A Guardiã
26 Capítulo Sete: Resgate Parte 2
Notas iniciais
A guardiã: A morte é apenas o princípio...
Capítulo Sete: Resgate (Parte 2)
Logo após deixarmos o Distrito N para trás, chegamos ao ponto onde o rastro dos Vampiros Vermelhos desaparecia. O caminho que seguíamos desviava-se para uma estrada menor lateral, de terra batida, que terminava numa reserva abandonada.
Um grande portão de ferro desmantelado marcava o inicio da propriedade. Depois dele havia uma área de terreno gramado, mais além havia apenas uma floresta que seguia até o cume de uma montanha não muito alta. Não dava para enxergar nada, apenas árvores.
– O que faremos? – Renesme perguntou quando descemos do ônibus. Olhei ao redor, procurando algo que chamasse atenção, mas não havia nada.
– Acho que devemos seguir a pé daqui. – Edward falou.
– Temos que tomar cuidado. Os Vampiros Vermelhos se separaram aqui. Nada nos garante que eles não continuam escondidos pela floresta, esperando para atacar qualquer um que se aproxime. – Eu falei.
Algo naquele lugar me deixava com um mau pressentimento.
– Isie está certa. Temos que ficar cem por cento alertas a partir daqui. – Edward concordou. – Vamos pegar os nossos suprimentos e seguir em frente.
Cada um pegou uma grande mochila e enchemos com comida, roupas e barracas de acampamento. Edward ia levando o telefone com ele. Minhas espadas iam amarradas às minhas costas, prontas para serem sacadas a qualquer momento. Os outros estavam igualmente preparados, alertas a qualquer movimentação.
Estacionamos o micro-ônibus fora da reserva, escondido entre as árvores ao lado da estrada. Dali, seguimos a pé por uma trilha escondida, em direção ao topo da montanha.
A floresta estava muito calma. Calma demais. Eu estava inquieta, nervosa sem entender direito por quê.
– Você está bem? – Edward perguntou, segurando a minha mão e seguindo ao meu lado pela trilha.
– Estou sim. – Falei. Não havia o que dizer. Aquela sensação poderia ser apenas nervosismo, já que não tínhamos mais noção de para onde ir.
– Eu sei que faltam apenas mais dois dias, mas vamos conseguir. – Edward falou, tentando me confortar.
– Eu sei. – Eu disse fazendo força para acreditar, esfregando a nuca. Então perguntei. – Você está ouvindo isso?
– O quê? Não estou ouvindo nada. – Edward falou.
– Exatamente. Não há som algum. – Eu falei.
– Eu também achei isso estranho. – Jake disse, aproximando-se de nós com Renesme. – Nunca vi uma floresta tão quieta.
Edward franziu a testa, olhando ao redor. Andamos em silêncio, tentando escutar algo.
Seguimos subindo durante a noite inteira, rápida, mas cuidadosamente. O silencio anormal daquela floresta estava realmente me incomodando. Onde estavam os animais? Por que não havia nenhum dos sons normais que um lugar como aquele devia ter?
Perto do amanhecer, armamos as barracas e os nossos mestres se prepararam para dormir. A floresta onde estávamos ainda era bastante espaçada e o sol penetrava facilmente.
Eu e os outros Guardiões comemos e passamos o dia descansando, atentos a tudo. Mesmo que os Vampiros Vermelhos não pudessem sair durante o dia, nenhum de nós conseguiu relaxar. Parecia que eu não era a única a sentir a tensão que emanava daquele lugar.
Naquela noite voltamos a nos movimentar o mais rápido que podíamos. Conseguimos avançar até um quarto da montanha, mas foi aí que encontramos o primeiro obstáculo.
Estávamos seguindo uma trilha mais apertada, com árvores mais juntas, que não deixavam a luz da lua crescente passar. Ouvimos galhos estalarem pela primeira vez desde que seguimos aquela trilha.
Paramos e nos entreolhamos, prestando atenção. Ouvimos então som de passos, de pessoas correndo. Jogamos nossas mochilas no chão e sacamos as nossas armas, observando e esperando.
Cerca de duas dúzias de vampiros surgiram de entre as árvores ao nosso redor, armados e irritados.
– Vocês não têm o que fazer aqui. Vão embora, esse lugar é nosso. – Um deles gritou enquanto corria.
