A Guardiã
2 Capítulo Um: O Pacto
Notas iniciais
A guardiã: Nosso destino é a eternidade...
Capítulo Um: O Pacto
Enquanto preparo minhas malas, ouço gritos no andar inferior. É o meu pai se esgoelando lá de baixo.
– Já vou! – Gritei de volta.
– Ande logo, Isa, venha ver! É sobre a Academia! – Ele gritou a palavra mágica. Quando ouvi “Academia”, larguei tudo o que tinha nas mãos e voei escada abaixo, quase trombando com meu pai, Charlie, que vinha subindo.
– Ande, venha ver! – Ele me agarrou pelo braço e me puxou para frente da televisão.
“A Academia de Guardiões já enviou os convites para os jovens pré-selecionados. Esta noite, o baile cerimonial para realização do Pacto acontecerá em grande estilo.” Uma repórter sorridente entoava. “A Academia sempre espera para mandar os convites em cima da hora, como um dos modos de testar os candidatos. Um Guardião deve estar sempre preparado para tudo, inclusive antes mesmo de se tornar um.” Ela deu uma risadinha marota e agradeceu, passando a palavra à âncora do telejornal.
– As cartas devem estar chegando nas próximas horas. – Charlie falou ansioso.
– Minhas malas já estão praticamente prontas, meu vestido está passado, tudo está nos conformes. – Eu falei automaticamente.
Esse havia sido o meu sonho desde criança, incentivado pelo meu pai. Agora que chegou a hora, eu simplesmente nem posso acreditar.
Todo mundo fala como é bom ser o protetor de um Vampiro Branco e eu mal vejo a hora de fazer a minha parte. Quero dizer, eles protegem a nós, humanos, dos Vampiros Vermelhos, então devem ser maravilhosos.
Pra falar a verdade, eu nunca estive com um Vampiro Branco de verdade. Eu apenas os vejo de longe, às vezes quando fazem a patrulha. São tão lindos, tão perfeitos...
Mas pra quê vampiros precisariam de proteção humana não?
Os Guardiões dos Vampiros não são pessoas comuns. Depois que o contrato é selado, eles ganham força e poderes inimagináveis. Enquanto os vampiros dormem durante o dia, os seus Guardiões os protegem. À noite, quando estão acordados, os servem fielmente.
Mas deve ser uma droga ser o servo de alguém não?
Claro que não.
Os Guardiões são privilegiados. Todos os humanos os adoram, gostariam de ser como eles. Mas nem todos conseguem.
A maioria de nós, quando completa dezesseis anos, escreve para a escola de Guardiões. Alguns são convocados a uma cerimônia onde os Vampiros Brancos mais novos escolhem os seus Guardiões definitivos. A pré-seleção inclui vários aspectos, incluindo notas e boa saúde, dentre outras coisas.
Eu, pelo menos, esperava ser pré-selecionada, o que já seria uma grande honra para uma debutante como eu.
Os Vampiros atingem a maioridade com dezessete anos e é nessa idade que se desligam de suas famílias e vão para a escola de Guardiões. Lá, treinam junto com seus servos antes de assumirem seu lugar de direito como Patrulheiros.
Todos os Vampiros treinam para isso desde o momento em que nascem, só que alguns se desencaminham, caem na tentação do sangue humano e não conseguem sair. Esses são chamados de Vermelhos.
Alguns têm apenas um deslize, mas conseguem se recuperar.
Já a maioria nunca se quer provou o sangue de um humano comum.
Essa também é outra função dos Guardiões. Os Vampiros Brancos se alimentam do sangue dos seus Guardiões, que são fortes o suficiente para agüentar a força e a intensidade do ato.
Um humano comum, quando atacado, morre.
Se eu vou me alistar pra ser a comida de alguém?
Quase isso.
Mas como eles se alimentavam antes de ter um Guardião?
É aos dezessete que a sede se manifesta. Antes disso, a comida humana comum é suficiente para saciá-los.
Também é nessa idade que o envelhecimento começa a diminuir. Eles mantêm a aparência de jovens de dezenove ou vinte anos para sempre.
