A Guardiã
12 Capítulo Onze: Death Knight
Notas iniciais
A guardiã: Nosso destino é a eternidade...
Capítulo Onze: Death Knight
Fiquei deitada, velando o sono de Edward durante o resto da noite e todo o dia seguinte. Não sentia fome, apenas o desejo de ficar perto dele, mesmo que estivesse dormindo.
Ele acordou logo que anoiteceu.
Creio que teve um pesadelo, pois se sentou subitamente e, como ele ainda me segurava apertado em seus braços, me levou junto.
Ele suspirou e me olhou daquele jeito assustado e sonolento que as pessoas ficam quando acordam de um sonho ruim. Isso e o cabelo amassado de um lado e arrepiado do outro o tornavam a coisa mais fofa que eu jamais havia visto, incluindo na conta aqueles filhotinhos de gato do dia dos namorados, sabe?
Sorri para ele.
Edward levou sua mão ao meu lábio inferior, acariciando-o com o polegar. Em seguida afastou meu cabelo do rosto e desceu seus lábios sobre os meus. Sua língua deslizou macia entre eles, me fazendo suspirar.
Ele então se afastou um pouco, me olhando com atenção.
– Sonhei que havia perdido você. – Ele disse com uma ruga entre os olhos.
– Isso não vai acontecer. Esqueceu que eu sou a Super-Guardiã? – Eu falei divertida, passando o dedo entre suas sobrancelhas para relaxar aquela ruguinha incômoda. Edward olhou para o símbolo entre meus seios nus.
– Isso é assustador. – Ele comentou passando um dedo ali. Estremeci levemente.
– O fato de eu ainda estar viva depois do que aconteceu ou o que houve enquanto eu apaguei? Por que você ainda não me contou nada sobre aquilo né? – Eu disse perspicaz.
Edward me olhou nos olhos profundamente.
– Aquilo foi... Bizarro e impressionante ao mesmo tempo e... Arrepiante. – Ele falou desconfortável.
– O quê? – Eu quis saber.
– Isie... Você estava lá, mas ao mesmo tempo... Não era você. E seus olhos... Eles estavam negros, quero dizer... Totalmente negros. – Ele falou com os olhos muito abertos como uma criança assustada.
– E o que isso significa? – Eu quis saber, acariciando o lado de seu rosto.
– A melhor pista que eu tenho é quando Alice disse que isso era por minha causa. Só posso imaginar que eu sou algum tipo de aberração ou algo assim. – Ele falou pensativo.
– Temos que falar com ela então. – Eu finalizei.
Nessa hora ouvimos uma batida na porta. Ficamos de pé e Edward jogou uma de suas camisas para mim, que chegava um pouco acima dos joelhos. Ele vestiu uma calça e foi abrir a porta.
Eu perdi o fôlego e corei de vergonha quando reconheci as pessoas paradas ali, mesmo que eu apenas as tenha visto na televisão. Carlisle Cullen e Esme. O homem tinha cabelo loiro, meio acobreado, e os mesmos olhos azuis de Edward. Aparentava ter uns vinte anos, como a maioria dos vampiros, mas dava para ver que era mais velho. Era como se sua experiência transparecesse por todos os seus poros. Já a mulher tinha cabelos e olhos castanhos e jeito doce, embora eu soubesse que não devia ser tão doce assim, já que era uma das melhores Guardiãs que havia.
– Meu filho! – O homem falou adentrando e puxando Edward para um abraço. Não foi muito bem correspondido, pelo que eu pude notar. Edward parecia mesmo desconfortável. Quando se soltou do pai, no entanto, Edward praticamente se jogou nos braços de Esme.
– Mãe! – Ele exclamou feliz.
– Que bom que está bem, meu filho. – Ela falou com uma voz baixa e calma.
– Essa é sua Guardiã, Edward? – Carlisle me olhou dos pés à cabeça com curiosidade.
– Sim. Isabella, meu pai, Carlisle. Essa é Esme, sua Guardiã. – Ele me apresentou.
Avancei meio insegura para apertar-lhes as mãos.
– Ouvi comentários de que sua aventura no mundo exterior foi muito bem sucedida, filho. Parabéns. – Carlisle falou depois de um último olhar neutro para mim.
– Obrigado pai. – Edward falou com a voz dura.
