A Guardiã
2 Retorno
Notas iniciais
Aqui escrevo um pouco sobre a vida da Mary e sua história, que aliás é um pouco sofrida!
Espero que gostem!
Espero que gostem!
Não gosto de lembrar os dias que se seguiram depois que chegamos à casa de vovó. Mamãe adoeceu, passava os dias na cama, fraca, precisava de ajuda para comer e a única exigência que fazia a mim era que tocasse violão para acalmar lhe o sono. — Minha pequena, poderia tocar para a mamãe? — perguntava ela com seus grandes e belos olhos verdes Durante uma noite tempestuosa minha irmã veio ao mundo e minha mãe deixou-o... Para nunca mais retornar... Por este motivo não tínhamos voltado mais àquele local, as lembranças de minha mãe eram muito fortes e vivas. Alícia agitava-se no banco traseiro do carro, impaciente e chorosa. — Falta muito papai? queixava-se olhando pela janela -Não minha princesa respondeu ele olhando pelo retrovisor apenas alguns minutos. Eu revirei os olhos, Alicia era uma criança hiperativa e ficar trancada em um carro durante duas horas era um sofrimento para ela. Concentrei-me em meu livro; lia O Retorno do Rei, da saga senhor dos anéis, apaixonei-me pela história que fora meu refugio nos cinco anos após a morte de minha mãe. O modo como Tolkien escrevia era envolvente e cativante e seus personagens pareciam querer pular para fora das páginas. — Achei que tinha terminado de ler estes livros que sua avó lhe deu disse meu pai distraído — Estou no final respondi olhando-o Gosto de apreciar cada detalhe da história como se fosse o último. — Sua mãe também era assim respondeu sorrindo e pegando minha mão no banco Voltei ao livro e mau acabara de ler um capítulo quando meu pai apontou ao longe uma ponte de madeira maciça, a ponte que eu desejava ver a muito tempo. *** — É um prazer revê-lo doutor disse Joe, o caseiro ao abrir o portão; era moreno, com o rosto castigado pelo sol, tinha uma rala barba grisalha que denunciava seus cinquenta e poucos anos, mas mantinha o mesmo tom brincalhão nos olhos Olá Marianne! cumprimentou ele pela janela — Oi Joe, — respondi me espremendo entre meu pai e a janela como vão as coisas? — Boas — ele tirou o boné e coçou a cabeça até onde se pode dizer então notou Alicia que lhe acenava freneticamente Ora, se não é a pequena Alicia! — Oi tio Joe! gritou ela animada, nunca vira Joe pessoalmente, apenas por fotos — Vão passando pediu o caseiro dona Margareth está esperando por vocês. A casa principal era antiga, ostentava dois andares talhados em mogno e um telhado em formato de v invertido com caimentos de tijolos vermelhos; as portas eram de carvalho com fechaduras de ferro. Quatro quartos distribuíam-se pelo andar superior; duas suítes e dois quartos mais simples, além disso, tinha duas salas, a de estar e a que guardava o piano que minha mãe tocava quando eu era criança. A parte de que meu pai mais gostava era a cozinha, com seu charmoso fogão a lenha e pratarias espalhadas por prateleiras, também pudera, meu pai era um dos mais requisitados chefes de cozinha de Toronto e seu habitat natural era a cozinha. Vovó nos esperava com seu sorriso acolhedor nos degraus da varanda, estava de avental e os cabelos grisalhos e rebeldes estavam presos em um coque no alto da cabeça. — Vovó! praticamente me lancei em seus braços — Ah meu Deus! disse afastando-me lentamente O que houve com a minha pequenina Mary? ajeitou os óculos na ponta do nariz Como você cresceu! — Também estava com saudades. disse sorrindo — Vovó Meg dizia Alicia puxando-lhe a barra do avental — Ora vejam só, se não é a minha menina favorita abaixou-se pegando Alicia no colo — Margareth meu pai aproximou-se arrastando nossas malas como tem passado? — Bem Robert, na medida do possível ela lançou lhe um sorriso tristonho mas vamos entrando e deixe que Joe o ajude com as malas. A sala de estar estava iluminada e arrumada e um cheiro de amoras invadiram minhas narinas. Torta de Amoras. — A senhora fez torta de amoras? perguntei — Torta de molas daquelas que a senhora mandava vovó questionou Alicia curiosa — É sim, — concordou sorrindo mas primeiro, tenho alguns presentes para lhes dar. — Onde ponho as malas Dona Meg perguntou Joe — Coloque no quarto de hóspedes que depois arrumamos. Vovó andou até sua poltrona e retirou de uma pilha um grande pacote embalado em papel cor de rosa brilhante.
— Este é para minha Ali disse ela estendendo-o para minha irmã — Obrigada vovó agradeceu dependurando-se no pescoço da senhora — Você merece retirou outro pacote menor, mas não menos enfeitado este é seu Robert. — Não precisava se incomodar comigo Meg respondeu meu pai — Papai olha! Papai olha! gritava Alicia segurando uma enorme boneca nos braços — É linda, minha filha ele desembrulhou um kit de panelas completo Eu estava namorando um destes há muito tempo ele sorriu para minha avó Obrigado Meg. — E para a minha moça entregou-me um pacote pequeno e comprido, que desenrolei com avidez Uma corrente de ouro prendia um pingente em forma de ave com delicadas pedrinhas de brilhante. — Eu nem sei o que dizer olhei-a com um sorriso imenso nos lábios muito obrigada vó. — Esta apontou ela para o pingente é uma Fênix, o pássaro que renasce das cinzas, para que se lembre de que por pior que as coisas possam parecer, sempre há uma saída. — Agradeço muito voltei-me para o espelho que ficava no fim do corredor, ao lado da escada O colar parecia brilhar em meu pescoço e chamava toda a atenção para meu rosto. Meus cabelos castanhos caíam em leves ondas por minhas costas, os olhos fracamente verdes olhavam para a corrente de ouro que enfeitava meu rosto. Sorri e abracei minha avó mais uma vez... Agora sim, me sentia em casa.
Notas finais
Será que mereço reviews?
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