Então é isso.
Pode parecer idiotice para alguns, mas eu cresci ouvindo histórias de como os Vampiros Brancos lutaram bravamente para cuidar dos humanos. Meu pai adora me contar essas coisas.
A minha mãe foi morta por um Vampiro Vermelho quando eu tinha três anos. Eu estava com ela e quase fui morta também, mas um Vampiro Branco me salvou.
Sir Carlisle Cullen. Um dos mais poderosos e adorados Vampiros de todos os tempos. Ele é simplesmente maravilhoso e eu tenho esperança de que possa servir a um Vampiro quase tão bom quanto ele.
Por isso meu pai está quase mais animado do que eu com a perspectiva de eu entrar para a Academia. Ia ser a realização de seu sonho. Ele também se inscreveu quando era jovem, foi pré-selecionado, mas nenhum Vampiro o reivindicou. Isso acontece muito.
Acontece que o contrato entre Vampiro e Guardião é invocado com uma magia antiga e poderosa. Eles estão destinados a estar juntos e quando o contrato é selado, a vida de um está ligada à vida do outro. Pelo menos a vida do Guardião está.
Se seu Vampiro protegido morrer, você morre junto com ele. Mas se o Guardião morrer, o mesmo não acontece com os Vampiros. Embora um Vampiro que tenha perdido seu Guardião nunca mais se torne o mesmo. A maioria fica sozinho pelo resto da vida, alguns desistem de ser Patrulheiros e desaparecem. Poucos são os que decidem tentar invocar outro Guardião, mas isso é praticamente impossível. Na maioria das vezes eles estão destinados a apenas um Guardião, por toda a eternidade.
Sim, por que os Vampiros vivem para sempre, a menos que sejam assassinados. E enquanto um Vampiro viver, seu Guardião viverá. Com isso, ganham a imortalidade.
Essa é uma das coisas pela qual estou mais ansiosa. Viver para sempre deve ser maravilhoso.
Enquanto eu devaneava ao lado do meu pai, que estava quase mais sonhador do que eu, ouvimos o gemido da portinhola de cartas. Soltei um gritinho histérico e Charlie correu para pegá-las.
Academia para Formação de Guardiões
Diretor: J.J. Philips
Vice-diretor: M.L. Dickenson
Prezada senhorita Isabella Marie Swan,
Temos o prazer de convidá-la para o Baile Anual de Contratação da Academia, devido ao seu delicado pedido de aceitação.
Pedimos que compareça pontualmente hoje à noite, às oito da noite, no endereço indicado abaixo. Internamento imediato em caso de convocação.
Traje a rigor.
Boa sorte.
M.L.Dikenson.
Vice-diretor.
– Você foi selecionada! – Charlie gritou com os olhos cheios de lágrimas.
– Ah, eu não acredito! – Eu gritei de volta.
– É, mas calma filha. Esse é apenas o primeiro passo. – Ele falou. Estava tão emocionado quanto eu, talvez até mais, mas não podíamos nos precipitar. Ainda havia muita coisa pela frente.
– É, eu sei pai. – Eu falei. Olhei novamente para a carta.
Internamento imediato em caso de convocação.
Meu pai estava incluído no convite também. Essa seria a ultima vez que o veria por pelo menos seis meses, se fosse escolhida. Já sabíamos que isso aconteceria, mas me senti repentinamente ansiosa. Não queria deixar meu pai sozinho nessa casa. Havia tantas lembranças perdidas aqui.
– Papai, eu... – Eu comecei, olhando para ele. Meu pai deve ter visto algo em meu olhar, por que sorriu imediatamente.
– Shh. Não precisa se preocupar, criança. Vai ficar tudo bem. – Ele me garantiu.
Não insisti no assunto, ou acabaria criando um clima ruim.
Fui então arrumar minhas malas. (Mentira, elas já estão arrumadas!)
Vasculhei o quarto em busca dos mínimos detalhes que pudessem estar fora do lugar e me despedi dele.