– O seu primo pediu que fosse vê-lo, Edward. Ele disse que precisam conversar. – Esme contou.
– Ah, sim. Já estávamos indo. Obrigado. – Edward falou.
– Nos vemos novamente mais tarde, então. Esme e eu vamos ficar aqui no forte por uns tempos. – Carlisle falou saindo depois de dar uma tapinha nas costas de Edward. Esme o beijou na bochecha, sorriu para mim e o acompanhou. Edward fechou a porta logo em seguida.
Ele suspirou, parecendo cansado, e foi sentar-se na cama.
– Seu pai pareceu meio... Seco. Se meu pai soubesse do que passamos lá fora, começaria a chorar como uma criança. – Falei, tentando quebrar o clima estranho. – Já sua mãe parece legal, mas você não se parece muito com ela, quero dizer, fisicamente.
Edward me olhou com uma sobrancelha erguida e sorriu de lado.
– Você acha que Esme é minha mãe de verdade? – Ele perguntou divertido.
– E não é? – Repliquei confusa.
– Não. Quero dizer, era ela que sempre estava lá para me proteger quando meu pai ficava bravo por eu não ser tão perfeito quanto ele. Pelo menos quando ele não me largava em algum colégio interno e passava às vezes mais de um ano sem me visitar. Coisa que, na realidade, todos os vampiros fazem com os filhos. – Edward falou amargurado.
– Eu sinto muito. – Falei sentando-me ao seu lado e colocando o braço em volta de seus ombros. – Mas quem é sua mãe então?
– Nós nunca sabemos. Os vampiros tem essa regra estúpida de que as crianças têm que ser criadas longe das mães vampiras para ser mais fortes. – Ele disse franzindo os lábios.
– Mas então... E se seu pai tivesse tido um filho com Esme, o que fariam? – Eu perguntei meio confusa. Edward me olhou como se eu fosse retardada.
– Vampiros e Guardiões não podem ter filhos, Isie. É impossível. – Ele falou agora ficando sério.
– Por quê? – Eu perguntei muito surpresa.
– Por que somos de espécies diferentes. Isso não é biologicamente possível. – Edward falou agora com a voz dura, sem olhar para mim.
– Eu não estou entendendo direito como isso funciona Edward. – Eu disse simplesmente, me empertigando ao seu lado.
– Quando chegamos à idade certa, nossas famílias escolhem os parceiros que julgam melhores para nós e então, procriamos. – Ele falou simplesmente.
– Mas eu nunca ouvi dizer que os vampiros casavam. – Eu comentei começando a ficar com raiva daquela situação. Sentia minhas bochechas esquentarem apenas por imaginar Edward procriando com alguma vampira por aí.
– Nós não casamos. Nossos únicos parceiros eternos são vocês, nossos Guardiões. – Ele falou ainda sem me olhar.
Mas eu já não estava prestando atenção. Só havia uma coisa em que eu podia pensar no momento.
– E então? Já escolheram uma parceira para você? – Eu quis saber, falando por entre os dentes e cruzando os braços com força.
– Bom, eles esperam até a maioridade para isso, você sabe. É quando estamos maduros o suficiente, entende, pra... Bom... – Era impressão minha ou ele estava fugindo da pergunta?
– Quem é? – Perguntei irritada.
– Renesme. – Ele falou finalmente.
– Mas ela é sua prima! – Eu falei revoltada.
– Geralmente gostam que procriemos entre parentes. Irmãos e primos principalmente, para preservar a linhagem. – Ele falou com a voz grave.
Fiquei em silêncio, sendo atingida por uma onda indistinta que eu não reconhecia. Pensei em Renesme.
Ela era bem bonita, na verdade, com os cabelos acobreados como os de Edward e seus incríveis olhos violeta.
É, eu não tinha como competir com ela. Embora eu tivesse a leve sensação de que não era bem uma competição. O que eu era, afinal, além de uma mera serva para Edward? Quero dizer, ele precisava de mim. Era por isso que ele se preocupava comigo. Ele se alimentava do meu sangue e eu o protegia, então, era bem óbvio que ele tivesse medo de me perder.
Já eu... Sentia-me despedaçada por dentro. E quando eu fico magoada... Bom, a coisa fica feia. Por que eu só consigo ficar com raiva, muita raiva. E geralmente quando eu fico com raiva eu fico meio irracional, se é que vocês ainda não perceberam isso.
