A Guardiã do Sol
10 Castelo de abutres — Parte I
Notas iniciais
A verdade era que não era filho mais novo da família Fanin. Tampouco nascera na Capital; Joan cresceu em uma cidade chamada Poleiro da Águia, uma das mais pobres de todo o Reinado e considerada “capital” da miséria. Sem conhecer o amor de uma mãe ou receber o ensinamento de um pai, Joan tinha como uma verdadeira mãe a pobreza, e seu pai as ruas, e seus irmãos foram, tal como ele, meninos que tiveram o desprazer de nascerem sem sobrenome.
Muitos viram a criação da Capital como uma maneira de atingir a paz, de reunir todos os reinos em um único Reinado e atingir a prosperidade econômica. Contudo, a verdade era nítida para Joan: A criação de uma metrópole criaria apenas um acúmulo de riquezas, extraindo o pouco que as outras possuíam e, ao mesmo tempo em que enriquecia um reino, tornaria os outros apenas meras colônias de exploração. Tudo isso escondido sob uma face de unificação. Blasfêmia.
O Guardião das Estrelas tinha em mente um objetivo de atingir a verdadeira paz. Isto, é claro, até de fato entrar no jogo político e perceber que a “paz” era apenas um instrumento inventado para cegar o povo. E agora que não possuía mais vendas escondendo-o da verdade, passou a desejar o poder. Foi o almejo pelo poder que o fez mudar-se para a Capital, o desejo imutável de ser invencível que o fez casar-se com a bastarda Fanin. Estar tão próximo de seus objetivos fez com que manipulasse papéis, enganasse sacerdotes e, acima de tudo, tornasse o Guardião das Estrelas.
Fora fácil demais. Uma guerra hora ou outra seria inevitável, e aquela viera certamente no momento certo. Cyana era orgulhosa demais para abandonar seu posto, mesmo que isto significasse a morte de seu rei, e Sange era tola demais. Não, não tola, Joan diria altruísta. E o príncipe... Tudo o que ele queria era ser reconhecido por seu povo e sair debaixo da sombra de seu próprio pai. E o rei confiava em Joan, por que não confiaria? Graças a ele a Capital crescera mais do que o esperado, vencera mais batalhas do que o desejado. E o Reinado agora mantinha uma “paz”. Uma paz que, honestamente, não passava de pura aparência.
— Ele realmente vai morrer? — Indagou Joan, coçando a barba loira e espessa que escondia seu queixo. Os olhos castanhos pareciam inundados de escuridão. O sacerdote assentiu com a cabeça.
— Sim, senhor Guardião. Seus órgãos entraram em falência múltipla, quase como se tivesse tomado um forte veneno...
Joan sorriu, tão singelo e malicioso que o sacerdote não perceberia mesmo que ele tivesse sem barba. A face do rei refletia em sua íris escura, como se o mesmo estivesse sido afogado em noite eterna e castanha.
—... Mas quem envenenaria o nosso tão bom rei? — Continuou o sacerdote, olhando para o corpo desfalecido de seu rei na cama de pedra. Exatos dois dias depois da ida do príncipe para a guerra, o rei começara a apresentar sinais de fraqueza e febre. Quatro dias depois, vomitava sangue e tinha delírios durante a noite. Depois de uma semana, mal levantava da cama. E agora, após nove dias, não respirava mais.
— Ele pode ter morrido em função do medo da perda de seu filho. Era um homem velho, você sabe disto. — O tom de voz soava frio.
— E o que devemos fazer? O príncipe ainda não retornou da guerra. Não temos notícias de nada faz... Semanas.
E talvez nunca volte.
— Nossa lei é clara: Na perda da família imperial, um Guardião deve ser eleito Protetor da Capital. — Soltou um suspiro prolongado e tirou uma mecha loira de perto do olho. — Gostaria de requisitar Cyana para o cargo, mas a mesma fora para a guerra... Não temos escolha.