Mesmo morando perto da academia, os alunos iniciantes não recebiam permissão para deixar a Academia pelos primeiros seis meses. Eles diziam que tínhamos de nos desligar de nossas famílias para sermos realmente fortes. E isso incluía os Vampiros também.
Então, às sete e meia o carro estava carregado.
Eu estava vestida em um modesto vestido negro de cetim, com um broche de diamantes que fora da minha mãe preso no peito. Arrumei meus cabelos chamativos, muito vermelhos, em um coque alto e me maquiei de um jeito que vi na televisão. Minha mãe não teve tempo de me ensinar essas coisas, mas acho que ficou bom.
Meu pai estava de smoking. Ele era bem jovem e muito bonito. Eu sempre insistia para que ele voltasse a namorar, mas ele insistia que não queria. Minha mãe havia sido o amor de sua vida e ele ainda não tinha superado a perda.
Muitos carros se aproximavam dos muros da Academia a estas horas.
O lugar era uma mansão enorme, antiga e muito bem cuidada. Eu já tinha ouvido rumores sobre passagens secretas e outras coisas estranhas. Eu, pra falar a verdade, achava tudo muito legal.
A frente da mansão, que incluía uma varanda enorme, que a circundava inteira, estava decorada com luzes brancas muito intensas. Luzinhas brilhavam enroladas nas plantas e as grandes portas de folhas duplas estavam totalmente abertas.
Dois homens de fraque recebiam os convidados na porta. Deveriam ser mordomos, devido ao modo servil com que se dirigiam às pessoas. Estacionamos e nos dirigimos às portas de braços dados.
Eu até conhecia alguns dos humanos ali. Muitos haviam estudado comigo no ensino fundamental e outros ainda eram meus colegas de classe no ensino médio. Eu não precisaria voltar à escola se conseguisse entrar para a Academia. Isso já não importaria.
E os Vampiros?
Eu nunca tinha chegado tão perto de um.
Eles tinham um cheiro maravilhoso, eram lindos e altivos. Simplesmente perfeitos. Eles sorriam, acenavam com a cabeça, cumprimentavam. Era um sonho.
Meu pai e eu nos sentamos a uma mesa que continha o nosso nome. Não pude deixar de reparar que haviam agrupado vampiros separados de humanos e não entendi bem por que.
Logo esqueci essas coisas, por que o diretor, o Sr. Philips, começou a falar.
– Sejam bem vindos todos a esta maravilhosa cerimônia. A cada seis meses recebemos jovens corajosos nesta Academia, que estão dispostos a dedicar sua vida a uma causa nobre. – Ele começou, comovido. – Ao longo dos anos tenho visto muitos humanos valorosos, dispostos a abandonar sua mortalidade e com isto, sua família, pelo bem maior.
“Esta noite, alguns de vocês serão escolhidos pela coragem e sinceridade de seus corações. Alguns voltarão para casa decepcionados, mas não se preocupem. Nós todos temos um papel importante a desempenhar neste mundo, seja aqui dentro, seja no mundo lá fora. Mais uma vez, sejam bem vindos.”
Todos aplaudiram aquelas palavras e eu senti um frio na barriga. Começava mais uma vez a me sentir ansiosa, mas agora pelo fato de talvez não ser escolhida. Isso foi tudo que sempre imaginei para mim. Se não conseguisse, não sei o que faria.
O vice-diretor disse algumas palavras também e uma música começou a tocar, os garçons passaram a servir comida e bebida. Meu pai já havia achado algum conhecido e estava no maior papo. Comecei a observar as pessoas na sala, uma a uma, tentando saber quem eram os vampiros mais novos, os que nos escolheriam hoje.
Um rapaz alto com cabelos loiros e olhos verdes encontrou o meu olhar. Era um vampiro e piscou para mim com um sorriso maroto. Desviei o olhar, constrangida. Nunca tinha visto um vampiro se comportar assim.
Olhei de esguelha novamente.
Ele estava em uma mesa com outros vampiros barulhentos. Eles riam e cutucavam uns aos outros. Pareciam estar se divertindo muito. Achei estranho ver um vampiro sorrindo. Os da Patrulha estavam sempre tão sérios... Mas acho que esses eram muito jovens ainda, por isso eram tão animados. Esperava que quem me escolhesse não fosse tão bobo. Seria constrangedor.