Foi por esse motivo que eu me levantei.
– Seus filhos serão lindos. – Falei impassível, andando até minha bagagem para pegar uma roupa.
– Isie... – Edward chamou com um tom de súplica na voz. De costas, não consegui sentir nem um pouco de pena dele.
– E eu? – Atirei de repente, sem me virar.
– E você o quê? – Ele perguntou desconfiado.
– Quando eu vou procriar? – Voltei-me para ele com as sobrancelhas erguidas.
– Não entendi. – Ele disse simplesmente.
– Ora, eu tenho que ter filhos um dia não? Não vou precisar procriar com algum Guardião ou coisa do gênero? – Perguntei indiferente.
– O quê? Não! Nunca! Ninguém além de mim vai tocar você desse jeito! – Ele falou se levantando da cama e ficando de frente para mim, parecendo furioso.
– É o que veremos. Aposto como Jake toparia numa boa... – Eu falei parecendo pensativa, mas me sentido maldosamente satisfeita por dentro quando ele arregalou os olhos para mim. Eu nunca disse que era boazinha, disse?
– Não! Isabella, eu a proíbo de deixar qualquer outro homem te tocar. Proíbo-a de procriar com qualquer um! – Ele falou autoritariamente e senti o poder de suas palavras em mim. Lembrei-me de quando ele prometera nunca mais usar esse poder contra mim e trinquei os dentes. Ali estava ele fazendo exatamente o que havia dito que não faria. – Você entendeu?
Apertei os dentes com mais força para não deixar o “Sim” escapar de meus lábios. Meus olhos começaram a arder quando minha cabeça fez que sim para ele sem o meu consentimento.
Minha raiva só cresceu.
Dei-lhe um soco no peito. Não muito forte, mas o suficiente para ele dar um passo atrás e me olhar surpreso.
– Eu te odeio, sabia? Odeio! – Eu gritei, me virando para marchar em direção à porta.
– Volte! – Ele mandou.
Meu corpo estacou e eu parei, me voltando para ficar de frente para ele. Encarei a parede atrás dele, o rosto impassível e me segurando para não chorar na sua frente. Como eu disse, racionalidade não é o meu forte nesses casos.
– O que foi isso? – Ele perguntou exasperado. Fiquei resignadamente em silencio, sem encará-lo. – Ficou maluca, Isabella?
Finalmente fiquei de saco cheio e olhei para ele com raiva.
– Não sou eu que quebro promessas, então não fale comigo nesse tom. – Eu disse sem inflexões na voz. Ele pareceu confuso por um segundo, em seguida a compreensão se espalhou por seu rosto e, ainda depois, a culpa.
– Isie... Eu... Desculpe-me por isso, mas você... Você sabe que me provocou! – Ele disse nervosamente. Continuei meramente a olhá-lo com cinismo. – Diga algo!
– Claro, mestre. Perdoe-me. – Eu falei me ajoelhando à sua frente e curvando a cabeça obedientemente.
É óbvio que ele percebeu a ironia do meu gesto e soube que eu estava fazendo aquilo apenas para irritá-lo.
– Chega de ironias, Isabella. – Ele falou muito sério. Estreitei os olhos em sua direção.
– Tanto faz. – Dei de ombros. – Eu não to nem aí, ta bom? Já saquei qual é o caso. Eu sou a serva, você manda. Entendido chefe. Agora podemos ir ver o Rei? Ele não está esperando por nós?
Edward pareceu finalmente se lembrar disso e me olhou demoradamente.
– Isso ainda não terminou. – Ele disse finalmente.
– Não sei do que você está falando. Pra mim terminou. Eu não posso deixar ninguém me tocar e ponto final. Acabamos aqui. – Falei com indiferença.
– Por que você está fazendo isso? – Ele perguntou finalmente, vindo tocar meu braço. Desviei-me dele e fui em direção às minhas roupas sem dizer mais nada.
Eu sabia que não era apenas raiva, mas nem morta que eu ia admitir pra ele que estava com ciúmes e fazer papel de otária. Nunquinha!
Troquei de roupa em silêncio, consciente do olhar de Edward sobre mim enquanto ele fazia o mesmo. Não trocamos mais nenhuma palavra, apenas saímos pelo corredor e batemos na porta ao lado. A voz do Rei nos mandou entrar.