— Está pronto para assumir este cargo, senhor Guardião? — Questionou o sacerdote, totalmente inocente aos reais sentimentos de Joan. O ex General tinha uma boa fama e era amado por muitos, além de possuir alguns anos de sabedoria em comandar. Ele era a melhor escolha. Todos sabiam disto.
Joan voltou o olhar para o rei pela última vez. Aprendera a fazer aquele veneno durante sua infância, quando vendia pequenos frascos para mercenários. Sua venda o tornou famoso na região. E quem em Poleiro da Águia me reconheceria agora? Fechou ambos os olhos, deixando-se imergir em devaneios. Girou sobre os calcanhares e começou a caminhar pela sala do trono, indo em direção ao grande trono. Subiu alguns degraus e parou em frente ao assento, encarando o local. Não se sentaria até que tivesse uma coroa em sua cabeça.
— Faça todos os preparativos. Assumirei hoje, ao fim da tarde.
XxX
— Sange, acorde.
A voz entrou nos ouvidos da Guardiã do Sol como um sino, fazendo-a acordar abruptamente e colocar-se de pé. A bainha de Alvorada estava entre suas pernas, suas roupas fediam a celeiro e Cyana encarava-a. Os olhos da Guardiã da Lua eram tão claros que pareciam um perfeito espelho de tudo o que via, e neste instante refletia a face de Sange. Tinha uma expressão cansada, vestia uma armadura leve e uma velha cota de malha. Apenas sua espada parecia tão Guardiã quanto lembrava-se, deste a última vez que esteve na Capital. O que seu irmão diria de si agora? Ou melhor, seu falecido pai?
— O que eu perdi? — Perguntou, com a voz fraca. Tivera mais um sonho com seu antigo aprendiz, onde o mesmo empunhava Alvorada e batalhava sozinho contra um exército gigantesco, enquanto o sol o iluminava. Frequentemente estava tendo este tipo de sonho, mas nunca contara para Cy.
— É aurora do dia. Temos que continuar a caminhada. Estamos a pouco tempo da Capital.
Cyana, ao contrário de Sange, continuava tão bela e perfeitamente em ordem como antes de presenciar a guerra. E tal como antes, ainda tinha um olhar gélido, uma postura ereta e um tom superior. Agora que a conhecia mais a fundo, Sange poderia até julgar este tipo de pose atraente.
— Certo, certo, vamos lá.
Amanhecera com o céu cinzento e um clima um pouco frio. Haviam escolhido a Estrada do Cão para chegar até a Capital, devido a pouca movimentação e, consequentemente, a baixa quantidade de ladrões. A estrada possuía este nome por, há muito tempo, ter sido habitada por grandes alcatéias de cães selvagens. E tinha uma grande vantagem por dar acesso aos portões comerciais da Capital, onde ambas não chamariam muita atenção e não levantariam muito alarde — afinal, não é todo dia que você está levando para casa a mensagem de que perdera a guerra e seu príncipe.
As Guardiãs alimentaram-se dos últimos recursos que tinham, levantaram-se do chão e colocaram-se a caminhar pela estrada. Ao redor, o cenário se reduzia a várias pedras em uma região montanhosa. No horizonte, atrás da leitosa neblina, era possível enxergar o agito da Capital.
— Você teve um pesadelo. — Afirmou Cyana, enquanto andavam, quebrando o silêncio. Sange virou o rosto para vê-la. — Com o que sonhou?
— De onde tirou isto?
— Enquanto dormia você se encolheu ao meu lado. — Fez uma pausa. — E tremia muito. Isto não é normal vindo de você. Ao menos, não dormindo.
Sange arqueou as sobrancelhas. Ela a observava dormindo ou algo do gênero? Resolveu afastar as estranhas dúvidas e dar uma resposta.
— Se eu estava tão mal assim, por que não me acordou?! — Rebateu com uma pergunta.