Quando a comida finalmente acabou e estavam todos satisfeitos, o silencio começou a se abater entre todos. A ansiedade começou a pairar sobre a sala como uma massa palpável. Estava chegando a hora da convocação.
O diretor se levantou e voltou a falar.
– Jovens Patrulheiros se preparem. Venham aqui à frente, por favor. – Ele chamou. Cerca de dez vampiros se levantaram e se postaram à frente das mesas, logo abaixo do palco.
É, decididamente havia mais candidatos humanos do que Vampiros Patrulheiros para escolher. Isso realmente me preocupou.
– Agora os candidatos, se apresentem. – Ele disse. Olhei para o meu pai, que sorriu me encorajando. Então me levantei e me juntei aos outros humanos que se enfileiravam à frente dos vampiros, de costas para as mesas. Éramos cerca de vinte e seis.
– Como todos sabemos, o Vampiro e seu Guardião estão predestinados. Uma vez que se escolhe um Guardião, suas vidas estarão ligadas pela eternidade. Quando um Vampiro perde seu companheiro, é quase impossível que se consiga outro, mesmo se alguém quisesse tentar se submeter a isso. Mas a dor da perda é grande demais. É um pedaço que se perde. Logo, o ritual de escolha é simples. Todos os humanos têm o mesmo cheiro para os vampiros. Com uma pequena magia antiga, invocamos a sede dos novos vampiros e eles serão atraídos por uma fragrância especial, de um dos jovens que se ofereceram bravamente para este ritual. Depois que o vampiro provar o sangue de seu escolhido, o contrato está selado para sempre e a magia, finalizada. Então, boa sorte a todos.
O diretor juntou as palmas das mãos e fechou os olhos, murmurando coisas que não dava para entender. Apenas ele podia invocar essa magia. Era um segredo passado de diretor para diretor e ninguém mais. Ele terminou o que dizia com um suspiro e em seguida abriu os olhos.
– Vampiros, fechem os olhos e deixem-se ser guiados pelos seus instintos. – O diretor ordenou. E foi o que fizeram. Senti minhas pernas ficarem bambas em expectativa.
Os vampiros começaram a se mover devagar. Uma garota morena se dirigiu a um rapaz no fim da fila, ela cheirou seu pescoço por alguns segundos antes que suas presas surgissem e ela o mordesse. Tive um pouco de medo, ao presenciar aquela cena. Será que doeria?
Outros vampiros começaram a se mover. Eu vi o loiro que havia piscado para mim mais cedo começar a andar na minha direção. Meu estômago embrulhou, mas ele passou direto por mim para o garoto loiro ao meu lado.
Faltavam poucos agora.
Surpreendi-me quando vi um rapaz de cabelos acobreados vindo para cima de mim. Quase gritei, mas consegui me conter quando ele segurou os meus ombros.
Sua cabeça desceu, se aproximando do meu pescoço. Esfregou longamente seu nariz na minha clavícula, fazendo arrepios me percorrerem a espinha.
Então senti seus lábios se abrirem, passeando macios pela minha pele. Agarrei a manga de sua camisa por reflexo. Eu estava realmente com medo agora. Então seus dentes penetraram a minha pele e o medo se foi.
Senti meu sangue fluir pela minha jugular, seguindo as batidas do meu coração acelerado. Logo não era apenas o meu coração que eu podia sentir. O dele estava calmo, ritmado, e o meu logo se acalmou para acompanhá-lo. Agarrei-me mais a seu corpo, a mente leve como nunca havia estado antes. Senti um ardor se espalhar do local da mordida por todo o meu corpo.
Não era ruim, era apenas... Diferente.
Eu me senti diferente, mudada de alguma forma.
E quando aquele vampiro desconhecido me soltou, encarei seus grandes olhos azuis como se nos conhecêssemos há muito, muito tempo.
A cerimônia havia acabado.
Agora eu era dele por toda a eternidade.
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