– Ah, aí estão vocês. – Emmet falou sorrindo para nós. Sorri para ele. Não tinha como não sorrir de volta para aquelas covinhas, mesmo que eu ainda estivesse fula da vida com o Edward.
Alice estava lá com ele, bem como Jasper, Rosalie, Jacob e... Bem, Renesme. Não olhei para ela. Não me sentia confortável com ela ali, depois do que Edward havia dito, mas tentei ignorar aquela sensação de traição. Eu até gostava da garota, na boa. Mas agora... Bom, deixa pra lá.
– Estavam falando de nós pelas nossas costas? – Edward perguntou divertido.
– A gente bem que queria, mas Alice fincou o pé e mandou a gente esperar vocês. – Jacob falou como se Alice tivesse acabado com toda a sua diversão. Sorri pra ele.
– Bom, agora então vocês podem me contar o que está acontecendo. – Emmet falou incomodado.
– Claro. – Então Edward começou a contar em detalhes tudo o que havia acontecido desde que saímos do forte. Alice contou a parte dela e também os ajudamos com alguns detalhes. Quando chegou a parte de falar sobre mim, todos ficaram meio hesitantes. Alice por fim acabou com aquele momento desconfortável e detalhou o que havia acontecido.
Ouvi-la falando sobre o modo como eu havia agido meio "O Exterminador do Futuro" me deixou arrepiada, e não de um jeito bom.
– E então... Reparamos na tatuagem. – Ela disse por fim.
– Que tatuagem? – Emmet perguntou. Ele parecia meio abalado com a história toda.
Eu, por minha vez, desabotoei alguns botões de minha blusa e mostrei o símbolo gravado em minha pele. Ele o encarou, pasmo.
– Alice, aquilo é... – Emmet começou.
– Foi o que eu achei quando vi. – Alice confirmou.
– Mas para que ela tenha essa marca, Edward precisava ser... – O Rei continuou.
– Eu sei. – Alice finalizou.
Os dois ficaram olhando de Edward para mim. E eu tipo “Ahn?”. Um completando a frase do outro já estava dando nos nervos.
– Vocês podem explicar o que está acontecendo, por favor? – Renesme pediu nervosa.
– Claro. Há muito tempo atrás, havia um grupo de guerreiros invencíveis. Seus Guardiões tinham poderes insuperáveis e tinham um símbolo como esse de Isie gravado no peito, logo acima do coração. – Alice começou. Senti, sem saber como, que aquilo não ia ser nada agradável. – Esses Guardiões eram puramente máquinas de matar, demônios alados, como muitos dos que lutaram contra eles e por acaso sobreviveram, os chamaram. Eles pareciam vir de lugar nenhum e simplesmente deixavam um rastro de destruição num campo de batalha.
– Eu nunca ouvi falar sobre isso. – Edward falou.
– Por que esse é um assunto proibido. Não se fala sobre isso, não se escreve sobre isso, nem mesmo deve-se pensar sobre isso. Foi um Pacto que os vampiros fizeram há muitos anos. – Emmet explicou, olhando para Alice. – Apenas algumas pessoas ficam sabendo, para não deixar a história morrer e ser esquecida. Nem preciso dizer que o que for falado aqui, não deve sair desta sala em hipótese alguma, não é?
– Mas por que tanto mistério? O que esses guerreiros fizeram? – Eu perguntei apressada. Afinal, estavam falando de mim, certo?
– Como eu disse, esses Guardiões eram invencíveis. Tanto que havia quem os chamasse de Death Knights, os Cavaleiros da Morte. E consequentemente eram muito perigosos. Seus Mestres tentaram tomar o poder para si. Planejavam matar o Rei e seu líder tomaria seu lugar. Ainda assim, eles eram poucos. E já que não se podia enfrentar esses guerreiros de frente... Aniquilaram seus mestres para que isso não acontecesse. Não sei se isso foi certo ou não, mas foi o que aconteceu. – Alice finalizou.
– E não há mais guerreiros como esses? – Eu perguntei interessada. – Quero dizer, se eles existiram uma vez, por que não há mais deles nascendo por aí todos os dias, assim como eu?