— Minha raça acredita que sonhos podem vir a serem mensagens do futuro, e por isto devem ser vividos até o fim. E julgando que somos Guardiãs, este tipo de coisa pode ocorrer com uma frequência maior do que acreditamos...
— Sou um pouco cética neste sentido. — Comentou, voltando a olhar para a estrada. — Sonhos são apenas sonhos.
O silêncio voltou a reinar, constrangendo ambas. Sange sentiu-se culpada pela ausência de som e, após alguns passos, abriu a boca para finalmente contar.
—... Mas sonhei com Tales. — Finalmente admitiu. Cyana pareceu levemente satisfeita por ela estar se abrindo. — Sonhei que ele estava em um lugar desértico, vestido com vestes vermelhas, como um líder monge. Parecia muito mais velho, um homem realmente feito. Eu não estava lá. Quer dizer, estava, mas era não necessariamente eu. Era como se... Como se eu fizesse parte dele, como se estivéssemos ligados.
Uma carroça começou a se aproximar ao longe, no sentido contrário a elas. Provavelmente um comerciante cortando caminho, algo bem comum na Estrada do Cão. A Guardiã da Lua ouvia tudo atentamente.
— Ele empunhava minha espada. Levantava Alvorada com fúria, como se estivesse prestes a praticar um ato de vingança. E corria em direção a ele um exército. Tales estava prestes a enfrentar um exército inteiro sozinho.
— Apenas um Guardião possui este tipo de coragem ou poder. — Disse Cyana. Sange assentiu com a cabeça.
— Ele estava sendo iluminado pelo sol.
A carroça passou ao lado delas, com o som de suas rodas e o do cascos dos cavalos sendo a única coisa a quebrar o silêncio que voltou a se formar.
— Você sonhou com Tales sendo o Guardião do Sol. — Afirmou Cyana. Sange tinha ciência disto, mas era difícil afirmar isto para si mesma, julgando que um próximo Guardião do Sol só poderia existir com a morte da mesma. — Acha que foi uma visão? Há quanto tempo você está sonhando com isto?
— Uma visão...? Isto significaria que eu morreria em breve. E eu te falei minha opinião sobre sonhos. — Disse, tornando o tom de voz um pouco triste. Não desejava morrer antes de destruir o líder do mercado negro da Capital e de reencontrar com seu irmão. — Ainda tenho planos para pelo menos uns dois anos.
— Planos? — Cyana pareceu debochar daquilo. — Não existe amanhã, quando ele chega, o chamamos de “hoje”. Como você pretende viver o inexistente?
— As vezes você consegue ser incrivelmente insensível. — Comentou, um pouco emburrada. Não que temia a morte, mas temia alcançá-la sem antes cumprir com tudo o que prometera. Romper promessas era algo pior do que a morte.
— Desculpe-me. — Pediu a Guardiã da Lua, gentilmente. — Mas estamos em guerra, estamos em meio ao caos. Estamos em meio a mentiras. Não podemos viver em esperança, devemos viver o hoje. Consegue me compreender?
Ela tinha seus punhados de razão. Ambas tinham, e no fundo se respeitavam por isto. A Guardiã do Sol respirou fundo e deu um sorriso. Seu sorriso sempre iluminava o dia, e isto não tinha nada haver com o sol.
— Compreendo mais do que imagina. Mas peço que também tente entender minha posição. Temo morrer antes de cumprir minhas promessas...
— Se acontecer, eu cumprirei suas promessas por você. — Falou Cyana, e ambas pararam de caminhar. Entreolharam-se. O comprometimento de Cyana era quase uma prova irrefutável de amor.
E como de costume, o sol encontrou-se com a lua.
XxX
Joan nunca havia visto tantos reunidos na Praça Central. Mas o mesmo nunca fora de cerimônias, então consequentemente nunca estava presente quando a Praça Central estava praticamente explodindo de cabeças. Era uma sensação estranha estar sendo observado diretamente por tantas pessoas em semblantes de dúvida.
