, e pelo jeito isso vai continuar até meu protetor ser escolhido, mas estando viva, não posso reclamar.

Gajeel franze a testa.

- “Trancada” é um, como você diz? Eufemismo?

Balanço a cabeça em negativa, e tento me manter séria. Aprecio quando as pessoas prestam atenção nas minhas baboseiras gramaticais.

- Hipérbole. – Corrijo – Mas não, não é um exagero. A chave está com o Elfman, ele saiu daqui faz dois dias, já chegou aí, espero. A porta está protegida com as runas do Freed. Cana me passa comida por debaixo da porta, com as cartas dela, e ainda bem que aqui tem um banheiro.

Ele parece bem espantado.

- O mestre está levando isso a sério. – ele comenta

- Bem, depois que você saiu o hotel em que eu estava pegou fogo, e um mago de terra tentou me sequestrar, e colocaram um sonífero na minha comida, então o Mestre apenas está querendo...

- Tentaram te sequestrar?

- Sim.

Estou surpresa de ainda não ter desmoronado na frente dele. De não ter dito como foi horrível. Como as algemas de ferro apertavam mais cada vez que eu me mexia, e o modo de falar aterrorizante daquele homem.

- Quem está na lista para ser seu guardião?

Gajeel parece estar tramando alguma coisa, ele costuma mexer nos piercings da sobrancelha quando pensa demais, e é exatamente isso o que está fazendo agora.

- Laxus, Erza, Jellal e Juvia. – digo, um pouco incomodada com a pergunta. Eu não reclamaria se fossem Erza ou Juvia, adorava minhas amigas, mas como eu poderia ficar na mesma casa, ou até no mesmo cômodo que Laxus ou Jellal? Mal tinha falado com Laxus na minha vida, quanto mais com Jellal. E ambos estavam meio comprometidos com alguma de minhas amigas.

Ele parece espantado.

- Não podem te colocar com o Laxus! Ele é maluco! Ele tentou te matar uma vez!

Alarmada com os gritos de Gajeel, olho-o entristecida, os dois haviam feito as pazes, afinal. Mas ele entende errado. Vejo quando sua boca torna-se uma linha fina, torta.

- Desculpe. – ele sussurra. – Já fiz coisa parecida.

Odeio quando isso acontece. Ele fala de mim, sobre a culpa que sinto sobre a guerra, sobre colocar todos em risco, mas ele está sempre se sentindo culpado em relação à mim, como se tivesse uma dívida. Abro a boca, prestes a repreende-lo pela nonagésima vez, no entanto ele se apressa.

- Erza e Juvia são essenciais na frente de batalha. E Jellal está encarregado de cuidar da Orácion Seis e de Meredy, eles estão nos ajudando muito com informações e pesquisas quanto a procedência mágica das bestas, eles tem informantes em tudo que é canto. Levy, nenhum deles é capaz de cuidar de você.

- Ah – reviro os olhos e me jogo contra a poltrona – então, magnânimo, sugira-me alguém com tal capacidade. – Digo, irônica.

- Eu.

Viro a cabeça. O encaro.

Ele acaba de se oferecer para cuidar de mim?

- Você está brincando, certo?

- Nem um pouco.

Gajeel bebe mais um gole de sua garrafa, limpa a boca com as costas da mão e me encara. Sinto minha boca aberta, expressão estupefata. Mas então, relaxo. Continuamos assim, por um tempo, apenas nos encarando.

Há tanta coisa errada nessa fala. Gajeel pode ser insuportável às vezes, e eu também. Somos completamente opostos, além de que ele é um homem. Ele é teimoso, radical, briguento e forte. Eu sou tímida, fresca, boba e fraca. Talvez ele não pudesse levar Lily, para onde fossemos. Por fim, tem o que sinto por ele. Não posso dizer que estou apaixonada, mas eu o amo, ele é meu melhor amigo, e eu me importo com ele, amo-o como amo Lucy, Erza ou mesmo Gray. É claro que com Gajeel a conexão é muito mais profunda, forte, intensa, é até difícil acreditar que alguém como ele se dê tão bem com alguém como eu. Somos água e óleo, e ainda assim, gostamos de estar sempre juntos. Mas assim que eu falo, eu não estou pensando em tudo isso. Estou fazendo uma coisa que nunca fiz: vivendo o momento.

- Está bem.

Ele arregala os olhos.

- Você terá que falar como mestre – começo — e organizar tudo, e também teremos de preparar as coisas para uma possível saída emergencial de Magnólia e...

- Levy.

Ele está sorrindo, e é um sorriso muito, muito bonito.

Apenas o observo.

- Boa noite.

E ele desliga na minha cara.

Notas finais
E aí??????
Ficaram curiosos? Tá muita ladainha? Chato? Podem soltar o verbo que eu adoro uma crítica ;)

Comentem pelo amor do seu OTP ♥

A continuação vem logo e digo que vai ser uma fic BEEEEEEEEEEEEEEEM longa. Sou fã de As Crônicas de Gelo e Fogo, pra ter uma referência (exagerei).
Quem aí for apaixonado por música pode comentar suas preferidas da semana, pra me dar uma inspiração.
Muito obrigada por lerem, até o próximo capítulo.