– Não. Uma magia antiga foi invocada para que nada como eles surgisse mais uma vez. – Alice trocou um olhar misterioso com Emmet.
– O quê? Tem mais coisa, não tem? – Edward perguntou desconfiado.
– Vocês precisam saber que os mestres desses Death Knights eram de um tipo bem específico. Um tipo que não é visto há muito tempo e nem deveria existir. – Emmet falou olhando muito sério para Edward.
– Eu não estou entendendo. – Edward finalizou.
– Eles eram Mestiços, Edward. Filhos de Vampiros com seus Guardiões. Eram raros, mas não impossíveis. – Alice falou. Olhei para ela com a boca meio aberta.
– Uma magia antiga foi invocada pelo Oráculo daquela época, para que não nascessem mais crianças como essas. É meu dever agora monitorar isso. – Emmet disse.
– Mas eu não sou mestiço. – Edward finalizou.
– Eu não tenho ideia do que pode estar acontecendo, Edward, mas você tem que considerar essa possibilidade. Precisa perguntar ao seu pai. – Alice falou.
– Mas... Se isso for verdade... O que irá acontecer conosco? – Eu quis saber. Imaginei se eles iriam querer matar Edward para me aniquilar, como Alice havia dito. Já começava a pensar em formas de nós escaparmos.
Quero dizer, eu ainda estava com vontade de dar umas belas bolachas em Edward, mas também não ia querer o cara morto né?
– Edward já demonstrou sua lealdade para comigo muitas vezes. Vocês estão sob minha proteção, embora eu ache que o segredo ainda é extremamente necessário. – Emmet concluiu.
– Isso é... Insano. Então eu sou uma máquina de matar? Quer dizer que sempre que tiver uma luta eu vou virar um robô e sair matando tudo pela frente? – Eu perguntei exasperada.
– Eu sinceramente não sei como isso funciona. Nem mesmo sei por que você não morreu. Aquilo que aconteceu... Eles costumavam dizer que os Death Knights eram imortais, mas pensei que significasse no sentido geral da palavra, do mesmo modo que todos os vampiros são imortais. Agora começo a imaginar se não queria dizer que eram impossíveis de matar, a menos, é claro, que seu mestre fosse eliminado. – Emmet disse.
– Isso é confuso demais. – Jacob concluiu.
– Concordo, mas vejamos o lado positivo disso tudo. – Alice começou.
Eu tinha a impressão de que ela era daquele tipo de pessoa que sempre via o copo meio cheio, se é que você me entende. Eu gosto desse tipo de gente, apesar de eu mesma ser totalmente pessimista.
– Que lado positivo? – Edward perguntou.
– Se houver mesmo uma batalha contra os Vampiros Vermelhos, coisa que eu acho bastante provável, depois do que passamos lá fora, Isie será nossa arma secreta. – Alice terminou sorrindo.
Sabe que eu até gostei dessa coisa de arma secreta?
– Não. Sem chance. Eu não gostei daquilo, daquela coisa que aconteceu e se depender de mim, Isie não vai ser usada dessa forma. Não temos certeza de nada disso ainda! – Edward se opôs.
– Qual é! – Reclamei. Ele adorava cortar o meu barato.
– Eu concordo com Edward. Não vamos colocar Isie em perigo desnecessariamente. – Emmet concordou. Fiz um muxoxo, chateada.
– Bom, tudo bem, esse assunto pode ser encerrado por enquanto, mas temos que falar de outra coisa extremamente importante. – Renesme começou.
– O que pode ser mais importante do que Isie sendo uma provável arma de matar centenária? – Jacob perguntou parecendo muito animado com a minha situação. Era óbvio que o cara era tão problemático quanto eu. Por isso que a gente se dava bem.
– O fato de que provavelmente há um espião entre nós. – Renesme concluiu, deixando a todos em um silêncio atordoado.
Eu não havia pensado exatamente nisso, mas agora que ela havia falado, achei que na verdade era bem óbvio. Quero dizer, aquela coisa lá fora havia sido bem estranha, com os Vampiros Vermelhos sabendo de todos os nossos passos.
Claro que havia um espião, sua idiota! Falei para mim mesma.
E eu já sabia até pra quem era o meu voto.
Um certo loiro, o qual eu havia salvado a vida e que me odiava por isso.
Devia mesmo tê-lo deixado morrer.
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