A Capital era o menor reino do Reinado — apesar de ser a metrópole -, porém o mais rico, e mesmo assim tinha uma capacidade gigantesca de moradia. O sol era visto no horizonte em meio a nuvens cinzentas, quase escondendo-se atrás das montanhas. A noite viria em breve, e com ela partiria todo o alaranjado que manchava o triste cinza que marcava aquele anuncio.
Sua coroação com certeza seria algo bem visto para aqueles que o respeitavam, mas viria após a “terrível” notícia do falecimento de seu rei. No grande palanque de madeira estavam o Sumo Sacerdote e o líder dos guardas Atrorianos e Protetanos, além do próprio Guardião das Estrelas. Abaixo deles, milhões de pessoas conversando, ansiosas para entenderem o ocorrido. O corpo do rei não estava lá; Nem por uma loucura estaria. Algumas horas mais cedo queimaram o corpo, em uma cerimônia onde apenas os lordes mais ricos presenciaram.
O Sumo Sacerdote vestia-se com um manto longo e negro, como que em luto. Não usava as mesmas joias e adereços que usou no dia da execução de Sange, há tempos atrás, que aos olhos do Guardião das Estrelas parecera ontem. O líder dos Atrorianos e Protetanos estava ao seu lado, de guarda, vestindo uma armadura pesada negra com uma faixa vermelha atravessando seu tronco, elegantemente preparado para qualquer tipo de ataque — que o velho Guardião saberia que não ocorreria. Joan não vestia sua armadura. Estava com vestes finas e caras, como em uma celebração. Havia até feito sua barba, deixando sua aparência um pouco inferior aos quarenta e seis anos que possuía. Mas ninguém reparara nisto. Ninguém nunca desconfiaria que o ex General e Guardião das Estrelas estava feliz com o acontecimento.
Eles estavam cegos pela paz.
— Cidadãos! — Disse o Sumo Sacerdote, aumentando o tom de voz. A massa mais próxima de pessoas diminuiu as conversações, mas ainda assim a multidão estava exaltada. O líder da guarda entregou a ele um berrante, o qual foi utilizado logo em seguida. Toda a multidão se silenciou. Milhões de pessoas em absoluto silencio. Como são fáceis de dominar, pensou Joan, olhando o horizonte, desfrutando da ausência de todo o som. — Cidadãos! Peço-lhe total atenção neste momento. Há uma situação emergencial pela qual lidaremos, mas necessito que se mantenham em calma.
Sussurros preocupados recomeçaram.
— Os tempos de guerra estão próximos. — Próximos, mas não chegaram. Manter isto em oculto ajudará a mantê-los na ignorância... Mas sequer nós próprios temos conhecimento dos acontecimentos no campo de batalha. De certo, isto não me preocupa nem um pouco, pensou consigo mesmo Joan, segurando uma mão a outra atrás do corpo. O sacerdote continuou. — E com estes perdemos a vida de nosso rei.
Agora os sussurros não temiam esconder-se, se transformando em conversas altas. Volta e meia ouviam-se resfôlegos espantados.
— Acredita-se que o mesmo morrera devido a idade. — O próprio sacerdote não gostava de acreditar nisto. O rei mesmo velho mostrava-se saudável, com um espírito tão guerreiro que poderia ter ido para a guerra se não tivesse escutado os conselhos de Joan. Porém, não havia mais explicações. — E horas mais cedo o conselho e os lordes reuniram-se para lidar com o futuro da Capital. É de conhecimento geral que nosso príncipe está em batalha, e até que o mesmo retorne... Nossas leis são claras. Devemos nomear um Protetor, sendo ele dentre os Guardiões... — Pigarreou. — E não há Guardiões além do Senhor Guardião das Estrelas.