– Mas vocês têm algo que me pertence. – Eu gritei de volta.
Edward se adiantou, comigo ao seu lado. Aparamos os primeiros golpes desferidos. Usei minha Wakisashi para me proteger de uma lança e ataquei com a minha Katana. Meu oponente imediatamente se dissipou com o vento.
Outro vinha atrás dele, brandindo um machado. Girei ao redor dele rapidamente, enfiando a minha espada em seu pescoço, e ele também desapareceu. Edward estava a poucos passos de mim e eu vi quando ele puxou a espada da barriga da mulher que lutava com ele, bem na hora que ela sumia.
Olhei ao redor e vi Mike lutando com dois vampiros ao mesmo tempo. E por incrível que pareça ele estava indo bem. Fiquei genuinamente impressionada com o tanto que ele havia aprendido naquele pouco tempo desde que havíamos deixado a academia. Ele os venceu rapidamente.
A maior parte dos vampiros que haviam nos atacado havia sido destruída. O último foi levado pelo vento sob a espada de Tyler.
– Bom, isso só pode indicar que estamos no caminho certo. – James disse.
– Concordo. – Edward falou.
– Vamos continuar. – Eu incitei.
Guardamos nossas armas, pegamos nossa bagagem e voltamos a caminhar. A floresta foi ficando cada vez mais junta, até que não se podia saber se era noite ou dia. A trilha havia sumido completamente, mas continuamos rumando em direção ao topo.
Não sei quanto tempo nós passamos naquela caminhada. Em determinado momento, paramos para descansar e nos alimentar, tanto vampiros quanto Guardiões. Eu me arrisquei a subir em uma árvore e, ao emergir nos galhos superiores, vi que era noite. A lua cheia seria amanhã e ainda não conseguia ver nada além de mais topos de árvores.
– Viu alguma coisa? – Angie perguntou assim que eu desci.
– Não, apenas árvores. – Falei.
– Bom, temos que ir em frente. – Ben sentenciou.
O descanso estava acabado, então seguimos novamente. Subindo, subindo cada vez mais.
O segundo obstáculo surgiu alguns quilômetros à frente. Um grupo ainda maior de Vampiros Vermelhos nos atacou em uma clareira estreita.
Não pude contar quantos eram, pois surgiram repentinamente. Quando ouvimos seus movimentos, eles já estavam perto demais. Mas nós já estávamos prontos.
A luta foi mais difícil ali. A princípio lutei com dois vampiros ao mesmo tempo, girando e me defendendo de seus golpes. Os dois me cercaram, mas quando atacaram, achando que haviam vencido, rapidamente saí do meio, deixando que um enfiasse a espada no peito do outro, então os dois foram levados pela brisa.
Edward estava de costas coladas com Jacob e os dois lutavam bem. Victoria, no entanto, estava tentando se defender de três vampiros que a atacavam covardemente. Corri para ajudá-la, eliminando um deles, que estivera de costas para mim. Vi que Victoria havia sido cortada no braço e continuei a lutar, protegendo-a. Mesmo ferida, ela se defendia bem.
Outros vampiros nos atacaram, mas eu continuei ao seu lado. Logo James se juntou a nós. Sete, quinze, vinte e dois... Perdi a conta. Mas nosso grupo era forte e estávamos determinados. Logo, a luta acabou, com um Vampiro Vermelho correndo por entre as árvores, tentando escapar.
Não sei se foi apenas raiva que me levou a segui-lo. Um turbilhão de sentimentos girava dentro de mim desde que haviam levado Caleb, principalmente agora que a lua cheia estava tão próxima, mas fosse o que fosse, eu corri atrás dele.
Era um homem de cabelos pretos e olhos castanhos. Quando cheguei a uma distancia considerável, lancei minha Wakisashi em sua direção, fazendo-o tropeçar nela. Ele caiu de cara e eu consegui me jogar sobre ele.
– Quantos de vocês há nessa floresta? – Perguntei, ajoelhando-me sobre seus braços e sentando-me sobre o seu peito. Ele não poderia escapar de mim.
– Muitos. Mais do que vocês podem sonhar em derrotar. – Ele disse, rindo de forma meio descontrolada.