O entendimento foi geral, e sem sequer requisito tudo tornou-se absoluto silêncio. O sol mergulhou para o oeste e trouxe escuridão a Capital, e as nuvens densas seguiram o vento, deixando o céu acima da Capital límpido. Era lua nova, deixando com que a abóbada celeste fosse iluminada apenas pelas estrelas, que morreram ao mesmo tempo em que os sorrisos renasceram. Inclusive o de Joan. Nem mesmo durante sua infância, quando vários mercenários buscavam seus venenos, ele recebera tanta atenção como agora. Os cidadãos pareciam satisfeitos em saber que ele seria o Protetor da Capital. Todo o seu desejo infantil de poder foi suprido por um único instante. Todos os anos de dor, fingindo ser quem ele não é, valeram a pena por aquele momento.
As estrelas pareciam estar amaldiçoando-o, fazendo com que aquele momento sublime se tornasse uma grande penumbra. Todavia, seus olhos brilhavam mediante a situação. Ele vencera a guerra antes mesmo que ela chegasse até a Capital. Sequer havia uma coroa em sua cabeça, e já podia sentir todo o poder sobre a palma de sua mão, fazendo cócegas.
— Eu, o Sumo Sacerdote da Capital e do Celeste, nomeio Joan, ex General da Capital e Senhor Guardião das Estrelas, como Protetor da Capital até que o príncipe retorne da guerra.
Se é que ele voltará, pensou o Protetor da Capital, ajoelhando-se em frente ao Sumo Sacerdote. O líder da guarda trouxe uma caixa banhada em ouro até o sacerdote, que a abriu e dali tirou uma coroa. Não era tão magnífica quanto a que um verdadeiro Rei usaria, mas dava os mesmos direitos e poderes. Lentamente, o Sumo Sacerdote pousou a coroa prateada sobre a cabeça de Joan, misturando os fios loiros com a prata sólida.
Quando o Guardião das Estrelas se levantou, o silêncio anterior foi rompido em aplausos.
E sorriu. Um sorriso cortante e frio como a lâmina de uma espada.
XxX
Haviam pego a Estrada do Cão por um motivo muito específico: Acesso aos portões comerciais da Capital. Mas por algum estranho motivo, tudo estava muito vazio. Vazio e silencioso, o que causou leves arrepios em Sange. Em todos esses anos viajando dos outros reinos para a Capital, poucas vezes encontrara a área comercial tão vazia. E em todas as vezes não eram boas notícias que vinham acompanhadas desde vazio.
— O que faremos? Seguimos direto para o Santuário? — Indagou a Guardiã do Sol.
— Melhor não. Algo está acontecendo, não há ninguém nas ruas... Então provavelmente não encontraremos Joan no Santuário. — Respondeu Cyana, olhando ao redor.
Joan. Só de ouvir o nome sentia arrepios. O falso Guardião, que provavelmente tramara tudo o que estava ocorrendo desde antes de ter se tornado a Guardiã do Sol, salvo apenas da guerra que estava ocorrendo por... Culpa de seu pai. Não, melhor não pensar nisto agora. Deveria concentrar-se em tirar tudo a limpo dele e depois resolver os problemas com o Mercado Negro. Questões nem tão antigas assim.
— Seguimos direto para o castelo do rei?
Cyana tentou responder, mas qualquer som que tenha sido emitido por sua boca foi abafado por gritos de alegria e aplausos vindo de algum lugar um pouquinho distante dali. Sange olhou em direção ao som, e então soube no mesmo momento o por quê tudo estava tão vazio.
— Praça Central. — Disseram ambas em uníssono, mudando apenas o tom com que disseram. Cyana em raiva, Sange em preocupação.
Aumentaram o passo para uma caminhada apressada, e a medida com que iam se aproximando passaram a correr. Chegaram na Praça Central em pouco tempo, mas não conseguiram e nem tentaram se esgueirar entre as várias pessoas que espalhavam-se por lá como formigas em um formigueiro. Os olhos azuis e castanhos das Guardiãs mergulharam adiante, passando por todas as cabeças, até que encontraram-se com seu inimigo e uma coroa. Joan sorria.
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