– O que vocês fizeram com o meu filho? – Eu quis saber, afundando meus dedos em seu pescoço, pronta para quebrá-lo. Ouvi ruídos que me mostraram que meus companheiros de viagem haviam me alcançado, mas nenhum deles disse nada.
– Mandaram pegar um bebê e pegamos o bebê. O que foi feito dele não me importa. – O homem falou. Sua voz soava estrangulada devido às minhas mãos apertando seu pescoço, mas ainda assim ele sorria.
– Quem mandou? – Exigi.
– Não é da sua conta, sua insolente. – Ele disse. E então começou a gargalhar loucamente. – Nosso mestre vai derrotar vocês. Todos vocês. E então o mundo será nosso novamente.
Obviamente o homem era meio louco. Levantei-me de cima dele e, assim que fiquei de pé, ele tentou me atacar. Com um único e rápido movimento, cravei minha espada em seu peito e ele desapareceu.
– Parece que eles não sabem o que Caleb é e o que queriam dele. – Eu disse, guardando as minhas espadas e pegando a minha mochila que Edward carregava.
– Não acho que quem os esteja comandando dê muitas informações aos miseráveis. Não iria se arriscar com um bando de loucos como estes. Apenas faz promessas e diz o que fazer. – Jacob falou.
– Bom, temos que parar um pouco. Acho que estamos chegando perto agora, e o que quer que esteja nos esperando, não podemos estar cansados, feridos e famintos. – Renesme disse.
Todos concordaram. Embora eu estivesse mais inclinada a continuar, tive que admitir que ela estava certa. Amanhã seria lua cheia e eu tinha a nítida impressão de que seja lá quem fosse que estivesse com Caleb, não desistiria dele facilmente.
Voltamos à clareira onde havíamos sido atacados e nos sentamos em alguns troncos caídos. Ali era possível ver uma parte do céu e a lua se destacava por entre os galhos, como que me provocando.
Edward sentou-se ao meu lado, colocando o braço sobre os meus ombros.
– No que você está pensando? – Ele quis saber.
– Eu... – Minha voz falhou. Pigarreei e tentei novamente. – Estava imaginando o que aconteceria se chegássemos tarde demais.
– Não pense nisso, ma petite. Nós vamos vencer. Nós temos que vencer. – Ele disse, apertando levemente o meu ombro, me confortando. Deitei a cabeça em seu ombro e voltei a mirar a lua.
– Não importa o que aconteça, eu não me arrependo de nada. – Falei, voltando a olhar para Edward. – Ter me alistado, ser sua Guardiã, as nossas brigas, Caleb... Eu não me arrependo de nada.
– Nem eu. – Ele disse, colando levemente seus lábios nos meus.
Ouvimos um pigarro e então Jake, com um sorrisinho no rosto, veio me entregar um sanduíche. Agradeci pela comida e taquei um graveto no mané.
Eu não estava com fome, mas mesmo assim engoli o sanduíche. Em seguida Edward se alimentou, mordendo o meu pulso. Ficamos por ali até que nossas feridas se curassem. A maioria tinha apenas alguns arranhões, mas Alec havia levado um corte na perna e Victoria fora ferida no ombro. Logo que eles se curaram, voltamos a andar.
Mais à frente, as árvores voltaram a ficar espaçadas. Estávamos quase chegando ao topo da montanha. Continuamos seguindo, mas o amanhecer estava próximo.
– Não podemos parar. – Edward disse. – Amanhã será noite de lua cheia. Temos que encontrá-lo antes disso.
– É verdade, temos que seguir com as roupas de proteção. – Ben concordou.
Abrimos nossas mochilas e pegamos as roupas que haviam ali para que os vampiros se movessem durante o dia. Ajudei Edward a colocar todas as camadas de roupas pretas, capuz, óculos e chapéu.
Pouco depois o dia amanheceu. As árvores logo sumiram, dando lugar a pedregulhos enormes. Andamos com cuidado por entre eles, o caminho esculpido na rocha pelo tempo. Ali o terreno ficava cada vez mais íngreme.
Quando a tarde já ia pela metade, encontramos o que nem sabíamos estar procurando.
Estávamos dando a volta em um pedregulho particularmente grande, totalmente esbranquiçado pelos elementos. Quando finalmente conseguimos contorná-lo, demos de cara com um arco esculpido na rocha, que emoldurava uma entrada gigante na montanha.
Olhamos ao redor e entramos.
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